G1 > Natureza

    Proliferação de espécie invasora de mexilhão afeta hidrelétricas

    Proliferação de espécie invasora de mexilhão afeta hidrelétricas


    Molusco se incrusta em tubulações e altera ecossistemas. Espécie é alvo de plano de controle do Ibama cuja meta é evitar contaminação de Amazonas, Tocantins e Araguaia. A proliferação do mexilhão-dourado tornou o molusco uma praga nos rios e...


    Molusco se incrusta em tubulações e altera ecossistemas. Espécie é alvo de plano de controle do Ibama cuja meta é evitar contaminação de Amazonas, Tocantins e Araguaia. A proliferação do mexilhão-dourado tornou o molusco uma praga nos rios e nos reservatórios de água doce da região Sul do Brasil. Seu principal impacto é econômico: a espécie se fixa em superfícies submersas e forma incrustações que trazem prejuízo financeiro em usinas hidrelétricas. Suas colônias podem atingir densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado. O molusco já está presente em pelo menos 50 hidrelétricas brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Uma usina de pequeno porte afetada tem prejuízo diário de cerca de R$ 40 mil a cada dia de paralisação. A Usina de Itaipu, que está na lista de atingidas, aumentou o volume de manutenção das turbinas após a chegada da espécie invasora, gerando custos diários extras de cerca de US$ 1 milhão por dia de limpeza. Amazonas, Tocantins e Araguaia O mexilhão-dourado é uma das três espécies exóticas invasoras que são alvo de planos de controle do Ibama. Em dezembro de 2018 o órgão publicou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Mexilhão-dourado no Brasil. O documento tem dois objetivos principais. O primeiro é prevenir a dispersão do molusco em áreas não-invadidas e controlar a população das áreas invadidas durante os próximos cinco anos. No período de 25 anos, a meta é a manutenção de bacias hidrográficas não-invadidas, com prioridade para as regiões hidrográficas Amazônica e Tocantins-Araguaia. Para isso, o Ibama promete no plano estimular a pesquisa científica sobre o tema e difundir informações importantes para o controle e prevenção da espécie. Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre impactos ambientais, sociais e econômicos que as espécies invasoras causam a partir da história do javali, do sagui-de-tufos-pretos, do mexilhão-dourado e do pinheiro. 20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia 'Bioinvasão' com aproximadamente 200 mil javalis causa prejuízos e reação de caçadores em SC Pinheiros invadem dunas de Florianópolis e lei prevê eliminação da espécie até 2022 Mexilhão-dourado forma incrustações sobre si mesmo Celso Tavares/G1 “Ele vai se incrustando sobre si mesmo e vai formando massas cada vez maiores de modo que mesmo tubulações muito grandes podem ser completamente fechadas pela presença dele”, explica Alex Nuñer, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que coordena pesquisas sobre a espécie. Além disso, a espécie pode causar problemas em estações de tratamento de esgoto e de água. “Já existem estações de tratamento de água que foram contaminadas pelo mexilhão no Paraná e Rio Grande do Sul e, por enquanto, não há nenhum produto liberado para combater a espécie nesse tipo de ambiente”, explica Otto Mäder, engenheiro mestre em engenharia de materiais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Esse vai ser o próximo desafio da invasão de mexilhão-dourado no Brasil.” O prejuízo trazido pela espécie asiática também é ambiental. Por ser um animal filtrador, ele se alimenta de várias espécies nativas dos rios brasileiros. De acordo com o Ibama, sua presença já foi registrada em ao menos 27 unidades de conservação, incluindo parques estaduais e estações ecológicas. Como a invasão é recente – começou nos anos 1990 e ganhou força a partir de 2001 – os resultados do desequilíbrio ambiental ainda estão sendo estudados. No entanto, já se sabe que sua presença afeta o ciclo de nutrientes no ambiente aquático e promove mudanças na fauna de peixes. Roberta Jaworski/G1 Qual é o problema do mexilhão-dourado? Além do entupimento de tubulações, que provoca aumento nas paradas para limpeza e manutenção de hidrelétricas, o mexilhão-dourado também reduz a eficiência de sistemas de resfriamento presentes em barcos e balsas. Tudo isso gera um grande aumento de gastos que está preocupando pesquisadores e empresários. Em Anita Garibaldi, cidade catarinense às margens do rio Canoas, um exemplo do impacto do mexilhão-dourado ocorre no serviço de balsa de Santa Ana. “[O mexilhão-dourado] bagunça, gruda nos encanamentos, por baixo do rebocador, do lado”, conta Antônio Jerônimo da Silva, condutor da balsa. “Tem que estar sempre limpando os encanamentos e [o casco] embaixo da balsa.” O principal dano que a espécie causa ali são as incrustações que envolvem as tubulações de resfriamento do motor. Para evitar que o motor acabe danificado pelo calor excessivo, a equipe do balseiro aumentou a frequência da limpeza. Balsa de Santa Ana, em Anita Garibaldi/SC, é afetada pelo mexilhão-dourado Celso Tavares/G1 Perto dali, no reservatório da Usina Hidrelétrica de Campos Novos, também no rio Canoas, pesquisadores da UFSC estão estudando a proliferação do mexilhão-dourado na região. Junto com Campos Novos, outras três hidrelétricas catarinenses – Machadinho, Itá e Foz do Chapecó – se uniram para financiar pesquisas acadêmicas sobre a espécie invasora. No momento, os biólogos analisam os efeitos colaterais do molusco na bacia do rio Uruguai e avaliam possíveis mecanismos de controle biológico. Hidrelétrica de Campos Novos é alvo de pesquisa da UFSC sobre mexilhão-dourado Celso Tavares/G1 “Por enquanto o objetivo é medir a presença do mexilhão nesses cinco reservatórios”, explica Alex Nuñer, coordenador da pesquisa. Para isso foram instaladas boias coletoras que captam a água dos reservatórios das hidrelétricas em diferentes profundidades. No futuro, a ideia é tentar encontrar predadores naturais para que a população da espécie invasora possa ser controlada. Enquanto isso não acontece, as hidrelétricas empregam produtos químicos para diminuir os efeitos negativos do mexilhão-dourado. “Hoje, apenas dois produtos são liberados pelo Ibama para o controle dessa espécie”, explica Otto Mäder, engenheiro e representante da MaxClean. A empresa fabrica um dos produtos liberados, feito à base de taninos. Ele forma uma película anti incrustante nas tubulações que impede que o molusco se fixe. O outro produto liberado para uso pelo Ibama é feito à base de cloro e age diminuindo a densidade de larvas e mexilhões adultos na água. Sua desvantagem: o cloro também aumenta a corrosão de materiais metálicos. O rio Canoas, em Anita Garibaldi, é um dos locais acometidos pelo mexilhão-dourado em Santa Catarina Celso Tavares/G1 Além do prejuízo às hidrelétricas, os pesquisadores da UFSC já verificaram também impactos do mexilhão-dourado no meio ambiente. “Do ponto de vista ambiental, por ele ocorrer em colônias muito, muito grandes, boa parte daquela água onde ele se encontra acaba sendo filtrada”, explica Nuñer. Nessa filtragem são consumidos microrganismos que poderiam servir de alimento para peixes e outras espécies nativas. Desse modo, a fauna de peixes é afetada: pode ocorrer, por exemplo, o aumento de densidade de algumas espécies e a diminuição de outras. No Lago Guaíba, no Rio Grande do Sul, a presença da espécie invasora reduziu a área de cobertura dos juncais, formação vegetal típica da região. Como os juncais são habitat de diversos peixes, a redução dessa vegetação acarretou a diminuição de recursos pesqueiros. Como o molusco é filtrador, metais pesados como mercúrio, cádmio e chumbo podem acabar se acumulando em seu interior. “Existe então o risco de bioacumulação de substâncias tóxicas em peixes quando os animais se alimentam desse mexilhão”, diz Nuñer. O molusco também altera a qualidade da água onde está presente. Ele diminui a concentração de matéria orgânica e eleva os teores de amônia, nitrato e fosfato. A água torna-se mais transparente e clara, por conta da filtragem. O mexilhão-dourado se fixa em substratos como pedaços de madeira Celso Tavares/G1 Como ocorreu a invasão? Originário do Sudeste Asiático e da China, o mexilhão-dourado foi trazido para a América do Sul por meio da água de lastro de navios no início da década de 1990. A água de lastro serve para garantir estabilidade na navegação. Coletada no ponto de partida da viagem, ela é lentamente despejada por onde o navio passa. Barcos vindos da Ásia levaram a água contaminada por larvas do mexilhão para a Argentina, onde ele se proliferou rapidamente pela Bacia do Prata. Os primeiros registros do animal no Brasil ocorreram em 1998 no Rio Grande do Sul. No começo dos anos 2000 já havia relatos de sua presença no Paraná e Mato Grosso do Sul. No Brasil, a proliferação da espécie ocorre em uma velocidade de cerca de 240 quilômetros percorridos a cada ano. A última região contaminada pelo mexilhão no Brasil é a bacia do rio São Francisco. A chegada do animal no Nordeste preocupa pesquisadores porque a espécie há indícios de que a ela se reproduza ainda mais rápido em locais de clima e água quentes. Igor Estrella/G1 Apesar de extramente resistente, o mexilhão por si só não é capaz de se espalhar contra a correnteza. Por isso, sua dispersão no Brasil está necessariamente associada a ação humana e ocorre principalmente por meio de quatro vetores: pesca, transporte de areia, transporte fluvial e água de lastro. Como evitar o mexilhão-dourado? A divulgação de informações sobre a proliferação do mexilhão-dourado é essencial para evitar novas introduções da espécie, segundo Alex Nuñer. “O aumento do comércio internacional certamente fez com que esses organismos que antes estavam restritos a alguns lugares se espalhassem mais fácil, especialmente os aquáticos”, explica o professor. "Como a dispersão dessas espécies está muito ligada a ação do homem, agora é preciso ter mais atenção aos nossos atos.” Algumas medidas essenciais para evitar a proliferação do mexilhão-dourado são: Não descartar água de locais contaminados na natureza Antes de usar a areia trazida de regiões onde o mexilhão ocorre, deixá-la secar ao sol por pelo menos 15 dias Lavar muito bem o exterior de barcos que circulam em áreas com presença de mexilhão antes de transportá-los Higienizar equipamentos de pesca com água sanitária depois do uso Nunca descartar as vísceras de peixes na pia Para popularizar essas orientações, o instituto de pesquisa Lactec promoveu uma ação em 58 escolas da região Sul do Brasil com gibis sobre o mexilhão-dourado. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Engie Brasil, que administra 11 usinas hidrelétricas. Gibi distribuído em escolas do Sul ensina a reconhecer mexilhão-dourado Reprodução/Lactec “Junto com o gibi, as escolas receberam exemplares das conchas do mexilhão dourado para que as crianças pudessem conhecer a espécie”, explica Patricia Dammski, pesquisadora do laboratório de biologia da Lactec. Foram produzidos aproximadamente 6 mil exemplares, distribuídos prioritariamente nas escolas que ficam no entorno das usinas hidrelétricas.
    Ativistas bloqueiam a Bolsa de Londres no 11º e último dia de protestos

    Ativistas bloqueiam a Bolsa de Londres no 11º e último dia de protestos


    Durante o período de protestos, a polícia anunciou a detenção de mais de mil ativistas e 69 deles foram acusados de obstrução de via pública e resistência à ação das forças de segurança. Protestos do Extinction Rebellion em Londres nesta...


    Durante o período de protestos, a polícia anunciou a detenção de mais de mil ativistas e 69 deles foram acusados de obstrução de via pública e resistência à ação das forças de segurança. Protestos do Extinction Rebellion em Londres nesta quinta-feira (25). Daniel Leal-Olivas/AFP Os ativistas da organização ecológica Extinction Rebellion bloquearam nesta quinta-feira a entrada da Bolsa de Londres, no 11º e último dia de mobilizações na capital britânica para exigir um "estado de emergência ecológica". Estudantes vão às ruas em protesto global contra mudança climática Greta Thunberg, a adolescente sueca que está sacudindo a luta ambiental Durante o período de protestos, a polícia anunciou a detenção de mais de mil ativistas e 69 deles foram acusados de obstrução de via pública e resistência à ação das forças de segurança. Nesta quinta, sete membros da organização, que defende a desobediência civil não violenta contra a falta de ação contra as mudanças climáticas, formaram um bloqueio na frente do edifício da London Stock Exchange, no coração da City. Três deles exibiam painéis de anúncios eletrônicos, similares aos observados nas Bolsas, com mensagens como "Diga a verdade", "Emergência climática" e "O dinheiro não pode ser comido", enquanto a polícia tentava retirar os ativistas do local. "Muitas das empresas mais destrutivas para o meio ambiente no mundo têm cotação na Bolsa de Londres", afirmou o Extinction Rebellion (XR) em um comunicado, que destacou a intenção de atacar durante o dia "o setor financeiro". Membros do grupo também bloquearam o tráfego na estação ferroviária de Canary Wharf, outra importante área de negócios da capital britânica, para protestar contra a detenção de três manifestantes na semana passada durante uma ação no sistema de transporte público de Londres. Criada em 2018 no Reino Unido, "a XR" tem três grandes reivindicações: a declaração de um "estado de emergência climática e ecológica", a elaboração de um plano de ação para "reduzir a zero" até 2025 as emissões de gases que provocam o efeito estufa e a criação de uma "assembleia de cidadãos" que, apoiada por cientistas, se pronuncie sobre questões climáticas. Na quarta-feira o grupo anunciou que encerraria nesta quinta-feira 11 dias de ações, durante os quais centenas de manifestantes bloquearam pontos emblemáticos e muito frequentados de Londres, como Oxford Circus ou Piccadilly Circus. Em Londres, mais de mil são presos em atos que pediam medidas contra mudanças climáticas
    Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018, mostra relatório

    Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018, mostra relatório


    Só no Brasil, 1,3 milhão de hectares de florestas primárias – que nunca haviam sofrido interferência humana – desapareceram no ano passado. Cenas de desmatamento no interior de Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Cerca de 12 milhões...


    Só no Brasil, 1,3 milhão de hectares de florestas primárias – que nunca haviam sofrido interferência humana – desapareceram no ano passado. Cenas de desmatamento no interior de Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Cerca de 12 milhões de hectares de florestas tropicais desapareceram em 2018, o equivalente a 30 campos de futebol por minuto. Só no Brasil, foram desmatados 1,3 milhão de hectares de florestas - é o país que mais perdeu árvores no ano passado. Os dados de 2018 são do Global Forest Watch, atualizado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. O levantamento mostra o complexo retrato do desmatamento em áreas densas de florestas tropiciais - da Amazônia, na América do Sul, a África e Indonésia. A maior preocupação apontada pelo relatório diz respeito à destruição continuada das florestas primárias, como são chamadas as áreas com as árvores mais antigas e que não são fruto de replantio. De acordo com o relatório do Global Forest Watch, uma área de florestas primárias equivalente ao tamanho da Bélgica foi destruída em 2018. Brasil liderou desmatamento de florestas primárias no mundo em 2018, mostra relatório BBC Brasil é o país com mais desmatamento Brasil e Indonésia foram responsáveis por 46% do desmatamento de florestas tropicais no mundo em 2018. O percentual é bem menor que o revelado pelo relatório de 2002, que mostrou que só esses dois países foram responsáveis por 71% das perdas de árvores tropiciais. Mas o grande mérito na redução não é do Brasil, e sim da Indonésia, onde a perda de floresta primária foi 40% menor no ano passado que a taxa média entre 2002 e 2016. O Brasil vivenciou uma queda significativa no desmatamento entre 2007 e 2015, de cerca de 70%. Mas incêndios - muitos deles provocados intencionalmente - provocaram grande aumento entre 2016 e 2017. A área de floresta primária destruída no Brasil em 2018 – 1,3 milhões de hectares - foi menor que em 2017. Mas ainda assim está acima da média histórica do país. "Pode parecer tentador comemorar essa queda nos últimos dois anos, mas quando observamos os últimos 18 anos, fica claro que a tendência é de alta no desmatamento. Estamos longe de vencer essa batalha", diz Frances Seymour, do World Resources Institute, que administra o Global Forest Watch. Na Amazônia, especificamente, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registrou, entre agosto de 2017 e julho de 2018, aumento no desmatamento de 13,7% em relação aos 12 meses anteriores - o pior resultado em 10 anos. O Global Forest Wacth destaca que várias áreas de florestas desmatadas em 2018 ficam próximas ou dentro de territórios indígenas. A reserva Ituna Itata, que abriga índios isolados, perdeu mais de 4 mil hectares em decorrência de exploração ilegal de madeira. Por que os novos dados da Global Forest Watch são relevantes? Florestas primárias, como mencionado antes, são aquelas que se encontram em seu estado original, que não foram afetadas pela ação humana. Algumas das árvores nessas áreas têm centenas ou até milhares de anos de idade. Elas são essenciais para a manutenção da biodiversidade - são abrigo de animais selvagens, como onças, tigres, macacos e diferentes espécies de aves. Essas árvores também são essenciais para o controle do aquecimento global, já que armazenam dióxido de carbono, destaca o relatório do Global Forest Watch. Por isso, a perda de milhares de hectares de floresta em 2018 é tão preocupante. "Para cada hectare perdido, estamos um passo mais próximos dos desastrosos cenários projetados para o aquecimento global", diz Frances Seymour. Desmatamento em outras partes do mundo Vários países tiveram aumento na perda de florestas primárias desde 2002, principalmente República Democrática do Congo, Colômbia, Bolívia e Peru. No caso da Colômbia, o crescimento do desmatamento, principalmente a partir de 2016, é visto como consequência do processo de paz do governo com as Farc, guerrilha de esquerda que ocupava áreas de floresta. O fim da luta armada nessas regiões abriu caminho para a exploração econômica da Amazônia colombiana. Em termos proporcionais, Madagascar apresentou resultados preocupantes - perdeu 2% de suas florestas primárias em 2018, mais do que qualquer outro país tropical. "Não é incomum que a perda de áreas de floresta seja associada à morte, porque a cada ano centenas de pessoas são assassinadas tentando impedir a atividade ilegal de madeireiros e garimpeiros", destaca ainda Frances Seymour. E há alguma notícia boa nisso tudo? O caso bem sucedido da Indonésia, que foi capaz de reduzir a perda de florestas primárias em 40% em 2018, mostra que políticas públicas podem ter impacto significativo na redução do desmatamento. Um acordo firmado entre a Indonésia e a Noruega, que prevê compensação pela redução de emissões, também parece ter cumprido papel importante nos resultados positivos. "Nós estamos levando a política ambiental a sério. No nosso país, várias empresas foram punidas ou receberam alertas do governo, então estamos nos esforçando para garantir o cumprimento da lei", diz Belinga Margono, do Ministério de Meio Ambiente da Indonésia.
    Manifesto assinado por 600 cientistas pede que Europa pare de 'importar desmatamento' do Brasil

    Manifesto assinado por 600 cientistas pede que Europa pare de 'importar desmatamento' do Brasil


    Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram no fim de 2018 um aumento de 13,7% do desmatamento da Amazônia em relação aos 12 meses anteriores - o maior número registrado em dez...


    Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram no fim de 2018 um aumento de 13,7% do desmatamento da Amazônia em relação aos 12 meses anteriores - o maior número registrado em dez anos. Floresta Nacional de Itaituba I Reprodução / ICMBio A edição de sexta-feira (26) da revista Science traz uma carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias pedindo para que a União Europeia (UE), segundo maior parceiro comercial do Brasil, condicione a compra de insumos brasileiros ao cumprimento de compromissos ambientais. Em linhas gerais, o documento faz três recomendações para que os europeus continuem consumindo produtos brasileiros, todas baseadas em princípios de sustentabilidade. Pede que sejam respeitados os direitos humanos, que o rastreamento da origem dos produtos seja aperfeiçoado e que seja implementado um processo participativo que ateste a preocupação ambiental da produção - com a inclusão de cientistas, formuladores de políticas públicas, comunidades locais e povos indígenas. O grupo de cientistas tem representantes de todos os 28 países-membros da UE. O teor da carta ecoa preocupações da Comissão Europeia - órgão politicamente independente que defende os interesses do conjunto de países do bloco político-econômico - que há cerca de quatro anos vem estudando como suas relações comerciais impactam o clima mundial. Pesquisador de questões de uso do solo, políticas de mitigação climática, combate ao desmatamento e cadeias produtivas, o brasileiro Tiago Reis, da Universidade Católica de Louvain, é um dos autores da carta. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que a publicação do texto tem como objetivo mostrar às instituições europeias que a comunidade científica entende a questão como "prioritária e extremamente relevante". "A iniciativa é importante, sobretudo neste momento em que sabemos que a Comissão Europeia está estudando o assunto e formulando uma proposta de regulação para a questão da 'importação do desmatamento'", disse o cientista. O artigo foi divulgado nesta quinta-feira. Procurado pela reportagem da BBC News Brasil, o Ministério do Meio Ambiente ainda não respondeu ao pedido de entrevista sobre o tema. Sustentabilidade e direitos humanos "Exortamos a União Europeia a fazer negociações comerciais com o Brasil sob as condições: a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities negociadas", diz a carta veiculada no periódico científico. A carta ressalta que a UE comprou mais de 3 bilhões de euros de ferro do Brasil em 2017 - "a despeito de perigosos padrões de segurança e do extenso desmatamento impulsionado pela mineração" - e, em 2011, importou carne bovina de pecuária brasileira associada a um desmatamento de "mais de 300 campos de futebol por dia". Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018 - um total de mais de US$ 42 bilhões, com superávit de US$ 7,3 bilhões. A exportação de carne responde por cerca de US$ 500 milhões deste total, minério de ferro soma quase US$ 2,9 bilhões e cobre, US$ 1,5 bilhão. De acordo com dados divulgados em novembro pelo ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a Amazônia enfrenta índices recordes de desmatamento. Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram um aumento de 13,7% do desmatamento em relação aos 12 meses anteriores - o maior número registrado em dez anos. Isso significa que, no período, foram suprimidos 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica, o equivalente a mais de cinco vezes a área do município de São Paulo. A principal vilã é a pecuária. Estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 2016 apontou que 80% do desmatamento do Brasil se deve à conversão de áreas florestais em pastagens. Atividades de mineração respondem por 7% dos tais danos ambientais. Principal autora do texto, a bióloga especialista em conservação ambiental Laura Kehoe, pesquisadora da Universidade de Oxford, acredita que, como forte parceria comercial, a Europa é corresponsável pelo desmatamento brasileiro. "Queremos que a União Europeia pare de 'importar o desmatamento' e se torne um líder mundial em comércio sustentável", disse ela. "Nós protegemos florestas e direitos humanos 'em casa', por que temos regras diferentes para nossas importações?" "É crucial que a União Europeia defina critérios para o comércio sustentável com seus principais parceiros, inclusive as partes mais afetadas, neste caso as comunidades locais brasileiras", afirmou a bióloga conservacionista Malika Virah-Sawmy, pesquisadora da Universidade Humboldt de Berlim. A carta dos cientistas apresenta preocupações, mas a aplicação dos tais compromissos como condições para tratativas comerciais depende de regras a serem criadas pela Comissão Europeia. Se o órgão acatar as sugestões, será preciso definir de que maneira o Brasil - e outros parceiros comerciais da UE - precisaram criar organismos e estabelecer as métricas para o cumprimento das exigências. Medidas do governo Bolsonaro De acordo com o brasileiro Tiago Reis, foram dois meses de articulação entre os cientistas europeus para que a carta fosse consolidada e os signatários, reunidos. "Criamos o texto acompanhando a evolução do novo governo brasileiro. Estávamos preocupados com as promessas de campanha, mas quando essas promessas passaram a ser concretizadas, com edição de decretos, decidimos que precisávamos fazer algo", disse ele. "Existe, hoje, um discurso no Brasil que promove a invasão de terras protegidas e o desmatamento. Isso gerou sinais de alerta na comunidade científica internacional." A carta publicada pela Science ainda afirma que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) trabalha "para desmantelar as políticas anti-desmatamento" e ameaça "direitos indígenas e áreas naturais". Além de ser assinada pelos 602 cientistas europeus, a carta tem o apoio de duas entidades brasileiras, que juntas representam 300 povos indígenas: a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Logo no dia 2 de janeiro, primeiro dia útil do mandato, Bolsonaro publicou decretos transferindo órgãos de controle ambiental para outras pastas, reduzindo a atuação do Ministério do Meio Ambiente. O Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, foi realocado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - pasta comandada por Tereza Cristina, ligada à bancada ruralista. Outros três órgãos foram cedidos para o Ministério do Desenvolvimento Regional. A incumbência de demarcar terras indígenas, antes sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai), também foi transferida para o Ministério da Agricultura. A própria Funai foi remanejada. Antes vinculada ao Ministério da Justiça, acabou subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves. Mais recentemente, funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) têm sido alvo de exonerações. Na semana passada, o Ibama arquivou processos contra a produção de soja em áreas protegidas em Santa Catarina. E o próprio presidente Bolsonaro, via redes sociais, desautorizou no início deste mês operação em andamento contra a exploração ilegal de madeira em Rondônia.
    Pinheiros invadem dunas de Florianópolis e lei prevê eliminação da espécie até 2022

    Pinheiros invadem dunas de Florianópolis e lei prevê eliminação da espécie até 2022


    Prefeitura doava mudas para aumentar a área verde e fixar dunas. Espécie exótica invasora prejudica as nativas, toma área de parques e agora precisa ser extinta da ilha. Pinheiro da América do Norte invade as dunas de Florianópolis Um pinheiro...


    Prefeitura doava mudas para aumentar a área verde e fixar dunas. Espécie exótica invasora prejudica as nativas, toma área de parques e agora precisa ser extinta da ilha. Pinheiro da América do Norte invade as dunas de Florianópolis Um pinheiro de Natal plantado na areia. Nas dunas da Lagoa da Conceição, na região leste de Florianópolis, a presença das árvores da espécie Pinus elliottii, nativa do Hemisfério Norte, já se tornou banal. São milhares espalhados por Florianópolis graças a uma política pública dos anos 1960 que buscava aumentar a área verde e garantir a fixação das dunas. Mas os prejuízos superaram os supostos benefícios. A meta agora, prevista em lei, é eliminar todas da ilha até 2022. O prazo está chegando ao fim, mas a paisagem mostra que a capital catarinense ainda está longe de se ver livre dessa invasão biológica. No Parque Estadual do Rio Vermelho, 30% do território está coberto por pinheiros e eucaliptos. São 1.532 hectares contaminados por árvores com até 30 metros de altura sob as quais nada mais cresce. As sementes do pinheiro podem viajar até 60km com a ação do vento Celso Tavares/G1 Popularmente conhecido como pinheiro americano ou pinus, a árvore é uma das 99 espécies exóticas invasoras mapeadas pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Santa Catarina. Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre impactos ambientais, sociais e econômicos que elas causam a partir da história do javali, do sagui-de-tufos-pretos, do mexilhão-dourado e do pinheiro. 20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia 'Bioinvasão' com aproximadamente 200 mil javalis causa prejuízos e reação de caçadores em SC Permissão para caça do javali com cães, armadilhas e armas agora pode ser solicitada em processo digital Extinção ou multa Por conta do vento, cada semente do pinus pode viajar até 60 quilômetros antes de se fixar no solo. Assim, a árvore se espalhou por vários lugares da ilha e ameaça a vegetação nativa. "No Dia da Árvore se distribuía mudinha de pinus, as pessoas podiam pegar de graça as mudas lá no Horto Florestal, que hoje é o Parque Municipal do Córrego Grande. Foi uma planta que teve muita propaganda positiva”, explica Sílvia Ziller, do Instituto Hórus. A infestação na região da Lagoa da Conceição também foi estimulada por políticas públicas. Os moradores de casas ao redor da lagoa plantavam as mudas gratuitas em seus quintais com o objetivo de manter as dunas longe de suas propriedades. O vento foi levando as sementes dessas árvores para dentro da área de restinga que, desde 1988, corresponde ao Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. O cenário começou a mudar nos anos 2000, quando a prefeitura e o governo do estado passaram a promover ações de controle. A principal foi o decreto municipal, aprovado em 2012, que proíbe o plantio de pinheiros, eucaliptos e casuarinas em Florianópolis e determina que, em 10 anos, as espécies devem estar extintas do município. A lei diz ainda que as árvores devem ser substituídas por espécies nativas e que, depois de 2022, proprietários de terrenos onde as espécies invasoras permanecem podem ser multados em R$ 100 por árvore remanescente. A legislação contempla ainda as casuarinas e os eucaliptos, árvores com características similares às do pinus e que também não pertencem à flora da ilha. Apesar disso, só em abril de 2018 foi aprovado o Plano de Ação Integrada, decreto que detalha como a retirada das três espécies invasoras de Florianópolis deve ocorrer. O plano determina que a prefeitura deve realizar o mapeamento da ocorrência das espécies na cidade em até 24 meses. Pinheiro americano invade áreas de restinga em Santa Catarina Celso Tavares/G1 Impacto do pinus Por ser uma árvore de grande porte e com tendência a formar grupamentos exclusivos, o pinheiro americano tem grande impacto sobre os ecossistemas. Para combater a praga, uma ONG local reúne voluntários para retirar os pinheiros do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. Desde 2010, 352 mil pinheiros já foram cortados ou arrancados pelo mutirão do Instituto Hórus. A eficácia do projeto mostra que a luta contra os impactos negativos das espécies exóticas invasoras não é em vão. "É um exemplo de um trabalho feito a custo baixo e que pode até erradicar a espécie invasora dessa unidade de conservação”, explica Elaine Zuchiwschi, coordenadora do programa de espécies exóticas invasoras do IMA. Pinheiro da espécie Pinus elliottii no Parque Estadual do Rio Vermelho Celso Tavares/G1 “O pinus é um problema porque, quando ele entra nos ambientes que ele invade, ele não convive com as plantas que já estão lá”, explica Sílvia Ziller, engenheira florestal e fundadora do Instituto Hórus. “Ele toma conta e não permite a permanência das plantas nativas. Esse processo de dominância é muito ruim para o ambiente.” Invasão prejudica espécies nativas A invasão dos pinheiros é mais comum em ambientes abertos, de vegetação pequena ou arbustiva. São características típicas da vegetação de restinga, que originalmente cobria boa parte do município de Florianópolis. Depois que as árvores estão adultas, as folhas dos pinheiros se acumulam sobre a terra porque os microrganismos presentes no solo catarinense têm dificuldade para decompor um material tão fibroso. Essa cobertura de folhas que se forma no chão dificulta a germinação de outras espécies e facilita ainda mais a dominância dos pinheiros a longo prazo. Além de prejudicar espécies nativas, o pinus também resseca o solo, causando problemas na gestão de bacias hidrográficas. Em função do crescimento acelerado, são árvores que consomem mais água do que a média e, quando existem em grande quantidade, podem danificar nascentes ou pequenos cursos d‘água. Roberta Jaworski/G1 Floresta exótica Um dos locais que foi alvo de plantio sistemático de pinheiros foi a região do Rio Vermelho, no leste da ilha. A área acabou se transformando na maior floresta exótica da cidade. O Parque Estadual do Rio Vermelho foi criado em 2007 com o objetivo de recuperar a flora do local. A medida foi motivada pelas críticas de biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que, desde a década de 1990, denunciavam a degradação ambiental causada pelo plantio de espécies exóticas. mapa info parque estadual do rio vermelho Igor Estrella/G1 Ainda sem plano de manejo, o parque continua dominado pelos pinheiros e eucaliptos plantados em áreas de Mata Atlântica e restinga. Segundo o IMA, a retirada das árvores invasoras só poderá começar depois da aprovação do plano de manejo – e ainda não há previsão de quando isso deve ocorrer. O objetivo é utilizar a receita proveniente da venda dos pinus retirados para custear a restauração da área com espécies nativas. As árvores do gênero Pinus, especialmente Pinus elliottii e Pinus taeda, são muito utilizadas na produção madeireira e também para a extração de resina, uma pasta branca viscosa que é matéria-prima para a indústria. Na praia de Moçambique, que fica ao lado do parque estadual, pequenos pinheiros crescem em meio à restinga. Por conta do solo arenoso e da ação do vento e das marés, a árvore assume características diferentes por ali: ao invés de retilínea e alta, torna-se arbustiva e cresce para os lados. Árvores exóticas invasoras estão presentes na Praia de Moçambique, em Florianópolis Celso Tavares/G1 Desmatamento do bem Cansadas de ver o pinheiro invadindo ambientes naturais, Michele Dechoum e Sílvia Ziller decidiram arregaçar as mangas. Em 2010 as pesquisadoras da ONG Instituto Hórus criaram o mutirão para controle de pinus. A ONG começou a atuar no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição depois de buscar autorização da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), que é a entidade gestora da área. “O nosso objetivo aqui não é cortar árvores, o nosso objetivo aqui é restaurar ecossistemas, é abrir espaço para a biodiversidade nativa”, explica Michele Dechoum, coordenadora do Instituto Hórus e professora da UFSC. Igor Estrella/G1 Moradores, universitários e pesquisadores da área ambiental participam, uma vez por mês, do programa de voluntariado que acontece aos sábados. São cerca de 5 mil pinheiros retirados a cada edição. Cada voluntário consegue cortar, em média, de 200 a 300 pinus em cada visita. As ferramentas são disponibilizadas pelo Instituto Hórus, que também fornece serras elétricas, manuseadas pelos organizadores ou por voluntários experientes. Mais importante do que o número de plantas retiradas é a mudança na paisagem do parque. “É muito legal perceber que o projeto tem servido para a gente efetivamente resolver uma questão ambiental do parque e informar as pessoas sobre esse tema”, diz Dechoum. Voluntários do Instituto Hórus se reúnem no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição Celso Tavares/G1
    Barroso nega suspender ato de Bolsonaro que retirou da Funai demarcação de terras indígenas

    Barroso nega suspender ato de Bolsonaro que retirou da Funai demarcação de terras indígenas


    Assim que tomou posse, presidente transferiu atribuição para o Ministério da Agricultura. PSB pediu ao STF que suspendesse ato alegando que objetivo do governo é paralisar demarcações. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal...


    Assim que tomou posse, presidente transferiu atribuição para o Ministério da Agricultura. PSB pediu ao STF que suspendesse ato alegando que objetivo do governo é paralisar demarcações. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal Fellipe Sampaio/SCO/STF O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou suspender o ato do presidente Jair Bolsonaro que retirou da Fundação Nacional do Índio (Funai) a atribuição de demarcar terras indígenas. Assim que tomou posse, em 1º janeiro, Bolsonaro editou uma medida provisória (MP) para reestruturar o governo. Entre vários outros pontos, a MP transferiu a atribuição da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, pasta atualmente comandada por Tereza Cristina. O PSB, então, pediu ao STF que suspendesse o ato. A legenda argumentou que Bolsonaro utilizou um instrumento legal, a medida provisória, para atingir um "resultado inconstitucional" que, segundo o partido, é a "paralisação da demarcação de terras indígenas". "Indefiro, por ora, a cautelar, sem prejuízo da reapreciação da matéria, à vista da evolução dos fatos", escreveu o ministro Barroso na decisão. O caso ainda terá de ser analisado definitivamente pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, composto por 11 ministros. A data do julgamento ainda não está marcada. Para Bolsonaro, manter índios em terras demarcadas é como manter animais no zoológico. Ainda como candidato, o presidente costumava dizer que, se eleito, não demarcaria "um milímetro" de novas reservas indígenas. Primeiras medidas de Jair Bolsonaro são publicadas no Diário Oficial Reestruturação do governo Conforme a medida provisória editada por Bolsonaro, que passou a ter força de lei imediatamente, a Funai deixou de ser vinculada ao Ministério da Justiça para ser subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pasta comandada por Damares Alves. Conforme o PSB, a medida provisória de Bolsonaro representou o "abandono de uma estrutura com vocação histórica" que tem "ampla confiança de indígenas" para tratar das demarcações. Bolsonaro: diretoria da Funai sairá se não fizer o que índio quer O PSB acrescentou ainda que as mudanças feitas pelo presidente entregaram a responsabilidade a uma pasta "controlada por ruralistas, que têm um histórico de conflitos com comunidades indígenas espalhadas pelo país". O que decidiu o ministro Barroso afirmou que o Ministério da Agricultura está obrigado a realizar demarcações. "Não se pode, contudo, presumir que o Poder Público atuará de forma conflitante com a Constituição e que se desviará de tal finalidade”, afirmou o ministro. Segundo ele, "é fundamental que a atuação do MAPA na matéria seja acompanhada com cuidado". "Caso reste comprovado, no mundo real, que a transferência de atribuições promovida pela MP 870/2019 implicou a frustração das demarcações ou da garantia do usufruto dos índios à terra, estará justificada a intervenção deste tribunal. Por ora, contudo, não há elementos que permitam demonstrar, de forma objetiva, que esse resultado necessariamente se produzirá", completou.
    Após pedidos de exoneração, ministro do Meio Ambiente anuncia militares para diretorias do ICMBio

    Após pedidos de exoneração, ministro do Meio Ambiente anuncia militares para diretorias do ICMBio


    Três diretores deixaram o órgão após o presidente Adalberto Eberhard pedir demissão. Uma semana antes, para substituir Eberhard, ministro Ricardo Salles já tinha anunciado um militar. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em foto do dia...


    Três diretores deixaram o órgão após o presidente Adalberto Eberhard pedir demissão. Uma semana antes, para substituir Eberhard, ministro Ricardo Salles já tinha anunciado um militar. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em foto do dia 17 de janeiro Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou nesta quarta-feira (24) quatro militares para cargos de diretoria no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os militares vão substituir diretores do órgão ambiental que pediram exoneração do ICMBio após a saída do presidente Adalberto Eberhard, que se demitiu após Salles ameaçar abrir processo contra servidores que não haviam comparecido a um evento no Rio Grande do Sul. Para o lugar de Eberhard na presidência do órgão, o ministro indicou o coronel Homero de Giorge Cerqueira, que atuava como comandante da Polícia Militar Ambiental do estado de São Paulo. O ICMBio é um órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente responsável pela implantação, gestão, manutenção e fiscalização de parques, florestas nacionais e outras unidades de conservação (UCs) no Brasil. Além disso, fomenta e executa programas de pesquisa e conservação da biodiversidade e exerce o poder de polícia ambiental para a proteção das UCs federais. Novos diretores No anúncio da troca, o ministro agradeceu a "dedicação e empenho" dos diretores que deixaram a ICMBio e anunciou como novos ocupantes dos cargos de confiança os policiais militares: "Cel PM Lorencini, Ten Cel PM Simanovic, Major PM Marcos Aurélio e Major PM Marcos José". Initial plugin text O ministro ainda não detalhou quais cadeiras serão ocupadas por cada um dos recém-nomeados. Os diretores que pediram desligamento dos cargos foram: Régis Pinto Maia, presidente-substituto e diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio); Luiz Felipe de Luca, diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman); Gabriel Henrique Lui, diretor de Ações e Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades De conservação (DISAT) Ao Blog do Matheus Leitão, o ministério informou, em nota, que a nomeação de uma nova diretoria é parte do "processo" natural de preenchimento de cargos da nova gestão. "A nomeação da nova diretoria do ICMBio complementa o processo de ocupação natural de cargos da nova gestão que conduzirá os trabalhos do instituto, juntamente com o presidente indicado, coronel Homero de Giorge Cerqueira", afirmou o ministério. No pedido de exoneração, os três diretores associam sua saída à do ambientalista Adalberto Eberhard, que há apenas nove dias pediu demissão da presidência do ICMBio. Ele ficou pouco mais de três meses no cargo. Os diretores exonerados falam, na renúncia, sobre a necessidade de que as orientações para o ICMBio sejam amparadas por uma equipe de confiança de Ricardo Salles. Reprodução de ofício no qual três diretores do ICMBio pedem demissão ao ministro do Meio Ambiente Reprodução Marcos da gestão Salles Fusão do ICMBio e Ibama O ministro considera a possibilidade de fundir o ICMBio com Ibama. Segundo ele, a proposta já existe desde o fim do ano passado e é uma hipótese que não está descartada. "Pode haver um ganho de sinergia se eles trabalharem juntos, mas isso é uma hipótese que ainda precisa ser muito detalhada para se chegar a uma conclusão", disse o ministro durante evento em MG. Destruição de máquinas O Ministério do Meio Ambiente decidiu mudar as regras para a destruição de máquinas e veículos pesados em operações de fiscalização contra infrações ambientais. Citando "inúmeras reclamações" sobre abusos na utilização do mecanismo, ele determinou que a regra seja reeditada pelo Ibama. A decisão ocorreu após o presidente Jair Bolsonaro afirmar, em vídeo, que "não é para queimar maquinário, trator, caminhão, seja lá o que for". Multa da Vale Salles pretende transformar a multa aplicada à Vale pelo desastre de Brumadinho em investimentos nos parques federais de Minas Gerais. Os parques passarão por processo de concessão para a iniciativa privada, e Salles disse acreditar que os investimentos iniciais feitos com o dinheiro da multa colaborarão para tornar as áreas mais atrativas. Exonerações no Ibama Em 28 de fevereiro, o ministro exonerou 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama. Polêmica com o Inpe Em janeiro, o ministro disse que o monitoramento do desmatamento na Amazônia, feito com um sistema do Inpe, não é preciso. Em nota, o Inpe rebateu afirmando que os resultados mais recentes indicam um nível de precisão superior a 95%. Suspensão de contrato com ONGs Após tomar posse, o ministro anunciou que iria suspender assinatura de contratos com ONGs por 90 dias. Segundo ele, o objetivo é fazer levantamento de atividades prestadas e verba repassada. Ricardo Salles chegou a afirmar que faria 'visitas-surpresa' a algumas ONGs.

    Olhares diferentes de quem acredita que outro mundo é possível


    Morreu Polly Higgins, vítima de um câncer agressivo, aos 50 anos. Advogada britânica, Higgins tornou-se conhecida e admirada pelos ambientalistas porque na última década de sua vida liderou uma campanha para que o ecocídio fosse considerado um...

    Morreu Polly Higgins, vítima de um câncer agressivo, aos 50 anos. Advogada britânica, Higgins tornou-se conhecida e admirada pelos ambientalistas porque na última década de sua vida liderou uma campanha para que o ecocídio fosse considerado um crime contra a humanidade. Em março deste ano ficou sabendo da doença que a levaria à morte em seis semanas, segundo previsão dos médicos. Triste por não ter ainda conseguido seu intento, escreveu para o colunista de meio ambiente do "The Guardian", George Monbiot, avisando-o sobre sua morte iminente e pedindo que ele a ajudasse a levar à frente o movimento a favor do ecocídio. Higgins era filha de ambientalistas e deixou os pais surpresos quando disse que queria seguir a carreira de advogada. Questionada, a jovem acalmou-os dizendo: "A Terra precisa de um advogado". Mas, o que vem a ser o ecocídio? É uma forma jurídica para responsabilizar criminalmente não só a empresa que comete qualquer dano contra o meio ambiente como também os governantes que possibilitaram o negócio, aqueles que permitiram o impacto. Para dar um exemplo brasileiro: a mineradora Hydro Alunorte, instalada em Barcarena, no Pará, que já recebeu multas no valor de 17 milhões de reais pelo vazamento de barragens de rejeitos de bauxita não estaria só às voltas com processos civis e multas caso o ecocídio estivesse oficializado. Trata-se de uma destruição assassina - que neste caso, inclusive, de fato pode acabar por causar a morte de humanos – e é assim que seria considerada. O que acontece hoje, no Brasil, numa tragédia ambiental, é bem diferente. Vamos pegar o caso de Mariana, que também sofreu com o vazamento de rejeitos de uma barragem de minério em novembro de 2015. Por unanimidade, desembargadores da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região acabam de trancar a ação em habeas corpus de dois funcionários da empresa BHP Billiton, o que quer dizer, na prática, que o processo será mantido somente para os crimes ambientais e de inundação, previstos no Código Penal. Não seria assim. A morte de Polly Higgins foi sentida no mundo inteiro. A jornalista e ativista ambiental canadense Naomi Klein escreveu em seu tweet: "Estou triste pela perda de Polly Higgins. Ela dedicou sua vida a mudar leis que falharam tão miseravelmente para proteger os sistemas naturais dos quais todos nós dependemos. Seu trabalho continuará vivo". George Monbiot escreveu que a mudança na lei proposta por Higgins poderia "fazer a diferença entre um mundo habitável e inabitável, mudando o equilíbrio de poder e forçando os executivos a pensarem duas vezes sobre ações que poderiam prejudicar o planeta". Higgins criou um site onde explica que a lei criminal do ecocídio deve impor aos governos um dever legal de proteger o público de práticas industriais perigosas. "Há milhões que se importam tanto e se sentem tão impotentes sobre o futuro. E eu adoraria vê-los começar a entender o poder desta simples lei para proteger a Terra, para perceber que é possível, mesmo simples. Eu gostaria de poder viver para ver um milhão de protetores da Terra em prontidão. Tenho certeza de que isso ainda vai acontecer", dizia ela. Higgins morreu numa época em que se comemora o Dia da Terra e em que, mundialmente, os jovens antenados com a realidade que serão obrigados a viver daqui para a frente se juntam para cobrar mudanças nos métodos de produção e consumo. Chama-se "New Deal Internacional Verde" um dos movimentos que vêm recebendo atenção das pessoas que acreditam em tais mudanças. "Um plano pragmático para levantar US $ 8 trilhões – 5% do PIB global – todos os anos e coordenar um investimento sério na transição para energias renováveis e nos comprometer a fornecer proteções climáticas com base nas necessidades dos países em vez de extrair seus bens cada vez mais", explicam os ativistas Yanis Varoufakis, co-fundador do Movimento Democracia na Europa e ex-ministro das Finanças da Grécia e David Adler, escritor e membro do Collective Coordinating do DiEM25, que também mora em Atenas, na Grécia no artigo no "The Guardian" publicado nesta terça-feira (23). New Deal, como se sabe, foi um plano elaborado pelo presidente Franklin Roosevelt para tentar recuperar a economia dos Estados Unidos depois da Grande Depressão de 29, incluindo apoio aos agricultores, desempregados, jovens e idosos. Os formuladores do New Deal Verde pensam numa forma de cooperação entre todos os países para usar bens naturais e conseguir, dessa forma, a energia que se precisa. "Os países do norte e regiões montanhosas têm melhor acesso à energia eólica, enquanto as terras do sul são mais adequadas para explorar o sol. Um Novo Acordo Internacional Verde poderia explorar essas diferenças e garantir que a energia renovável estivesse disponível para todos eles durante o ano todo", escrevem os dois ambientalistas. Imaginem, caros leitores, um mundo onde não se vivesse mais as cenas de horror vividas pelos moradores das cidades mineiras atacadas pela má administração de executivos que não demonstram o menor respeito por vidas, sejam elas humanas ou não. Imaginem, caros leitores, um mundo onde houvesse uma grande cooperação entre os países, entre todos os países, do Ocidente ao Oriente, finalmente percebendo que é preciso investir pesado para mudar o modo como se consegue obter energia e, assim, promover a diferença necessária. Alexandria Ocasio Cortez, uma parlamentar norte-americana do Partido Democrata, cuja família vem de Porto Rico, levanta a bandeira desse novo acordo verde. E amplia o pensamento. Não seria apenas em torno das questões climáticas, não seria apenas para nos livrarmos de emissões absurdas por excesso de uso dos combustíveis fósseis. Estaríamos, isto sim, visando a um acordo em que os humanos pudessem se olhar e perceber que, juntos por um ideal igualitário. No setor da economia, com perspectivas de pagar salários justos, incluindo aí as pessoas que cuidam de outras pessoas, poderiam provocar transformações por um mundo melhor. Neste site há um vídeo, chamado “Uma mensagem do futuro com Alexandria Ocasio-Cortez”, que revela os pensamentos da política. Vale a pena assistir e refletir a respeito. Pessoas como Higgins e Alexandria, hoje vistas com um certo ar de incredulidade por quem está irreversivelmente capturado pelo atual sistema, merecem nossa atenção.
    Permissão para caça do javali com cães, armadilhas e armas agora pode ser solicitada em processo digital

    Permissão para caça do javali com cães, armadilhas e armas agora pode ser solicitada em processo digital


    Solicitações deviam ser feitas pessoalmente em sedes do Ibama antes da nova regra. Nova instrução normativa, de 25 de março, detalha como deve ser feita a caça. Uma nova instrução normativa, publicada em 25 de março, detalha a...


    Solicitações deviam ser feitas pessoalmente em sedes do Ibama antes da nova regra. Nova instrução normativa, de 25 de março, detalha como deve ser feita a caça. Uma nova instrução normativa, publicada em 25 de março, detalha a regulamentação para controle e manejo do javali no Brasil. O animal é considerado uma das espécies exóticas invasoras mais prejudiciais ao meio ambiente e à economia. Sua caça foi autorizada em todo o país em janeiro de 2013. No Brasil já existem 44.408 registros ativos de "controladores" autorizados a capturar e abater javalis. Pelo menos 563 municípios brasileiros já foram oficialmente afetados pelo javali. O processo de autorização para caça, que era feito no papel, passa a ser 100% digital. A normativa também dá detalhes de como devem ser as armadilhas usadas para a captura do animal e regulamenta o uso de cães. Fica permitido ainda o uso de armas brancas para o abate dos animais capturados. Na primeira legislação, de 2013, o uso de cães, armas brancas e armadilhas não era proibido, mas não havia detalhes de como esses artifícios deveriam ser empregados. 20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia 'Bioinvasão' com aproximadamente 200 mil javalis causa prejuízos e reação de caçadores em SC Agora, cães de caça envolvidos no controle do javali devem portar colete peitoral com identificação e seus responsáveis precisam carregar um atestado de saúde emitido por médico veterinário, além da carteira de vacinação do cão. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também determina as medidas de cada curral ou gaiola usados como armadilhas e reforça a proibição de artifícios capazes de matar ou ferir os javalis capturados. Outra novidade é que o cadastro das propriedades onde ocorrem as ações de controle passa a ficar vinculado ao número de Cadastro Ambiental Rural (CAR). A medida é considerada importante para o mapeamento das regiões de ocorrência de javalis. Javali é espécie exótica invasora e causa prejuízos ao meio ambiente e à agricultura Pixabay Legislação detalhada Até a publicação da nova normativa, a legislação vigente no Brasil datava de janeiro de 2013. No decreto do Ibama que autorizava o controle do javali havia previsão de que, enquanto não houvesse um sistema digital, todos os pedidos deveriam ser feitos pessoalmente. “Enquanto não for implementado o sistema eletrônico de informação para controle de espécies exóticas invasoras as solicitações de autorizações, as declarações e os relatórios devem ser encaminhados às unidades do Ibama nos estados”, declara a instrução normativa de 2013. Agora, para obter autorização para o manejo é preciso fazer uma inscrição online no Cadastro Técnico Federal (CTF), do Ibama, na categoria “Manejo de fauna exótica invasora”. Depois de realizado o cadastro, é necessário se registrar no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), que também é gerido pelo Ibama. No Simaf ficam cadastradas todas as propriedades onde o caçador pretende fazer o manejo do javali. Após análise, o Ibama pode conceder autorização inclusive para caça em unidades de conservação como parques e florestas nacionais. As autorizações são específicas para cada propriedade e têm validade máxima de três meses. Após as ações, os controladores precisam apresentar relatórios com o número de javalis abatidos. Os relatórios também são específicos para cada propriedade e devem ser entregues em até três meses contados a partir da data em que a autorização foi concedida. As novas regras do Ibama são consideradas positivas por Virgínia Santiago, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que estuda a invasão de javalis no Brasil. Segundo Santiago, a digitalização vai facilitar o processo tanto para o Ibama quanto para os controladores de fauna, que tinham dificuldades para acessar as unidades do Ibama. “Antigamente era tudo no papel e a gestão fica muito prejudicada”, explica. “Já havia a previsão de informatização dos procedimentos desde a primeira normativa mas, até agora, isso ainda não havia sido implementado." Para o abate é permitida a utilização de cães de caça, de armas brancas ou de armas de fogo registradas junto ao Exército na categoria Caçador, Atirador ou Colecionador (CAC). Já a captura dos animais pode ser feita também com armadilhas. De acordo com a nova instrução normativa, fica permitido somente o uso de armadilhas do tipo jaula ou curral. Esses dois modelos são considerados mais adequados em termos de bem-estar animal, segurança e eficiência do que as armadilhas de gaiola. Também são proibidas as armadilhas de laço ou os dispositivos que envolvem o acionamento automático de armas de fogo. Incluído em um anexo da nova norma, um guia para o produtor rural produzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) traz instruções para a construção desse tipo de artifício. No material, há a lista de materiais e os procedimentos necessários para a confecção de uma jaula de 50 metros quadrados com o custo estimado em cerca de R$ 1,4 mil. Em nota, o Ibama disse ao G1 que as regras atendem a demandas de pequenos produtores rurais: “A mudança relacionada ao uso das armadilhas foi incorporada por representarem um método eficaz de captura e controle, complementar a outras medidas. Além disso, atende aos agricultores de baixa renda, que não teriam recursos para arcar com os gastos relacionados às armas de fogo.” "Era necessária uma descrição mais detalhadas das armadilhas mais adequadas", defende Virgínia Santiago, da Embrapa. "Desse jeito você evita prejuízos aos outros animais que podem acabar sendo capturados além do javali." O Ibama destaca que o uso de armas brancas e cães também não são inovações. "Antes da nova instrução normativa, esses dois métodos já estavam entre os mais utilizados nas ações declaradas nos relatórios de manejo recebidos pelo Ibama", diz o instituto. O uso de substâncias químicas continua proibido pelo Ibama, salvo autorização de manejo extraordinária concedida pelo órgão. "As autorizações referentes a estes pedidos sempre passarão por análise específica e o uso de venenos segue vedado", afirma o órgão. Os javalis capturados por cães ou por armadilhas devem ser abatidos no local da captura, já que é proibido o transporte de animais vivos. O texto da norma destaca que, caso sejam empregados cães no abate do javali, é importante que ele ocorra de forma rápida, sem que provoque o sofrimento desnecessários aos animais envolvidos. Além disso, o Ibama determina que produtos e subprodutos obtidos por meio do abate de javalis vivendo em liberdade não podem ser distribuídos ou comercializados. Caça insuficiente Hoje existem 44.408 registros ativos no Ibama para controle do javali. Rio Grande do Sul e São Paulo são os estados onde há mais controladores de fauna exótica no Brasil. Os registros de armas de fogo do tipo Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC) no Exército está crescendo: de 2016 para 2017 a quantidade de armas nessa categoria pulou de 35.042 para 57.886, um aumento de 65%. O número de javalis abatidos também está em ascensão: foi de 1.345 em 2013, quando a caça passou a ser permitida, para 8.146 em 2016, data do último levantamento do Ibama. Rodrigo Sanches/G1 Apesar do aumento, a caça ainda está longe de resolver o problema dessa espécie invasora no Brasil. “A gente ainda está um pouco aquém em relação a quantidade de bichos que tem na natureza”, afirma Carlos Salvador, biólogo consultor do Plano Javali, do Ibama. O pesquisador destaca, além do baixo número de controladores registrados, a frequência com que esses caçadores empreendem ações de manejo. “Um caçador é pouco para uma região muito contaminada e, se ele vai só de final de semana ou caça 3, 4 vezes ao ano, ele não vai dar conta da reprodução da espécie.” Rodrigo Sanches/G1 A invasão de javalis no Brasil causa prejuízos para a agricultura e também ameaça a suinocultura. Como o javali e o porco doméstico são da mesma espécie, uma eventual epidemia nos javalis que vivem soltos poderia acometer os suínos de criação, representando um risco à saúde do rebanho. Além disso, o animal também ataca plantações. A cultura de milho costuma ser a mais atingida pelo suíno. Além de comer o grão quando a espiga está formada, o javali também se alimenta do adubo e das sementes, logo no início do cultivo, e derruba pés de milho por onde passa. Apesar de necessária para reduzir o impacto da espécie, a caça do javali também tem efeitos colaterais, explica Carlos Salvador. As estratégias para controlar a espécie também podem afetar populações de animais nativos, como a queixada e o cateto, que são confundidos com javalis pelos caçadores (veja diferenças e semelhanças no infográfico abaixo). Roberta Jaworski/G1 Para evitar que animais nativos sejam prejudicados, a nova normativa do Ibama prevê que as armadilhas sejam visitadas diariamente para a libertação de animais de espécies que não são alvo de manejo. Além disso, a visitação diária garante que os javalis capturados sejam abatidos rapidamente para evitar maus tratos. "Em caso de comprovação de caça de animais silvestres nativos, adulteração ou falsificação de documentos ou informações, as atividades serão embargadas cautelarmente", determina o Ibama.
    'Bioinvasão' com aproximadamente 200 mil javalis causa prejuízos e reação de caçadores em SC

    'Bioinvasão' com aproximadamente 200 mil javalis causa prejuízos e reação de caçadores em SC


    Espécie exótica invasora ameaça criação de suínos e produção de milho no estado; caça pode afetar espécies nativas como queixada e cateto. 'Bioinvasão' com 200 mil javalis causa prejuízos em SC A invasão de javalis está causando...


    Espécie exótica invasora ameaça criação de suínos e produção de milho no estado; caça pode afetar espécies nativas como queixada e cateto. 'Bioinvasão' com 200 mil javalis causa prejuízos em SC A invasão de javalis está causando prejuízos para agricultores e ameaça também a suinocultura em Santa Catarina. Estima-se que existam cerca de 200 mil javalis no estado. O cenário no interior catarinense é o exemplo mais drástico do estrago causado pelo animal que já está presente em pelo menos 563 municípios brasileiros. Atualmente, o javali é o único animal cuja caça é permitida no país. Em 25 de março, uma nova portaria do Ibama regulamentou o uso de cães para o manejo da espécie e informatizou o sistema de autorizações para caçadores. As medidas são vistas com bons olhos por produtores rurais e pesquisadores, que reclamavam da burocracia do sistema antigo. Nesta semana, o Desafio Natureza do G1 publica uma série de reportagens sobre impactos ambientais, sociais e econômicos de espécies exóticas invasoras a partir da história do javali, do sagui-de-tufos-pretos, do mexilhão-dourado e do pinheiro. 20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia Permissão para caça do javali com cães, armadilhas e armas agora pode ser solicitada em processo digital Javali no top 100 O javali é uma das 100 espécies invasoras mais perigosas para a biodiversidade segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Desde 2013 a caça e controle do animal é legalizada em todo o território nacional pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Antes disso, o controle já acontecia, de forma experimental, desde 1995 no Rio Grande do Sul. As estratégias para controlar a espécie também podem afetar populações de animais nativos, como a queixada e o cateto, que são confundidos com javalis pelos caçadores (veja diferenças e semelhanças no infográfico abaixo). Reservatório de doenças que podem acometer os porcos domésticos, os javalis também são uma ameaça ao status sanitário do estado que concentra 26% da produção nacional de suínos. Para enfrentar essa bioinvasão, já existem 3.868 caçadores aptos a abater o animal em Santa Catarina. O número, no entanto, é considerado insuficiente para conter a rápida reprodução e o potencial de dispersão da espécie. Dois motivos O transtorno causado pelos javalis no estado é ainda mais grave que no resto do país. Isto ocorre por dois motivos. O primeiro é o tipo de propriedade que predomina em Santa Catarina. Pequenas lavouras de milho são muito comuns e, com frequência, um bando de javalis pode destruir toda a propriedade em poucos dias. "Acaba sendo um problema social muito grave para esses pequenos produtores, que são muito dependentes daquele pouco que têm”, explica Carlos Henrique Salvador, biólogo e consultor do Plano Javali, do Ibama. A segunda condição para a situação crítica em Santa Catarina é a produção de suínos no estado. Trata-se do líder em suinocultura no país, com mais de 1/4 da produção nacional, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Como o javali e o porco doméstico são da mesma espécie, uma eventual epidemia nos javalis que vivem soltos poderia acometer os suínos de criação, representando um risco à saúde do rebanho. Roberta Jaworski/G1 A estimativa é de que existam de 1 a 2 javalis por quilômetro quadrado e uma população total de cerca de 200 mil animais em Santa Catarina. São 49 municípios contaminados no estado. Capão Alto, próximo da divisa com o Rio Grande do Sul, é um deles. A cidade de 2.500 habitantes é uma das que teve seu sossego abalado pelo javali. A prefeitura calcula que de 30% a 40% da produção de milho deste ano esteja comprometida. “Dentro do município de Capão Alto é difícil de você achar uma lavoura de milho que não tenha a passagem do javali”, afirma Cláudio Antunes, secretário de agricultura do município. A cultura de milho costuma ser a mais atingida pelo suíno. Além de comer o grão quando a espiga está formada, o animal também se alimenta do adubo e das sementes, logo no início do cultivo, e derruba dezenas de pés de milho por onde passa. Lavoura de milho é alvo de ataques de javalis em Capão Alto/SC Celso Tavares/G1 A bioinvasão está mudando até a paisagem da área. Preocupados com os ataques, produtores de Capão Alto estão substituindo a cultura de milho, tradicional por ali, pela de soja, que é menos visada pelos suínos. A praga impossibilita ainda que os agricultores pratiquem a rotação de cultura e substituam a soja por milho para recuperar o terreno quando necessário. “Não podemos fazer rotação de cultura, não podemos plantar uma lavoura grande de milho porque o bicho chega de noite, de madrugada, numa hora que você não vê ele comendo o milho”, conta Marcos Gregio, proprietário da Fazenda Santa Cruz, em Capão Alto. “Tu só vês no dia seguinte o que ele fez na lavoura.” Lavouras de soja estão substituindo produção de milho em Capão Alto Celso Tavares/G1 Adeus, milho Em Capão Alto, a produção de milho está em declínio por conta do javali. O secretário de agricultura do município diz que o grão já representou 60% da produção da cidade. Hoje, o milho corresponde a apenas 25% do total da área plantada na cidade, segundo dados da secretaria. A principal cultura no local é a soja, com 6.000 hectares, ou 65% do total de plantações. De acordo com os produtores, a substituição do milho pela soja ocorre principalmente por conta dos ataques do javali. Os ataques causam prejuízo maior aos pequenos produtores, com propriedades de até 50 hectares. Para eles, um único ataque de um bando de javalis pode representar a perda de toda a produção do ano, especialmente nas plantações que ficam em regiões próximas às florestas de araucária, segundo o Plano Javali, do Ibama. Secretário de Agricultura de Capão Alto, Cláudio Antunes mostra pegadas de javali em milharal Celso Tavares/G1 “O pessoal está deixando de ficar nas suas propriedades. Estão indo para a cidade porque não tem mais como sobreviver”, alerta Cláudio Ramos, produtor rural de Capão Alto. Ramos é um dos agricultores que diminuiu o plantio de milho por conta da ameaça trazida pela espécie exótica invasora. “Nós temos uma lavoura aqui de 20 hectares. Em torno de 60 dias os javalis já destruíram mais de 3 hectares”, conta. Cláudio Ramos é um dos produtores rurais de Capão Alto que teve sua lavoura atacada por javalis Celso Tavares/G1 A gravidade dos ataques está relacionada a características típicas da espécie. Os javalis andam em bandos de cinco a 20 animais e geralmente atacam as lavouras após o anoitecer. Durante o dia, os grupos se escondem em regiões remanescentes de floresta ou nas próprias plantações. Além do milho, os javalis consomem outras variedades produzidas em Santa Catarina. A soja, que virou alternativa para os produtores de Capão Alto, também serve de alimento, mas apenas nos estágios iniciais da produção, quando o animal se interessa pelo adubo e pelas sementes. Quando estão nas florestas, os javalis configuram um risco ambiental porque se alimentam de espécies nativas da flora catarinense, como a araucária e a imbuia, ambas ameaçadas de extinção. Risco sanitário Uma ameaça iminente ao status sanitário da carne suína. É assim que Carlos Salvador define a relação entre os javalis e a produção de porcos no Brasil. “O javali é reservatório de doenças da produção suína”, explica. “Essas doenças estão controladas na produção comercial. Só que agora a gente tem uma população selvagem da mesma espécie, livre na natureza, carregando vírus como a febre aftosa e a Doença de Aujeszky.” A febre aftosa é uma doença infecciosa que causa febre e feridas em animais de criação como porcos, bois e cabras. Já a Doença de Aujeszky, que também é conhecida como pseudoraiva, causa febre e espalha-se rapidamente pelos rebanhos, matando leitões e diminuindo o peso de animais adultos. As duas doenças são transmitidas pelo contato direto com animais contaminados ou, mecanicamente, pela movimentação de animais, pessoas e veículos que tenham sido infectados. Cidade de Capão Alto, em Santa Catarina, é uma das mais atingidas pela invasão de javalis Celso Tavares/G1 O principal efeito dessas enfermidades é comercial. A ocorrência de doenças afeta a abertura de mercados estrangeiros aos produtos de origem animal. Devido ao alto poder de difusão dos vírus e à possibilidade de sua veiculação por grandes distâncias, os países que importam carne brasileira estabelecem barreiras à entrada de produtos oriundos de regiões onde as doenças ocorrem. Desde maio de 2007 a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) reconhece Santa Catarina como o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação. O status sanitário diferenciado contribuiu para que o estado se tornasse o maior exportador de carne suína no país. O último caso de febre aftosa em território catarinense foi registrado em 1993 e, desde 2000, está suspensa a vacinação contra febre aftosa no estado. “Santa Catarina tem um status sanitário diferente, tem um esforço e um investimento muito grandes no controle dessas doenças na produção suína”, explica Salvador. “O javali está ameaçando o rigor sanitário que o estado lutou para adquirir nesses últimos anos.” Caça e controle Por conta do prejuízo à agricultura, o javali teve sua caça autorizada no Rio Grande do Sul, em caráter experimental, no ano de 1995. Mais tarde, em 2013, o abate do javali em todo território nacional foi regulamentado pelo Ibama. A portaria de 2013 estabelece diversas regras para o controle do javali. Para o abate, é permitida a utilização de cães de caça, de armas brancas ou de armas de fogo registradas junto ao Exército na categoria Caçador, Atirador ou Colecionador (CAC). Já a captura dos animais pode ser feita também com armadilhas. infográfico caça javali Rodrigo Sanches/G1 Para obter autorização para o manejo do javali no Brasil é preciso fazer uma inscrição no Cadastro Técnico Federal (CTF), do Ibama, na categoria “Manejo de fauna exótica invasora”. Depois de realizado o cadastro, é necessário se registrar no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), que também é gerido pelo Ibama. No Simaf ficam registradas todas as propriedades onde o caçador pretende fazer o manejo do javali. Após análise, o Ibama pode conceder autorização inclusive para caça em unidades de conservação como parques e florestas nacionais. As autorizações são específicas para cada propriedade e têm validade máxima de três meses. Após as ações de controle, os caçadores precisam apresentar relatórios com o número de javalis abatidos. Os relatórios são específicos para cada propriedade e devem ser entregues em até três meses contados a partir da data em que a autorização foi concedida. Em 25 de março de 2019, o Ibama publicou uma instrução normativa que altera a legislação anterior e digitaliza o processo de autorizações. “A principal mudança é a informatização dos processos”, explica Virginia Santiago, pesquisadora da Embrapa. "Isso é um avanço muito grande. Antigamente era tudo no papel e a gestão desses registros ficava muito prejudicada.” Outra novidade é que o cadastro das propriedades onde ocorrem as ações passa a ficar vinculado ao número de Cadastro Ambiental Rural (CAR). A medida é considerada importante para o mapeamento das regiões de ocorrência de javalis. A instrução normativa de março também detalha o uso de armadilhas para a captura do javali. Na primeira legislação não há detalhes sobre o tipo de artifício que poderia ser usado. Agora, o Ibama determina as medidas mínimas de cada curral ou gaiola. Também fica proibido o uso de armadilhas de laço ou de dispositivos que envolvam o acionamento automático de armas de fogo. Em nota, o Ibama disse ao G1 que as novas regras atendem a demandas de pequenos produtores rurais: “A mudança relacionada ao uso das armadilhas foi incorporada por representarem um método eficaz de captura e controle, complementar a outras medidas. Além disso, atende aos agricultores de baixa renda, que não teriam recursos para arcar com os gastos relacionados às armas de fogo.” O uso de cães para a captura dos javalis também é descrito na nova legislação. O novo texto torna obrigatória a identificação dos cães usados nas ações e determina que os donos dos cachorros apresentem um atestado da saúde dos animais envolvidos na caça, assinado por médico veterinário, e a carteira de vacinação de cada cão. Apesar do aumento no número de controladores de javali registrados junto ao Ibama nos últimos anos, a caça ainda está longe de resolver o problema dessa espécie invasora no Brasil. “A gente ainda está um pouco aquém em relação a quantidade de bichos que tem na natureza”, afirma Salvador. O pesquisador destaca, além do número de controladores registrados, a frequência com que esses caçadores empreendem ações de manejo. “Um caçador é pouco para uma região muito contaminada e, se ele vai só de final de semana ou caça 3, 4 vezes ao ano, ele não vai dar conta da reprodução da espécie.” Descobrimento da América A história dos javalis no Brasil é relativamente recente. A invasão teve início nos anos 2000, quando empresários da região Sul decidiram apostar na criação para fins comerciais. A ideia era ganhar dinheiro com a venda da carne do animal, considerada exótica para o paladar brasileiro. “A criação de javali foi uma febre, foi um fenômeno”, lembra Salvador. “De repente tínhamos muitos criadores. Foi aí que a gente contaminou várias áreas. Uma parte de um rebanho escapou, alguém deu um filhote para o vizinho, e assim foi. Não tiveram condições de segurar.” Até hoje, a concentração de javalis selvagens está diretamente relacionada à quantidade de criadores comerciais na região. infográfico presença javali brasil Rodrigo Sanches/G1 Depois da introdução inicial, motivada por interesses comerciais, o javali fez a sua parte: sua capacidade biológica de percorrer longas distâncias e de se dispersar, junto com sua reprodução acelerada, fizeram a espécie se espalhar pelo país. A caça trouxe ainda um efeito colateral. Algumas áreas que não tinham javali acabaram sendo contaminadas porque caçadores e controladores decidiram introduzir a espécie nos locais em que praticam seu hobby. "Isso também colaborou no processo de invasão, no espalhamento. Foi um problema que veio decorrente da própria solução”, diz Salvador. Na natureza, os javalis se misturaram aos porcos domésticos e aos porcos asselvajados, gerando o animal que é conhecido como javaporco. Apesar das diferenças na aparência, todos pertencem à mesma espécie e dão origem a filhotes com características mistas, como ocorre com diferentes raças de cães que se misturam, por exemplo. infográfico javali x outras espécies Roberta Jaworski/G1 Atentos às variações da espécie, produtores rurais demonstram preocupação com o javaporco, que costuma ser maior e mais pesado que o javali. No entanto, o potencial de destruição da lavoura está mais relacionado à quantidade de indivíduos nos bandos do que ao tamanho de cada animal, explica Carlos Salvador. “Não importa se é javali ou javaporco, eles causam os mesmos problemas”, esclarece. “No entanto, a presença de javaporco é um indicador de que há uma grande quantidade de animais na região e que essa população precisa ser controlada.”
    Greta Thunberg, a adolescente sueca que está sacudindo a luta ambiental

    Greta Thunberg, a adolescente sueca que está sacudindo a luta ambiental


    Indicada ao prêmio Nobel da Paz, a jovem ativista de 16 anos deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas. Greta Thunberg, de 15 anos, protesta em frente ao Parlamento da Suécia com o cartaz:...


    Indicada ao prêmio Nobel da Paz, a jovem ativista de 16 anos deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas. Greta Thunberg, de 15 anos, protesta em frente ao Parlamento da Suécia com o cartaz: 'Greve das escolas pelo clima' TT News Agency/Hanna Franzen via Reuters "Percebi que ninguém estava fazendo nada para impedir que isso aconteça, então eu precisava fazer alguma coisa." "Como não posso votar, essa é uma das maneiras que eu posso fazer minha voz ser ouvida." Foi com este pensamento que Greta Thunberg, uma jovem sueca de 16 anos, deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas - iniciativa que rendeu a ela a indicação ao prêmio Nobel da Paz. A adolescente falta às aulas todas as sextas-feiras, desde agosto do ano passado, e se senta em frente ao Parlamento sueco, em Estocolmo, para exigir medidas concretas dos políticos contra o aquecimento global. O ato, inicialmente solitário, inspirou jovens de todo o mundo a aderirem ao movimento, que ficou conhecido como "Fridays For Future" - e culminou em uma greve escolar global no dia 15 de março, quando milhares de estudantes foram às ruas para protestar, inclusive no Brasil. Também rendeu a Thunberg importantes convites. Ela já se encontrou com o papa Francisco, discursou no Parlamento Europeu e participou de eventos internacionais - como a Conferência do Clima da ONU, na Polônia, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. E, nesta terça-feira, se encontra com membros do Parlamento britânico, em Londres. A jovem ativista, que afirma ter parado de andar de avião em 2015 por conta das emissões de carbono, viajou dois dias de trem para chegar ao Reino Unido. Como tudo começou Thunberg conta que ouviu falar pela primeira vez em mudança climática na escola, quando tinha cerca de oito anos e seus professores mostraram fotos de ursos polares famintos, florestas desmatadas e plásticos nos oceanos. "Quando eu era pequena, tinha planos de ser várias coisas, de atriz a cientista. Até que meus professores me falaram na escola sobre a mudança climática. Isso abriu meus olhos." "Fiquei muito impressionada", relembra, em entrevista ao programa Today da BBC Radio 4. Quando tinha 11 anos, ela sofreu uma forte depressão. "Parei de ir à escola, parei de falar, porque estava muito triste. Aquilo me deixou muito preocupada." "Teve muito a ver com a crise climática e ecológica. Achava que havia algo muito errado e que nada estava sendo feito, que nada fazia sentido." Depois de perceber que poderia fazer a diferença, prometeu a si mesma que "iria fazer algo de bom com a sua vida". "Então, eu sentei no chão do lado de fora do Parlamento sueco e decidi que não iria à escola. No primeiro dia, eu fiquei lá sozinha. No segundo dia, outras pessoas começaram a se juntar a mim." "Jamais poderia imaginar nos meus sonhos mais loucos que isso aconteceria. E aconteceu muito rápido." Hoje, ela conta com 1,3 milhão de seguidores no Instagram e 472 mil no Twitter. Estudantes usam um carro alegórico que representa a defensora ambiental sueca Greta Thunberg durante uma greve escolar para exigir ação contra a mudança climática, na praça da prefeitura de Duesseldorf, Alemanha Wolfgang Rattay/Reuters Síndrome de Asperger Diagnosticada com síndrome de Asperger, uma forma de autismo, a jovem vê a condição como uma aliada. "Isso me faz diferente, e ser diferente eu diria que é uma dádiva. Me faz ver coisas além do óbvio." "Se eu fosse como todo mundo, não teria começado essa greve da escola, por exemplo", avalia, lembrando que, quando contou aos pais sobre seu plano de faltar às aulas toda sexta-feira, eles "não gostaram muito da ideia". "Por que devemos ir para a escola se não há futuro? E por que devemos aprender sobre fatos, se os fatos mais importantes não importam?", questiona. Segundo Thunberg, sua primeira inspiração foi Rosa Parks, símbolo do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. "Soube que ela era introvertida, e eu também sou introvertida", declarou, em entrevista à revista Rolling Stone. 'Ouçam a ciência' O recado de Thunberg para os políticos é o seguinte: "Ouçam a ciência, ouçam os cientistas. Convidem eles para conversar." "Estou apenas falando em nome deles, estou tentando dizer o que eles vêm dizendo há décadas." Segundo ela, é importante que os políticos tomem uma atitude, uma vez que "a maioria das emissões não é causada por indivíduos, mas pelas corporações e pelo Estado". Perguntada sobre o que diria ao presidente americano, Donald Trump, se tivesse oportunidade, ela declarou: "Não posso dizer nada que ele não tenha ouvido antes." "Obviamente, ele não está ouvindo a ciência e o que temos para dizer, então eu não seria capaz de mudar a opinião dele." Em 2017, Trump anunciou a saída dos EUA do acordo de Paris sobre mudanças climáticas. "Devíamos estar em pânico. E quando digo pânico, não quero dizer sair correndo e gritando. Quero dizer que precisamos sair da zona de conforto."
    Urso polar é encontrado a 700 km de seu habitat e desnutrido na Rússia

    Urso polar é encontrado a 700 km de seu habitat e desnutrido na Rússia


    Autoridades fizeram o resgate do urso na segunda-feira (22). Mudanças climáticas podem ter levado animal à procura de comida em outras regiões. Urso-polar é visto bem magro perto de Tilichiki, na Rússia, a centenas de quilômetros de seu habitat...


    Autoridades fizeram o resgate do urso na segunda-feira (22). Mudanças climáticas podem ter levado animal à procura de comida em outras regiões. Urso-polar é visto bem magro perto de Tilichiki, na Rússia, a centenas de quilômetros de seu habitat natural, em foto de 16 de abril Alina Ukolova via AP Um urso polar foi encontrado perdido na região de Kamchatka, na Rússia, a centenas de quilômetros de seu habitat, informou a agência de notícias Associated Press. O animal foi visto aparentando cansaço extremo, desnutrição e procurando por comida. Autoridades locais fizeram o resgate nesta segunda-feira (22). Ele foi sedado e levado de helicóptero ao seu local de origem, onde foi solto em seguida. Arquipélago ártico russo sofre invasão de ursos polares Informações da imprensa russa dizem que o urso é da região de Chukotka, 700 km ao norte do vilarejo de Tilichiki, onde foi encontrado. Ainda de acordo com a AP, ambientalistas acreditam que o urso possa ter perdido seu senso de direção depois de ficar à deriva em um bloco de gelo. "Devido às mudanças climáticas, o Ártico está ficando mais quente e o ambiente para caça fica menor", disse Vladimir Chuprov, do Greenpeace à agência. "O gelo está diminuindo e os ursos polares buscam novas maneiras de sobreviver. E a maneira mais fácil é chegar às pessoas." Equipe de resgate prepara o urso-polar para transporte após sedá-lo com tranquilizante na vila de Tilichiki AP Photo Urso polar corre na neve após ser libertado na região de Chukotka, no extremo leste da Rússia AP Photo
    Cientistas brasileiros descobrem que botos rosa têm comunicação complexa com 237 sons diferentes

    Cientistas brasileiros descobrem que botos rosa têm comunicação complexa com 237 sons diferentes


    Para o estudo, câmeras e microfones subaquáticos foram usados e amostras de DNA foram coletadas dos animais. Botos rosa no rio Araguaia: comunicação complexa com 237 sons diferentes Gabriel Melo-Santos/University of St Andrews/BioMA Pesquisadores...


    Para o estudo, câmeras e microfones subaquáticos foram usados e amostras de DNA foram coletadas dos animais. Botos rosa no rio Araguaia: comunicação complexa com 237 sons diferentes Gabriel Melo-Santos/University of St Andrews/BioMA Pesquisadores brasileiros descobriram que os botos rosa (gênero Inia) usam uma comunicação complexa e com sons variados. O estudo foi publicado na sexta-feira (19) na revista científica britânica "Peerj" e pode ajudar a desvendar como a comunicação evoluiu nos mamíferos marinhos. A comovente história da selfie com os gorilas que ficam de pé Estudo revela que golfinhos usam nomes para se comunicar Os cientistas acreditavam que os botos da região amazônica tinham um perfil mais solitário e uma comunidade pequena que exigia poucos recursos para comunicação, mas o estudo mostrou que os animais interagem bastante uns com os outros e têm um repertório diverso. Foram identificados, ao todo, 237 sons diferentes. O tipo mais comum era emitido quando filhotes estavam presentes, sugerindo uma comunicação entre eles e as mães. Cientistas brasileiros descobrem que botos rosa têm comunicação complexa O cientista Gabriel Melo-Santos estudou os botos que frequentam as águas da área do mercado de peixe do município de Mocajuba (PA). Em busca de alimentos, os animais costumam fazer visitas diárias ao local, o que permitiu que os pesquisadores acompanhassem com mais regularidade os animais. "Em Mocajuba, durante a estação seca, as águas são bem transparentes e nos permitem observar o comportamento dos botos em detalhe. Lá, reconhecemos cada boto individualmente através das marcas naturais no corpo dos animais. Então sabemos quem é cada boto, o sexo e a faixa etária. Dessa forma, conseguimos associar os sons gravados aos contextos comportamentais", explica. Para o estudo, câmeras e microfones subaquáticos foram usados. Também foram coletadas amostras de DNA dos animais. Com mais de 20 horas de gravação e mais de 200 sons identificados, os pesquisadores acreditam que ainda há mais para ser descoberto. Som mais comum sugere comunicação entre mãe e filhotes Gabriel Melo-Santos/ University of St Andrews/BioMA "Os sons emitidos pelos botos podem nos ajudar a entender como se deu a evolução da comunicação sonora nos cetáceos. Além disso, precisamos saber como se dá o sistema de comunicação dos botos para entender como eles podem ser afetados por atividades humanas (como o tráfego de embarcações, por exemplo)", diz Melo-Santos. Segundo o pesquisador, a linhagem evolutiva dos botos (e outros golfinhos de água doce no mundo) divergiu dos outros cetáceos (baleias e golfinhos), o que faz deles relíquias evolutivas e peças importantes para desvendar como essa comunicação avançou. Assobios Os sons usados pelos botos são diferentes dos assobios usados pelos golfinhos, mas o propósito, segundo os cientistas, é o mesmo: se comunicar com a espécie. Além disso, os botos fazem chamados mais longos, e os assobios são menos frequentes. Há indícios de que, nos botos, os assobios são usados para afastar outros grupos, e não para comunicação entre eles, como nos golfinhos. "A associação entre as mães e os filhotes são as mais fortes e duradouras em botos-rosas então é vantajoso que os filhotes tenham sons que possam comunicar à mãe sua posição e seu estado emocional, por exemplo", explica Melo-Santos. Os chamados dos botos ficam em uma frequência entre os sons de baixa frequência emitidos por baleias e os de alta frequência emitidos por golfinhos. A bióloga Laura May Collado da Universidade de Vermont, que também participou do estudo, acredita que isso acontece por causa do habitat dos botos. "Há muitos obstáculos, como florestas inundadas e vegetação em seu habitat, então esse sinal pode ter evoluído para evitar ecos da vegetação e melhorar o alcance de comunicação das mães e seus filhotes", diz ela. Botos são mais sociais do que se imaginava Gabriel Melo-Santos/University of St Andrews/BioMA Comunicação semelhante à de outros mamíferos Além disso, o estudo indica que os sons usados para comunicação entre cetáceos podem ter aparecido muito antes do que se sabia e para uma comunicação semelhante à de outros mamíferos. "Assim como a de algumas espécies de golfinhos marinhos (orcas, baleias piloto, entre outros), botos emitem sons com voz dupla, por exemplo. Para orcas, baleias piloto e outras espécies, esses sons podem indicar a identidade de um grupo social. Fenômenos não-lineares, como a bifonação (voz dupla) e a presença de sub-harmônicos, estão presentes em várias espécies de mamíferos terrestres", diz Melo-Santos O cientista explica que alguns destes sons são muito presentes no nosso cotidiano, como o choro de bebês e o latido de cachorro. Em diferentes espécies, podem indicar estado emocional e identidade individual. O próximo passo do estudo é verificar como os botos em regiões com menor presença humana se comunicam e identificar se os chamados dos botos carregam sua identidade individual e/ou sinalizam sua localização. Gabriel Melo-Santos é pesquisador da Universidade de St. Andrews e fez parte do Doutorado na Universidade de Vermont, mas iniciou seu estudo sobre botos na Universidade Federal do Pará. O estudo sobre a comunicação dos botos-rosas foi patrocinado pela Fundação Rufford, Cetacean Society International e Swarosvki Foundation.
    Cão policial é ferido por porco-espinho durante busca a suspeito nos EUA

    Cão policial é ferido por porco-espinho durante busca a suspeito nos EUA


    Odin recebeu tratamento e passa bem. Um cachorro policial do estado americano do Oregon está se recuperando após ter sido ferido por mais de 200 espinhos de um porco-espinho. A polícia do condado de Coos disse que o cão Odin estava em ação...


    Odin recebeu tratamento e passa bem. Um cachorro policial do estado americano do Oregon está se recuperando após ter sido ferido por mais de 200 espinhos de um porco-espinho. A polícia do condado de Coos disse que o cão Odin estava em ação atrás de um suspeito nesta segunda-feira (22) quando cruzou com o porco-espinho. A busca foi suspensa e Odin foi levado a um hospital animal, onde recebeu tratamento e passa bem. A polícia afirmou que ainda está procurando o suspeito. O cão Odin Coos County SO/Twiter
    20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia

    20% das 'espécies exóticas invasoras' no Brasil estão em SC e causam prejuízos para natureza e economia


    Hidrelétricas paralisadas, lavouras de milho destruídas e desequilíbrio em vegetação nativa são algumas das consequências das invasões biológicas que ocorrem no estado. Conheça as espécies exóticas invasoras em Santa Catarina no Desafio...


    Hidrelétricas paralisadas, lavouras de milho destruídas e desequilíbrio em vegetação nativa são algumas das consequências das invasões biológicas que ocorrem no estado. Conheça as espécies exóticas invasoras em Santa Catarina no Desafio Natureza Quase uma centena de espécies classificadas como exóticas invasoras deixam um rastro de prejuízos em Santa Catarina. Essas invasões biológicas são o tema do Desafio Natureza, que aborda o tema a partir dos impactos de quatro espécies: sagui-de-tufos-pretos, javali, mexilhão-dourado e pinheiro. Ao todo, 543 espécies estão listadas na Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, relatório lançado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em Santa Catarina, quase 20% delas estão presentes: é um dos estados que mais sofre com o problema no Brasil. É considerada exótica a espécie que está fora de sua área de distribuição natural. Uma parcela pode se proliferar e ameaçar o ecossistema local. Quando isso acontece, elas passam a ser consideradas “espécies exóticas invasoras” – e viram sinônimo de problema. Em SC, cada uma das quatro listadas pelo G1 tem impacto diferente: causam desde prejuízos para agricultores até risco para outros animais. As invasões biológicas já são a segunda maior causa de extinção de espécies em todo o planeta, atrás apenas da exploração comercial, que envolve caça, pesca, desmatamento e extrativismo, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Parque mais procurado de MG reduz visitação em busca de 'turismo sustentável' Arara considerada extinta volta à caatinga ao lado de outras espécies ameaçadas Fernando de Noronha, lado B: série do G1 mostra desafios do lixo no 'paraíso' Roberta Jaworski/G1 Conscientização Para pesquisadores, o maior obstáculo hoje é conscientizar a população sobre a relevância do tema. Cortar árvores estrangeiras, como o pinheiro americano, e caçar animais como o javali não são ações imediatamente vistas como benéficas. A aparente crueldade das soluções propostas provoca maior rejeição do público, acredita Michele Dechoum, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Por outro lado, o risco é chegar no extremo oposto, quando somente as espécies passam a ser vistas como culpadas pelos problemas, alerta Alex Nuñer, também professor da UFSC. “Os animais não têm exatamente culpa. (...) A gente precisa entender que o problema é global e que está ligado ao homem.” - Alex Nuñer, professor da UFSC O sagui-de-tufos-pretos é uma das 99 espécies exóticas invasoras de Santa Catarina Celso Tavares/G1 De espécie nativa a exótica invasora A introdução de espécies exóticas em ambientes naturais pode ocorrer de diversas maneiras. São quatro os motivos mais comuns: Interesse comercial Transporte marítimo Tráfico de animais Transporte involuntário Rodrigo Sanches/G1 Javalis Os javalis, que causam enormes prejuízos para produtores de milho no interior de Santa Catarina, foram trazidos da Europa e do Uruguai para criação comercial nos anos 1990. Depois de fugirem de seus criadouros, às vezes cruzando com porcos domésticos criados soltos, eles deram origem a uma população selvagem estimada de 200 mil animais apenas em Santa Catarina. Pinheiro americano O pinheiro americano também foi trazido para o país por conta de interesses econômicos. Muito utilizada em plantios florestais, a árvore tornou-se invasora porque foi introduzida em ambientes naturais sensíveis e suas sementes espalham-se rapidamente. Por conta da ação do vento, cada semente pode percorrer até 60 quilômetros. Pinheiro americano invade área de restinga, vegetação nativa de Florianópolis Celso Tavares/G1 A maior parte das espécies invasoras terrestres é trazida por interesse comercial e levada voluntariamente a novos ambientes. No entanto, algumas invasões biológicas começam involuntariamente. Isso pode acontecer com sementes misturadas às de uso agrícola, patógenos e a maior parte dos insetos. Mexilhão-dourado No caso das espécies aquáticas que constituem invasões biológicas, a introdução geralmente está associada ao transporte marítimo. É o caso do mexilhão-dourado, molusco de água doce nativo da Ásia que foi introduzido no Brasil por meio da água de lastro de navios cargueiros. Mexilhão-dourado forma incrustações sobre si mesmo e entope tubulações Celso Tavares/G1 Saguis Além das formas de introdução que são comuns no mundo todo, o Brasil sofre ainda com os efeitos do tráfico ilegal de animais silvestres. Em Santa Catarina, os saguis, que são uma ameaça à biodiversidade em Florianópolis, chegaram nos anos 1960 na boleia de caminhoneiros que os traziam do Nordeste como animais de estimação. “Muitas vezes as pessoas não têm conhecimento do animal que estão adquirindo, não tem conhecimento de como é criar um animal silvestre em casa e acabam desistindo e soltando esses animais na natureza", explica Elaine Zuchiwschi, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). No Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis, um centro de reabilitação recebe animais silvestres que são apreendidos em operações da Polícia Ambiental em todo o estado. Em um esforço para conscientizar a população, alguns dos animais recebidos acabam expostos em recintos visíveis para os visitantes que fazem visitas guiadas no parque. Saguis ficam em recinto exposto ao público no Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis Celso Tavares/G1 Prejuízo financeiro Tão variado quanto o caminho que as espécies percorrem até se tornarem invasoras é o impacto que elas trazem nos ambientes em que se proliferam. De perdas econômicas a riscos à saúde pública, os efeitos negativos das espécies invasoras são inúmeros e imprevisíveis. Em Santa Catarina, os danos causados pela proliferação do mexilhão-dourado obrigaram usinas hidrelétricas a mudar protocolos. O molusco atrapalha o funcionamento das usinas geradoras de energia elétrica porque suas colônias atingem densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado e entopem tubulações. Pelo menos 50 hidrelétricas no Brasil já são afetadas pela espécie, segundo relatório do Ibama divulgado em outubro de 2017. Uma usina de pequeno porte contaminada pelo mexilhão-dourado pode ter um prejuízo diário de cerca de R$ 40 mil com a parada das máquinas para limpeza do molusco, sem contar os custos para a manutenção dos equipamentos e remoção das incrustações. Usina Hidrelétrica de Campos Novos é uma das atingidas pelo mexilhão-dourado em Santa Catarina Celso Tavares/G1 No ano passado, as hidrelétricas se uniram para financiar pesquisas acadêmicas que visam contornar o problema. Quatro usinas de Santa Catarina são alvo de um projeto de pesquisa da UFSC que analisa a proliferação do mexilhão-dourado: Campos Novos, Machadinho, Itá e Foz do Chapecó. No momento, os biólogos estão estudando os efeitos colaterais do molusco na bacia do rio Uruguai e avaliando possíveis mecanismos de controle biológico. No caso da invasão de javalis no interior do estado, além do prejuízo econômico há ainda o impacto social da espécie exótica invasora. Isso ocorre porque os suínos, que estão presentes em diversos municípios de Santa Catarina, atacam principalmente as lavouras de pequenos produtores de milho que dependem da cultura para sua sobrevivência. Produção de milho é afetada por ataques de bandos de javalis em Capão Alto/SC Celso Tavares/G1 A prefeitura de Capão Alto, um dos municípios mais prejudicados pela espécie, calcula que de 30% a 40% da produção de milho deste ano esteja comprometida. “Aqui é difícil de você achar uma lavoura de milho que não tenha a passagem do javali”, diz Cláudio Antunes, secretário de agricultura do município. Biodiversidade e saúde humana em risco O pinheiro americano, nome popular do Pinus elliottii, parece inofensivo. A árvore é muito popular em plantios comerciais e tornou-se abundante nas regiões Sul e Sudeste. No entanto, seu enorme potencial de dominâncias sobre as espécies nativas chamou a atenção de pesquisadores em Florianópolis. Em 2010, eles decidiram ir além dos laboratórios e agir por conta própria. Com autorização da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), começaram a trabalhar para retirar os pinheiros do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição com a ajuda de voluntários. Os pinheiros que cresciam na região estavam afetando as espécies nativas da restinga, vegetação que predomina na área do parque. Por serem árvores de crescimento rápido, os pinheiros consomem muita água do solo, o que prejudica as outras espécies do entorno. A proliferação dos pinheiros também é acelerada, já que as sementes se espalham com o vento e se fixam facilmente em áreas de cobertura vegetal baixa, como é o caso da restinga. Por conta desses fatores, a conservação do parque natural ficou ameaçada. Grupo de voluntários se reúne em Florianópolis para retirar pinheiros de área de proteção ambiental Celso Tavares/G1 “O nosso objetivo aqui não é cortar árvores, o nosso objetivo aqui é restaurar ecossistemas, é abrir espaço para a biodiversidade nativa.” - Michele Dechoum, coordenadora do mutirão. Com frequência mensal, a iniciativa já conseguiu retirar 352 mil pinheiros das dunas da Lagoa da Conceição. A presença de saguis em Florianópolis também pode estar ameaçando o equilíbrio do ecossistema local. A população do carismático macaquinho, introduzido artificialmente na ilha, pode competir com espécies nativas por alimento, além de representar um risco à saúde humana, já que o sagui é vetor de doenças contagiosas. Segundo a bióloga Cristina Valéria Santos, que estuda o primata há mais de 15 anos, ainda não se sabe exatamente o tamanho do impacto da espécie no meio ambiente. Visitantes ainda interagem com saguis no Parque Municipal do Córrego Grande, em Florianópolis Celso Tavares/G1 “As pessoas dão alimento para esses animais porque ele é fofinho, bonitinho, é uma prática comum. Elas deixam um pratinho com frutas para promover a aproximação do animal silvestre. Isso é feito na ilha toda”, explica Santos. “É fato que ele está aumentando sua área de distribuição em Florianópolis. Mas a gente ainda não tem estudos para medir o impacto disso na biodiversidade e nas espécies nativas.” Para Elaine Zuchiwschi, do IMA, o momento é de tomar atitudes para conscientizar a população sobre as espécies exóticas invasoras e para evitar que aconteçam novas introduções. “Se nenhuma atitude é tomada, o cenário só piora, porque as espécies estão aí, se reproduzindo e se disseminando diariamente. Quanto antes a gente começar esse tipo de trabalho, melhor”, diz Zuchiwschi. “São necessários tanto esforços de pesquisa científica, para encontrar formas de controle, quanto melhorar as legislações, para responsabilizar quem precisa ser responsabilizado.”
    Dia da Terra: 4 animais que sumiram da América Latina nos últimos 15 anos

    Dia da Terra: 4 animais que sumiram da América Latina nos últimos 15 anos


    Caça, desmatamento e mudanças climáticas estão entre as causas que contribuíram com o desaparecimento das espécies na região. Exemplares de ararinha-azul em viveiro de associação de conservação em Schoeneiche (Alemanha). A rara ave...


    Caça, desmatamento e mudanças climáticas estão entre as causas que contribuíram com o desaparecimento das espécies na região. Exemplares de ararinha-azul em viveiro de associação de conservação em Schoeneiche (Alemanha). A rara ave brasileira é considerada quase extinta, já que não é vista em liberdade desde 2000. AFP Há muitas ações humanas que contribuem com a extinção dos animais. Em 1992, a ONU declarou 22 de abril como o Dia Internacional da Mãe Terra e dedicou o ano à preservação de espécies afetadas pelo impacto ambiental causado por humanos na Terra. Várias organizações internacionais disseram que reforçarão suas ações para proteger os animais em risco de extinção. No entanto, para alguns animais, é tarde demais. Estas são quatro espécies que viviam na América Latina e sumiram por causa do ser humano. A ararinha-azul Essa ave azul, que ganhou fama com a animação Rio, foi extinta de seu ambiente natural em 2000, 11 anos antes da estreia do filme. A espécie, que só existe no Brasil, foi afetada pelo desmatamento e pela caça para ser vendida como ave exótica por sua beleza peculiar, segundo um estudo de setembro de 2018 da organização Bird Life. A pesquisa diz que, embora esteja extinta na natureza, entre 60 e 80 ararinhas-azuis sobrevivem em cativeiro. Em 2016, uma ararinha-azul solta foi vista na zona rural de Curaçá, no extremo norte da Bahia. A origem da ave é um mistério. O exemplar de tartaruga-gigante de Galápagos chamado George Solitário morreu em junho deste ano Rodrigo Buendia/AFP A tartaruga gigante de Galápagos O último exemplar dessa espécie vivia nas ilhas Galápagos, no Equador. Era conhecida como George Solitário e morreu em 24 de junho de 2012 de velhice, com mais de cem anos. A população da espécie diminuiu até chegar à extinção por causa da caça desmedida para a venda de sua carne e de seus cascos. Na época dos piratas do século 18, descobriu-se que tartarugas podiam sobreviver em navios por muitos meses, sem comida nem água. Os navegadores que frequentavam Galápagos no século 19 começaram a extrair grandes quantidades de tartarugas vivas e armazená-las nos barcos como fonte de carne fresca em suas longas viagens, segundo Linda J. Cayot, da organização Galapagos Conservancy. O sapo dourado, ou Bufo periglenes, viveu na região de Monteverde, na Costa Rica, mas não é visto na natureza desde 1989 U.S Fish and Wildlife Service O sapo dourado Esse tipo de anfíbio foi vítima das mudanças climáticas. Para sua reprodução era necessário certo nível de umidade, mas a alteração do clima em seu habitat fez com que a espécie se extinguisse. O sapo vivia nos pântanos da floresta nublada em Monteverde, na Costa Rica. Os pântanos secaram por causa da mudança drástica na temperatura na região, o que impediu a formação da neblina que protegia a espécie, segundo o Centro Científico Tropical da Costa Rica. O anfíbio foi visto pela última vez em 1989. Em 2008, foi realizada uma expedição em busca de sobreviventes da espécie, mas nenhum foi encontrado. A foca-monge-do-caribe mamífero foi marinho que nadava pelas correntes do Golfo do México foi declarado extinto em 2008 NOAA Foca-monge-do-caribe Esse mamífero marinho que nadava pelas correntes do Golfo do México foi declarado extinto em 2008. A Administração Nacional Atmosférica Oceânica (NOAA, na sigla em inglês) afirmou que seu desaparecimento se deveu a causas humanas. Essa espécie de foca era caçada pela indústria pesqueira, que vendia sua pele e gordura.
    Ministério do Meio Ambiente avalia revisão da lista de espécies aquáticas ameaçadas após pedido do Ministério da Agricultura

    Ministério do Meio Ambiente avalia revisão da lista de espécies aquáticas ameaçadas após pedido do Ministério da Agricultura


    Pasta disse em comunicado que pedido ainda será analisado e discutido. O Ministério do Meio Ambiente confirmou nesta segunda-feira (22) que avalia a revisão da lista de espécies aquáticas ameaçadas após um pedido do Ministério da Agricultura...


    Pasta disse em comunicado que pedido ainda será analisado e discutido. O Ministério do Meio Ambiente confirmou nesta segunda-feira (22) que avalia a revisão da lista de espécies aquáticas ameaçadas após um pedido do Ministério da Agricultura pelo fim da lista. Em resposta ao G1, a pasta declarou que o pedido ainda será analisado e discutido. O jornal "Folha de S.Paulo" noticiou em 20 de abril que o Ministério da Agricultura havia pedido a suspensão da lista afirmando que o cadastro gerou “grande repercussão negativa no setor pesqueiro e prejuízos econômicos". A Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos é organizada pelo Ministério do Meio Ambiente com coordenação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dentre mais de 5 mil espécies analisadas, 475 (9%) foram classificadas como ameaçadas de extinção, sendo 98 peixes marinhos, 311 peixes continentais e 66 invertebrados aquáticos. Após a publicação da lista em 2014, o Ministério do Meio Ambiente proibiu a captura, o transporte, armazenamento, guarda e manejo de exemplares das espécies listadas. Em 2017, um Grupo de Trabalho foi criado para avaliar ações de conservação e manejo sustentável para as espécies identificadas como tendo importância socioeconômica. Curimatã está na lista: espécie vive na água corrente de rios e ribeirões, bem em lagoas e açudes Carlos Alberto Coutinho / TG
    O mistério das 'piranhas impossíveis' encontradas em lago na Inglaterra

    O mistério das 'piranhas impossíveis' encontradas em lago na Inglaterra


    Pescadores encontraram os peixes com dentes afiados mortos e boiando, mas piranhas normalmente não vivem em temperaturas tão baixas. Peixe semelhante à piranha encontrado em lago da Inglaterra Divulgação Dois peixes com características muito...


    Pescadores encontraram os peixes com dentes afiados mortos e boiando, mas piranhas normalmente não vivem em temperaturas tão baixas. Peixe semelhante à piranha encontrado em lago da Inglaterra Divulgação Dois peixes com características muito próximas das piranhas foram encontrados mortos em um lago em Yorkshire, na Inglaterra. Os animais estão sendo analisados para verificação de sua espécie. Os peixes de dentes afiados foram encontrados por pescadores no lago Martinwells, próximo de Doncaster, uma região popular para caminhadas e pescaria. Especialistas dizem que é praticamente impossível para piranhas, que são naturais dos trópicos, sobreviverem nas águas geladas da Inglaterra. Autoridades ambientais do distrito de Doncaster, onde fica o lago, dizem que os peixes podem ter sido abandonados no local após terem sido criados como "animais de estimação". Os ferozes predadores foram encontrados por Lisa Holmes e seu parceiro Davey White, que estavam pescando no lago no domingo. "Meu parceiro estava observando a beira do lago quando de repente viu um peixe flutuando próximo à plataforma de pesca. Quando olhamos mais de perto e vimos os dentes, percebemos que era uma piranha", diz Lisa. "Dado o ambiente natural das piranhas, é altamente improvável que elas tenham estado vivas em qualquer momento no lago", diz Gill Gillies, diretor-assistente de meio-ambiente da Assembleia de Doncaster. "Imaginamos que elas foram criadas por alguém e jogadas no lago, algo que desencorajamos veementemente." Os peixes agora estão sendo analisados pela agência ambiental local. "Piranhas não são nativas da Inglaterra e não são apropriadas para nossos lagos e rios", disse um porta-voz da agência. "Esses peixes não sobrevivem ou se alimentam em temperaturas abaixo de 10ºC e rapidamente sucumbem ao frio e aos invernos do norte." Dentada poderosa Piranhas são originárias das águas doces da América do Sul. Existem 36 espécies conhecidas, 24 delas encontradas no Brasil. Algumas piranhas foram encontradas em outras parte do mundo, mas acredita-se que são todos casos de bichos mantido em cativeiro e soltos na água, segundo a BBC Ciência e Ambiente. Piranhas têm dentes muito afiados e mandíbulas poderosas. Um estudo de 2012, feito por pesquisadores de universidades americanas e pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), apontou que a piranha-preta, que chega a atingir 40 cm de comprimento, tem a mordida mais forte entre todos os peixes ósseos. Elas comem praticamente qualquer coisa quando estão com fome – inclusive recorrendo a canibalismo se o alimento for muito escasso. Embora raros, casos de ataques a humanos já foram registrados – e tendem a acontecer quando banhistas se aproximam de áreas de reprodução, já que os peixes se tornam mais agressivos no período de reprodução. Em 2016, 25 pessoas foram atacadas por piranhas em dez dias na cidade de Pão de Açúcar, em Alagoas.
    A comovente história da selfie com os gorilas que ficam de pé

    A comovente história da selfie com os gorilas que ficam de pé


    Por trás de imagem que viralizou, estão primatas que gostam de 'imitar' seus protetores - guardas florestais que os resgataram quando perderam suas mães, ainda bebês. Gorilas posam com guardas florestais do parque Virunga na República...


    Por trás de imagem que viralizou, estão primatas que gostam de 'imitar' seus protetores - guardas florestais que os resgataram quando perderam suas mães, ainda bebês. Gorilas posam com guardas florestais do parque Virunga na República Democrática do Congo Facebook/Virunga National Park Dois gorilas foram fotografados posando para uma selfie com os guardas florestais que os resgataram quando bebês. A imagem foi feita no orfanato de gorilas Virunga National Park, na República Democrática do Congo, onde os animais foram criados depois que seus pais foram mortos por caçadores. Desafio Natureza: lixo, espécies ameaçadas e turismo sustentável nos parques do Brasil O diretor do parque, Innocent Mburanumwe, disse à BBC Newsday que os dois animais aprenderam a imitar seus protetores, que cuidaram deles desde o resgate. Segundo Mburanumwe, os gorilas encaram os dois guardas florestais como seus pais. O diretor do parque contou que as mães dos gorilas foram mortas no mesmo mês, em julho de 2007. Um dos filhotes tinha dois meses e o outro, quatro meses. Eles foram encontrados e levados ao Santuário Senkwekwe, em Virunga, onde têm vivido desde então. Mburanumwe explica que, como os dois gorilas conviveram durante toda a infância com os guardas que os resgataram, passaram a "imitar os humanos"- ficar de pé, sobre as duas pernas, é uma forma de imitar o comportamento dos seres humanos. "Mas isso não é comum. Eu fiquei muito surpreso quando vi. É engraçado e curioso ver um gorila imitando um ser humano, ficando de pé assim", disse. Ser um guarda florestal, no entanto, nem sempre é divertido e recompensador. Às vezes chega a ser um trabalho perigoso. Cinco guardas foram mortos no Virunga National Park no ano passado, numa emboscada de rebeldes. E, desde 1996, houve 130 assassinatos de guardas florestais em Virunga. O leste do Congo é alvo de conflitos entre forças do governo e diferentes grupos armados. Alguns desses grupos ocupam áreas do parque florestal e praticam caça ilegal de animais. Por isso, é comum que entrem em confronto com quem trabalha protegendo os animais selvagens que vivem no local.
    A história de Alcir, sua horta orgânica e o circuito curto dos alimentos

    A história de Alcir, sua horta orgânica e o circuito curto dos alimentos


    Marko, Alcir e Juliana na barraquinha da feira Amelia Gonzalez Uma das sugestões oferecidas pelos estudiosos quando se pergunta se haverá meios suficientes para alimentar dez bilhões de pessoas - população estimada para o planeta em 2050 - é...


    Marko, Alcir e Juliana na barraquinha da feira Amelia Gonzalez Uma das sugestões oferecidas pelos estudiosos quando se pergunta se haverá meios suficientes para alimentar dez bilhões de pessoas - população estimada para o planeta em 2050 - é o circuito curto dos alimentos. Isto quer dizer, de maneira bem simples, reduzir o espaço entre a produção agrícola e a mesa dos cidadãos que consomem os alimentos. Há quem julgue ser uma solução romântica, pouco viável, sobretudo se considerarmos o modelo mais utilizado atualmente, de monoculturas e de produtos que precisam fazer longas viagens para chegar ao consumidor. Na maioria das vezes, as pessoas comuns não saberão dizer de onde vêm a berinjela ou a cenoura que estão comprando. Por outro lado, há também quem consiga viver, na prática, o circuito curto de alimentos, trazendo uma história de muitos desafios, mas também de progresso. É possível, portanto. O mais difícil é mudar o foco, do lucro acima de tudo, que se tornou hábito no business as usual, para uma melhor qualidade de vida e respeito a tudo que respira e cresce. A barraquinha de Alcir Fernandes na feira-livre é das mais disputadas. O que mais me chamou a atenção, e que me fez ter desejo de trazer a história dele para compartilhar com os leitores, é que Alcir está sempre sorridente, mostrando um humor e uma leveza bem diferentes do astral da maioria dos comerciantes. Alcir é o exemplo vivo da viabilidade do circuito curto de alimentos. Ele mesmo traz seus produtos orgânicos do sítio em Itaboraí, onde planta. Tem ajuda de Juliana e Marko para vender, e adora uma conversa com seus clientes. Mas, apesar de seu bom humor, Alcir não leva uma vida muito fácil. Tanto que foi penoso achar um horário na agenda dele para esta entrevista, que consegui num tempo entre o fim da feira e o início do desmonte de toda a traquitana necessária para comercializar os produtos. Abaixo, a história de Alcir: Você é quem planta os alimentos que vende, e isto é raro, mesmo entre os produtores orgânicos. Como foi que começou? Alcir Fernandes – Eu nasci e fui criado até os dez anos em São Fidélis (Norte Fluminense), numa roça mantida pela família, sem geladeira e sem televisão. A nossa diversão – minha e das minhas duas irmãs – era estudar, e me lembro até hoje que o prêmio que ganhávamos quando conseguíamos tirar o primeiro lugar na escola era uma xícara de louça. As crianças também lidavam na roça? Alcir Fernandes – Sim, mexíamos muito com plantações. Eram alqueires de fazenda que meu avô tinha deixado e que meu pai decidiu levar adiante, com boi, criação de galinha, de porcos. Eu me lembro que engordávamos os porcos com abóbora e goiaba, e ficava uma carne deliciosa. Da roça, você veio morar na grande cidade? Alcir Fernandes – Sim. Fui bancário, trabalhei 31 anos na Caixa, foi meu último emprego. E era bem puxado. Trabalhava dez horas por dia, com uma responsabilidade enorme, porque mexia com dinheiro dos outros, né? Enquanto isso, meu pai adquiriu uns alqueires em Itaboraí e começou lá a fazer uma produção agrícola, depois foi vendendo, aos poucos. E eu pedi a ele que guardasse um lote para mim, ele guardou. Foi lá que comecei a montar minha roça, que mantenho há quatro anos, desde que me aposentei. Como foi este início? Alcir Fernandes – Fui comprando o que era necessário: estufa, sombretes para as hortaliças, frutíferas (tenho um coqueiro que comprei há três anos e que está começando a dar cacho agora). Tenho carambola, manga, limão tahiti, couve... Estou trazendo uma manga do Ceará, que se chama cuité, é deliciosa. O sítio de Alcir: uma agrofloresta em Itaboraí Arquivo Pessoal Neste tempo todo você não precisou fazer uso de adubos químicos? Alcir Fernandes – Não, de maneira nenhuma. E, ao menos no meu caso, é bem possível porque eu mesmo produzo o adubo. Tenho a cama da galinha, que é onde ela faz o cocô, e o galinheiro é todo forrado com madeira picotadinha que se compra nas indústrias, a maravalha. Veja bem: a saúde do animal está em não pisar no cocô. Por isso põe o pó de serra, com uns dez centímetros de altura, para ele absorver aquela umidade do cocô e ir secando naturalmente, se misturando com a maravalha. De três em três meses eu troco e ponho aquela mistura para compostar. Depois de 90 dias vira um adubo orgânico rico em tudo porque a galinha tem tudo, tem todos os minerais. E não tem porquê usar agrotóxicos. Certamente a sua formação, na roça em São Fidélis, o ajudou a perceber que era possível. Mas você precisou se capacitar, obter informações em livros? Alcir Fernandes – Eu me tornei associado da Associação de Agricultores Biológicos (Abio), do Rio de Janeiro, cuja certificação é dada pelos próprios associados. Durante quase dois anos eu participei das reuniões, mas depois acabei saindo porque tomava muito meu tempo, cheguei à conclusão que não estava me acrescentando nada. Eu sei o que faço, tenho a minha consciência tranquila sobre os produtos que vendo. E fiz vários cursos sobre agricultura orgânica. Mas a maior parte do que você sabe, você trouxe da sua experiência obtida na infância, em São Fidélis? Alcir Fernandes – Não. De lá eu trouxe a vontade de fazer o que faço. Quando eu estava na época de me aposentar, a Caixa me disse para escolher um curso, que ela ofereceria. Eu escolhi um de agricultura orgânica, onde aprendi tudo (do professor Penteado, lá do Paraná), nem consigo explorar todo o curso no que eu faço. O resto é aquilo que a gente vai vivendo, vai acrescentando, como o próprio curso da Abio, além de conversas com amigos, de troca de informações. Você pensou em plantar e vender para ganhar dinheiro? Alcir Fernandes – Não, eu tenho a minha aposentadoria, o que me possibilita fazer isso com algum conforto. Para mim é um desafio muito grande, porque eu produzo e faço questão de vir vender. A minha alegria é estar com as pessoas, costumo dizer que é um estilo de vida. Aqui nesta feira, por exemplo, os clientes sabem muito bem diferenciar um produto orgânico, trazem muitas informações, conversamos. Eu nunca venderia algo que não fosse plantado desta forma. Cenoura, por exemplo, não dá na minha terra, mas eu trago lá do Brejal para vender porque me pedem. No sítio você tem quem o ajude? Alcir Fernandes – Sim, tive a sorte de ter um vizinho, com o filho dele, que queriam muito trabalhar numa produção agrícola orgânica e eles tomam conta para mim, por um bom salário que eu pago. Aqui também, tenho a ajuda da Juliana e do Marko. Na verdade, além de vender produtos orgânicos eu acabo ajudando também no lado social, mas nada de carteira assinada, nem de CNPJ. Trabalhei onze anos à noite e mantive uma confecção, sei muito bem o que é tentar acabar um CNPJ, dá o maior trabalho. Não quero mais isso. Do jeito que faço, só ajudo e não perturbo ninguém. Como é sua rotina? Alcir Fernandes - Às terças e quintas eu acordo de madrugada e passo o dia inteiro lá no sítio, às sextas eu vendo bolsas com produtos orgânicos lá em Copacabana, onde moro, por clientes que mantenho pelo whatsapp. Aos sábados vendo aqui na feira e os outros dias eu dedico à minha mulher, para descansar um pouco também. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Você acha que a gente pode reverter este cenário? Alcir Fernandes – Segundo tudo o que eu estudei sobre agricultura, o melhor adubo é o natural, é só plantar de maneira diversa. Dá trabalho, mas é muito prazeroso. Lá no sítio eu tenho quase uma agrofloresta. Mas não sei como seria usar adubo orgânico em monoculturas. Fico impressionado quando viajo e vejo: ali no Paraná, por exemplo, quilômetros e quilômetros de plantação de soja. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Gorilas de santuário aprendem a posar para fotos

    Gorilas de santuário aprendem a posar para fotos


    Animais de santuário na República Democrática do Congo imitam cuidadores. Dois gorilas posam com o guarda que os resgatou quando eram bebês Mathieu Shamavi / Reprodução Facebook Dois gorilas de um santuário para esses animais na República...


    Animais de santuário na República Democrática do Congo imitam cuidadores. Dois gorilas posam com o guarda que os resgatou quando eram bebês Mathieu Shamavi / Reprodução Facebook Dois gorilas de um santuário para esses animais na República Democrática do Congo aprenderam a imitar seus cuidadores e passaram a posar para selfies e outros tipos de fotografias. O diretor do parque, Innocent Mburanumnwe, disse à BBC que os gorilas consideram os guardas do parque seus próprios pais. Os pais verdadeiras dos animais foram mortos por caçadores ilegais em julho de 2007, quando os gorilas das fotos tinham idades de dois e quatro meses. Desde então, eles vivem no santuário em Virunga. Como eles cresceram com os guardas que os resgataram, "eles imitam os humanos", diz Mburanumnwe. Ficar de pé é uma forma de mimetizar humanos, mas não acontece normalmente, afirma.
    Como nasceram as embalagens de plástico e por que eliminá-las pode não ser tão ecológico assim

    Como nasceram as embalagens de plástico e por que eliminá-las pode não ser tão ecológico assim


    As embalagens ajudam a evitar o desperdício, mas muitas vezes são responsáveis por poluir o meio ambiente. A má fama das embalagens de plástico tem crescido nas últimas décadas. Mas a primeira versão comercialmente viável do material hoje...


    As embalagens ajudam a evitar o desperdício, mas muitas vezes são responsáveis por poluir o meio ambiente. A má fama das embalagens de plástico tem crescido nas últimas décadas. Mas a primeira versão comercialmente viável do material hoje popular, o celofane, foi concebida numa época em que não havia preocupação com a poluição nos aterros sanitários, nos oceanos ou na cadeia alimentar. Plástico ou papel: qual sacola é menos prejudicial ao meio ambiente? Tudo começou em 1904, em um sofisticado restaurante em Vosges, na França, quando um cliente idoso derramou vinho tinto sobre uma toalha de linho puro. Sentado em uma mesa próxima estava um químico suíço chamado Jacques Brandenberger, que trabalhava para uma empresa têxtil francesa. Um homem separa garrafas em um aterro de itens de plástico durante o Dia Mundial do Meio Ambiente em Chandigarh, na Índia. Ajay Verma/Reuters Enquanto observava o garçom trocar a toalha de mesa, ele se perguntou se poderia criar um tecido que pudesse ser limpo simplesmente com um pano. Ele tentou borrifar celulose em toalhas de mesa, mas o material não aderia à superfície e desprendia uma película transparente. Foi quando ele pensou: será que haveria mercado para essas lâminas transparentes? Quando começou a Primeira Guerra Mundial, ele encontrou um: lentes para máscaras de gás. Brandenberger chamou sua invenção de "celofane" e, em 1923, vendeu os direitos para a empresa DuPont na América. Seus primeiros usos incluíam embrulhos de chocolates, perfumes e flores. Problemas com o celofane Mas a DuPont tinha um problema. Alguns clientes estavam descontentes porque o celofane era impermeável, mas não resistente à umidade. Os doces ficavam grudados, as facas oxidavam e charutos secavam. A DuPont contratou, então, um químico de 27 anos, William Hale Charch, e o encarregou de encontrar uma solução. Em um ano, ele conseguiu: revestiu o celofane com camadas extremamente finas de nitrocelulose, cera, um plastificante e um reagente para misturas. As vendas dispararam. O momento era perfeito. Na década de 1930, os supermercados estavam mudando: os clientes não faziam mais fila para informar aos vendedores que tipo de alimento precisavam. Em vez disso, passaram a retirar os produtos nas prateleiras. Frequentadores não respeitam o meio ambiente e jogam plástico na praia. Patrícia Andrade/G1 A embalagem transparente foi um sucesso. E, como destaca Ai Hisano, pesquisador da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, nos EUA, "teve um impacto significativo não apenas sobre como os consumidores compravam alimentos mas também sobre como eles entendiam a qualidade dos alimentos". O celofane permitia que os consumidores escolhessem os alimentos com base em sua aparência, sem sacrificar a higiene ou o frescor. Um estudo – financiado pela DuPont – mostrou que embrulhar os biscoitos em celofane incrementava as vendas em mais de 50%. E os varejistas recebiam conselhos semelhantes. "Ela compra carne com os olhos", dizia uma edição de 1938 da revista The Progressive Grocer. Carne perdendo a cor Na verdade, os açougues tiveram dificuldade para implementar o sistema self-service. O problema era que a carne, uma vez cortada, descoloriria rapidamente. Mas os estudos indicavam que a adoção do self-service poderia aumentar as vendas de carne em 30%. Diante deste incentivo, encontraram algumas soluções: iluminação cor de rosa, aditivos antioxidantes e, é claro, uma versão melhorada do celofane, que deixava passar apenas a quantidade certa de oxigênio. Em 1949, os anúncios publicitários da DuPont se gabavam da "nova maneira agradável" de comprar carne – "pré-cortada, pesada, precificada e embrulhada em celofane diretamente na loja". Mas o celofane logo ficaria fora de moda, superado por outros produtos, como o cloreto de polivinilideno, da Dow Química. Como seu antecessor, foi descoberto acidentalmente e usado pela primeira vez em conflitos – neste caso, para proteger de intempéries os aviões de combate na Segunda Guerra Mundial. E, assim como o celofane, demandou bastante pesquisa e desenvolvimento antes de poder ser usado em alimentos – originalmente era verde-escuro e cheirava mal. Uma vez que a Dow resolveu a questão, chegou ao mercado com o nome de Saran Wrap – mais conhecido hoje em dia como plástico filme. Após a descoberta de problemas de saúde associados ao cloreto de polivinilideno, o plástico filme passou a ser feito a partir de polietileno de baixa densidade, embora seja menos aderente. Ele também é usado para fazer as sacolas plásticas de supermercado que estão sendo banidas ao redor do mundo. O polietileno de alta densidade é o tipo de material usado em embalagens de leite. Os refrigerantes, por sua vez, são comercializados em garrafas de Polietileno Tereftalato (PET). E se você ainda não tiver se perdido, saiba que as embalagens plásticas são feitas cada vez mais de múltiplas camadas destas e de outras substâncias, como o polipropileno biaxialmente orientado ou o etileno e acetato de vinila. Os gurus das embalagens dizem que há uma razão para isso – materiais diferentes apresentam propriedades distintas, então múltiplas camadas podem oferecer o mesmo desempenho de uma embalagem mais fina – e, portanto, mais leve. Mas esses materiais compostos são mais difíceis de reciclar. Qual é a melhor embalagem? Não é fácil calcular o que é mais conveniente. Dependendo da quantidade de embalagens mais pesadas, que na prática são recicladas, você pode achar que a embalagem mais leve, não reciclável, na verdade, geram menos resíduos. E uma vez que você começa a analisar as embalagens plásticas, você se depara o tempo todo com paradoxos deste tipo. Algumas embalagens são um desperdício. Mas o que acontece, por exemplo, com os pepinos envoltos em plástico filme que se mantêm frescos por 14 dias em vez de três? O que é pior? 1,5g de plástico filme ou pepinos inteiros que apodrecem antes de ser comidos? A escolha, de repente, não é tão óbvia. As sacolas plásticas impedem que as bananas escureçam rápido ou que as batatas fiquem verdes; também evitam que as uvas caiam dos cachos. Há aproximadamente uma década, um supermercado do Reino Unido experimentou retirar todas as frutas e legumes da embalagem - e a taxa de desperdício de alimentos dobrou. E não se trata apenas da vida útil nas prateleiras – e o desperdício gerado antes de os alimentos chegarem ao supermercado? Outro estabelecimento, que havia sido criticado por colocar maçãs em bandejas envoltas em plástico, tentou vendê-las soltas em grandes caixas de papelão – mas muitas frutas foram danificadas durante o transporte e, no final, eles acabaram usando mais embalagem por maçã realmente vendida. De acordo com um relatório do governo do Reino Unido, apenas 3% dos alimentos são desperdiçados antes de chegar às lojas. Nos países em desenvolvimento, esse percentual pode ser de 50% – e essa diferença se deve em parte à forma como o alimento é embalado. Isso se torna mais importante à medida que cada vez mais gente vive nas cidades, longe de onde a comida é cultivada. Mesmo a temida sacola plástica de supermercado pode não ser tão vilã quanto parece. Se você comprou bolsas resistentes e reutilizáveis no supermercado, é provável que elas sejam feitas de não tecido de polipropileno – e são menos prejudiciais, mas somente se você usá-las pelo menos 52 vezes. Essa é a conclusão de um relatório do governo dinamarquês, que colocou na balança os variados impactos ambientais da produção e descarte de diferentes tipos de sacolas. E se a sua sacola reutilizável for de algodão orgânico, não se sinta orgulhoso - os pesquisadores estimaram que é necessário usá-la 20 mil vezes para justificar sua existência. Isso equivale a ir às compras todos os dias durante mais de meio século. O mercado pode ser uma maneira maravilhosa de indicar desejos populares. Na década de 1940, os consumidores americanos queriam carne convenientemente pré-cortada – e o que os economistas chamam de "mão invisível" do mercado proporcionou as tecnologias que tornaram isso possível. Mas nosso desejo para que haja menos desperdício pode não ter efeito no mercado, uma vez que a questão é complicada e nossas decisões de compra podem, sem querer, causar mais mal do que bem. Só conseguimos enviar essa mensagem por um caminho mais tortuoso, por meio de governos e organizações ambientais, e esperamos que eles – junto a iniciativas bem-intencionadas da indústria – elaborem algumas respostas sensatas. Parece claro que a solução não será deixar de usar embalagens – mas, sim, criar embalagens melhores, idealizadas em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, como aqueles que deram origem ao celofane resistente à umidade décadas atrás.
    A batalha dos cidadãos comuns em prol das abelhas em todo o mundo

    A batalha dos cidadãos comuns em prol das abelhas em todo o mundo


    Recentemente, a União Europeia proibiu três inseticidas neonicotinoides que, segundo pesquisas, causavam morte de abelhas Patricio Sánchez/Pixabay Não é de se estranhar o fato de o apicultor Nicolas Géant, que se ocupa das colmeias da Catedral...


    Recentemente, a União Europeia proibiu três inseticidas neonicotinoides que, segundo pesquisas, causavam morte de abelhas Patricio Sánchez/Pixabay Não é de se estranhar o fato de o apicultor Nicolas Géant, que se ocupa das colmeias da Catedral Notre Dame - que teve o telhado devastado por um incêndio – ter recebido mensagens e ligações de todo o mundo de pessoas perguntando se as abelhas haviam morrido por causa do fogo. É porque não é de hoje que os apicultores vêm se preocupando, globalmente, com o desaparecimento das abelhas. Campanhas têm surgido com o objetivo de tentar recuperar a saúde desses insetos, responsáveis pela polinização de mais de 70% das plantas. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), das Nações Unidas, 85% das plantas com flores das matas e florestas dependem dos polinizadores: “A polinização das abelhas é fundamental para garantir a alta produtividade e a qualidade dos frutos em diversas culturas agrícolas”, diz a organização em seu site. Não custa lembrar também o alerta que o físico alemão Albert Einstein (1879 – 1955) deu ao mundo:  “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.” Mas a notícia é boa: muitos já perceberam a urgência de ações. A mais recente campanha a favor da polinização é a “Million Pollinator – Garden Chalenge”, formada em 2015, que já tem, registrados, mais de um milhão de jardins e paisagens para apoiar os polinizadores. Qualquer pessoa pode contribuir para a causa, segundo seus organizadores: é só plantar – pode ser em casa mesmo, desde que tenha uma janela com sol – uma flor para atrair os polinizadores. As abelhas se sentem atraídas sobretudo por plantas aromáticas, especialmente as que dão flores miúdas, e de todas as cores. E que elas estejam sempre bem regadas e, sobretudo, longe dos pesticidas. Manjericão, manjerona, alecrim, dente de leão, hortelã, margaridas e girassóis também são um deleite para abelhas. Neste site há outras informações importantes para quem quiser fazer parte da comunidade global a favor dos insetos polinizadores. Aqui no Brasil, onde há cerca de três mil espécies de abelhas, a maior parte delas sem ferrão, foi em Brotas, interior de São Paulo, há pouco mais de dez anos, que foi detectado, pela primeira vez, o desaparecimento das abelhas. Em 2013, uma reportagem do jornal “The New York Times” informava que uma doença misteriosa há anos vinha afetando a apicultura nos Estados Unidos, e que isto vinha se expandindo drasticamente a ponto de ameaçar a vida das abelhas. Em algumas regiões da Europa o fenômeno também já vem sendo observado não é de hoje. A proposta de se criar uma rede global, uma espécie de trabalho de formiguinhas, para defender nossos polinizadores, e assim nossa saúde, é um dos muitos resultados positivos que se vê a partir das redes sociais. Recebi outro dia, sob forma de mensagem, a sugestão de criar uma espécie de casa de abelha a partir de dois ou três pedaços de madeira onde são feitos alguns furos. Não tenho tanta habilidade manual, mas estou auxiliando a produção de uma horta comunitária onde são plantados os tipos prediletos das abelhas. É uma forma absolutamente saudável de incluir pessoas em prol de uma boa causa. Mas é preciso também que se fique atento aos motivos que estão levando ao desaparecimento das abelhas. E não há estudo ou demonstrativo que não aponte entre as causas o uso excessivo de agrotóxicos nas plantações. Assisti a um documentário, tempos atrás, que mostra uma experiência feita por apicultores, que puseram uma espécie de antena numa abelha que foi contaminada e em outra, que não foi. A abelha que consumiu, de forma compulsória, as substâncias químicas, não conseguia retornar para a colmeia, como fazem todas. Seu voo parecia desorientado, como se ela estivesse embriagada ou como se seu sistema nervoso tivesse sido atingido. É bom lembrar que o processo produtivo agrícola brasileiro está cada vez mais dependente dos agrotóxicos e fertilizantes químicos. Recentemente, o governo liberou ainda mais registros de alta toxidade, entre eles o Sulfoxaflor, que já foi acusado de exterminar as abelhas nos Estados Unidos, segundo reportagem publicada no site do jornal “El País”. Não faltam denúncias, alertas. Dados que apontam a gravidade do problema que vem com o fato de o Brasil ser, desde 2008, o maior mercado mundial de agrotóxicos, são a todo momento divulgados. Ontem mesmo (18), dados do próprio Ministério da Saúde e depois compilados pelo Repórter Brasil, Agência Pública e Public Eye apontaram que, em 45 cidades do Sul de Minas, a água que chega às estações de tratamento está contaminada por algum tipo de agrotóxico. O uso abusivo dos agrotóxicos, portanto, que para a indústria de alimentos é parte do “grande desafio de alimentar dez bilhões de pessoas até o fim do século”, também pode ser o viés responsável pela maior dificuldade em se obter produtos saudáveis para a população. Quando se inclui no rol de problemas causados pelos produtos químicos - muitas vezes borrifados por aviões em áreas de plantação, o que atinge também a população do entorno – o fim dos insetos polinizadores, podemos estar caminhando, de fato, para um futuro onde passaremos a nos alimentar, cada vez menos, de comida de verdade. O dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), lançado em 2015 sob o título “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”, é um compêndio necessário para quem se interessa pelo tema. Logo na abertura, os pesquisadores trazem o pensamento de Rachel Carson que diz: “A dúvida é se a civilização pode mesmo travar esta guerra contra a vida sem se destruir e sem perder o direito de se chamar de civilizada”. Carson escreveu “Primavera Silenciosa”, estudo publicado em 1962, comprovando o impacto dos agrotóxicos na vida. Hoje, quando percebo tantos em prol de garantir a função dos polinizadores no mundo, fico em parte satisfeita porque a mensagem foi ouvida. Em parte, fico preocupada porque seremos poucos, talvez, para a grande aceleração que parece estar sendo preparada pelo mundo das indústrias para garantir nosso alimento. Há que ter um limite, e os cidadãos comuns estão sentindo isso.
    Ibama deixa de arrecadar até R$ 20 bi em multas por demora na digitalização de processos

    Ibama deixa de arrecadar até R$ 20 bi em multas por demora na digitalização de processos


    Auditoria da CGU no Ibama encontrou 96,4 mil processos parados no órgão à espera de digitalização e diz que faltam recursos para digitalizar passivo em prazo razoável; média de tramitação até julgamento é de mais de 5 anos por processo....


    Auditoria da CGU no Ibama encontrou 96,4 mil processos parados no órgão à espera de digitalização e diz que faltam recursos para digitalizar passivo em prazo razoável; média de tramitação até julgamento é de mais de 5 anos por processo. Auditores da CGU afirmam que recursos atualmente empregados pelo Ibama não são suficientes para concluir a digitalização dos processos físicos em um prazo razoável G1 Santos Enquanto o governo brasileiro anuncia medidas para transformar multas ambientais em ações de recuperação e preservação do meio ambiente, o Ibama tem um problema bem mais prosaico a resolver: a paralisação no despacho de pilhas de papel que impede a cobrança de até R$ 20,8 bilhões em multas que o órgão tem a receber. Auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) encontrou 96,4 mil processos parados no principal órgão de fiscalização ambiental do país à espera de digitalização. O valor total das multas em papel equivale a 13 vezes o orçamento anual do Ibama, de cerca de R$ 1,5 bilhão. "Enquanto a digitalização não ocorre, não é possível realizar nenhum ato administrativo em tais processos, evidenciando a criticidade da situação observada", diz o relatório da CGU, lembrando que, desde 2017, o próprio Ibama criou um sistema eletrônico e proibiu, por meio de uma portaria, a tramitação de processos que não estivessem digitalizados. Esse montante, que o Ibama poderia arrecadar se essas multas fossem integralmente mantidas e cobradas, é oito vezes maior que o custo que o governo brasileiro vai ter, por exemplo, com o pagamento do 13º do Bolsa Família, programa que atende atualmente 14,1 milhões de famílias. 'Festa' de multas Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro – que já foi multado pelo Ibama em R$ 10 mil por pescar numa estação ecológica em 2012 – assinou um decreto para converter multas em ações de compensação ambiental, que prevê, segundo o jornal O Globo, "a conversão de multas simples em serviços de preservação do meio ambiente e descontos de até 60% no valor da multa em audiências de conciliação". O governo justificou a medida dizendo que ela iria "tornar a cobrança mais ágil". A proposta estava entre as prioridades dos 100 primeiros dias de governo de Bolsonaro que, e em dezembro, havia anunciado que pretendia acabar com a "festa" de multas do Ibama. "Não vou mais admitir o Ibama sair multando a torto e a direito por aí, bem como o ICMbio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade]. Essa festa vai acabar", afirmou o então presidente eleito, em referência aos dois órgãos ligados ao Ministério do Meio Ambiente responsáveis, respectivamente, pela fiscalização ambiental e conservação das unidades federais. 'Inviável' A auditoria da CGU, cujo relatório foi concluído e divulgado na semana passada, levou em conta autos de infração lavrados e julgados entre 2013 e 2017. Mas os próprios auditores ressaltam, no relatório, que o problema da digitalização dificilmente seria sanado rapidamente. Trecho do relatório de auditoria da CGU BBC/Reprodução "Considerando uma hipotética meta de concluir a digitalização dos 96.485 processos no período de dois anos, seria necessário realizar a preparação e a digitalização de cerca de 190 processos por dia útil de trabalho. Assim, seriam 48 processos a serem escaneados por dia por cada escâner, o que se mostra inviável, uma vez que os escâners destinados a essa atividade não são especializados para o tratamento de grande volume de material", diz o relatório da CGU. Os auditores ressaltam ainda que "os recursos atualmente empregados pelo Ibama não são suficientes para concluir a digitalização dos processos físicos em um prazo razoável" e alertam para o risco dessas multas jamais serem aplicadas por causa da demora. O montante que o Ibama poderia arrecadar se os R$ 20,8 bi em multas dos processos em papel fossem integralmente cobradas é oito vezes maior que o custo com o pagamento do 13º do Bolsa Família G1 Santos "Este cenário acarreta para a instituição o risco da extinção de processos em decorrência da prescrição, além do não atendimento ao critério cronológico de tramitação e julgamento dos processos, na medida em que existe um passivo de processos sem tratamento, aguardando a digitalização", alertou a CGU. A CGU informa que o objetivo da auditoria foi avaliar o desempenho e a gestão dos processos de instrução e julgamento das infrações ambientais. As fragilidades e problemas que os auditores encontraram, contudo, vão muito além da dificuldade de incluir no novo sistema eletrônico os milhares de processos. Segundo o relatório, todas as etapas dos processos são demoradas - das mais simples, como a abertura do processo administrativo, às mais complexas, como o julgamento. A média de tramitação dos processos é de mais de 5 anos. Desde 2017, portaria do Ibama proíbe tramitação de processos físicos, mas órgão enfrenta dificuldade para digitalizar multas aplicadas Ibama-MT/Divulgação O modelo para escolher quem julga as multas aplicadas foi considerado inadequado para atender à demanda de processos que, de acordo com o relatório, impacta "na qualidade e na imparcialidade das decisões". Para julgar multas com valores acima de R$ 100 mil, por exemplo, o Ibama contava, no ano passado, com 34 autoridades. Além de considerar o número insuficiente, a CGU identificou "situações que podem suscitar graves conflitos éticos" como, por exemplo, casos em que superintendentes do próprio Ibama eram alvos de autos de infração em tramitação. Também ganharam destaque no relatório da CGU fragilidades dos controles relativos aos prazos prescricionais e deficiências no processo de apuração de responsabilidade de servidores que deixam processos expirarem. Os auditores salientaram que faltava um controle informatizado para controlar as prescrições e destacaram a "ausência informações confiáveis sobre a quantidade de processos prescritos ou em risco de prescrição". No período de 2014 a 2017, o número médio de autos de infração aplicados pelo Ibama superou 16 mil por ano. Em média, 40% deles estão relacionados a danos à flora. Infográfico de autos de infração aplicados pelo Ibama CGU/Reprodução Outro lado A CGU informou que uma versão preliminar do relatório foi encaminhada ao Ibama para que o órgão ambiental pudesse se posicionar a respeito dos resultados da auditoria. "No entanto, até a conclusão do trabalho, esta CGU não havia recebido a manifestação do Instituto sobre o conteúdo do relatório", registraram os auditores. A BBC News Brasil também procurou o Ibama para comentar o relatório e informar, por exemplo, quantos processos continuam parados à espera de digitalização e o valor total das multas que deixam de ser aplicadas por causa da dificuldade de incluir as informações no novo sistema eletrônico. O Ibama pediu que as perguntas fossem encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente que, por sua vez, não respondeu, até a publicação desta reportagem, aos pedidos de esclarecimentos enviados na quarta-feira da semana passada. Segundo auditores da CGU, a demora em processar e julgar as multas pode incentivar a impunidade Ibama/Divulgação Impunidade A CGU justificou a realização da auditoria dizendo que um dos efeitos do trabalho do Ibama, cujos agentes têm poderes de multar e deter infratores, é a dissuasão de transgressores, ou seja, é fazer com que o indivíduo tema a punição e deixe de praticar novas infrações. Os auditores são categóricos em dizer que as deficiências encontradas no Ibama, em especial a falta de celeridade na conclusão dos processos, podem aumentar a percepção de impunidade. O relatório da CGU destaca que, além de "prejuízo à eficácia e efetividade das ações fiscalizatórias", a demora desestimula o pagamento das multas, aumenta o risco de prescrição dos processos e também eleva o custo administrativo diante do longo período de tramitação". Maioria dos processos do Ibama está relacionados a danos à flora Ibama/Divulgação Os auditores dizem que não identificaram relação direta entre o valor das multas e o tempo de tramitação dos processos. No relatório, eles registraram que os autos de infração no valor acima de R$ 10 milhões tramitam, em média, por 4,4 anos e têm julgamento mais rápido que os autos com valores menores. Mas o que chamou atenção foi o fato de ter havido um salto significativo no tempo médio dos autos com valores acima de R$ 500 mil, saindo de 3,6 anos de duração para 5,7 anos no período analisado. Desde 2012, autos de infração acima de R$ 500 mil são julgadas na sede do Ibama, em Brasília. O Ibama, contudo, diz que apenas 5% das multas aplicadas são efetivamente pagas por empresas e indivíduos que cometem crimes ambientais. Nenhum valor arrecadado, contudo, vai para os cofres do Ibama. O Fundo Nacional do Meio Ambiente fica com 20% das multas pagas e o restante vai para o caixa único da União. O relatório de 113 páginas da CGU termina com uma lista de recomendações para dar mais celeridade aos processos. Na lista, consta a sugestão de um plano de ação para acabar com o passivo de processos e acelerar a conversão do que está em papel para meio eletrônico. Os auditores sugerem ainda a "desburocratização e maior automação do processo sancionador ambiental" para facilitar o controle da tramitação e dos prazos processuais.
    Abelhas da catedral de Notre-Dame escaparam de incêndio

    Abelhas da catedral de Notre-Dame escaparam de incêndio


    Colmeias na catedral abrigavam 200 mil abelhas. Apicultor diz que pessoas de diversos países telefonaram querendo saber se insetos tinham conseguido se salvar; ele espera revê-los na próxima semana. Imagem aérea mostra a extensão dos danos ao...


    Colmeias na catedral abrigavam 200 mil abelhas. Apicultor diz que pessoas de diversos países telefonaram querendo saber se insetos tinham conseguido se salvar; ele espera revê-los na próxima semana. Imagem aérea mostra a extensão dos danos ao telhado da Notre-Dame após o incêndio que destruiu parcialmente a catedral em Paris Gigarama.ru via AP As 200 mil abelhas das colmeias de Notre-Dame sobreviveram ao incêndio que devastou o telhado da catedral na segunda-feira. "As abelhas estão vivas. Até esta manhã não tinha notícias", disse à AFP o apicultor Nicolas Géant que se ocupa das colmeias de Notre-Dame localizadas na sacristia, ao lado do templo. "No começo eu pensei que as três colmeias haviam queimado, não tinha nenhuma informação. Mas então eu vi pelas imagens de satélite que elas não tinham sido atingidas e o porta-voz da catedral confirmou que as abelhas estavam entrando e saindo de suas colmeias normalmente", acrescentou. Géant recebeu mensagens e ligações de todo o mundo de pessoas perguntando se as abelhas haviam morrido no incêndio. "Foi inesperado. Recebi telefonemas da Europa, claro, mas também da África do Sul, Japão, Estados Unidos e América do Sul", disse ele. Em caso de incêndio e nos primeiros sinais de fumaça, as abelhas tomam muito mel e protegem a rainha. "Esta espécie (abelha europeia) não abandona a sua colmeia. (...) O CO2 (dióxido de carbono) as entorpece", explicou Géant, que espera voltar a ver as abelhas "na próxima semana". Cada colmeia produz, em média, 25 quilos de mel a cada ano que são vendidos ao pessoal de Notre-Dame. Tornou-se comum a instalação de colmeias na capital francesa em diversos e inesperados lugares, como na Ópera de Paris. Initial plugin text
    Por ‘acidente’, cientistas descobrem plásticos que estão no oceano desde os anos 60

    Por ‘acidente’, cientistas descobrem plásticos que estão no oceano desde os anos 60


    Os cientistas acreditam que conseguiram traçar a história da poluição dos oceanos por plástico retrocedendo até a primeira sacola plástica a ser retirada do mar. Equipe observa alguns dos itens de plástico coletados pela engenhoca BBC Criado...


    Os cientistas acreditam que conseguiram traçar a história da poluição dos oceanos por plástico retrocedendo até a primeira sacola plástica a ser retirada do mar. Equipe observa alguns dos itens de plástico coletados pela engenhoca BBC Criado para coletar informações sobre plânctons em mar aberto, um instrumento que viaja pelos oceanos desde 1931 pode ter acidentalmente criado um registro histórico sobre um elemento estranho ao ambiente marinho natural, mas presente amplamente graças à ação humana: o plástico. Os Gravadores Contínuos de Plânctons (CPRs, na sigla em inglês), formados por caixas de metal com aparência antiquada e frutos de uma colaboração científica internacional, arrastaram consigo pela primeira vez uma sacola plástica em 1965, na Irlanda. Segundo pesquisadores, pode ser o primeiro registro de lixo plástico encontrado no mar. Os registros dos CPR também trouxeram à tona muito mais da poluição marítima nas últimas décadas. Como os cientistas encontraram o plástico 'acidentalmente'? Ao coletar plânctons durante todas essas décadas - organismos que são um ótimo indicador da situação dos oceanos e das espécies que nele vivem -, a engenhoca produziu por tabela a trajetória dos plásticos nesses ambientes. Clara Ostle, pesquisadora do projeto e membro da Associação de Biologia Marinha de Plymouth, explica que, durante a coleta de amostras de plâncton da água, a equipe precisa registrar quando algum item estranho fica preso no gravador. "Vimos por meio desses registros que tivemos alguns casos históricos de plástico emaranhados", explicou Ostle. "Podemos construir uma série temporal a partir disso - para que possamos ver o aumento de plástico maiores presos." Os CPRs estão na água desde 1931 BBC O que essa linha do tempo de plástico no oceano mostra? Além da sacola plástica coletada na Irlanda em 1965, outros pontos destacados são: Uma linha de pesca plástica encontrada em 1957; A confirmação de que houve um aumento significativo e constante do plástico oceânico desde 1990; Para dar esperança, a equipe observou que o número de sacolas plásticas encontradas no oceano diminuiu nos últimos anos, mas não está claro se isso está relacionado a proibições e campanhas contrárias ao uso desse material. Que males o plástico causa ao mar? Os animais marinhos podem ficar emaranhados em plásticos maiores - particularmente redes e cordas. Uma equipe de documentaristas da BBC filmou no ano passado em uma ilha remota aves marinhas que morreram de fome porque seus estômagos estavam cheios de fragmentos de plástico. Plásticos muito menores, conhecidos como microplásticos e que muitas vezes são oriundos de produtos maiores fragmentados, já foram encontrados dentro de peixes, em sedimentos no fundo do mar e até mesmo no gelo da Antártida. O potencial dano disso para estes seres ainda está sob investigação por cientistas. Garrafas e outros objetos de plástico estão contaminando gravemente os oceanos Ben Mierement, NOAA NOS
    Sob risco de extinção, espécie de papagaio mais gorda do mundo tem recorde na reprodução e anima biólogos

    Sob risco de extinção, espécie de papagaio mais gorda do mundo tem recorde na reprodução e anima biólogos


    Os kakapos chegaram a ser os pássaros mais comuns da Nova Zelândia, até serem praticamente extintos; temporada reprodutiva prolífica dá fôlego a projeto de conservação. Kakapos chegaram a ser o pássaro mais comum da Nova Zelândia antes da...


    Os kakapos chegaram a ser os pássaros mais comuns da Nova Zelândia, até serem praticamente extintos; temporada reprodutiva prolífica dá fôlego a projeto de conservação. Kakapos chegaram a ser o pássaro mais comum da Nova Zelândia antes da colonização humana, que os deixou praticamente extintos New Zealand Department of Conservation Os kakapos são a espécie mais gorda de papagaios do mundo e chegaram a ser o pássaro mais comum de toda a Nova Zelândia, até se tornarem ameaçados de extinção por conta da caça, do desmatamento e de predadores. O resultado é que chegaram a restar, no país, apenas 147 kakapos adultos. Agora, uma nova geração de pássaros anima os ambientalistas do país: os kakapos neozelandeses produziram 76 filhotes na última temporada reprodutiva, o maior número já registrado desde que a espécie ficou sob acompanhamento, informa o Departamento de Conservação (DOC) da Nova Zelândia. Espera-se que ao menos 60 dos bebezinhos cheguem à vida adulta. A nova geração é duas vezes mais numerosa do que a da última temporada reprodutiva, em 2016. O kakapo (Strigops habroptilus) - também conhecido como papagaio-mocho - só se reproduz uma vez a cada dois ou quatro anos, e em condições bem específicas: eles botam ovos quando há abundância de frutas de uma árvore conífera endêmica da Nova Zelândia chamada rimu(o alimento favorito desses pássaros), o que também só acontece a cada dois ou quatro anos. Além disso, essa espécie tem enfrentado problemas de infertilidade e a proliferação de doenças. Ou seja, nem todos os ovos botados se convertem em filhotes vivos e saudáveis. Isso torna o recorde reprodutivo deste ano ainda mais importante para a espécie. Segundo Andrew Digby, conselheiro do DOC, cientistas notaram um aumento na quantidade de frutas das árvores rimu nos últimos anos. Com tantas frutas à disposição, muitas fêmeas kakapo conseguiram botar mais ovos do que de costume. Bebês kakapos são acompanhados por cientistas, para aumentar suas chances de sobrevivência New Zealand Department of Conservation Quase extintos Os kakapos são pássaros noturnos, incapazes de voar. Segundo as autoridades neozelandesas, eram uma espécie abundante em todo o país antes da colonização humana. "A população (de kakapos) caiu dramaticamente por conta da ação de caçadores, de predadores introduzidos (pela colonização europeia) e pela retirada da mata", diz o DOC. "Os esforços de conservação começaram ainda em 1894, mas, em meados do século 20, os kakapos estavam à beira da extinção." Em 1977, documentava-se a existência de apenas 18 espécimes desse papagaio. Até que um grupo de kakapos foi descoberto na Ilha Stewart, no extremo sul da Nova Zelândia. Começou então um esforço dos cientistas para aumentar a população dos pássaros, em ilhas onde eles não sofressem ameaça de predadores externos. O projeto hoje prevê que kakapos recém-nascidos sejam criados em laboratório, até serem novamente liberados na vida selvagem, acoplados a um transmissor. Cada papagaio tem seu ninho monitorado por sensores e câmeras; e as aves ganharam comedouros com suplementos nutricionais que aumentam suas chances de crescerem saudáveis. "Esses pássaros não têm muita privacidade", brinca Digby. "Consigo ver pela internet o que eles estão fazendo, se estão acasalando, por quanto tempo e qual a qualidade do acasalamento. Essa é provavelmente uma das espécies mais gerenciadas do mundo, certamente a mais gerenciada da Nova Zelândia." Objetivo é que população de kakapos chegue a 500 espécimes; hoje existem apenas 147 aves adultas New Zealand Department of Conservation Para aumentar a conscientização do público a respeito dos kakapos, o DOC promoveu no início deste mês uma sessão online de observação dos bebês pássaros. Digby conta que a expectativa é de alcançar uma população de 500 kakapos, algo que exigirá um esforço constante. "O objetivo de nosso programa é que cada criança (do país) cresça sabendo o que é um kakapo, assim como sabem o que é um elefante e um leão."
    Fim das sacolas plásticas nos supermercados e outros assuntos na tarde de debate no Museu

    Fim das sacolas plásticas nos supermercados e outros assuntos na tarde de debate no Museu


    Evento no Museu do Amanhã Claudia Lamego O evento apresentou estudos realizados pelo professor, agrônomo e escritor José Eli da Veiga e deu à plateia, com cerca de cem pessoas, subsídios para refletir a respeito do Antropoceno, uma nova Época...


    Evento no Museu do Amanhã Claudia Lamego O evento apresentou estudos realizados pelo professor, agrônomo e escritor José Eli da Veiga e deu à plateia, com cerca de cem pessoas, subsídios para refletir a respeito do Antropoceno, uma nova Época geológica que ainda está por ser oficializada (No livro recentemente lançado por José Eli, “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” aprende-se que é um erro chamá-la de Era, hábito comum aos comunicadores, entre eles eu: cada Era é composta de várias Épocas). Assim, a Época do Antropoceno, que deve ser oficialmente instalada no ano que vem num encontro mundial de geólogos - para substituir a atual, o Holoceno - caracteriza-se pela pressão excessiva exercida pela humanidade sobre o meio ambiente. E foi este o caminho que utilizamos para a conversa pós-apresentação do conteúdo do livro, fugido um pouco, mesmo à revelia do autor, da visão cientista. Seguindo por esta linha, o debate chegou à questão dos plásticos, apenas um dos símbolos dessa invasão dos humanos, já que, segundo os últimos dados divulgados no livro “Chega de plástico”, lançado recentemente pela Editora Sextante, a gigantesca quantidade de oito milhões de toneladas de plástico vai parar nos nossos oceanos. Cinco milhões provêm do lixo jogado nas praias, de objetos descartados em cidades grandes ou pequenas e que vão parar nos rios e esgotos. É uma quantidade verdadeiramente absurda, que causa um mal tremendo aos bichos do mar, como vimos recentemente quando uma baleia foi encontrada morta com 40 quilos de plástico no estômago nas Filipinas. Foi um dos pecados resultante do conforto que a humanidade deixou que tomasse imensas proporções ao não se dar limite, como acontece com o uso de combustíveis fósseis e tantos outros. O deputado Carlos Minc (PSB) , que tem dedicado toda a vida à causa ambiental, trouxe notícias frescas sobre a lei de sua autoria que veta sacolas plásticas nos supermercados, obrigando os estabelecimentos a oferecerem, a preço de custo, sacolas de cor verde (para resíduos reclicláveis) e cinza (para os orgânicos). Ambas são biodegradáveis, reutilizáveis e deve ser cobrado um valor de R$ 0,08 por cada uma. Com isto, espera-se que saiam de circulação cerca de 4 bilhões de sacolas plásticas/ano. Mas será preciso outro fator muito importante: a vontade da população para mudar o comportamento e o compromisso dos supermercados de não cobrarem mais do que este valor simbólico pelas sacolas que vão fornecer. Um ponto a favor da nova lei, que vai passar a valer a partir do dia 25 de junho, é que será oferecida imediatamente uma alternativa aos cidadãos. Para haver mudança de paradigma definitiva é preciso que se tenha este outro caminho por perto, e com alguma facilidade. Posso dar um exemplo pessoal: como sabem os que me acompanham aqui neste espaço, tenho dois cachorros pequenos. Depois de muito me incomodar com a quantidade que eu usava dos famosos saquinhos plásticos para catar as fezes na calçada, decidi usar uma pá comprada na loja, específica para isto. Exige uma certa habilidade: é preciso ficar atenta ao momento certo em que o cachorro se agacha, e eu mesma tenho que me agachar para dar tudo certo. Até aí, tudo bem. A questão é: o que fazer com a pazinha cheia do resíduo? Nada de levar para uma lixeira de poste, já que há mendigos que buscam alimentos ali e seria cruel deixar que eles encontrassem excrementos expostos. O certo é jogar num buraco de esgoto, porque os bueiros rentes à calçada são para escoar águas da chuva. Mas o orifício da tampa do bueiro é pequeno, exige alguma ginástica. É possível também botar em canteiros de planta, mas preciso antes combinar com quem cuida deles para saber se este tipo de adubo é bem-vindo. Continuo usando o buraco do esgoto, mas reconheço que não é fácil. O mais fácil continua sendo o uso dos saquinhos. Há à venda os biodegradáveis, mas cobram um preço absurdo por eles. Diante de tantos problemas que a cidade está enfrentando, fica-se com a sensação de que este é o menor deles, e pode esperar para cobrar do prefeito uma solução mais viável. Este “caráter anódino” das questões ligadas à sustentabilidade, denunciado por Anthony Giddens em seu livro “A política da mudança climática” (Ed. Zahar) pode começar a ser revertido quando for oficial a mudança de época geológica? No encontro de ontem à tarde, com mais perguntas e questionamentos do que respostas prontas, esta dúvida pairou no ar. Falou-se sobre o futuro, com imensa dose de otimismo na militância dos jovens que já descobriram a urgência de se tentar brecar o avanço do aquecimento global. O colunista de meio ambiente do “The Guardian” também reflete sobre isso no texto que publicou segunda-feira (15) em que defende uma revolução não violenta, já que “A cada aumento no consumo de recursos materiais, teremos que aceitar perdas ainda maiores, muitas das quais ainda podem ser evitadas através de transformações radicais”. Falou-se também sobre o passado. E ali estavam, não só no palco como na plateia, pessoas que dedicam a vida a apontar problemas – e soluções! – para enfrentar de maneira digna as alterações climáticas. Sergio Besserman, que atualmente preside o Jardim Botânico, trouxe à memória o tempo quando aquele mesmo time que se reunia ali naquela tarde – entre outros, na plateia, estavam Alfredo Sirkis e Samyra Crespo - já se encontrara muitas vezes, no passado, preocupados, por exemplo, com o derretimento das geleiras da Groenlândia e Antártida. “Cheguei a uivar de emoção quando assisti à cena (do derretimento) no documentário “Our planet” (lançado este mês pela Netflix em parceria com o WWF). Saímos do Museu já era noite, e estava me sentindo alimentada, foi um belo e frutífero encontro. No caminho até o transporte público, vi uma procissão religiosa que incitava as pessoas a pensarem sobre seus pecados. E vi também um grupo de artistas/dançarinos que ensaiava uma peça no meio da praça. Sonhei com um tempo em que manifestações religiosas e artísticas também abordassem as questões climáticas, finalmente absorvendo a importância disto para o futuro/presente da humanidade.

    Ministro do Meio Ambiente diz que fusão do ICMBio e do Ibama é hipótese que não está descartada


    Ricardo Salles participou de evento em MG. Ideia ainda precisa ser estudada antes de ser colocada em prática, de acordo com o ministro. O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles disse em evento nesta quarta-feira (17), em Minas Gerais, que a fusão do...

    Ricardo Salles participou de evento em MG. Ideia ainda precisa ser estudada antes de ser colocada em prática, de acordo com o ministro. O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles disse em evento nesta quarta-feira (17), em Minas Gerais, que a fusão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) é uma hipótese que ainda não está descartada. No entanto, para colocar em prática, a medida ainda deverá ser estudada. Em dezembro do ano passado, o governo de transição havia falado sobre fusão dos órgãos, mas descartou a ideia após críticas de ambientalistas. Agora, o tema voltou a ser falado. “Essa ideia de fundir é uma ideia que vem de lá do final do ano passado. Nós havíamos decidido não fazer isso e fazer uma reestruturação dos órgãos separadamente. Continua essa decisão da reestruturação. O que nós percebemos é que pode haver essa decisão ainda não tomada. Pode haver um ganho de sinergia se eles trabalharem juntos, mas isso é uma hipótese que ainda precisa ser muito detalhada para se chegar a uma conclusão", afirmou o ministro. Segundo Salles, a reestruturação será administrativa. Perguntado sobre se poderá levar a demissões, o ministro falou que “se for o caso será feito”. “Você tem, às vezes, sobreposição de funções ou até de escritório. Agora, isso não necessariamente pode ser o fator determinante. Temos que estudar isso com calma e o que está sendo feito e, se for o caso, nós não sabemos ainda se é o caso se for o caso será feito”. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. O ICMBio é responsável por 335 unidades de conservação federais, distribuídas em todos os biomas do país (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Marinho). Já o Ibama tem entre as atribuições o poder de polícia ambiental, o trabalho de fiscalização e a execução de política relativas ao licenciamento ambiental e à autorização de uso dos recursos naturais. Demissão do presidente do ICMBio A fala de Salles ocorre um dia após a demissão do presidente do ICMBio ter sido oficializada no Diário Oficial da União. Segundo o jornal O Globo, Eberhard seria crítico à tentativa de fusão dos órgãos. Ele anunciou que deixa o cargo por “motivos pessoais” e agradeceu ao ministro pela “oportunidade e toda a confiança em mim depositada”. Nesta quarta, Salles informou ao blog da Andreia Sadi no G1 que indicou o atual comandante da Polícia Militar Ambiental do estado de São Paulo, coronel Homero de Giorge Cerqueira, para a presidência do ICMBio.
    Manifestantes contra mudança climática afetam serviço de trem em Londres

    Manifestantes contra mudança climática afetam serviço de trem em Londres


    É o terceiro dia de protestos para que o Reino Unido radicalize suas medidas para reverter as mudanças climáticas. Ativistas fazem protesto contra as mudanças climáticas em uma estação de trem de Londres nesta quarta (17). Henry...


    É o terceiro dia de protestos para que o Reino Unido radicalize suas medidas para reverter as mudanças climáticas. Ativistas fazem protesto contra as mudanças climáticas em uma estação de trem de Londres nesta quarta (17). Henry Nicholls/Reuters Dois ativistas ambientais subiram no teto de um trem na estação de Canary Wharf, um distrito financeiro de Londres, nesta quarta-feira (17), como parte de um terceiro dia de protestos para que o Reino Unido radicalize suas medidas para reverter as mudanças climáticas. O grupo Extinction Rebellion intensificou seus protestos nas últimas semanas, bloqueando o Árco de Mármore, em Londres, a estação de metrô Oxford Circus e a ponte de Waterloo, além de quebrarem uma porta do prédio da Shell e de chocarem parlamentares com um protesto com manifestantes seminus dentro do Parlamento. Cerca de 300 pessoas foram presas nesta semana após ativistas bloquearem algumas das principais vias da capital britânica, nas quais muitas acamparam em barracas. Manifestantes acamparam em barracas na ponte de Waterloo, em Londres, durante protestos desta terça (16) contra mudanças climáticas. Hannah McKay/Reuters O grupo defende uma desobediência civil não violenta para forçar o governo a reduzir as emissões de carbono e para alertar sobre o que considera ser uma crise climática global que trará fome, enchentes, incêndios e colapso social. Um homem que vestia terno escuro e uma mulher com jaqueta preta subiram no teto de um trem em uma estação em Canary Wharf, segurando uma faixa com o dizer "Emergência Climática". Alguns passageiros gritaram para que a dupla descesse enquanto a polícia chegava ao local. Outro ativista se colou a um dos trens. Um homem que vestia terno escuro e uma mulher com jaqueta preta subiram no teto de um trem em uma estação em Canary Wharf, segurando uma faixa com o dizer "Emergência Climática". Henry Nicholls/Reuters O "Transport for London" — órgão britânico responsável pelo sistema de transporte na região da Grande Londres — advertiu que houve pequenos atrasos em uma das ramificações dos serviços "devido a um incidente com passageiros" em Canary Wharf. A polícia britânica dos transportes informou que um homem foi preso sob suspeita de obstruir a malha ferroviária. O Extinction Rebellion declarou que medidas diretas são importantes para provocar mudança. "Como em uma greve trabalhista, a ruptura econômica é a chave para forçar o governo a vir à mesa e negociar nossas demandas", informou o grupo em seu site oficial. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu aos manifestantes que evitassem atacar o sistema público de transporte da cidade. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, em imagem de arquivo Yves Herman//File Photo/Reuters "É absolutamente crucial que mais pessoas usem o transporte público, assim como caminhar e pedalar, se quisermos enfrentar essa emergência climática", afirmou Khan. Os protestos custaram mais de 12 milhões de libras para as empresas na região de West End, local famoso por seus teatros e suas lojas, com alguns vendo uma queda de 25 por cento nas vendas e na acessibilidade. "Essa pressão adicional é profundamente prejudicial à economia e à reputação de Londres", disse Jace Tyrrell, executivo-chefe da New West End Company, que representa empresas na área. A polícia disse que espera que as manifestações continuem nas próximas semanas e prometeu agir se necessário.
    VÍDEOS: jacaré encontrado debaixo de ponte no DF passa por cirurgia

    VÍDEOS: jacaré encontrado debaixo de ponte no DF passa por cirurgia


    Procedimento durou quase duas horas. Veterinários buscavam anzóis engolidos pelo animal que foi resgatado durante a madrugada. Médica-veterinária Clarissa Machado explica cirurgia feita no jacaré achado no Lago Paranoá Uma equipe do Zoológico...


    Procedimento durou quase duas horas. Veterinários buscavam anzóis engolidos pelo animal que foi resgatado durante a madrugada. Médica-veterinária Clarissa Machado explica cirurgia feita no jacaré achado no Lago Paranoá Uma equipe do Zoológico de Brasília iniciou, às 15h35 desta terça-feira (16), uma cirurgia para retirar o que imaginavam ser dois anzóis, presos a um arame, que foram engolidos por um jacaré que vive no Lago Paranoá (veja vídeos). O animal foi resgatado durante a madrugada pela Polícia Militar Ambiental do DF. O jacaré foi visto pela primeira vez no sábado (13), debaixo da Ponte do Bragueto, na Asa Norte. O funcionário de uma obra, que trabalhava no local, percebeu a presença do bicho e chamou os militares. A gastrotomia terminou pouco antes das 17h30. O animal passa bem, segundo os veterinários, e vai se recuperar no hospital do zoo. Jacaré visto no Lago Paranoá, em Brasília, passa por cirurgia para retirada de anzol do estômago Reprodução Para surpresa da equipe, o que eles imaginavam ser dois anzóis, com cerca de 50 centímetros, presos ao sistema digestivo do animal, eram pedaços de arame. Os veterinários não encontraram nenhum outro ferimento no bicho. Depois da recuperação, o jacaré deve ser avaliado pelo Ibama que, segundo o Zoológico de Brasília, deve decidir para onde vai o animal. Jacaré encontrado no Lago Paranoá passa por cirurgia para retirada de anzol do estômago A captura Os militares chamados pelo funcionário de uma obra para resgatar o jacaré, ainda no sábado, decidiram montar uma armadilha para capturar o bicho. Eles perceberam que o réptil corria risco de vida se continuasse com o que acreditavam ser dois anzóis presos ao sistema digestivo. De acordo com a PM, os ganchos estavam próximos à traqueia (veja raio X abaixo). Exame de raio-x mostrou dois anzóis presos a um arame que foram engolidos pelo jacaré no Lago Paranoá Zoológico de Brasília/ Divulgação Às 5h desta terça, os militares conseguiram pegar o jacaré que mede cerca de 2 metros. Ainda durante a manhã, ele foi levado para o zoológico. É um jacaré-tinga Diferentemente do que suspeitava a Polícia Ambiental no sábado (13), o animal não é um jacaré-açú e, sim, jacaré-tinga. A principal diferença entre os dois, está no tamanho. Jacaré da espécie jacaré-tinga resgatado debaixo da Ponte do Bragueto, em Brasília, pela Polícia Militar Ambiental Polícia Militar Ambiental/Divulgação O jacaré-açu é o maior entre os répteis sul-americanos. Ele pode chegar a até 6 metros de comprimento e pesar até 300 quilos. Já o jacaré-tinga atinge, no máximo, 2,5 metros. A espécie vive em ambientes pantanosos, rios e lagoas e têm hábitos noturnos. Eles se alimentam de peixes, moluscos, aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
    Presidente do ICMBio é exonerado

    Presidente do ICMBio é exonerado


    O ambientalista Adalberto Eberhard pediu demissão após pouco mais de três meses à frente do cargo. Saída ocorre em meio a ameaça do ministro do Meio Ambiente de abrir processo administrativo contra servidores e de fundir o ICMBio ao Ibama. O...


    O ambientalista Adalberto Eberhard pediu demissão após pouco mais de três meses à frente do cargo. Saída ocorre em meio a ameaça do ministro do Meio Ambiente de abrir processo administrativo contra servidores e de fundir o ICMBio ao Ibama. O ambientalista Adalberto Eberhard pediu demissão do cargo de presidente do ICMBio. Ramila Rodrigues/ICMBio/Divulgação O ambientalista Adalberto Eberhard pediu demissão do cargo de presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) após pouco mais de três meses à frente da instituição. A exoneração, a pedido, está registrada no Diário Oficial da União desta terça-feira (16). A demissão ocorre após Eberhard acompanhar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em uma agenda no Rio Grande do Sul. Lá, Salles ameaçou abrir processo administrativo contra servidores do instituto que não haviam comparecido ao evento. Eberhard também seria crítico, segundo o jornal O Globo, à tentativa de fusão do ICMBio e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A ideia, que havia sido estudada em dezembro durante o governo de transição, mas descartada após críticas de ambientalistas, voltou a ser cogitada por Salles um dia após a demissão do ambientalista, de acordo com a colunista do G1 Andreia Sadi. Os dois órgãos são vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. O ICMBio é responsável por 335 unidades de conservação federais, distribuídas em todos os biomas do país (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Marinho). Já o Ibama tem entre as atribuições o poder de polícia ambiental, o trabalho de fiscalização e a execução de política relativas ao licenciamento ambiental e à autorização de uso dos recursos naturais. Eberhard anunciou que deixa o cargo por “motivos pessoais” e agradeceu ao ministro pela “oportunidade e toda a confiança em mim depositada”. Processo administrativo contra servidores do ICMBio Presidente do Instituto Chico Mendes pede demissão após abertura de processo disciplinar Na visita no RS, Eberhard e o ministro visitaram quatro unidades de conservação. Em um dos eventos, Salles afirmou que abriria processo administrativo contra os servidores que não tivessem ido acompanhar a visita na cidade de Tavares (RS). A sede do instituto na região fica em Mostarda (RS), a 30 km de Tavares. O evento não estava na agenda que foi divulgada. "Gostaria que os servidores do ICMBio viessem aqui participar conosco. Não tem nenhum funcionário? Na presença do ministro do Meio Ambiente e do presidente do ICMBio, não há nenhum funcionário aqui, embora tenham nos esperado lá em Mostardas. Determino a abertura de processo administrativo disciplinar contra todos os funcionários" afirmou. Ainda de acordo com o jornal O Globo, entre os principais articuladores da visita do ministro ao Sul está o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que é membro da Frente Parlamentar da Agropecuária e em 2016, quando era deputado federal, votou a favor de uma medida provisória que facilitou a regularização de terras ocupadas, que ficou conhecida como a MP da Grilagem. Além disso, apoiou um relatório que aumentou a área desprotegida de um parque nacional do Pará. Fusão entre ICMBio e Ibama À colunista do G1 Andreia Sadi, Salles confirmou que voltou a cogitar a ideia da fusão entre ICMBio e Ibama, “tendo em vista a reiterada experiência de destruição encontrada em vistorias” que fez pelo país, nos últimos dias. “Gestão zero, viaturas quebradas, prédios abandonados”, disse o ministro ao blog do G1. Durante a discussão sobre a unificação dos órgãos em dezembro, integrantes do governo de transição alegavam que havia sobreposição de tarefas, o que é rechaçado por ambientalistas. No domingo, o ministro do Meio Ambiente disse que determinaria que o Ibama editasse uma instrução normativa com novas regras para a destruição de máquinas e veículos pesados em operações de fiscalização contra infrações ambientais. A informação sobre as novas regras foi publicada pelo jornal "O Globo" deste domingo (14), depois de circular, na internet, um vídeo no qual o presidente Jair Bolsonaro critica a prática de se colocar fogo nos equipamentos. No vídeo, Bolsonaro conversa com o senador Marcos Rogério (DEM-RO) sobre uma operação do Ibama contra a retirada de madeira em Rondônia. As imagens foram publicadas pelo parlamentar no sábado (13) em uma rede social. O decreto que trata do tema é de 2008 e estabelece que produtos apreendidos podem ser "destruídos ou inutilizados quando: a medida for necessária para evitar o seu uso e aproveitamento indevidos nas situações em que o transporte e a guarda forem inviáveis em face das circunstâncias; ou possam expor o meio ambiente a riscos significativos ou comprometer a segurança da população e dos agentes públicos envolvidos na fiscalização".
    VÍDEO: veja dicas para praticar o  turismo sustentável

    VÍDEO: veja dicas para praticar o turismo sustentável


    Com a ajuda de especialistas, o G1 reuniu dicas para quem quer ser um turista mais responsável. Turismo Sustentável: G1 dá dicas para ajudar na conservação Os impactos negativos do turismo exigem que administradores de parques pelo Brasil...


    Com a ajuda de especialistas, o G1 reuniu dicas para quem quer ser um turista mais responsável. Turismo Sustentável: G1 dá dicas para ajudar na conservação Os impactos negativos do turismo exigem que administradores de parques pelo Brasil encontrem forma de evitar danos ao meio ambiente e a qualidade da experiência. No Desafio Natureza, o G1 mostrou a situação no Parque Estadual do Ibitipoca, que foi alvo de uma redução do número máximo de visitantes. No vídeo acima, veja dicas de como aproveitar as viagens e manter posturas que causem menor impacto na natureza. Parque mais procurado de MG reduz visitação pela metade e espera ações para garantir 'turismo sustentável' 'Efeito manada' nas redes sociais e 'economia disruptiva' podem estimular turismo predatório Carros ameaçam dunas em Jericoacoara; veja problemas do turismo em 4 parques nacionais Miniguia aponta dicas para ajudar no "turismo sustentável" Roberta Jaworski/G1 Initial plugin text
    Novo livro e nova série têm informações atuais sobre mudanças climáticas

    Novo livro e nova série têm informações atuais sobre mudanças climáticas


    Imagem de baleia do documentário "Our Planet" Steve Benjamin/Divulgação Há tempos a comunidade internacional de ambientalistas preocupados com as mudanças do clima esperavam pela entrada em cena do britânico Sir David Attenborough. ...


    Imagem de baleia do documentário "Our Planet" Steve Benjamin/Divulgação Há tempos a comunidade internacional de ambientalistas preocupados com as mudanças do clima esperavam pela entrada em cena do britânico Sir David Attenborough. Apresentador de programa, naturalista, considerado uma espécie de tesouro do Reino Unido, Attenborough se esquivava de tocar no assunto aquecimento global para evitar espantar seus ouvintes com notícias catastróficas. Mas esta relutância parece ter ficado no passado. Foi lançado este mês, pela Netflix, a série com oito episódios “Our planet”, feita em parceria com a organização WWF e narrada pelo britânico. No documentário há imagens extasiantes da vida selvagem, do degelo na Antartida, da luta dos pinguins pela vida, do perigo por que passam várias espécies em extinção. E há, principalmente, uma séria mensagem sobre a urgência de se rever métodos de produção e consumo para enfrentarmos o maior desafio de nossa era, que alguns humanos andam teimando em fazer de conta que não existe. Aos 92 anos, e com uma voz aveludada que o tornou célebre, tem dado entrevistas sobre o tema. Numa conversa com Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional (FMI), ele explicou a ameaça real que vê nas imagens que descreve, uma era de extinção que varre o mundo natural: "É difícil exagerar o perigo em que estamos", disse ele. Imagem do documentário "Our Planet" Ben Macdonald/Divulgação Aqui no Brasil, outro lançamento traz pensamentos mais complexos e imprescindíveis ao tema. Diferentemente de Attenborough, o economista e professor José Eli da Veiga decidiu abraçar a causa ambiental desde sempre, já tem vários livros sobre o tema e acaba de escrever “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” pela Editora 34. O evento para lançamento do livro vai acontecer amanhã, às 17h, no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Estarei lá, mediando o encontro entre José Eli, o deputado estadual Carlos Minc e Sergio Besserman, presidente do Jardim Botânico, que promete ser bem dinâmico. A entrada é gratuita, mas tem que se inscrever no site do museu. José Eli descreve em seu livro a importância de se estudar com afinco a proposta de uma nova era geológica, o Antropoceno, e o surgimento da Ciência do Sistema Terra, “que integra aspectos de diversas disciplinas para entender o funcionamento de nosso planeta e o impacto dos seres humanos sobre ele”. Se faço conexão com a série estrelada por Attenborough é porque tanto numa como noutra publicação há informações de sobra para fomentar a reflexão sobre o quanto o aquecimento global pode ser decisivo para o futuro da humanidade. E informação é tudo o quanto a população mundial precisa para se sentir estimulada a fazer mudanças. No livro de José Eli há informações sobre o momento exato em que a expressão Antropoceno ganhou o mundo. Foi em 2000, quando o químico holandês e Prêmio Nobel Paul Crutzen, “em irritado repente”, balbuciara este termo durante importante encontro científico, no México, em que se cansara de ouvir menções de paleontólogos ao Holoceno. A diferença entre as duas eras é, como próprio nome diz, a preponderância das atividades humanas sobre o meio ambiente. Não há, por enquanto, consenso entre a comunidade científica sobre o tempo certo em que se deve cravar a passagem de uma para outra era. Mas há chances de que isto venha a ocorrer no próximo congresso mundial de geologistas, em 2020. Para embasar o debate, José Eli da Veiga conta que alterações climáticas não são novidade para o nosso planeta. Para citar apenas uma: a Pequena Idade do Gelo, que ocorreu entre 1640 e 1715, causou o desaparecimento de um terço da população mundial. Ora, se com zero tecnologia e uma avalanche de informações a menos do que hoje, a humanidade ainda assim resistiu à tamanha crise, qual a diferença, e por que se ocupar tanto com o que está ocorrendo atualmente? Vou arriscar uma resposta: em primeiro lugar porque, justamente por termos acumulado tantas informações e pesquisas, seria um absurdo perdermos, hoje, um terço da população mundial por questões climáticas. José Eli lembra que “a suposição de que o conhecimento das influências que o processo civilizador exerce sobre a dinâmica ecossistêmica virá a permitir gestão informada e racional dos problemas, mediante novos modos de governança”. Oxalá! Há tentativas, como o Manifesto Ecomodernista, diz o autor, que aposta no que ele chama de “antropocentrismo esclarecido” e busca a “desmaterialização da economia”. Trata-se de um movimento (aqui neste site é possível conhecer detalhe: https://degrowth.org/) em que se busca desacoplar o progresso dos recursos naturais para não causar impactos como os que já estão em curso em todo o planeta. “Ninguém tem o direito de ignorar que, ao menos desde meados do século XX os humanos passaram a exercer pressões excessivas sobre alguns dos mais relevantes ciclos biogeoquímicos, como os do carbono e nitrogênio... de todo o dióxido de carbono atribuível às atividades humanas hoje estocado na atmosfera, três quartos foram emitidos apenas no curto lapso dos últimos setenta anos”, escreve José Eli. Erosão da biodiversidade, acidificação dos oceanos, tormentas, secas, estão entre os principais resultados das atividades do homem na Terra. José Eli sugere, entre tantas outras coisas, que se comece a preocupar com os seres vivos, não com o planeta. “Há 55 milhões de anos houve um evento muito parecido com o que está acontecendo agora, uma emissão acidental de quantidade de dióxido de carbono equivalente à que está sendo hoje produzida pela ação humana. A temperatura da Terra subiu oito graus nas regiões temperadas e cinco graus nos trópicos. Os seres vivos migraram para as regiões polares e ficaram centenas de milhares de anos pó lá. Quando a temperatura global voltou a cair, migraram de volta. O sistema Gaia (que concebe a Terra como um sistema que se autorregula), portanto, não está ameaçado, mas vai levar duzentos mil anos para voltar a ser como é. Para nós, humanos, isso é muito tempo”, escreve José Eli. Vale ler o livro, vale assistir a série narrada por Sir David Attenborough. E vale, também, manter as informações como uma espécie de combustível para fazer mudanças. Estamos precisando delas. Livro "O antropoceno e a ciência do sistema Terra" Amelia Gonzalez
    Ministro do Meio Ambiente diz que dinheiro de multa da Vale será usado em parques antes de concessão

    Ministro do Meio Ambiente diz que dinheiro de multa da Vale será usado em parques antes de concessão


    Ricardo Salles esclareceu que empresa não será concessionária dos parques. Governo anunciou multa de R$ 250 milhões à empresa por causa do desastre em Brumadinho. Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles fala em evento Reprodução/Twitter...


    Ricardo Salles esclareceu que empresa não será concessionária dos parques. Governo anunciou multa de R$ 250 milhões à empresa por causa do desastre em Brumadinho. Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles fala em evento Reprodução/Twitter Ricardo Salles O Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles confirmou nesta segunda-feira (15) que pretende usar o dinheiro das multas aplicadas à Vale pelo desastre de Brumadinho em investimentos nos parques federais de Minas Gerais. Segundo ele, o dinheiro será usado para melhorias antes dos parques serem concedidos à administração de empresas privadas. A Vale foi multada em R$ 250 milhões, valor máximo pela lei de crimes ambientais. "Hoje, os parques nacionais brasileiros carecem de infraestrutura. São parques que poderiam estar gerando emprego, renda, preservação do meio ambiente, então, isso é uma necessidade nacional. Nesses casos, especificamente dos parques que estão em Minas, como há essa multa do Ibama, a ideia é que façamos a conversão de grande parte para preparação da infraestrutura desses sete parques e, aí sim, faremos a concessão", disse durante Seminário Internacional de Resíduos Sólidos. Ele ressaltou ainda que a Vale não será uma das concessionárias dos parques: "Não é a Vale que será concessionária e, sim, eventualmente as empresas que se interessarem e que pegarão um modelo, uma infraestrutura já pronta, em razão desses investimentos que vão ser feitos". Em entrevista à jornalista Julia Duailibi, Salles declarou que, com a proposta, a Vale abriria mão de apresentar eventual recurso administrativo ao Ibama contra a aplicação da multa, o que poderia fazer com que a discussão se arrastasse por anos – os recursos das multas, quando pagos, vão para o Tesouro Nacional. O Ministério Público Federal, porém, deverá se posicionar sobre a proposta, que pode ser questionada na Justiça. Lixões Durante o evento, Ricardo Salles falou sobre a possível aprovação da proposta de prorrogação dos lixões. Segundo ele, é preciso separar os casos de municípios que realmente precisam de mais tempo para se adaptar às novas normas dos que têm estrutura, mas não fizeram. A lei federal 12.305, de 2 agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estipulava que todos os lixões do país deveriam deixar de existir até 2 de agosto de 2014. A falta de recursos dos municípios é o principal impedimento para tratar o lixo. Brasil tem quase 3 mil lixões em 1.600 cidades, diz relatório "O que precisamos fazer nesse caso é separar os casos de municípios que realmente precisam de uma prorrogação e outros, aqueles que precisariam ter cumprido e que teriam condições de ter cumprido. Então, essa distinção de casos, seja por índices econômicos ou por volume de população, quantidade demográfica, o fato é que nós precisamos ter algum critério de diferenciação para tratar esses temas de maneira diferenciada. Não dá para dar uma solução igual em todos os casos", disse. Salles comentou ainda sobre a taxação para administração de resíduos sólidos. Segundo ele, a ideia é que os municípios apresentem um plano antes de taxar a população. "O que o ministério tem orientado? Que antes de tudo monte o seu plano de gestão de resíduos, estruture a sua operação e só então crie a taxa, porque o brasileiro está cansado de imposto e taxa. Muitas vezes criam-se taxas e impostos e a solução para o qual a taxa deveria ser destinada não vem. E há uma frustração muito grade da sociedade, então, nós sugerimos que façam o inverso".

    Contrabandistas são presos com 167 chifres de rinoceronte na África do Sul


    Mercadoria estaria destinada ao Sudeste Asiático, onde custa até US$ 60 mil por quilo. Apreensão foi uma das maiores já realizadas no país. Um contrabando de 167 chifres de rinoceronte foi descoberto na África do Sul, e duas pessoas foram presas,...

    Mercadoria estaria destinada ao Sudeste Asiático, onde custa até US$ 60 mil por quilo. Apreensão foi uma das maiores já realizadas no país. Um contrabando de 167 chifres de rinoceronte foi descoberto na África do Sul, e duas pessoas foram presas, anunciou a polícia neste domingo (14). Esta foi uma das maiores apreensões já realizadas no país. A mercadoria estaria destinada ao Sudeste Asiático. Os contrabandistas "foram presos ontem [sábado] na zona da represa de Hartbeespoort (...) Uma operação de inteligência levou à prisão. Eles foram encontrados em posse de 167 chifres de rinoceronte", informou o porta-voz da polícia, Hangwani Mulauzi. A demanda por chifres de rinoceronte é impulsionada principalmente por consumidores na China e no Vietnã, onde eles são usados na medicina tradicional. O chifre é formado quase exclusivamente por queratina, mesma proteína que produz o cabelo humano e as unhas. Seu valor pode alcançar US$ 60 mil (mais de R$ 230 mil) por quilo nos mercados do Sudeste Asiático. Estes valores alimentam as lucrativas redes internacionais que dizimaram populações de rinocerontes nas últimas décadas. Na África do Sul, onde se encontra 80% da população mundial de rinocerontes, 769 animais foram mortos em 2018. Na última década, mais de 7.000 animais tiveram o mesmo fim.
    Em um país sem 'Vossa Excelência', como ficam as mordomias dos políticos?

    Em um país sem 'Vossa Excelência', como ficam as mordomias dos políticos?


    A partir de agora, segundo um dos muitos decretos que o presidente Jair Bolsonaro assinou ontem, está vedado, nas comunicações com agentes públicos, o uso de pronomes ou formas de tratamento como “Vossa Excelência” e “Doutor”. Quando li...


    A partir de agora, segundo um dos muitos decretos que o presidente Jair Bolsonaro assinou ontem, está vedado, nas comunicações com agentes públicos, o uso de pronomes ou formas de tratamento como “Vossa Excelência” e “Doutor”. Quando li a notícia, imediatamente me lembrei do livro da jornalista Claudia Wallin lançado pela Editora Geração em 2013, que se chama “Um país sem excelências e mordomias”, sobre o qual já comentei aqui. Vale a pena comentar de novo, nestes tempos de mudança. A jornalista mora naquele país, e seu livro fez tanto sucesso que ela criou um site onde mostra como os políticos suecos vivem. De maneira austera e, efetivamente, sem excelências. Mas também sem mordomias. Claudia Wallin teve a ideia de começar uma série de reportagens, que depois viraram um livro, quando um dia se espantou ao ver o então primeiro-ministro da Suécia, Carl Bildt, escolhendo tomates no mesmo supermercado onde ela estava fazendo compras. E depois, outro político importante pegando o Metrô. Outro ainda na fila de ônibus. Para ela, que vinha do Brasil, aquelas cenas pareceram de outro mundo. Numa entrevista para a rádio BBC do Brasil, feita em fevereiro deste ano e reproduzida em seu site, Wallin comenta com a repórter sobre as diferenças na rotina dos políticos, que lá são técnicos altamente especializados. Vale a pena reproduzir aqui uma parte, serve para reflexão, sobretudo neste momento de tantas mudanças no governo. É importante a observação feita pela jornalista: segundo ela, a falta de mordomias, a falta do luxo e do conforto com que são tratados os políticos suecos não tira deles o respeito e a confiança dos cidadãos. Os índices de aprovação giram em torno de 80%. “Existe uma cobrança também muito grande por parte dos cidadãos e também pela mídia. A Suécia tem a lei de transparência mais antiga do mundo e é uma lei bastante ampla. Por ela, qualquer cidadão pode checar as despesas dos deputados e tem acesso, inclusive, à declaração de renda dos políticos para verificar a evolução patrimonial deles”, conta Wallin. A Suécia tem uma família real, e a diferença entre a austeridade com que vivem os políticos e a vida de confortos que cerca a realeza não passa despercebida. Segundo Claudia Wallin, no entanto, os suecos têm carinho e respeito por seus reis porque são eles que estão à frente para fazer negócios, além de atraírem muitos turistas para o país. Fato é que o Congresso Brasileiro, segundo os dados da União Interparlamentar divulgados depois da eleição de Jair Bolsonaro é o segundo mais caro do mundo, ficando atrás apenas do Congresso dos Estados Unidos. Cada um dos 513 deputados brasileiros e dos 81 senadores custa mais de US$ 7 milhões por ano — seis vezes mais que um parlamentar francês, por exemplo, segundo os dados da pesquisa. Antes de ficarmos estarrecidos com este número, porém, é preciso lembrar o tamanho do Brasil – não há nível de comparação com a Suécia, por exemplo – e nossa população. A questão, portanto, tem muito mais a ver com o estilo de vida dos políticos e com as mordomias que eles têm do que com o número de congressistas. Voltando ao caso dos políticos suecos, a jornalista lembra que nem sempre o país viveu sob este nível de austeridade e transparência. Há pouco mais de cem anos, diz ela, o país era um dos mais pobres da Europa, viveu uma crise tamanha, provocando migração de um milhão de suecos, que atravessaram o oceano em busca de oportunidade melhor de vida. Exatamente como fazem hoje tantos cidadãos, sobretudo asiáticos. “A Suécia teve que enfrentar seus próprios demônios para chegar onde chegou. Teve que acabar com os privilégios da nobreza, abolir o poder absoluto do rei e criar uma sociedade mais justa e mais transparente. Segundo os cientistas políticos com quem eu conversei, o fator fundamental para este processo de transformação da Suécia foi a criação de movimentos sociais, de grupos de cidadania, de associações de trabalhadores que tiveram uma participação muito grande neste processo de transformação. Só para se ter uma ideia, a Suécia já foi um país onde a polícia disparava contra grevistas”, conta Claudia Wallin para a repórter da BBC. A jornalista faz questão de dizer que os suecos não são e nem se consideram melhores do que ninguém, mas que com certeza podem servir como exemplo de aperfeiçoamento de democracia. No ranking global, o país está entre os cinco com menos corrupção e é um dos mais igualitários. “O pensamento sueco predominante é de que ninguém é melhor do que ninguém, e isto também se aplica aos políticos do país”. Basicamente, o respeito ao dinheiro do contribuinte na Suécia é imenso. Há um caso que ficou conhecido como o “escândalo do Toblerone”, quando um político usou, em benefício próprio, as milhas acumuladas no cartão que o Estado fornece a parlamentares para uso gratuito de trens e transportes públicos no país. A imprensa descobriu e o assunto foi manchete dos jornais. Vou guardar todas as devidas proporções porque não quero comparar a história de um país com uma cultura tão diferente do nosso. Fico feliz em poder trazer o tema para reflexão, no entanto. O que mais me estimula neste caso da Suécia é a participação popular que fez com que o país pudesse sofrer tamanha transformação. Tirar o tratamento sofisticado na relação com os políticos é uma parte ínfima. É preciso, mais do que isso, incentivar a participação dos cidadãos nos corredores do poder. E isto só se consegue com transparência e permitindo à mídia, toda ela, fazer seu trabalho. Amélia Gonzalez Arte/G1

    Ministro defende sanção maior a mineradoras, mas diz que multas não recuperam vidas


    Pela lei atual, multa máxima que pode ser aplicada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) é de R$ 3,4 mil. Bento Albuquerque deu a declaração durante balanço de 100 dias de gestão. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou...

    Pela lei atual, multa máxima que pode ser aplicada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) é de R$ 3,4 mil. Bento Albuquerque deu a declaração durante balanço de 100 dias de gestão. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo defende o aumento do valor das multas que podem ser aplicadas depois de acidentes a empresas de mineração. Ele afirmou, porém, que independentemente da sanção aplicada à Vale depois do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), o valor pago não recupera as vidas perdidas na tragédia. “A multa, como o seguro, são para não serem usados. A multa tem que ter a sua referência para que quem está exercendo, no caso uma atividade econômica, trate isso com a segurança devida. Infelizmente, independentemente da multa que fosse aplicada no caso da Vale do Rio Doce, de forma alguma ia recuperar aquelas 300 vidas que foram perdidas em Brumadinho”, afirmou, durante coletiva de balanço de 100 dias de gestão à frente do ministério. Pela lei atual. a multa máxima que a Agência Nacional de Mineração (ANM) pode aplicar às mineradoras é de R$ 3,4 mil. Esse foi um dos pontos mais criticados após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão. Após a tragédia, o Ministério de Minas e Energia montou um grupo para propor mudanças no atual código da mineração e na lei de segurança de barragens, mas essas propostas ainda não foram apresentadas. Mineração 'pop' Durante sua apresentação, o ministro afirmou que quer tornar a mineração "pop" no país. Segundo ele, isso seria tanto para que a população entenda a importância do setor, quanto para investimentos. O ministro afirmou que a população entender que a atividade está sob controle e sendo executada de acordo com as normas vai contribuir para que a mineração “se torne pop”. “Permitir que a sociedade entenda que essa atividade está sob controle e sendo executada de acordo com as normas, isso vai contribuir para que a mineração se torne pop e isso vai atrair investimentos e fomentar esse setor”, disse. Urânio Bento Albuquerque afirmou ainda que o governo quer permitir mineração de urânio por empresas privadas sem que seja preciso alterar a Constituição. Hoje, a exploração de urânio é monopólio da União e está nas mãos da Indústria Nucleares do Brasil (INB). Segundo a Constituição a União tem o monopólio para “explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza”. “Nosso objetivo é que a mineração possa vir a ser realizada através de normas infralegais”, disse o ministro. Bento Albuquerque não detalhou quais seriam as propostas, mas disse que devem ser apresentadas em junho. Segundo o ministro, essas alternativas estão sendo estudadas por um grupo de trabalho coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). “Ali foram analisadas algumas alternativas além daquilo, muito bem colocado, de alteração da Constituição. Temos alternativas para realizar mineração com investimento privado sem necessidade de alterar a Constituição”, afirmou.
    Bolsonaro assina decreto para converter multas ambientais em ações de recuperação do meio ambiente

    Bolsonaro assina decreto para converter multas ambientais em ações de recuperação do meio ambiente


    Medida foi anunciada durante evento dos 100 dias de governo em Brasília. Proposta visa tornar mais ágeis as cobranças de multas ambientais no país. Bolsonaro discursa durante evento em Brasília Antonio Cruz/Agência Brasil O presidente Jair...


    Medida foi anunciada durante evento dos 100 dias de governo em Brasília. Proposta visa tornar mais ágeis as cobranças de multas ambientais no país. Bolsonaro discursa durante evento em Brasília Antonio Cruz/Agência Brasil O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quinta-feira (11) um decreto para converter multas ambientais em ações de recuperação e preservação do meio ambiente. Segundo o governo, a proposta tem como objetivo "tornar a cobrança mais ágil". O texto não foi divulgado e ainda não está publicado no "Diário Oficial da União". A medida estava entre as prioridades dos 100 primeiros dias de governo. Saiba quais são os decretos e projetos anunciados por Bolsonaro em cerimônia dos 100 dias de governo Bolsonaro já foi alvo de multa ambiental em 2012, no valor de R$ 10 mil. Em dezembro, ele disse que queria acabar com a "festa" de multas do Ibama. "Não vou mais admitir o Ibama sair multando a torto e a direito por aí, bem como o ICMbio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade]. Essa festa vai acabar", afirmou o então presidente eleito. O Ibama e o ICMBio são ligados ao Ministérios do Meio Ambiente. O Ibama é responsável por fazer a fiscalização e a execução de política relativas ao licenciamento ambiental e à autorização de uso dos recursos naturais. Já o ICMBio faz a conservação de 335 unidades federais distribuídas em todos os biomas do país (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Marinho).
    Vento alcança segundo lugar na matriz elétrica do Brasil

    Vento alcança segundo lugar na matriz elétrica do Brasil


    Energia eólica transforma a paisagem da Chapada do Araripe Reprodução/Rede Globo O crescimento vertiginoso da energia eólica no Brasil foi responsável pela quebra de um recorde importante no mês passado. A força do vento ultrapassou em...


    Energia eólica transforma a paisagem da Chapada do Araripe Reprodução/Rede Globo O crescimento vertiginoso da energia eólica no Brasil foi responsável pela quebra de um recorde importante no mês passado. A força do vento ultrapassou em capacidade instalada a hidrelétrica de Itaipu, alcançando a vice-liderança no ranking da matriz elétrica do país, atrás apenas da hidroeletricidade. A informação obtida em primeira mão pelo blog leva em conta os dados apurados pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABBEólica) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em números, apesar da eólica ser uma fonte intermitente de energia (a geração oscila de acordo com a dinâmica dos ventos) os mais de 7 mil aerogeradores espalhados pelo país em 601 parques eólicos somaram em abril 15 GW de capacidade instalada, superando os 14 GW da Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas de Três Gargantas, na China (18 GW). Para ilustrar a nova posição do vento na matriz elétrica do Brasil, a Associação Brasileira de Energia Eólica produziu o gráfico abaixo onde se vê a contribuição de cada fonte de energia separada por fonte primária, ou seja, de acordo com o recurso utilizado para a geração. Normalmente esse cálculo da matriz elétrica reúne em um só grupo todas as diferentes fontes de combustível fóssil (petróleo, carvão mineral e gás natural). Quando se dividem essas fontes, a energia eólica se destaca. A hidroeletricidade lidera o ranking com 63,9% do total (104,5 GW), seguido do vento com 15,1 GW (9,2%), biomassa com 14,8% (9 GW), gás natural com 13,4 GW (8,1%), petróleo com 9,9 GW (5,4%), carvão mineral com 3,3 GW (2%), solar com 2,1 GW (1,3%) e nuclear com 2 GW (1,2%). “Se considerarmos que a energia eólica tinha cerca de 1 GW instalado em 2011, é um feito realmente impressionante chegarmos a ocupar este lugar de destaque na matriz elétrica”, disse Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica. Uma caprichosa combinação de ventos regulares com um modelo inovador de contratação de projetos por leilão (quando o governo prioriza os preços mais baixos pela maior oferta de energia) explica o sucesso da energia eólica no Brasil. Além disso, a exuberância dos ventos na região Nordeste (que concentra 86% de toda a energia eólica produzida no país) turbina os investimentos no setor. O blog já ouviu de diferentes investidores estrangeiros a mesma explicação sobre o diferencial do litoral nordestino quando o assunto é energia eólica: “É o melhor vento do mundo!”. A diferença está no chamado fator de capacidade, que é o percentual médio de produção efetiva obtido pela conversão do vento em energia. Enquanto no mundo o fato de capacidade está em 25%, no Brasil esse índice chegou no ano passado a 42%. No Nordeste, em plena safra de vento que vai de junho a novembro, o fator de capacidade chega a ultrapassar os 80%. Isso explica a predominância dos parques eólicos na região. Energia Eólica no Brasil Por vezes, a energia eólica produzida no Nordeste é suficiente para abastecer toda a região sozinha, ou até mesmo gerar excedente, que é exportado para a rede. Foi o que aconteceu no último dia 13 de novembro, um domingo, às 9:11h da manhã. Naquele momento os ventos nordestinos geraram 8.920 MW, superando a demanda de energia naquele momento de todos os 9 estados da região (104% da demanda). Além do recorde instantâneo, registrou-se naquela data o pleno abastecimento de energia de todo o Nordeste (pelo período de duas horas) apenas com os parques eólicos. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o vento respondeu no ano passado por 8,6% de toda a geração de energia do país injetada no Sistema Interligado Nacional, um crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior. Em termos de equivalência, essa energia seria suficiente para abastecer 25,5 milhões de residências ou 80 milhões de pessoas. A expansão do setor - garantida pelos contratos já assinados em leilões anteriores - projeta um cenário de 19,7 GW de capacidade instalada para 2023, superando a hidrelétrica de Três Gargantas, na China, a maior do mundo. Note-se que o Brasil ainda nem se aventurou na exploração da energia eólica no mar, onde o fator de capacidade é muito superior ao que se obtém em terra firme. Os investimentos em parques eólicos offshore se multiplicam rapidamente pelos mares do mundo com a liderança da Grã-Bretanha, seguida da Alemanha, China, Dinamarca e Holanda. O Brasil ainda não regulou esse mercado promissor, com gigantesco potencial de investimentos produção em energia limpa e renovável. Quando isso acontecer, os gringos provavelmente terão uma nova definição para o “melhor vento do mundo”. André Trigueiro Arte/G1