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    Candidato que não conseguiu isenção na taxa do Enem 2019 pode entrar com recurso até esta sexta

    Candidato que não conseguiu isenção na taxa do Enem 2019 pode entrar com recurso até esta sexta


    Mais de 3,6 milhões de pessoas solicitaram a isenção, e quem teve o pedido negado só pode recorrer até esta sexta; inscrição de todos os candidatos começa em 6 de maio. Termina nesta sexta-feira (26) o prazo para os candidatos da edição 2019...


    Mais de 3,6 milhões de pessoas solicitaram a isenção, e quem teve o pedido negado só pode recorrer até esta sexta; inscrição de todos os candidatos começa em 6 de maio. Termina nesta sexta-feira (26) o prazo para os candidatos da edição 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entrarem com recurso, caso tenham tido seu pedido de isenção da taxa de inscrição negado. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 3.687.527 pessoas solicitaram a isenção. Até a noite desta quinta (25), o Inep não havia informado quantos pedidos haviam sido negados, e nem quantas pessoas já tinham entrado com recurso. TCU autoriza Inep a convocar nova gráfica para imprimir Enem Calendário do Enem 2019 Arte/G1 Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Cronograma Enem 2019 Veja as próximas datas da realização do exame: Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020 Inep garante: calendário do Enem 2019 está mantido, apesar da falência de gráfica
    Comissão determina que Unesp forneça dados sobre bolsas pagas a servidores

    Comissão determina que Unesp forneça dados sobre bolsas pagas a servidores


    Falta de transparência na universidade também é investigada no Ministério Público Estadual. Câmpus da Unesp Divulgação A Universidade Estadual Paulista (Unesp) será obrigada a tornar públicos documentos e informações sobre pesquisas...


    Falta de transparência na universidade também é investigada no Ministério Público Estadual. Câmpus da Unesp Divulgação A Universidade Estadual Paulista (Unesp) será obrigada a tornar públicos documentos e informações sobre pesquisas produzidas por membros de sua reitoria e pagas por uma fundação de direito privado, a Fundunesp, que é bancada com recursos da universidade. Isto porque houve uma decisão por fornecimento dos dados dada pela Comissão Estadual de Acesso à Informação (CEAI), órgão máximo de transparência no Estado de São Paulo. A decisão aconteceu por unanimidade dos membros da comissão. Funcionários da reitoria receberam bolsas de até R$ 8 mil para produzir pesquisas e vêm sendo questionados por servidores da instituição pela falta de transparência - as pesquisas nunca foram divulgadas, nem os relatórios de produção ou informações sobre valores das bolsas. Nem mesmo o edital para seleção dos bolsistas foi divulgado. A universidade passa por forte crise financeira - por dois anos seguidos, parte dos funcionários ficou sem bolsa. As informações vêm sendo solicitadas pela TV Globo pelo menos desde o mês de janeiro, mas a universidade se recusou a fornecer as informações por diversos motivos. Um deles foi o de que a Fundunesp é uma fundação de direito privado. Depois, a universidade disse que daria acesso aos documentos, mas que estes só estariam disponíveis fisicamente, na sede da Fundunesp. A reportagem procurou a Fundação, que disse que eles não têm autorização para divulgar tais informações. O G1 entrou em contato com a Unesp e aguarda retorno. O relatório da CEAI, assinado pela relatora Ieda Pimenta Bernardes, determina que a Unesp forneça os dados de modo presencial, informando "todos os dados que viabilizem tal consulta." Ministério Público Por não divulgar as informações, a Unesp também passou a ser alvo de questionamentos do Ministério Público Estadual, que nesta semana abriu um procedimento inicial de investigação pela não divulgação de dados sobre dinheiro público. O caso está sob os cuidados do promotor Carlos Blat, do Patrimônio Público. O MP investiga possível descumprimento à Lei de Acesso à Informação nas decisões da universidade de não divulgar os dados, mesmo depois de solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação.
    Prefeitura abre sindicância para apurar tirinha da Magali com adulteração pornô entregue como lição a crianças

    Prefeitura abre sindicância para apurar tirinha da Magali com adulteração pornô entregue como lição a crianças


    Crianças de 8 anos receberam a tarefa na Escola Municipal Dirce Espínola Najas, em Birigui (SP). Abertura da comissão disciplinar foi publicada no Diário Oficial Eletrônico. Tirinha com adulteração pornográfica é aplicada para alunos em...


    Crianças de 8 anos receberam a tarefa na Escola Municipal Dirce Espínola Najas, em Birigui (SP). Abertura da comissão disciplinar foi publicada no Diário Oficial Eletrônico. Tirinha com adulteração pornográfica é aplicada para alunos em Birigui Arquivo Pessoal A prefeitura de Birigui (SP) abriu uma sindicância para apurar a entrega de uma tirinha da Magali com adulteração pornográfica como lição de casa para crianças de 8 anos em uma sala de aula da Escola Municipal Dirce Espínola Najas. A abertura da comissão disciplinar foi feita no dia 18 de abril, mas a decisão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico na terça-feira (23). De acordo com a Secretaria de Educação, a sindicância está em andamento e a professora continua ministrando aulas normalmente. A administração aguarda o resultado da investigação para oferecer novas informações. Tirinha da Magali com adulteração pornográfica é aplicada como tarefa para crianças O caso causou indignação dos pais e moradores, que fizeram publicações nas redes sociais. Vereadores do município receberam reclamações e três deles se reuniram com a professora, diretores da escola e representantes da Secretaria de Educação. Uma reunião também foi feita com os pais dos alunos da sala em que a professora aplicou a tarefa. Ainda de acordo com a secretaria, a profissional reconheceu o erro, assumiu que entregou a tirinha sem ler o conteúdo e pediu desculpas, frisando que não tinha o objetivo de abordar esse tipo de assunto. O G1 apurou que a imagem foi possivelmente baixada de uma página de um site que a publicou em 2012. (Veja, abaixo, a tirinha original) Tirinha correta feita por Maurício de Sousa Reprodução/Internet Veja mais notícias da região em G1 Rio Preto e Araçatuba
    Primeira-dama da França vai dar aulas de francês para desempregados

    Primeira-dama da França vai dar aulas de francês para desempregados


    Brigitte Macron é professora de francês e lecionava na escola em que Emmanuel Macron estudou – eles se conheceram quando ele tinha 15 anos. A primeira-dama francesa, Brigitte Macron, e presidente francês, Emmanuel Macron, caminham no palácio do...


    Brigitte Macron é professora de francês e lecionava na escola em que Emmanuel Macron estudou – eles se conheceram quando ele tinha 15 anos. A primeira-dama francesa, Brigitte Macron, e presidente francês, Emmanuel Macron, caminham no palácio do Élysée, em imagem de arquivo Thibault Camus/Reuters A primeira-dama francesa, Brigitte Macron, 66 anos, decidiu criar um estabelecimento para jovens adultos sem diploma na cidade de Clichy-sous-Bois, em Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris. A mulher do presidente Emmanuel Macron dará aulas de francês no local, de acordo com uma reportagem da revista Le Point. Brigitte foi professora de Macron. Ela lecionava na escola onde ele estudava em Amiens, no norte do país, e ambos se conheceram quando ele tinha 15 anos. la deixou de dar aulas em 2015 para ajudar o marido durante a campanha presidencial de 2017 e foi uma das articuladoras de sua candidatura. Agora, Brigitte Macron será a responsável do comitê pedagógico de uma escola na periferia parisiense destinada aos jovens alunos entre 25 e 30 anos com dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. De acordo com o gabinete da primeira-dama, uma visita deve ser realizada nas próximas semanas em Seine Saint Denis. A ideia é que a escola abra as portas em setembro de 2019. A primeira-dama vai ministrar cursos uma vez por mês no estabelecimento. “Haverá uma periodicidade nos cursos mas ela não voltará a ser professora”, de acordo com seus assessores. O projeto poderá ser financiado pelo presidente do grupo de luxo LVMH Bernard Arnault, segundo a imprensa francesa. No primeiro ano, o estabelecimento receberá cerca de 50 pessoas, e ensinará basicamente francês e matemática. De acordo com o canal de TV BFM, os alunos receberão uma ajuda equivalente ao SMIC, o salário mínimo na França, cujo valor é de € 1171,34 (R$ 5.173,99). A primeira-dama também pretende abrir uma segunda escola em setembro de 2020 em Valence, no sudeste da França.
    Hábitos digitais estão 'atrofiando' nossa habilidade de leitura e compreensão?

    Hábitos digitais estão 'atrofiando' nossa habilidade de leitura e compreensão?


    Neurocientista explica que, como leitores cada vez mais digitais e desatentos, podemos comprometer nossa capacidade de entender textos complexos, de desenvolver empatia e de pensar criticamente. -HN- Criança mexe em um smartphone enquanto ouve...


    Neurocientista explica que, como leitores cada vez mais digitais e desatentos, podemos comprometer nossa capacidade de entender textos complexos, de desenvolver empatia e de pensar criticamente. -HN- Criança mexe em um smartphone enquanto ouve música com fones de ouvido; celular Anne-Sophie Bost/AltoPress/PhotoAlto A neurocientista cognitiva americana Maryanne Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, por pessoas que se queixam de não conseguir mais se concentrar em textos longos ou "mergulhar" na leitura tão profundamente quanto conseguiam antes. "As pessoas estão percebendo que algo está mudando em si mesmas, que é seu poder de leitura. E há um motivo para isso", diz Wolf. A razão, segundo a pesquisadora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), é que o excesso de tempo em telas - celulares e tablets, desde a infância até a vida adulta - e os hábitos digitais associados a isso estão mudando radicalmente a forma como muitos de nós processamos a informação que lemos. Segundo um livro de Wolf prestes a ser lançado no Brasil (O Cérebro no Mundo Digital - Os desafios da leitura na nossa era; ed. Contexto) e algumas pesquisas sobre o tema, o fato de lermos cada vez mais em telas, em vez de papel, e a prática cada vez mais comum de apenas "passar os olhos" superficialmente em múltiplos textos e postagens online podem estar dilapidando nossa capacidade de entender argumentos complexos, de fazer uma análise crítica do que lemos e até mesmo de criar empatia por pontos de vista diferentes do nosso. Tudo isso tem o poder de impactar desde a nossa performance individual no mercado de trabalho até nossa tomada de decisões políticas e a vida em sociedade. Mas o que acontece com a leitura no nosso cérebro, e o que podemos fazer a respeito? O circuito da leitura Wolf, que é diretora do Centro de Dislexia, Aprendizagem Diversa e Justiça Social da UCLA, explica à BBC News Brasil que, ao contrário da visão e da linguagem oral, a habilidade de ler e interpretar letras e números não é algo com que nascemos: a leitura é resultado de um circuito que os seres humanos começaram a criar no cérebro cerca de 6 mil anos atrás. Esse circuito cerebral começou a se desenvolver quando nossos antepassados passaram a contar cabeças de gado e a criar símbolos para fazer seus primeiros registros escritos. E evoluiu, em (relativamente) pouco tempo, até a elaborada capacidade que temos hoje, de processar argumentos, sutilezas e emoções impressos nas páginas de livros e jornais. "Não existe, portanto, um circuito genético para ler, que se desenvolva logo que uma criança nasce", explica Wolf à BBC News Brasil. "(A habilidade de) ler é algo que precisa ser criada no cérebro, e o circuito vai refletir a linguagem que a pessoa usa, seu sistema de escrita, e o meio pelo qual lê." Ou seja, esse circuito é moldado pela forma como lemos e pelo tempo que gastamos na leitura. Como os hábitos digitais atualmente favorecem uma leitura pouco aprofundada, em que apenas passamos os olhos por textos diversos, o perigo, diz Wolf, é que a habilidade de entender argumentos complexos - sejam eles presentes em um contrato legal, em um livro, em uma reportagem mais longa - pode ser "atrofiada" caso não seja exercitada. Em um cenário de leitura apenas superficial, "o circuito da leitura no cérebro não vai alocar tempo suficiente para um processamento cognitivo" necessário para um processamento crítico, diz a acadêmica. "Ao apenas 'passar os olhos' em um texto, a pessoa passa por cima da argumentação, dos pontos mais sofisticados do texto, e receberá menos da substância de pensamento que é importante para a análise crítica." Tempo de tela A preocupação principal de Wolf e de acadêmicos como ela é o que acontecerá com as gerações mais jovens, habituadas desde os primeiros anos de vida a passar horas nos celulares e tablets e a consumir ali toda a sua informação, com rapidez e diversas distrações. Embora muito se fale dos riscos que o excesso de tempo passivo diante de telas pode causar para a saúde infantil - dos problemas de visão à obesidade -, só agora a ciência começa a explorar o potencial impacto dos hábitos digitais sobre o poder de leitura e a concentração dessas crianças no futuro. Uma meta-análise feita por estudiosos da Espanha e de Israel analisou dados de 171 mil pessoas na Europa, coletados entre 2000 e 2017, para comparar a compreensão de leitura dos participantes nos meios digital e papel. O estudo diz que ainda é difícil chegar a conclusões absolutas, porque o desempenho das pessoas é "inconsistente", mas identificou o que chama de "inferioridade da tela": a leitura digital parece não favorecer as habilidades de compreensão dos leitores, e o processamento das informações é mais "raso" nesses meios online. O que acontecerá no futuro ainda é difícil prever. O estudo levanta a possibilidade de as vantagens da leitura no meio impresso se perderem ao longo do tempo. Já Maryanne Wolf teme que, em vez disso, as pessoas percam aos poucos as capacidades de leitura que levamos milênios para desenvolver no nível atual. "É isso o que me preocupa nos mais jovens: eles estão desenvolvendo uma impaciência cognitiva que não favorece (a leitura crítica)", diz a acadêmica. "Deixamos de estar profundamente engajados no que estamos lendo, o que torna mais improvável que sejamos transportados para um entendimento real dos sentimentos e pensamentos de outra pessoa." É nesse aspecto que Wolf acredita que a "leitura rápida" pode reduzir a nossa capacidade de sentir empatia pelos demais ou de superar mais limites de conhecimento. E também dificultar o nosso entendimento sobre o que está acontecendo na política, na economia ou em qualquer outro fenômeno social complexo, que exija uma leitura cuidadosa e que tenha causas - e soluções - não simplistas. "As pessoas ficam muito mais suscetíveis a fake news e demagogos que criam falsas expectativas", opina ela. Outra possível consequência é que diminua nossa capacidade de pensar mais criticamente e de levar em conta diferentes pontos de vista, habilidades consideradas cada vez mais importantes no mercado de trabalho à medida que empregos que exigem menos capacitação vão sendo automatizados. O psicólogo Daniel Goleman, que também estuda esse assunto, alerta para o que chama de "atenção parcialmente contínua" - citando, por exemplo, participantes de seminários que, de olho em seus celulares e notebooks, não conseguem prestar atenção plena ao que diziam os palestrantes do evento. O perigo, diz ele, é que percamos parte da nossa habilidade de chegar ao fim de leituras e de tarefas offline. É preciso ser realista No entanto, os pesquisadores concordam que não adianta querer evitar o inevitável: as pessoas leem cada vez mais online e de modo rápido, e isso certamente não mudará em um futuro próximo. "Está claro que a leitura em meios digitais é uma parte inevitável das nossas vidas e uma parte integral do campo da educação", diz a meta-análise europeia. "Ainda que os resultados atuais indiquem que a leitura em papel deva ser preferida à leitura online, não é realista recomendar que se evitem os dispositivos digitais. No entanto, ignorar os resultados de um robusto efeito de inferioridade da tela pode (...) impedir que leitores se beneficiem plenamente de suas capacidades de leitura e que crianças desenvolvam essas habilidades." Wolf lembra, ao mesmo tempo, que são inegáveis os benefícios da internet e da leitura online para democratizar e agilizar a transmissão de informação. Para ela, o primeiro passo é termos consciência do que está acontecendo com nossa capacidade de leitura. "Quero reforçar que não vejo isso como uma questão binária, como uma oposição (entre telas e material impresso). Temos apenas de saber qual o propósito do que estamos lendo e qual é a melhor forma de fazê-lo. Não se trata de escolher um meio em detrimento do outro, mas sim entender o que está acontecendo com nosso cérebro e entender o propósito do que se está lendo", diz a pesquisadora. "Se eu precisar ler algo simples e superficial, a tela é ótima. Mas se for algo complexo, que necessite de um olhar sob diferentes perspectivas, em que precise discernir o verdadeiro valor da informação, então tenho de pensar se o meio vai promover o processamento mais lento e profundo de uma análise crítica." Como incentivar a leitura crítica Não há, diz ela, uma receita universal para preservar nossa habilidade de leitura crítica, mas sim a necessidade de prestar atenção a nossos próprios hábitos e aos das crianças. Para algumas pessoas, bastará concentrar-se em uma leitura sem distrações - mesmo que seja online - e manter o olhar atento para múltiplas perspectivas e pontos de vista. Outros talvez precisem ter a autodisciplina de limitar seu tempo diário diante das telas, para ter o que ela chama de "vida digital mais saudável", além de retomar o hábito de ler livros impressos. E, para crianças e adolescentes, eis algumas recomendações do livro de Wolf: Ensinar a evitar o "multitasking". A realização de múltiplas tarefas simultaneamente online dá aos jovens a capacidade de lidar com múltiplos fluxos de atenção, mas cria dependência de dopamina (que recompensa o cérebro por buscar constantes estímulos) e desestimula a memória; Proteger o tempo ocioso das crianças, ou seja, não deixar que todo momento de ócio vire desculpa para usar telas. É no ócio que nasce a criatividade; Ler livros para as crianças, antes mesmo de elas começarem a falar. Isso estimula conexões neurais, a atenção recíproca entre pais e filhos, a experiência tátil dos livros e é, diz ela, o "começo ideal para uma vida de leitor". Wolf faz coro com especialistas que sugerem que crianças com menos de 2 anos não devem ser expostas a telas; Entre dois e três anos, limitar a no máximo meia hora o tempo diário de tela. Para os maiores, limitar a duas horas diárias. Wolf acha que não adianta proibir totalmente as telas, porque isso só causará mais obsessão por elas. O jeito é buscar equilíbrio; Sobretudo entre 2 e 5 anos de idade, cercar as crianças de lápis coloridos, livros, números e música, que estimulem a criatividade e a exploração física do meio. O aprendizado de música e de esportes também ajuda a ensinar disciplina e recompensas de longo prazo; Por fim, ela lembra que muitas crianças conseguem manter a conexão com os livros mesmo acessando tablets e celulares com moderação. "O importante é estimular a formação de uma mente curiosa", escreve ela. "A formação cuidadosa do raciocínio crítico é a melhor maneira de vacinar a próxima geração contra a informação manipuladora e superficial, seja em texto (de papel) ou em telas."
    TCU autoriza Inep a convocar nova gráfica para imprimir provas do Enem 2019

    TCU autoriza Inep a convocar nova gráfica para imprimir provas do Enem 2019


    Inep alega que não há tempo suficiente para abrir nova licitação. Gráfica RR Donnelley, selecionada em edital, decretou falência. Gráfica responsável por imprimir as provas do Enem decreta falência Reprodução/JN O Tribunal de Contas da...


    Inep alega que não há tempo suficiente para abrir nova licitação. Gráfica RR Donnelley, selecionada em edital, decretou falência. Gráfica responsável por imprimir as provas do Enem decreta falência Reprodução/JN O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou na quarta-feira (24) que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) convoque uma nova empresa para imprimir o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. A RR Donnelley, antiga prestadora do serviço, decretou falência. A relatora Ana Arraes determinou que o Inep teria duas opções: abrir uma nova licitação (ou seja, iniciar um processo de seleção de uma gráfica) ou convocar a Valid S.A., que foi a segunda colocada na licitação de 2016. O Inep alega que, como o Enem será aplicado em novembro, não haveria tempo hábil para iniciar outra seleção. Segundo o órgão, o trabalho da gráfica deve começar no mesmo período das inscrições para o exame, de 6 a 17 de maio. Diante do prazo apertado, a solução escolhida foi não abrir uma nova licitação, e sim optar pela Valid. De acordo com a legislação, o novo contrato deve seguir as mesmas condições propostas pela RR Donnelley. O TCU também determina que o Inep comprove que seria inviável abrir uma nova licitação. "Caso o instituto opte por contratar a próxima colocada, deverá cercar-se das justificativas que demonstrem a vantagem dessa escolha em detrimento da não realização de uma nova seleção", afirma o acórdão do TCU. O Inep diz que adotou as medidas necessárias para garantir a segurança e a aplicação da prova. Abaixo, confira a nota do instituto: "O Inep avaliou alternativas seguras, dentro da legislação vigente, para que não houvesse intercorrências na edição do Enem 2019. Não houve a realização de pregão para a impressão das provas do Enem 2019. Em face da decretação de falência da empresa que era detentora do contrato para a impressão das provas do Enem 2019, o Inep adotou as medidas necessárias para garantir a impressão das provas, tudo em estrita conformidade com os ditames estabelecidos na Lei nº 8.666/93", afirma a nota. Cronograma Enem 2019 Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020
    Justiça inclui Igreja Metodista em ação contra Unimep que cobra multa por atraso de salários

    Justiça inclui Igreja Metodista em ação contra Unimep que cobra multa por atraso de salários


    Ministério Público moveu processo após Universidade Metodista de Piracicaba descumprir acordo de pagar funcionários em dia. Com decisão, igreja também se torna parte do processo. A Justiça incluiu a Associação da Igreja Metodista e as dez...


    Ministério Público moveu processo após Universidade Metodista de Piracicaba descumprir acordo de pagar funcionários em dia. Com decisão, igreja também se torna parte do processo. A Justiça incluiu a Associação da Igreja Metodista e as dez unidades regionais da entidade no polo passivo da ação de execução movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Na ação, o MPT cobra uma multa inicial de R$ 650 mil por descumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que obriga a Unimep a pagar os salários dos funcionários no quinto dia útil do mês. O advogado do Instituto Educacional Piracicabano (IEP) recorreu da decisão e as igrejas afirmam que só vão se pronunciar após intimação oficial. A juíza da 3ª Vara do Trabalho de Piracicaba aceitou o pedido do MPT para reconhecer as associações como um grupo econômico e, portanto, responsáveis solidárias no processo. Além das regionais, o Instituto Metodista de Serviços Educacionais (Cogeime) também foi incluído. Fachada da Universidade Metodista de Piracicaba Carol Giantomaso/G1 Na prática, a decisão tornou a Igreja e todas as regionais também responsáveis pelo pagamento da multa. "Intimem-se as pessoas ora incluídas no polo passivo da demanda para, querendo, manifestar-se ou quitarem o montante do débito (...) no prazo de 15 dias", aponta a decisão. No pedido do MPT, o procurador Paulo Crestana argumentou que o próprio site da Igreja Metodista informa que a entidade mantenedora da Unimep, o Instituto Educacional Piracicabano (IEP), é subordinado ao Cogeime, órgão da igreja. Além disso, o Cogeime o IEP têm o mesmo diretor-geral. Crestana também apontou que são "dezenas e dezenas de processos movidos contra a executada [Unimep], muitos já em fase de execução, sem que haja qualquer tipo de solução". A juíza Natalia Antoniassi decidiu que, para definição de um grupo econômico, não é necessário ter uma empresa que controle as demais. "Bastando apenas uma relação de coordenação e entrelaçamento, e a relação pode ocorrer, inclusive, de forma independente, onde uma não se sobreponha à outra", descreveu na decisão assinada 15 de abril. "Embora o empregado labore para apenas uma das empresas do grupo econômico, todo o grupo econômico será responsável pelo adimplemento das dívidas de natureza trabalhista, valendo a solidariedade para todos os efeitos da relação de emprego", afirmou a juíza. O advogado do IEP recorreu da decisão que incluiu a Igreja Metodista no polo passivo. Segundo ele, a legislação obriga que a Justiça dê oportunidade de manifestação às partes antes de decidir pela inclusão, o que não ocorreu. Em setembro de 2018, o MPT calculou a multa em R$ 650 mil, valor que será corrigido por juros para ser quitado. Se houver pagamento da multa, o valor será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Regionais incluídas A decisão incluiu a Associação da Igreja Metodista 1ª Região (Rio de Janeiro); 2ª Região (Rio Grande do Sul); 3ª Região (São Paulo); 4ª Região (Minas Gerais); 5ª Região (sede em São José do Rio Preto); 6ª Região (Paraná); 7ª Região (sede em Petrópolis); e 8ª (Distrito Federal). Além dessas, há a Região Missionária do Nordeste, com sede em Recife (PR), e a Região Missionária do Amazonas, com sede em Porto Velho (RO). A igreja Em nota, a Associação da Igreja Metodista informou que "se pronunciará oficialmente por meio do processo somente após intimação oficial e avaliação de seus advogados". "Permanecemos à disposição e em oração por todas as pessoas envolvidas no processo", apontou a associação. Já a direção do IEP afirmou, em nota, "que já adotou as providências legais em relação à decisão do Ministério Público do Trabalho e aguarda pronunciamento judicial". Salários atrasados O TAC foi firmado em março de 2018 após sete audiências entre o MPT, a Unimep e representantes dos professores e funcionários administrativos que reclamavam o atraso nos salários. No acordo, a universidade se comprometeu a pagar os salários dos trabalhadores no quinto dia útil do mês, depositar mensalmente o FGTS dos funcionários ativos e inativos, além de fornecer a cesta-básica e pagar o vale-alimentação nos prazos determinados na norma coletiva de trabalho. No entanto, segundo a Procuradoria do Trabalho, os salários de abril, maio, julho e agosto do ano passado foram pagos com atraso, mesmo após a assinatura do TAC. Além disso, o recolhimento do FGTS, a cesta básica e o vale alimentação também foram feitos fora dos prazos em junho, julho e agosto. O TAC prevê multa de R$ 50 mil por descumprimento de cada item acordado, além de multa diária de R$ 1 mil. Nas contas da procuradoria, os termos foram descumpridos 13 vezes, portanto, o valor inicial da multa era R$ 650 mil. O MPT abriu mão de cobrar a multa diária. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
    Brasil participa de projeto piloto que ensina braille a crianças cegas usando peças de Lego

    Brasil participa de projeto piloto que ensina braille a crianças cegas usando peças de Lego


    Nesta quarta, a Lego Foundation anunciou a produção de blocos de montar com relevos que representam o alfabeto em braille, após projeto realizado desde 2017 pela Fundação Dorina Nowill e pela Unesp em escolas públicas de São Paulo. A imagem...


    Nesta quarta, a Lego Foundation anunciou a produção de blocos de montar com relevos que representam o alfabeto em braille, após projeto realizado desde 2017 pela Fundação Dorina Nowill e pela Unesp em escolas públicas de São Paulo. A imagem acima mostra três alunas brincando com um tabuleiro onde elas encaixam peças do protótipo de blocos de montar com relevos que representam as letras e pontuações em braille, que começou a ser usado em 2016 pela Fundação Dorina Nowill Divulgação/Fundação Dorina Nowill A Lego Foundation, entidade criada pela empresa que fabrica blocos de montar, lançou na tarde desta quarta-feira (24) um projeto para a criação de peças de Lego customizadas para o braille, sistema de leitura no qual letras e números são caracterizados por pontos em relevo. Ele é usado como forma de comunicação por pessoas cegas ou com baixa visão. O Brasil é um dos países envolvidos no projeto piloto realizado desde 2017, e que culminou com o anúncio desta quarta. Em uma parceria entre a Fundação Dorina Nowill para Cegos, que há 70 anos trabalha pela inclusão das pessoas com deficiência visual, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), o projeto incluiu o uso dos chamados "Braille Bricks" em escolas públicas de Presidente Bernardes e Franco da Rocha, em São Paulo. Os "Braille Bricks" são blocos de lego desenhados para que os pontos em relevo representem uma letra ou número do alfabeto braille. Uso do braille no ensino Um dos motivos de usar o brinquedo para incentivar o ensino do braille, segundo o comunicado da empresa, é o fato de que, com o avanço de tecnologias como audiolivros e programas que "leem em voz alta" o texto escrito numa tela de computador ou celular, a difusão do braille tem caído entre as novas gerações de pessoas com deficiência visual. A partir do ano que vem, o projeto pretende envolver 763 mil estudantes no Brasil, sendo 11,6 mil os que têm deficiência visual. Com sua proposta de educação inclusiva, a ideia é que estudantes com deficiência possam usar os kits juntamente aos estudantes videntes. De acordo com a Presidente do Comitê Braille Bricks da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Ika Fleury, em última análise o objetivo do projeto é aumentar radicalmente o número de crianças com deficiência visual alfabetizadas. "Educação verdadeiramente inclusiva é um problema no mundo inteiro. Portanto, nos concentramos no aluno: se criança gosta de brincar, precisávamos de um brinquedo que contemplasse essas exigências. E a peça do lego já é naturalmente semelhante ao sistema braille", disse ela ao G1. O que é o braille? É um sistema de leitura e escrita para pessoas com deficiência visual, ou seja, que são cegas ou têm baixa visão – atualmente, estima-se que mais de 6,5 milhões de brasileiros tenham algum tipo de deficiência visual; Foi criado há 190 anos por Louis Braille, um francês que ficou cego aos três anos de idade; Entre os 12 e os 20 anos, Braille desenvolveu um sistema de leitura que usava até seis pontos em relevo em uma célula de três pontos de altura e dois de largura; Cada letra ou número é representado por uma certa combinação de pontos dentro da célula; Como a célula de seis pontos permite até 63 combinações diferentes, é possível representar as letras e a pontuação da maioria dos alfabetos. Mulher usando as duas mãos para ler uma página de papel escrita usando o sistema braille: ao contrário de tinta, a máquina de escrever em braille perfura o papel para criar os relevos respectivos de cada letra, número ou pontuação Raquel Morais/G1 Projeto piloto em São Paulo No projeto piloto, 82 crianças de 4 a 10 anos participaram de atividades de alfabetização em braille usando as peças batizadas de Lego Braille Bricks durante o ano de 2018. Mas a Dorina Nowill já havia começado a usar um primeiro protótipo de blocos de montar chamado Braille Bricks em 2016, após uma parceria com uma agência de comunicação. "O braile está para a criança cega como a caneta e o papel estão para a criança que enxerga", explicou, em um vídeo da campanha, Eliana Cunha Lima, especialista da Fundação Dorina Nowill. "Sem o sistema braille, essa criança não tem o desenvolvimento do sistema neuropsicomotor garantido", disse ela. "Você trazer um brinquedo colorido, que todas as crianças têm, e com as características impressas nele da cegueira é um marco bastante interessante em todos os sentidos, inclusive os mais simbólicos também." O sucesso da parceria levou à entrada da Lego Foundation na iniciativa e à parceria com a Unesp para o projeto piloto realizado em 2018. Segundo Ika Fleury, o papel da Unesp será, principalmente, o de desenvolver um sistema de educação à distância para promover a formação dos educadores, para que possam usar o novo material em sala de aula. De acordo com Klaus Schlünzen Junior, professor da Unesp e responsável por monitorar e avaliar o programa no Brasil, a tecnologia para promover essa formação "foi utilizada para mediar e contribuir no desenvolvimento e construção do conhecimento, tendo como referência para isso um objeto palpável". O material é usado por profissionais da educação conforme os seus planos disciplinares e proposta curricular. Conjuntos de cerca de 250 peças Segundo a Lego Foundation, os Lego Braille Bricks usam os moldes do sistema braille, com até seis pontos de relevo, que é compatível com o modelo da empresa. Além disso, as peças levarão a letra ou o caractere impresso, para que pais, professores e colegas que não entendam braille possam saber de que letra se trata. A ideia é, além de informar, incentivar que pessoas videntes se interessem pelo aprendizado do braille. "Quanto mais pessoas que estejam em contato com essa criança souberem o braille, melhor pra ela", explicou Eliana Cunha Lima. Neste semestre, os kits estão sendo testado com crianças que falam dinamarquês, norueguês, inglês e português, mas, até o fim do ano, o alemão, o espanhol e o francês serão incorporados aos testes. A ideia é começar a distribuir o kit no segundo semestre de 2020. O conjunto terá cerca de 250 peças, que incluem todo o alfabeto, os algarismos de 0 a 9 e símbolos matemáticos. "Essa abordagem possibilita o afloramento do interesse do estudante, motivando-o a explorar, a pesquisar, a descrever, a refletir, a depurar ideias, com a mediação do professor", acrescenta Schlünzen, da Unesp. Distribuição Instituições selecionadas de várias partes do mundo receberão o material gratuitamente. No Brasil, a Fundação Dorina Nowill será a responsável por importar os conjuntos, que em 2020 serão distribuídos inicialmente em sete estados brasileiros: Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Pará. Serão enviados 10 mil kits a 763 cidades e 1,88 mil instituições de ensino do país. Eles serão entregues às escolas em regime de comodato. Embora os kits sejam doados pela Lego, a Fundação Dorina Nowill será a responsável por distribui-los pelo Brasil. "As duas maiores dificuldades são a formação dos profissionais de educação e a parte logística, pois os kits serão entregues pela Lego no porto de Santos", explicou Ika Fleury. A fundação estima um custo inicial de R$ 1,5 milhão para a primeira fase do projeto e, por isso, busca parceiros para financiar a distribuição do material em território nacional, além da capacitação de professores de escolas públicas para usarem o material em sala de aula. "Se começarmos com 10 mil kits, conseguiremos alcançar um número enorme de pessoas, entre crianças e educadores. Mas ainda é pouco. Queremos chegar a 30 mil kits no primeiro ano. Isso vai depender dos nossos parceiros. Quanto mais tivermos, mais vamos ampliar", comentou a presidente do Comitê Braille Bricks da fundação. Peças do brinquedo com alto relevo marcado conforme o sistema braille para pessoas com deficiência visual. Divulgação/Fundação Dorina Nowill
    No Sisu 2019, 17 mil cotistas teriam nota suficiente para passar na ampla concorrência

    No Sisu 2019, 17 mil cotistas teriam nota suficiente para passar na ampla concorrência


    Análise de dados coletados pelo G1 junto ao site do Sisu mostra que 15% das vagas destinadas às cotas foram preenchidas por estudantes que teriam sido aprovados na ampla concorrência. No Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do primeiro semestre de...


    Análise de dados coletados pelo G1 junto ao site do Sisu mostra que 15% das vagas destinadas às cotas foram preenchidas por estudantes que teriam sido aprovados na ampla concorrência. No Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do primeiro semestre de 2019, cerca de 113 mil estudantes foram selecionados para uma vaga na graduação por meio de cotas e 17.271 deles tiveram nota alta o suficiente para passarem também nas vagas de ampla concorrência do mesmo curso e universidade. Isso quer dizer que 15% das vagas oferecidas para cotas foram preenchidas por candidatos que também passariam na ampla concorrência. Os dados são de um levantamento inédito feito pelo G1 a partir do resultado divulgado no site do Sisu. Entenda o sistema de cotas: O Sisu 2019 teve mais de 130 modalidades de cotas, entre as reservas de vagas por raça ou cor, para alunos de escola pública, de família de baixa renda ou com deficiência ou necessidades especiais. Os candidatos aprovados pelas cotas precisam comprovar que cumprem os requisitos para garantir a matrícula. Já a ampla concorrência, ou seja, dos não-cotistas, reuniu quase metade de todas as vagas às quais pode concorrer qualquer estudante que tivesse feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2018 desde que não tenha zerado a redação nem tirado notas abaixo do valor mínimo exigido em certos cursos. A análise comparou a nota mais baixa entre os aprovados por alguma modalidade de cotas e a nota mais baixa entre os aprovados pela ampla concorrência de cada um dos 6.228 cursos. Essas notas podem ser consideradas a "nota de corte" para alguém conseguir a vaga naquele curso. O Sisu 2019 em dados Resultado da chamada única A análise levou em consideração todos os mais de 228.775 aprovados em 28 de janeiro, o que significa que, no primeiro resultado, só 3% das 235.461 vagas em disputa não tiveram candidatos selecionados. Entre os motivos para a existência de vagas remanescentes está a falta de inscritos por desinteresse ou por causa dos requisitos, como nota mínima no Enem ou, principalmente, as condições sociais, financeiras ou raciais impostas para concorrer a uma cota. Na inscrição, cada estudante pode escolher até duas opções de curso. Após a divulgação do primeiro resultado, os aprovados têm um prazo para efetuar a matrícula. Os candidatos que não foram aprovados em nenhuma das duas opções podem aderir à lista de espera para serem convocados para as vagas remanescentes em chamadas feitas pelas próprias instituições. A eficácia das cotas Segundo o professor João Feres Júnior, coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), os dados do levantamento comprovam o efeito positivo da política de cotas na democratização do acesso ao ensino superior. Ele explica que o fato de 85% dos estudantes cotistas terem tido nota mais baixa que os aprovados na ampla concorrência não é um indicativo de que são alunos piores. Em uma comparação entre as nota de corte das modalidades de cota e da ampla concorrência de um mesmo curso, a diferença média mostra que os cotistas aprovados na última colocação tiveram pontuação 18% menor que os não-cotistas. Uma análise dos 6.228 cursos mostra que, em 3.617 deles, a nota mínima da ampla concorrência foi até 20% mais alta que a nota de corte dos cotistas. Essa diferença só foi maior do que 50% em 23 cursos. Já em 32 cursos a nota mínima das cotas foi mais alta que a do último colocado na ampla concorrência. Ou seja, todos os cotistas aprovados teriam sido selecionados também pela ampla concorrência. Segundo ele, uma diferença pequena entre as notas revelam "a virtude da cota", por ajudar no acesso à universidades os estudantes que são bem preparados, mas ficavam de fora da universidade pública por causa da alta concorrência. "A virtude da cota continua valendo, porque essas pessoas não seriam incluídas", diz ele. Disputa acirrada Já considerando apenas os 17.271 cotistas com nota alta o suficiente para entrar pela ampla concorrência, a disputa pela aprovação como não-cotista teria sido acirrada. A diferença entre a nota deles e a nota do último colocado da ampla concorrência, em 7.821 casos, não passou de dez pontos. Segundo Feres Júnior, o fato de eles terem tido condição de passar como não-cotistas não significa que eles tiraram uma vaga de um cotista. "Mais do que um direito, essa é uma consequência natural da metodologia. As pessoas não sabem mais ou menos a nota de corte, elas exercem seu direito [à cota]." No caso das vagas em medicina, só 22 cotistas aprovados conseguiriam passar pela ampla concorrência. No caso deles, a maior diferença entre a nota do cotista e a do último colocado não-cotista foi 8,64. A diferença média nos 22 casos foi de apenas 2,81 pontos. A gaúcha Natascha de Souza, d 22 anos, está nesse grupo. Uma entre os novos calouros de medicina da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a jovem teve nota de 800,6 no Sisu e ficou na terceira colocação entre as 18 vagas para estudantes que, independentemente da renda, tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Ela também teria se encaixado entre os 50 candidatos aprovados na ampla concorrência, porque sua nota superava a do último colocado nessa modalidade. Porém, a diferença foi pequena, de apenas 1,18 ponto. Natascha de Souza, de Porto Alegre, diz que sua intenção inicial era concorrer à vaga de medicina na UFCSPA pela ampla concorrência do Sisu, mas desistiu no último dia porque a nota de corte estava muito apertada Arquivo pessoal/Natascha Tortorelli Opção inicial pela ampla concorrência Ao G1, a estudante, que se preparou durante dois anos para o vestibular de medicina após a morte da avó, disse que seu objetivo inicial era entrar pela ampla concorrência. "Eu passei quase todo o período de inscrição do Sisu tentando vaga pela ampla concorrência, pois sabia que tinha atingido uma boa nota e não queria tirar uma vaga de cota, mas como o corte foi subindo e a UFCSPA era minha primeira opção, resolvi não arriscar", explicou Natascha, que estudou em um colégio militar em Porto Alegre e terminou o ensino médio em 2013. Naquela época, ela decidiu estudar engenharia. "Eu sempre tive uma afinidade muito grande com exatas e gostava das disciplinas do curso, porém a falta de disciplinas práticas aliada a minha percepção do que seria a profissão me fez perceber que não era o que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida", disse ela, que foi aprovada no Sisu na segunda tentativa. Depois que a avó morreu, Natascha decidiu retomar uma antiga ideia de ser médica. "A principal razão da escolha é a resposta clichê de que quero fazer a diferença", explicou. "Senti a maior sensação de impotência possível e percebi que eu não conseguiria viver com ela." Especial G1: dados inéditos do Sisu e do Prouni
    Seis equipes brasileiras ganham prêmios em campeonato mundial de robótica

    Seis equipes brasileiras ganham prêmios em campeonato mundial de robótica


    Delegação do Brasil contou com dez equipes e 106 estudantes na competição, que ocorreu entre 17 e 20 de abril em Houston, nos Estados Unidos, com mais de 15 mil competidores. Campeonato mundial de robótica aconteceu entre 17 e 20 de abril em...


    Delegação do Brasil contou com dez equipes e 106 estudantes na competição, que ocorreu entre 17 e 20 de abril em Houston, nos Estados Unidos, com mais de 15 mil competidores. Campeonato mundial de robótica aconteceu entre 17 e 20 de abril em Houston, nos EUA, e seis equipes brasileiras levaram prêmios Aerton Guimarães/CNI Seis das dez equipes brasileiras que participaram do First Championship, na semana passada nos Estados Unidos, trouxeram para casa pelo menos um prêmio. O torneio é considerado uma das principais competições acadêmicas para estudantes na área de robótica, e divide os participantes em quatro categorias. Segundo a Conferação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil participou em três dessas categorias, com dez equipes e um total de 106 estudantes. Das dez equipes, oito são formadas por alunos do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). As seguintes cidades tiveram representantes do Sesi e/ou Senai classificados para o torneio internacional: São Paulo, Goiânia, Blumenau e Concórdia (SC), Americana, Araras, Bauru e Jundiaí (SP). As outras duas equipes foram formadas, respectivamente, por alunos de uma escola particular de Novo Hamburgo (RS) e de escolas públicas de Taubaté (SP). No total, cerca de 15 mil estudantes de 74 países participaram do campeonato, que aconteceu entre 17 e 20 de abril em Houston, nos Estados Unidos. A etapa nacional, que deu vaga ao torneio mundial, aconteceu em março no Rio. Maior torneio de robótica do Brasil reúne mais de mil estudantes no Rio Prêmios do Brasil Na categoria First Robotics Championship (FRC), considerada a principal do torneio, participaram 400 equipes, incluindo quatro do Brasil: a Under Control (de Novo Hamburgo), a Taubatexas (de Taubaté), a Octopus (de Bauru) e a Robonáticos (de São Paulo). O desafio dos estudantes era projetar robôs industriais de até 56 quilos. Um dos prêmios da categoria, chamado de Rookie All Star, é entregue todos os anos a equipes que participam pela primeira vez e se destacam na competição. Nesta edição, três equipes foram premiadas, sendo que duas delas são brasileiras: a Octopus e a Robonáticos. A terceira foi a equipe Avengers, dos Estados Unidos. Já na categoria First Tech Challenge (FTC), o Brasil foi representado pela equipe Geartech Canaã, de Goiânia, que foi uma das seis finalistas do Prêmio de Motivação, segundo a CNI. Equipe Geartech Canaã, de Goiânia, que foi finalista do Prêmio de Motivação na First Tech Challenge, competição mundial de robótica que aconteceu em Houston entre 17 e 20 de abril Aerton Guimarães/CNI Na categoria First Lego League (FLL), participaram 108 equipes, dentre elas cinco brasileiras: a Techmaker (de Blumenau), a Red Rabbit (de Americana), a Jedi's (de Jundiaí), a Los Atômicos (Araras) e a AgroRobots (Concórdia). Dessas, três conquistaram prêmios. A Techmaker ficou em primeiro lugar no Prêmio de Profissionalismo e Graça, enquanto a Jedi's ficou em 2º lugar no Prêmio Estratégia e Inovação. Já a Red Rabbit, que em 2018 ficou na primeira colocação geral da competição, dessa vez levou o 1º lugar no Prêmio Design de Robô. Equipe Robonáticos #7565, de São Paulo, durante a First Robotics Competition, na qual recebeu o Prêmio Rookie All Star Aerton Guimarães/CNI Equipe Octopus, de Bauru, vencedora do Prêmio Rookie All Star no First Robotics Championship 2019 Aerton Guimarães/CNI Equipe Jedi's, de Jundiaí (SP), 2º lugar no Prêmio Estratégia e Inovação Aerton Guimarães/CNI Equipe Red Rabbit, de Americana (SP), 1º lugar do Prêmio Design de Robô Aerton Guimarães/CNI Equipe TechMaker, de Blumenau (SC), 1º lugar no Prêmio Profissionalismo e Graça Aerton Guimarães/CNI Equipe Under Control, de Novo Hamburgo (RS) Aerton Guimarães/CNI Equipe Agrorobots, de Concórdia (SC) Aerton Guimarães/CNI Parte da equipe Los Atômicos, de Araras (SP), durante competição da First Lego League, em Houston Aerton Guimarães/CNI Equipe Taubatexas, de Taubaté, durante a First Robotics Competition, em Houston Aerton Guimarães/CNI
    Está na hora de reescrevermos os contos de fadas?

    Está na hora de reescrevermos os contos de fadas?


    Muitas histórias infantis tradicionais são criticadas por serem baseadas em estereótipos de gênero e terem uma moral questionável - mas será que essas ponderações fazem sentido? Contos de fada precisam ser reescritos para as novas...


    Muitas histórias infantis tradicionais são criticadas por serem baseadas em estereótipos de gênero e terem uma moral questionável - mas será que essas ponderações fazem sentido? Contos de fada precisam ser reescritos para as novas gerações? Alamy Eu costumava revirar os olhos sempre que ouvia sobre o pânico de pais com os contos de fadas, algo que parece se manifestar com a mesma frequência de surtos de piolhos em uma escola. Sim, estas histórias podem ser sanguinárias, sua moralidade nem sempre combina com os costumes atuais, e seus estereótipos de gênero são tão inflexíveis quanto um sapatinho de cristal, mas são apenas contos de fadas. Não era a mesma opinião de celebridades como as atrizes Keira Knightley e Kristen Bell, que juraram publicamente nunca deixar seus filhos assistirem aos filmes da Disney. Seria isso apenas mais um exemplo de uma visão que parece estar empenhada em acabar com qualquer graça da nossa infância? Mas, então, como num passe de mágica, veio a maternidade e, com ela, muitas lições importantes - incluindo "nunca diga nunca". Nunca diga, por exemplo, que você não vai se tornar um destes pais. Antes que você perceba, também vai ficar ansioso para citar os ensinamentos da feminista australiana Germaine Greer para a mãe da menina que não consegue acompanhar o ritmo das outras crianças no parquinho porque suas asas de fada estão literalmente fazendo ela ficar para trás. Para mim, essa noção veio quando, depois de gastar uma nota com uma edição especialmente encantadora da coletânea de histórias do dinamarquês Hans Christian Andersen, não consegui encontrar nenhuma que quisesse ler para a minha filha até o fim. De repente, o número de pais britânicos que editam contos de fadas ao lê-los em voz alta - mais de um em cada quatro, de acordo com uma pesquisa publicada em 2018 - fazia todo o sentido para mim. Pesquisa de 2018 mostrou que um a cada quatro pais britânicos editam contos de fadas ao lê-los em voz alta Alamy Se fosse mãe de um menino, poderia ter ficado incomodada com a insistência incansável no heroísmo, na fobia da fraqueza e a desconfiança em relação a qualquer tipo de emoção. Como mãe de uma menina, minha principal preocupação é a obsessão com a beleza externa e o elo que essas narrativas formam entre um rosto bonito e um bom coração. A ampla objeção moral dos contos a qualquer outra coisa que não a perfeição física idealizada parece estar preparando uma criança - e, vamos ser honestos, especialmente as meninas - para uma adolescência com todos os problemas associados à baixa autoestima. A influência dos contos de fada Num piscar de olhos, foi revelada para mim a influência que as histórias contadas para mim quando eu era criança tiveram sobre as horas que desperdicei aplicando e removendo maquiagem, para não falar de alguns lapsos drásticos de julgamento, quando se trata do personagem masculino (príncipes, certo?). Sinto que tudo isso poderia ter sido evitado se não tivesse sido embalada para dormir por histórias como Cinderela e Branca de Neve, com suas narrativas sobre beldades indefesas se entremeando nos meus sonhos. Sim, eu me tornei uma daquelas mulheres que consideram princesas tóxicas. Não que eu já tenha sido fã da cultura da princesa, mas aquela maçã envenenada sempre me pareceu muito mais um produto do cinema do que da literatura. Contos de fada, fui educada a acreditar, eram uma fonte de força psicológica e verve imaginativa. Eles dotariam as crianças com as ferramentas para sobreviver a futuros desafios e para ensiná-los sobre suas próprias psiques. E, no entanto, meu problema com estas histórias persistiu. Há, é claro, muitos livros anti-princesas para crianças, sejam reinvenções de contos de fadas ou narrativas independentes que envolvem seus leitores em debates animados. Foi a isso que recorri pela primeira vez quando percebi o quanto havia me tornado "alérgica" a princesas, mas, se há um clichê de gênero que rivaliza com o da princesa, é o da garota "briguenta". Estes textos alternativos eram pobres em seu alcance imaginativo e, muitas vezes, estranhamente agressivos - não uma versão melhorada dos contos de fadas tradicionais. 'As histórias dão poder às crianças', diz autora de romance para adultos baseado em 'A Bela e a Fera' Alamy 'As histórias dão poder às crianças', diz escritora Assim, quando vi que a premiada autora de livros infantis Sally Gardner havia escrito um romance para adultos baseado em A Bela e A Fera, esperava que, como uma sábia fada madrinha, ela pudesse me garantir que minha filha não estaria perdendo nada se nós evitássemos os contos de fadas - ou fizesse minhas preocupações desaparecerem num passe de mágica. Escrito sob o pseudônimo Wray Delaney, A Beleza do Lobo é um conto fantástico complexo ambientado na Inglaterra elisabetana. Uma de suas principais reviravoltas é que a beleza de seu título é a de um homem jovem. Mas, se eu esperava que a autora tivesse empatia com minhas ressalvas feministas, eu estava equivocada. "Você entendeu tudo errado!", ela exclamou quando conversamos por telefone. "Os contos de fadas são tão poderosos - eles contêm tudo o que você precisa. Eles são a forma de arte perfeita." A chave para este poder é sua versatilidade, disse Gardner. Em João e Maria, por exemplo, "a criança feliz vê a velha casa bolorenta, a criança infeliz prova o pão de gengibre, a criança traumatizada conhece a sensação dos dedos da bruxa ossuda". A escritora prossegue: "As histórias de fadas dão poder às crianças". Ela cita o gênero de livros infantis realistas. Se você der um desses "para uma criança 'presa em uma torre'", Gardner argumenta, "com uma mãe viciada e seu companheiro traficante de drogas, ela vai achar que não há saída. Dê-lhe Rapunzel e você lhe dará esperança". Mas e quanto a todas as princesas? Em primeiro lugar, as crianças não precisam se identificar com elas, a escritora insiste. "Você pode ser qualquer coisa - pode ser a bruxa." Em segundo lugar, diz ela, é importante lembrar que esses contos são antigos. Explicar isso a uma criança pode ajudar a superar a fixação com a beleza. Um conselho importante sobre a leitura de contos de fadas para as crianças é também simples: espere. Aguarde até o pequeno leitor ter 10 ou 12 anos e garanta que ela ou ele tenha em mãos uma boa edição. Muitas mães prometem manter suas filhas longe das 'princesas da Disney' para evitar reforçar estereótipos de gênero Alamy Beleza como metáfora? A mitóloga e crítica cultural Marina Warner destacou em seu estudo seminal de 1994, From the Beast to the Blonde (Da Fera à Loura, em tradução livre), que a maioria dos contos de fadas não era originalmente destinada a crianças. Como ela disse em uma entrevista recente, os contos de fadas eram a literatura dos pobres e dos iletrados. Os irmãos Grimm, por exemplo, eram folcloristas. Foram os ingleses que transformaram as histórias reunidas por eles em literatura infantil quando sua tradução para o inglês foi publicada no século 19. "Eles são sobre pessoas comuns que geralmente prevalecem contra obstáculos terríveis jogados em seu caminho por pessoas com mais poder do que eles. Há um elemento de coragem que é importante - a ideia de esperança e de ultrapassar barreiras." Ela aponta que muitas jovens heroínas positivas que podem ser encontradas nos contos de fadas, como Gerda, de A Rainha da Neve. Vá além do óbvio e você encontrará histórias de fadas irlandesas e galesas com heroínas especialmente extraordinárias. "A princesa vem principalmente dos escritores franceses do século 17 e do início do século 18. Mas também há muitas jovens se livrando de relacionamentos que elas não desejam ter." Quanto à fixação aparentemente universal com a beleza feminina, "você tem de interpretar isso como uma metáfora", diz Warner. É mais importante lembrar que, juntamente com seu vocabulário imaginativo e sua insistência na esperança, os elementos sobrenaturais dos contos de fadas ensinam até os leitores mais jovens a entender que você pode se divertir com alguma coisa sem ter de "obedecer" a ela. Ela enfatizou para mim outra lição vital da maternidade: que as crianças geralmente sabem o que estão fazendo e são invariavelmente muito mais inteligentes e intuitivas do que nós, adultos. Além disso, como minha irmã destacou, ela foi criada exatamente com as mesmas histórias que eu e nunca ficou incomodada com as coisas de princesa. Wray Delaney diz que, ao longo de sua carreira de um quarto de século como autora para crianças, ela observou uma mudança fundamental entre seus jovens leitores: ela costumava perguntar qual era o conto de fadas favorito deles e cada um tinha uma resposta; agora, dificilmente uma mão se levanta para responder. "Estamos perdendo o conhecimento dos contos de fadas", observa com tristeza. Dado que os autores como J.R.R. Tolkien, de O Senhor dos Anéis, citaram os contos de fadas como fontes essenciais de inspiração, isso parece ser bem mais preocupante do que qualquer passagem que possa inspirar o comportamento de meninas (ou meninos) impressionáveis​. Por mais tentador que seja culpar os contos de fadas pelas falhas da revolução sexual, esta é apenas uma das inúmeras influências que conspiraram para manter gerações de mulheres em seu lugar. Além disso, os contos de fadas são, como Warner os chama, um tipo de literatura que pode ser atualizada infinitamente. Enquanto isso, minha irmã também me lembrou que meu conto de fadas mais amado era Cachinhos Dourados, com uma heroína de cabelos louros e de olhos azuis que, embora seja uma malcriada, é acima de tudo uma menina exigente - e não uma princesa.
    Unicamp registra maior nº de mulheres aprovadas desde 2014 e calouros fora de SP sobem 65%

    Unicamp registra maior nº de mulheres aprovadas desde 2014 e calouros fora de SP sobem 65%


    Universidade contabilizou alta de matriculados com renda familiar de até 2 salários mínimos e atualizou dados sobre ingressantes autodeclarados pretos e pardos e/ou oriundos da rede. Unicamp implementou vestibular indígena na edição...


    Universidade contabilizou alta de matriculados com renda familiar de até 2 salários mínimos e atualizou dados sobre ingressantes autodeclarados pretos e pardos e/ou oriundos da rede. Unicamp implementou vestibular indígena na edição 2019 Reprodução / EPTV A Unicamp encerrou o vestibular 2019 com o maior número de mulheres matriculadas em cursos de graduação em cinco anos e aumento de 65% na quantidade de calouros residentes fora de São Paulo, no comparativo com exame anterior, segundo perfil socioeconômico divulgado na tarde desta terça-feira (23) pela comissão organizadora da prova (Comvest). Além disso, houve alta de 34% em matriculados com renda familiar de até dois salários mínimos e a universidade atualizou os resultados sobre ingressantes autodeclarados pretos e pardos e/ou oriundos da rede pública. O quadro geral de matriculados inclui resultados da modalidade tradicional do processo seletivo e outras formas de ingresso implementadas na edição, entre elas, o vestibular indígena, o ingresso via desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as vagas reservadas para premiados em olimpíadas ou competições de conhecimentos. Além disso, para tentar elevar a inclusão social, ela ficou marcada por oferecer pela primeira vez a opção de cotas étnico-raciais. O formato tradicional da prova passou a ser aplicado em Salvador (BA) e Curitiba (PR), e foram mantidas na lista da Unicamp, além de São Paulo (SP), outras três capitais: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Fortaleza (CE). A universidade já definiu o calendário para a edição 2020. Presença das mulheres O total de mulheres matriculadas em cursos de graduação chegou a 1.435 nesta edição, maior número absoluto desde 2014, quando foram contabilizadas 1.556. No comparativo com o ano anterior, quando foi registrado número mais baixo em 11 anos, o crescimento equivale a 7,5%. 2019 - 1.435 2018 - 1.334 2014 - 1.556 Ao G1, o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto, explicou que o aumento de mulheres matriculadas na edição 2019 do vestibular ocorreu, em parte, por causa de estudantes que fizeram o ensino médio na rede pública e ocuparam as cadeiras onde o critério de seleção aplicado foi o desempenho nas provas do Enem. Nesta modalidade foram reservadas 645 cadeiras. "Há uma grande disparidade de concluintes do ensino médio entre homens e mulheres. Na escola privada os números de concluintes e inscritos, por sexo, são equilibrados", destaca o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) ao ponderar que o grupo de mulheres, em classes socioeconômicas mais baixas, é mais escolarizado que o de homens, segundo indicadores oficiais. O coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto Alex Matos "Muitas vezes os rapazes, por ajudarem [com trabalho], fazerem algum bico, há uma outra realidade social e isso faz com que tenham menor frequência. Os índices de evasão, desistência ou repetição de homens nas escolas públicas são muito maiores [...] provavelmente as garotas que se inscreveram pelo Enem tiveram rendimento superior e isso ajudou a alavancar", diz o docente. Freitas Neto avaliou o resultado de forma positiva e ponderou que o fato dos cursos de exatas terem "grande peso no perfil de ofertas" da Unicamp também provoca reflexos nos indicadores. "Ficamos satisfeitos que tenha maior presença das mulheres na universidade, porque afinal de contas também queremos ter uma adequação ao perfil educacional no sentido de que, se mais mulheres concluem o ensino médio, é natural que tenhamos maior presença nas universidade [...] Numa época de falar de tantas conquistas de direitos para os diferentes grupos, e ao mesmo tempo as ameaças que eles têm, ter espaço para mulheres é muito mais do que bem-vindo." De acordo com ele, quase metade das cadeiras na graduação é destinada para áreas de exatas, sobretudo engenharias e tecnologias. "São perfis que tradicionalmente as mulheres não frequentam muito. Queremos que isso mude ao longo do tempo, mas é uma realidade da experiência no mundo como um todo, onde elas não são estimuladas a frequentar estas áreas. É um desafio para pensarmos em perspectivas e inclusões futuras", pondera o coordenador. Edição 2019 sexo masculino: 1.993 (58,1%); sexo feminino: 1.435 (41,9%); Edição 2018 sexo masculino: 1.993 (59,9%); sexo feminino: 1.334 (40,1%); Calouros de fora de SP As mudanças implementadas pela universidade também resultaram em aumento de calouros residentes fora de São Paulo. Na edição encerrada em janeiro foram contabilizados 408 estudantes, total que significa elevação de 65,1% em relação aos 247 matriculados no exame de 2018. Edição 2018: 247 matriculados Edição 2019: 408 matriculados Para Freitas Neto, o "mix de sistemas" ampliou a diversidade territorial desejada pela Unicamp - sobretudo quando ele pondera sobre resultados do vestibular indígena, inclusões de duas capitais na lista de provas e as oportunidades para premiados em olimpíadas. "O Enem, que também tem abrangência nacional, contribuiu menos do que o esperado em termos de outras unidades da federação. Mas permitiu chegar a municípios menores do estado", ressalta o professor. Inclusão social A implementação das cotas étnico-raciais também se refletiu no perfil econômico dos ingressantes. Os dados mostram que, entre os novos alunos, 508 (14,9%) têm renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 1.996), enquanto foram 379 no ano anterior. A diferença representa aumento de 34%. "Há uma forte correlação entre a adoção das cotas e o perfil alcançado. Sabemos que as desigualdades existentes no país impacta, sobretudo, a população negra. Nesse sentido, mesmo a adoção ter sido pelo critério étnico-racial, o resultado é também social e econômico", pondera. Os maiores grupos, por outro lado, estão concentrados nas faixas de famílias com renda mensal de três a cinco salários mínimos (22,7%), e entre cinco e sete (16,7%), segundo o relatório. Freitas Neto destacou que a tendência é de manutenção da taxa integral de R$ 170 no vestibular 2020. O prazo para pedidos de isenção fica aberto até 6 de maio, segundo a universidade. Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp Antoninho Perri / Unicamp Dados atualizados Nesta tarde, a Unicamp atualizou dados sobre total de candidatos autodeclarados pretos e pardos aprovados para cursos de graduação na Unicamp. A prévia havia sido divulgada em fevereiro. Estes grupos representam 35% dos ingressantes deste ano, percentual próximo ao de 37,5% estabelecido como meta pelo Conselho Universitário (Consu), e supera índice anterior de 23,9%. "A Unicamp trabalhou seriamente, com estudos, grupos de trabalho, debates e análises que permitiram chegar a estes dados", avalia Freitas Neto. Já o índice de estudantes oriundos da rede pública chegou a 47,9%, enquanto que no vestibular anterior ele alcançou 49,2%. De acordo com a Comvest, elevar este índice é um desafio. "Apenas se houver incremento de candidatos. Esse é um ponto complexo em todas as universidades, o fenômeno da auto-exclusão. Aproximadamente 600 mil estudantes concluem o ensino médio em escolas públicas no estado e pouco mais de 20 mil se inscrevem no vestibular", pondera o coordenador executivo. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    Greta Thunberg, a adolescente sueca que está sacudindo a luta ambiental

    Greta Thunberg, a adolescente sueca que está sacudindo a luta ambiental


    Indicada ao prêmio Nobel da Paz, a jovem ativista de 16 anos deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas. Greta Thunberg, de 15 anos, protesta em frente ao Parlamento da Suécia com o cartaz:...


    Indicada ao prêmio Nobel da Paz, a jovem ativista de 16 anos deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas. Greta Thunberg, de 15 anos, protesta em frente ao Parlamento da Suécia com o cartaz: 'Greve das escolas pelo clima' TT News Agency/Hanna Franzen via Reuters "Percebi que ninguém estava fazendo nada para impedir que isso aconteça, então eu precisava fazer alguma coisa." "Como não posso votar, essa é uma das maneiras que eu posso fazer minha voz ser ouvida." Foi com este pensamento que Greta Thunberg, uma jovem sueca de 16 anos, deu início a um movimento internacional de greves de estudantes contra as mudanças climáticas - iniciativa que rendeu a ela a indicação ao prêmio Nobel da Paz. A adolescente falta às aulas todas as sextas-feiras, desde agosto do ano passado, e se senta em frente ao Parlamento sueco, em Estocolmo, para exigir medidas concretas dos políticos contra o aquecimento global. O ato, inicialmente solitário, inspirou jovens de todo o mundo a aderirem ao movimento, que ficou conhecido como "Fridays For Future" - e culminou em uma greve escolar global no dia 15 de março, quando milhares de estudantes foram às ruas para protestar, inclusive no Brasil. Também rendeu a Thunberg importantes convites. Ela já se encontrou com o papa Francisco, discursou no Parlamento Europeu e participou de eventos internacionais - como a Conferência do Clima da ONU, na Polônia, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. E, nesta terça-feira, se encontra com membros do Parlamento britânico, em Londres. A jovem ativista, que afirma ter parado de andar de avião em 2015 por conta das emissões de carbono, viajou dois dias de trem para chegar ao Reino Unido. Como tudo começou Thunberg conta que ouviu falar pela primeira vez em mudança climática na escola, quando tinha cerca de oito anos e seus professores mostraram fotos de ursos polares famintos, florestas desmatadas e plásticos nos oceanos. "Quando eu era pequena, tinha planos de ser várias coisas, de atriz a cientista. Até que meus professores me falaram na escola sobre a mudança climática. Isso abriu meus olhos." "Fiquei muito impressionada", relembra, em entrevista ao programa Today da BBC Radio 4. Quando tinha 11 anos, ela sofreu uma forte depressão. "Parei de ir à escola, parei de falar, porque estava muito triste. Aquilo me deixou muito preocupada." "Teve muito a ver com a crise climática e ecológica. Achava que havia algo muito errado e que nada estava sendo feito, que nada fazia sentido." Depois de perceber que poderia fazer a diferença, prometeu a si mesma que "iria fazer algo de bom com a sua vida". "Então, eu sentei no chão do lado de fora do Parlamento sueco e decidi que não iria à escola. No primeiro dia, eu fiquei lá sozinha. No segundo dia, outras pessoas começaram a se juntar a mim." "Jamais poderia imaginar nos meus sonhos mais loucos que isso aconteceria. E aconteceu muito rápido." Hoje, ela conta com 1,3 milhão de seguidores no Instagram e 472 mil no Twitter. Estudantes usam um carro alegórico que representa a defensora ambiental sueca Greta Thunberg durante uma greve escolar para exigir ação contra a mudança climática, na praça da prefeitura de Duesseldorf, Alemanha Wolfgang Rattay/Reuters Síndrome de Asperger Diagnosticada com síndrome de Asperger, uma forma de autismo, a jovem vê a condição como uma aliada. "Isso me faz diferente, e ser diferente eu diria que é uma dádiva. Me faz ver coisas além do óbvio." "Se eu fosse como todo mundo, não teria começado essa greve da escola, por exemplo", avalia, lembrando que, quando contou aos pais sobre seu plano de faltar às aulas toda sexta-feira, eles "não gostaram muito da ideia". "Por que devemos ir para a escola se não há futuro? E por que devemos aprender sobre fatos, se os fatos mais importantes não importam?", questiona. Segundo Thunberg, sua primeira inspiração foi Rosa Parks, símbolo do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. "Soube que ela era introvertida, e eu também sou introvertida", declarou, em entrevista à revista Rolling Stone. 'Ouçam a ciência' O recado de Thunberg para os políticos é o seguinte: "Ouçam a ciência, ouçam os cientistas. Convidem eles para conversar." "Estou apenas falando em nome deles, estou tentando dizer o que eles vêm dizendo há décadas." Segundo ela, é importante que os políticos tomem uma atitude, uma vez que "a maioria das emissões não é causada por indivíduos, mas pelas corporações e pelo Estado". Perguntada sobre o que diria ao presidente americano, Donald Trump, se tivesse oportunidade, ela declarou: "Não posso dizer nada que ele não tenha ouvido antes." "Obviamente, ele não está ouvindo a ciência e o que temos para dizer, então eu não seria capaz de mudar a opinião dele." Em 2017, Trump anunciou a saída dos EUA do acordo de Paris sobre mudanças climáticas. "Devíamos estar em pânico. E quando digo pânico, não quero dizer sair correndo e gritando. Quero dizer que precisamos sair da zona de conforto."
    Instituto Internacional de Neurociências seleciona professores pesquisadores para atuação em Macaíba

    Instituto Internacional de Neurociências seleciona professores pesquisadores para atuação em Macaíba


    Interessados podem enviar o currículo até 17 de maio. Ao todo, são oferecidas 3 vagas. O Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra está com seleção aberta para professores pesquisadores para atuação em Macaíba, na Grande...


    Interessados podem enviar o currículo até 17 de maio. Ao todo, são oferecidas 3 vagas. O Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra está com seleção aberta para professores pesquisadores para atuação em Macaíba, na Grande Natal. São oferecidas três vagas para pesquisadores com experiência nas áreas de processamento de sinais (2 vagas) e eletrofisiologia/comportamento (1 vaga). Confira AQUI o edital completo. A carga horária é 40 horas semanais. Os interessados podem enviar currículos e demais documentos solicitados até 17 de maio de 2019. Sobre o IIN-ELS Fundado em 2006, o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS), localizado em Macaíba (RN), desenvolve pesquisas inovadoras em duas linhas temáticas principais: Interface Cérebro-Máquina e Neuromodulação. O IIN-ELS é pioneiro em oferecer, desde 2013, o primeiro Mestrado em Neuroengenharia do Brasil, certificado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que vem despertando cada vez mais atenção de profissionais de áreas diversas do conhecimento e de todas as regiões do Brasil. Instituto Internacional de Neurociências abre vagas para professores pesquisadores Ariane Mondo/ASCOM/ISD
    Unicamp abre inscrições para projeto que incentiva meninas a serem cientistas; veja como participar

    Unicamp abre inscrições para projeto que incentiva meninas a serem cientistas; veja como participar


    Interessadas devem fazer inscrição até o dia 5 de maio. Vagas são limitadas. Unicamp abre inscrições, nesta terça-feira (23), para o projeto Meninas Super Cientistas, em Campinas (SP) Juliana Furtado Silva A Unicamp abre, nesta terça-feira...


    Interessadas devem fazer inscrição até o dia 5 de maio. Vagas são limitadas. Unicamp abre inscrições, nesta terça-feira (23), para o projeto Meninas Super Cientistas, em Campinas (SP) Juliana Furtado Silva A Unicamp abre, nesta terça-feira (23), inscrições para 50 vagas no projeto "Meninas SuperCientistas", que visa incentivar estudantes, por meio de palestras, oficinas e visitas a museus, a se interessarem por carreiras na área da ciência. Interessadas devem se cadastrar no site do projeto até o dia 5 de maio. O programa acontece no Campus de Campinas (SP) e é gratuito. Para participar, é necessário ser do sexo feminino e estar matriculada entre o 6º e o 9º ano do ensino fundamental. Do total, 35 vagas são direcionadas a estudantes de colégios públicos. A programação foi distribuída entre os quatro sábados do mês de junho. "Muitas vezes a sociedade e a família desestimulam o interesse das meninas pela ciência. Então, precisamos incentivar e fomentar afeição delas por essa área, mostrar que ciência é, sim, coisa de menina", afirma a professora Anne Bronze. Entres os assuntos abordados durante o curso estão discussões sobre mulheres na carreira científica e as formas de ingresso na universidade, e também: aceleradores de partículas paleontologia prototipagem física matemática química e os astros otimização criação de jogos robótica Para Anne Bronzi, professora do Departamento de Matemática da Unicamp, há uma queda de interesse por parte das garotas na área de exatas durante o ensino fundamental. O objetivo do projeto é reverter esse cenário. As organizadoras do projeto Meninas Super Cientistas, Anne Bronzi à esquerda, Juliane Baiochi ao fundo e Marcela Medicina à direita Eder Ricardo Canalle Ainda segundo a professora, as mulheres ainda são minoria nos cursos de exatas e esse número cai de acordo com o crescimento na carreira, na pós-graduação, mestrado e pesquisa. "Queremos que meninas possam ter exemplos da atuação de mulheres na ciência feita no país e inserir modelos nos quais elas possam se inspirar e tomar como incentivo", diz Anne Bronzi. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    Estrangeiros pagarão 10 vezes mais que europeus em universidades francesas

    Estrangeiros pagarão 10 vezes mais que europeus em universidades francesas


    Decreto publicado neste domingo (21) determina que cursos de graduação custarão cerca de R$ 12,2 mil, e os de mestrado, R$ 16,5 mil. A medida, que tem sido criticada inclusive pelas universidades, não afeta os estudantes estrangeiros de doutorado....


    Decreto publicado neste domingo (21) determina que cursos de graduação custarão cerca de R$ 12,2 mil, e os de mestrado, R$ 16,5 mil. A medida, que tem sido criticada inclusive pelas universidades, não afeta os estudantes estrangeiros de doutorado. Universidade Sorbonne, em Paris Divulgação/Université de Paris Sorbonne O aumento das taxas universitárias para estudantes não-europeus entrará em vigor no início do novo ano letivo de 2019, de acordo com dois textos publicados neste domingo (21) no Diário Oficial da França, apesar dos protestos contra essa medida do governo de Macron. No início do próximo ano letivo, os estudantes não-europeus terão que pagar € 2.770 (cerca de R$ 12,2 mil) em uma inscrição para uma licença, equivalente à graduação, e € 3.770 (cerca de R$ 16,5 mil) para o mestrado, dez vezes mais do que seus colegas europeus, de acordo com o decreto do Ministério do Ensino Superior da França. Os não-europeus que já iniciaram seus estudos na França, no entanto, não serão atingidos pelo aumento. O decreto publicado neste domingo (21) também lista uma série de casos estipulando quais estudantes estrangeiros podem ser isentos deste aumento, em particular por causa de sua "situação pessoal" ou se eles estiverem rigorosamente em consonância com "os critérios estratégicos do estabelecimento". O aumento não se aplica a estudantes estrangeiros de doutorado, segundo declarações da ministra do Ensino Superior, Frédérique Vidal, no final de fevereiro. Contrapartida para os estudantes? A ministra, por outro lado, recusou-se a aumentar o número de estudantes que poderiam ser isentos pelas universidades francesas das novas taxas em 10% a 15%, conforme permitido por um decreto de 2013. Desde o seu anúncio em novembro, o aumento das taxas universitárias para estudantes não-europeus continua a gerar protestos. O governo diz que vai aumentar a atratividade da França e o número de bolsistas, mas não convenceu seus opositores, que acusam a reforma de erguer um "muro de dinheiro", instransponível para os estudantes estrangeiros de baixa renda. Em protesto, diversas universidades na França indicaram que não aplicarão este aumento. Em meados de março, um relatório parlamentar francês concluiu que essa medida corria "um risco real de abandonos escolares a curto prazo", reduzindo consideravelmente a atratividade do ensino superior francês.
    Como cultivar um hábito de leitura diário

    Como cultivar um hábito de leitura diário


    Leitores ávidos dão dicas de como incluir a leitura no dia a dia. Segundo pesquisadores, criar este hábito pode reduzir o estresse. Pesquisadores comprovaram que a leitura pode reduzir o estresse Susan Yin/Unplash Em fevereiro de 2018, quando o...


    Leitores ávidos dão dicas de como incluir a leitura no dia a dia. Segundo pesquisadores, criar este hábito pode reduzir o estresse. Pesquisadores comprovaram que a leitura pode reduzir o estresse Susan Yin/Unplash Em fevereiro de 2018, quando o foguete Falcon Heavy do bilionário americano Elon Musk deixou a Terra, carregava algo inusitado. No lugar de equipamentos ou astronautas, o empresário dono da SpaceX enviou seu carro - um Tesla Roadster vermelho-cereja - ao espaço, com um boneco vestido em traje espacial sentado no banco do motorista. Falcon Heavy: por que o lançamento do foguete mais potente do mundo pela Space X é importante Mas a verdadeira surpresa estava no porta-luvas. Ali, imortalizado em vidro gravado, havia uma cópia da série de livros da Fundação Isaac Asimov. Elon Musk começo o seu interesse por livros sobre viagens espaciais na adolescência Lucy Nicholson/Reuters A saga de ficção científica se passa em um império galáctico em ruínas, 50 mil anos no futuro. Foi ela que instigou o interesse de Musk por viagens espaciais quando ainda era adolescente. Agora, flutuará pelo nosso Sistema Solar pelos próximos 10 milhões de anos. Esse é o poder dos livros. Do software fictício "Terra", descrito no romance Snow Crash, de Neal Stephenson, que inspiraria o Google Earth, até um conto sobre telefones inteligentes que pode ter levado à criação da internet, a leitura plantou sementes nas cabeças de inúmeros inovadores. O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que a leitura o ensinou a ser quem ele é e no que acredita. Barack Obama, e sua mulher, Michelle, leram para crianças o livro 'Onde vivem os monstros' Jonathan Ernst/Reuters Mesmo que você não tenha ambições tão grandes, ler livros pode dar um impulso à sua carreira. Foi comprovado que o hábito pode reduzir o estresse, impulsionar o funcionamento do cérebro e até mesmo melhorar a empatia. Isso sem mencionar os benefícios óbvios que todas as informações contidas em suas páginas podem trazer. Confira abaixo um guia com os benefícios comprovados da leitura de livros - e saiba como se juntar ao clube de pessoas que fazem isso por pelo menos uma hora todos os dias. Empatia Seja empático. Embora o mundo dos negócios normalmente deixe de lado a inteligência emocional em detrimento de características como autoconfiança e capacidade de tomar decisões importantes, nos últimos anos a empatia tem sido amplamente considerada como uma habilidade importante. De acordo com um estudo de 2016 da consultoria de recursos humanos Development Dimensions International, líderes mais empáticos tendem a ser 40% mais eficientes. Pesquisadores afirmam que o adulto britânico gasta em média duas horas e 49 minutos no celular todos os dias Victor Larracuente/Unplash Em 2013, o psicólogo social David Kidd debruçou-se sobre quais atividades poderiam levar a uma maior empatia. "Como leitor de longa data, ocorreu-me que a ficção é um meio em que tradicionalmente nos envolvemos com as experiências únicas de outras pessoas", diz ele. Junto com um colega da New School for Social Research em Nova York, Kidd decidiu investigar se a leitura pode melhorar a chamada teoria da mente - a capacidade de entender que temos pensamentos e desejos diferentes. Não é o mesmo que a empatia, mas acredita-se que as duas habilidades estejam intimamente ligadas. Para isso, pediram aos participantes do estudo que lessem trechos de livros renomados da "ficção literária" - como Grandes Esperanças de Charles Dickens - ou ficção popular, como thrillers policiais e romances. Outros foram convidados a ler um livro de não-ficção ou não lerem nada. Posteriormente, os pesquisadores analisaram se a teoria da mente dos participantes havia melhorado. A ideia era de que a escrita realmente "boa", como a de obras premiadas, tende a apresentar um mundo de personagens mais realistas, que facilita a imersão do leitor - uma espécie de campo de treinamento para aprimorar sua compreensão sobre outras pessoas. Por outro lado, a dita ficção popular foi tirada de uma antologia, sem o mesmo endosso dos críticos. Os pesquisadores imaginavam que essa escrita provavelmente seria de baixa qualidade e talvez com personagens unidimensionais que agem de maneira mais previsível. Os resultados foram impressionantes: os leitores da ficção literária endossada pelos críticos obtiveram as maiores pontuações em todos os testes comparados com aqueles que leram ficção popular, não-ficção ou nada. E, embora os pesquisadores não tenham medido diretamente o impacto da teoria da mente no mundo real, Kidd diz ser praticamente certo chegar à conclusão de que os leitores regulares experimentam um crescimento de empatia. "A maioria das pessoas, se souber como os outros estão se sentindo, usará essa informação de maneira positiva." Além de melhorar sua capacidade de se relacionar com colegas e subordinados, a empatia pode levar a reuniões e colaborações mais produtivas. "Existem pesquisas que mostram que pessoas tendem a ser mais produtivas em grupos nos quais se sentem livres para expressar discordância - especialmente em se tratando de tarefas criativas", diz Kidd. "Acho que é um exemplo de que uma maior sensibilidade e interesse nas experiências de outras pessoas podem ser úteis no local de trabalho." Dicas de leitores ávidos Agora que você talvez esteja mais convencido dos benefícios da leitura, lembre-se disso: de acordo com uma pesquisa de 2017 com 1.875 pessoas realizada pelo Ofcom, órgão regulador de mídia do Reino Unido, o adulto britânico gasta em média duas horas e 49 minutos no celular todos os dias. Para atingir a meta diária de uma hora com livros, a maioria das pessoas teria de reduzir o tempo de tela em um terço. Assim, seja você um colecionador natural - o tipo de pessoa que gosta de acumular conhecimento em sua estante de livros na esperança de que um dia esse conteúdo se infiltre organicamente no seu cérebro - ou um exagerador presunçoso - o tipo de leitor que gosta de evangelizar sobre seus livros favoritos por horas, tendo apenas terminado a primeira página -, conheça algumas dicas de pessoas que podem se chamar orgulhosamente de leitores ávidos. 1 - Leia por querer, não por obrigação Cristina Chipurici aprendeu a ler sozinha quando tinha quatro anos de idade. Quando foi tomada por sua nova paixão, ela diz ter devorado todos os livros na casa de seus pais. Mas, então, algo aconteceu. "Quando entrei para a escola primária e a leitura tornou-se obrigatória, desenvolvi uma repulsa por causa de um professor que tínhamos, e isso me fez não querer ler nunca mais", diz. 'Incorporar a leitura ao seu dia a dia, acho, é uma questão de começar de baixo', diz Andra Zaharia, apaixonada por livros Aaron Burden/Unplash Além de melhorar sua capacidade de se relacionar com colegas e funcionários, a empatia pode levar a reuniões e colaborações mais produtivas. Essa aversão aos livros durou até os 20 anos, quando Chipurici começou a se dar conta lentamente do que estava perdendo - aonde as pessoas que liam tinham chegado e todas as informações disponíveis nos livros que poderiam ter feito diferença em sua carreira. Ela reaprendeu a amar a leitura e acabou criando o The CEO Library, um site sobre os livros que moldaram as carreiras das pessoas mais bem-sucedidas do mundo, de autores a políticos, passando por magnatas do investimento. "Diversos fatores causaram essa mudança. Desde mentores, passando pela decisão de investir em um curso online no qual descobri um sistema educacional diferente, até ler os artigos do blog de Ryan Holiday (ele é autor de vários livros sobre a cultura de marketing e foi diretor de marketing da marca de moda American Apparel), em que sempre fala sobre como os livros o ajudaram, e provavelmente muitos outros fatores de que nem eu mesmo sei", diz Chipurici. Se há uma moral nessa história, é ler porque você quer - e nunca permitir que isso se torne uma obrigação. 2 - Encontre um formato de leitura que funcione para você Embora o estereótipo de um bibliófilo seja alguém que ande por aí com dezenas de livros de papel e cuide de suas cópias de primeira edição como se fossem preciosos artefatos antigos, não precisa ser sempre assim. "Demoro duas horas para chegar ao trabalho", diz Kidd. "Não é o ideal, mas tenho muito tempo para ler." Quando está indo e voltando para o trabalho - não dirigindo! - ele descobriu ser muito mais conveniente ler em uma tela, como a de um celular, em vez de carregar um livro o tempo todo. Ao mesmo tempo, quando está lendo não-ficção, que tende a ser uma leitura mais desafiadora, diz preferir audiolivros. 3 - Não defina metas irreais Acompanhar os hábitos dos CEOs pode ser uma tarefa intimidadora. Dois nomes proeminentes que foram entrevistados pela The CEO Library são Fabrice Grinda, um empreendedor de tecnologia francês que começou com US$ 100 mil (R$ 384 mil) de dívida de cartão de crédito e já ganhou mais de US$ 300 milhões vendendo sua participação em investimentos bem-sucedidos, e Naveen Jain, um empreendedor e filantropo indiano que fundou a Moon Express - uma startup do Vale do Silício que pretende explorar recursos naturais na Lua. O primeiro lê 100 livros por ano; o segundo gosta de acordar às quatro da manhã para ler livros por três horas. Leitura se torna a maior aliada no processo de alfabetização infantil Colégio Uirapuru/Divulgação Mas não precisa ser assim. Andra Zaharia é freelancer e trabalha com produção de conteúdo, tem um podcast e se define como uma leitora apaixonada. Sua principal dica é evitar expectativas irreais e metas impossíveis. "Incorporar a leitura ao seu dia a dia, acho, é uma questão de começar de baixo", diz ela. Zaharia sugere começar perguntando aos amigos por recomendações de livros e lendo apenas uma ou duas páginas. "Você não precisa definir uma meta de 60 livros por ano. Os livros digitais, como no Kindle, podem ser mais fáceis na verdade, pois você não consegue ver o número de páginas restantes." 4 - Se você está realmente tendo dificuldade, tente a 'Regra de 50' Essa regra geral vai ajudá-lo a decidir quando desistir de um livro. Se você está propenso a abandonar impiedosamente uma leitura na página quatro ou preso com volumes gigantes que aprendeu a odiar, a ideia é ler 50 páginas e depois decidir se o livro traz - nas palavras de Marie Kondo - "faíscas de alegria". Se isso não acontecer, desista. A estratégia foi inventada pela autora, bibliotecária e crítica literária Nancy Pearl e explicada em seu livro Book Lust (Desejo de Livro, em tradução livre). A regra é a seguinte: se você tiver até 50 anos, leia as primeiras 50 páginas para decidir se vale a pena ou não continuar a leitura. Se você tiver mais do que 50, subtraia a sua idade de 100: o resultado será o número de páginas que você deve ler antes de desistir de um livro. Por exemplo: se você tiver 70 anos, foque nas 30 primeiras páginas. A lógica de Pearl é de que, na medida em que envelhecemos, a vida se torna curta demais para ler livros ruins. Deixar seu celular de lado por apenas uma hora por dia e substituir suas mensagens de texto por um livro podem aumentar seus níveis de empatia e torná-lo mais produtivo. Se as pessoas mais ocupadas e bem-sucedidas do mundo conseguem, você também pode. Quem sabe o que você fará com todo esse conhecimento e inspiração extra? Você pode até acabar fundando sua própria empresa aeroespacial e enviando seu carro ao espaço.
    Dia do Índio é data 'folclórica e preconceituosa', diz escritor indígena Daniel Munduruku

    Dia do Índio é data 'folclórica e preconceituosa', diz escritor indígena Daniel Munduruku


    Doutor em educação pela USP e indígena, Daniel Munduruku diz que a data comemorativa ajuda a cimentar preconceitos sobre os povos tradicionais, e poderia ser substituída pelo dia da Diversidade Indígena. Daniel Munduruku, pós-doutor em...


    Doutor em educação pela USP e indígena, Daniel Munduruku diz que a data comemorativa ajuda a cimentar preconceitos sobre os povos tradicionais, e poderia ser substituída pelo dia da Diversidade Indígena. Daniel Munduruku, pós-doutor em linguística, sugere criação do Dia da Diversidade Indígena Divulgação "Ao longo da nossa conversa, como o senhor prefere ser chamado: Daniel ou Munduruku?", questionou a BBC News Brasil ao entrevistado. "Pode chamar de Daniel ou de Munduruku. Como preferir. Só não chama de índio", disse, dando risada, o escritor. Por que 19 de abril virou dia do índio Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio Doutor em educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Daniel Munduruku defende que a palavra "índio" remonta a preconceitos - por exemplo, a ideia de que o indígena é selvagem e um ser do passado - além de "esconder toda a diversidade dos povos indígenas". Por isso, "quando a gente comemora o Dia do Índio, estamos comemorando uma ficção", fala Munduruku, a respeito do 19 de abril. Reflexo disso são celebrações da data feitas por escolas, com uma "figura com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo". "É uma ideia folclórica e preconceituosa." "A palavra 'indígena' diz muito mais a nosso respeito do que a palavra 'índio'. Indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros", defende Munduruku, que pertence ao povo indígena de mesmo nome, hoje situado em regiões do Pará, Amazonas e Mato Grosso. As palavras 'índio' e 'indígena' não querem dizer a mesma coisa. E o termo 'índio' está hoje ligado à 'preguiça, selvageria e atraso', diz Daniel Prefeitura de Bertioga/Divulgação "Talvez o 19 de abril devesse ser chamado de Dia da Diversidade Indígena. As pessoas acham que é só uma questão de ser politicamente correto. Mas, para quem lida com palavra, sabe a força que a palavra tem", continua o escritor, autor de mais de 50 livros para crianças, jovens e educadores. Leia abaixo a entrevista de Daniel Munduruku para a BBC News Brasil sobre o 19 de abril: BBC News Brasil - Qual o problema da palavra "índio"? Daniel Munduruku - Do meu ponto de vista, a palavra índio perdeu o seu sentido. É uma palavra que só desqualifica, remonta a preconceitos. É uma palavra genérica. Esse generalismo esconde toda a diversidade, riqueza, humanidade dos povos indígenas. Quando a gente usa a palavra índio, estamos nos reportando a duas ideias. Uma é a ideia romântica, folclórica. É isso que se comemora no dia 19 de abril. Aquela figura do desenho animado, com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo. Há a percepção de que essa é uma figura que precisamos preservar, um ser do passado. Mas os indígenas não são seres do passado, são do presente. A segunda ideia é ideologizada. A palavra índio está quase sempre ligada a preguiça, selvageria, atraso tecnológico, a uma visão de que o índio tem muita terra e não sabe o que fazer com ela. A ideia de que o índio acabou virando um empecilho para o desenvolvimento brasileiro. BBC News Brasil - Então, deveríamos abandonar a palavra "índio" e usar "indígena"? Munduruku - Uma palavra muda tudo? Sim, uma palavra muda muito. Nos meus vídeos e palestras, eu tenho sempre feito uma separação fundamental entre "índio" e "indígena". As pessoas ainda pensam que índio e indígena é a mesma coisa. Não é. O próprio dicionário diz isso. A palavra indígena diz muito mais a nosso respeito do que a palavra índio. A palavra índio gera uma imagem distorcida. Já indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros. Ah, então eu nasci em São Paulo, eu sou indígena? Não, você é nativo. Para ser originário precisa ter um pertencimento a um povo ancestral. O antônimo (contrário) de indígena é alienígena, aquele que vem de fora. Então, eu uso indígena para reforçar o fato de que somos originários. Além disso, eu não sou um indígena qualquer. Eu tenho um lugar de pertencimento: Munduruku. É importante reforçar a identidade dos povos. BBC News Brasil - No Brasil, ainda é muito raro tratarmos os povos pelo nome. Por quê? Munduruku - É muito mais fácil usar uma palavra genérica do que efetivamente dar aos povos indígenas o peso da sua identidade. Identificar os diferentes povos indígenas significa garantir a eles direitos e políticas específicas, não políticas genéricas. BBC News Brasil - Você já disse que o Dia do Índio, comemorado hoje, 19 de abril, é "uma farsa". Munduruku - Quando a gente comemora o Dia do Índio, estamos comemorando uma ficção, uma ideia folclórica e preconceituosa. Por isso, quase sempre as comemorações desta data feitas nas escolas reproduzem o estereótipo. Mas, se nós continuamos tratando isso como ficção, vamos continuar deseducando nossas crianças. 'Comemorações feitas em escolas reproduzem um estereótipo', diz o acadêmico e escritor Joilson César / Ag Haack Talvez a data devesse ser chamada de Dia da Diversidade Indígena. As pessoas acham que é só uma questão de ser politicamente correto. Mas, para quem lida com palavra, sabe a força que a palavra tem. Tanto que apelido tem uma força destruidora - e "índio" é, de certa forma, um apelido. Um Dia da Diversidade Indígena teria um impacto semelhante ao Dia da Consciência Negra, que gerou uma mudança absolutamente significativa. BBC News Brasil - Então, como deveria ser lembrado o dia 19 de abril? Munduruku - A sugestão que eu sempre faço para escolas é que a gente possa deixar de usar o 19 de abril como uma data comemorativa. É uma data para a gente refletir. Deve gerar nas pessoas um desejo de conhecer, de entrar em contato com essa diversidade dos povos indígenas. BBC News Brasil - Ainda há muito estereótipo no 19 de abril, ou já houve uma mudança? Munduruku - Houve um avanço muito grande na sociedade. Mas, sem dúvida nenhuma, hoje ainda se reproduz muito desse imaginário do "índio". E isso acontece por causa da escola. A escola é a última instituição a se atualizar. O que acabou ajudando na atualização dos professores foi a lei 11.645, de 2008, que obrigou que a temática indígena saísse do 19 de abril e se tornasse parte de algumas disciplinas escolares. Isso criou condições para os professores se atualizarem, porque obrigou os governos a comprarem livros, oferecerem cursos… BBC News Brasil - Como foi o seu processo de se reconhecer como indígena e Munduruku? Munduruku - Eu nasci em 1964, ano do golpe. Em 1967, os militares criaram a Funai, que tinha entre suas prioridades nos tornar civilizados. Isso significava apagar nossa história, nossa identidade. É nesse momento que eu fui para escola. Eu sofri muito bullying, muita violência moral. E isso criou em mim uma espécie de ojeriza pela minha identidade Munduruku. BBC News Brasil - Como era o bullying na escola? Munduruku - O bullying é uma forma de criar na gente uma repulsa por aquilo que somos. Na escola, me chamavam de índio de uma forma pejorativa. Dizendo que índio é bicho, é selvagem. Não queriam fazer atividade comigo porque índio não é inteligente. Parte do ano escolar eu vivia na cidade - essa era uma das estratégias da Funai naquela época, tirar a gente do convívio com a comunidade, para não falar a língua indígena, não conviver com rituais. Já nas férias escolares, a gente voltava para a aldeia. Mas, algumas vezes, a gente nem queria mais ir para aldeia, com uma certa rejeição à nossa própria cultura. Quem abriu em mim outra perspectiva foi meu avô. Ele me fez aceitar minha identidade Munduruku e gostar de ser quem eu era. BBC News Brasil - O mês de abril, por conta do Dia do Índio, costumava ser um momento em que o governo federal anunciava medidas ligadas aos povos indígenas - por exemplo, a demarcação de terras. Qual sua perspectiva para este ano? Munduruku - O presidente Jair Bolsonaro já declarou que não entende absolutamente nada de povo indígena. A Força Nacional acaba de ser convocada para ir para Brasília e coibir qualquer tipo de manifestação do movimento indígena nos próximos dias - que é quando vai ocorrer o Acampamento Terra Livre (assembleia de povos indígenas do Brasil, convocada para 24 a 26 de abril, na capital federal). Em uma de suas transmissões ao vivo (no Facebook), o presidente disse que quer saber de onde vem o dinheiro para reunir 10 mil indígenas no Acampamento Terra Livre, disse que essa farra vai acabar. Mas o próprio movimento indígena já respondeu que o governo não dá nenhum tostão para mobilização indígena. Exposição em São Paulo mostra em fotos dia a dia dos índios ianomâmi Reprodução/JN Eu não quero ser profeta do caos. Mas minha perspectiva é que as coisas vão piorar para os povos indígenas nesse governo. Que o governo não vai fazer absolutamente nada favorável aos indígenas. Mas vai dizer que vai fazer, por exemplo, que vai abrir terra indígena para exploração mineral e que isso é positivo porque os indígenas querem ser iguais aos outros brasileiros. E uma parte da população vai acreditar nesse discurso vazio. BBC News Brasil - Por quê? Munduruku - Somos brasileiros como todos os outros e temos direito como todos os outros. Mas, no Brasil, quando se fala em direito, as pessoas quase sempre pensam em privilégios. Esse governo tem repetido que o índio precisa ser igual a todos os brasileiros. Quando diz isso, está falando em acabar com os direitos que os indígenas possuem e que foram conquistados legitimamente na Constituição brasileira. BBC News Brasil - Recentemente, em um debate no Congresso, a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) questionou por que os índios "continuam miseráveis", se "têm em torno de 13% do território nacional, dinheiro destinado, política pública destinada". O que o senhor achou disso? Munduruku - Uma coisa são as pessoas que realmente vivem na faixa da miséria. Outra coisa é chamar de miserável o indígena, que tem uma cultura milenar. Quando a gente pensa que uma pessoa é miserável porque ela não é como a gente, porque ela não frequenta shopping center, a gente está sendo não apenas preconceituoso, mas racista. Essa senadora está julgando as culturas indígenas a partir dos parâmetros de riqueza que ela tem. Portanto, nem mereceria ser senadora. BBC News Brasil - Qual o papel da literatura na mudança da visão do indígena pela sociedade? Munduruku - A literatura é um instrumento superinteressante de construção de lugares de fala. Tem esse componente muito positivo de alimentar nas pessoas outros olhares, outras facetas da existência. A literatura que eu faço é comprometida, minha forma de ser militante no movimento indígena. Eu tento usar a literatura para poder falar das nossas culturas. A literatura é fundamental para a gente ir desconstruindo esses estereótipos sobre os povos indígenas e ir construindo uma percepção diferente.
    Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio: 'Não precisamos de outras pessoas para nos definirem'

    Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio: 'Não precisamos de outras pessoas para nos definirem'


    Denílson Baniwa e Katu Mirim militam nas redes sociais sobre a causa e falam como são os indígenas em 2019; artista visual criou camiseta com referência a Star Wars em tupi. Poema do indígena Denilson Baniwa sobre o Dia do índio nas...


    Denílson Baniwa e Katu Mirim militam nas redes sociais sobre a causa e falam como são os indígenas em 2019; artista visual criou camiseta com referência a Star Wars em tupi. Poema do indígena Denilson Baniwa sobre o Dia do índio nas escolas Reprodução/Facebook Em 2018, o artista visual Denílson Baniwa, 35 anos, escreveu um poema sobre os estereótipos sobre indígenas usados nas escolas no Dia do Índio, comemorado no dia 19 de abril. Juntamente com a página Visibilidade Indígena, ele começou uma campanha espontânea contra atitudes como pintura facial em crianças “com canetinhas hidrocor” e cocares de papel. “Muitas vezes algumas pessoas não reconhecem os índios como eles são atualmente, porque acham que somos como foi reproduzido nas escolas e na televisão: um índio nu, vivendo na natureza. E isso não é mais realidade. Meu poema foi para falar sobre isso, de olhar para o índio de 2019 e não mais para o de 1500”, diz Denilson, que deu entrevista ao G1 usando uma camiseta criada por ele com uma referência à saga Star Wars (veja no vídeo abaixo). Indígenas lançam campanha contra estereótipos para comemorar Dia do índio “É uma cena clássica quando o Luke Skywalker reconhece Darth Vader como pai. Escrevi em tupi ‘Luke, eu sou teu pai’. Meu trabalho tem uma coisa voltada para a antropofagia, então eu pego signos modernos da arte e transformo de maneira antropofágica”, explica. Indígena da etnia Baniwa e nascido no Amazonas, Denilson diz que o “índio hoje é uma pessoa que vive nos mundo atual, se apropriou da tecnologia e busca equipamentos para defender sua cultura”: Até a década de 70, 80, os índios eram vistos como pessoas que precisavam de tutela e não tinham capacidade de se defender. E hoje buscamos falar isso: que estamos vivos, que temos poder de voz, temos conhecimento e somos capazes de decidir sobre nossa própria existência no mundo sem precisar de outras pessoas para nos definirem ou falarem por nós, diz Denilson Baniwa. Indígenas em 2019 A ativista Katu Mirim liderou a campanha #ÍndioNãoÉFantasia contra o uso de penas, pinturas corporais e cocares que remetem a povos indígenas no carnaval deste ano. De acordo com a indígena, trata-se de racismo e não homenagem. Ela é uma das administradoras da página Visibilidade Indígena, que divulga nas redes sociais a militância sobre as causas indígenas. "Criei a página em 2017 para trazer visibilidade e informações sobre a nossa pluralidade étnica, trazer visibilidade para nossos artistas e apresentar para a sociedade o indígena contemporâneo, o indígena no presente", disse ela ao G1. Katu é indígena urbana, ou seja, nasceu na cidade. Ela estudou em escola pública e conta que foi a partir de sua experiência que criou a campanha sobre o Dia do Índio nas escolas. 'Eu peço que olhem para os povos indigenas, nos respeitem, lutem conosco', afirma Katú Mirim Reprodução/Facebook "A escola sempre reforçou o estereótipo do indiozinho pelado e selvagem. A professora dava um desenho do índio que só usava uma folhinha pra cobrir as genitais, pintávamos o desenho, fazíamos cocar de papel e quando colocavam na minha cabeça diziam: 'Você é índia selvagem' e batiam na boca. Nunca vi a escola falar a verdade sobre nós", diz ela. Katu diz que isso ainda não mudou. "Na antiga escola da minha filha, o Dia do Índio ainda está lá, com o cocar de papel, música da Xuxa e pipoca. Uma vez fui buscar minha filha na escola e ela falou para a amiguinha que somos indígenas. A amiguinha respondeu que não, pois, no Dia do Índio, a professora falou que eles moram na oca, no meio do mato e comem mandioca", conta. Para Katu, a ignorância causa danos aos índios. "Hoje existem etnomídias que abordam essas questões e informação. Não se pode mais errar e continuar reforçando esses estereótipos que ajudam a nos inviabilizar, estereótipos que contribuem com nosso genocídio." Como abordar o tema nas escolas O artista plástico Denilson Baniwa, que milita por causas indígenas Bárbara Muniz Vieira/G1 Denilson não imaginava que a sua publicação do poema em rede social fosse repercutir quando a republicou neste ano. “Foi uma provocação para falar sobre o dia 19 de abril, uma data instituída pelo governo que se tornou uma ‘homenagem’ aos indígenas, o que não é verdade. O dia 19 foi instituído com sentimento de resistência e de luta por direitos indígenas no mundo”, diz Denilson. Para o artista, uma maneira adequada de abordar o Dia do índio nas escolas seria falar da diversidade e importância deles. “Índio não é tudo igual e não fala tudo tupi. Existem mais de 300 etnias, que falam mais de 300 idiomas. É importante saber que os indígenas são diferentes no Sul, no Nordeste, no Norte, no Sudeste e no Centro-Oeste. São visões diferentes de mundo e de cultura. Essa diversidade é importante para a formação do Brasil e entendimento do país enquanto território nacional”. Já Katu resumiu a sugestão para as escolas no banner criado por ela.  "Pedi que por favor os professores não reforcem estereótipos, não coloquem a música da Xuxa, não sejam um desserviço. Acho importante a escola levar um indígena para falar, pesquisarem sobre a questão indígena. Nós existimos e resistimos. Está na hora de nos escutarem, entenderem nossas questões e nos deixarem falar. Vocês estão no Brasil, terra indígena, se não respeitam a raiz vão respeitar o quê? Se for pra reforçar estereótipos e racismo, o melhor é ficar quieto." Campanha da página Visibilidade Indígena sobre o Dai do Índio Reprodução/Facebook Indígenas cantam rap Em janeiro, o G1 contou a história de jovens indígenas que são lideranças da aldeia Teoka Pyal, na região do Pico do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, cantam rap em guarani e português. Com letras de cunho político e social, os índios Hebert, o Wera, (pronuncia-se 'Verá' e significa "trovão", em guarani), de 23 anos, e Jefersom, o Xondaro ("guerreiro"), de 19 anos, conciliam a vida na aldeia com agenda de shows e manifestações em atos em São Paulo e Brasília. Jovens índios da Zona Norte de SP cantam rap em tupi-guarani para defender causa indígena A aldeia Teoka Pyal foi fundada há 20 anos pela avó de Wera, a primeira cacique mulher da tribo. Atualmente vivem 700 índios no espaço de 1,3 hectare, que fica próximo ao Parque Estadual do Jaraguá. Eles lutam pela demarcação de mais 513 hectares. Wera diz que sente descaso com a causa indígena não só por parte dos governantes, mas também do "homem branco" em geral. "A gente quando sai da Teoka já é mal visto, mal falado, esse estereótipo de que a gente indígena anda pelado e tal... Quando vai pra fora (da aldeia) muito motorista de ônibus não para no ponto, muita pessoa olha com raiva, fala mal, acha que a gente não entende enquanto a gente está entendendo tudo. Eles falam: 'Olha esse indinho como ele tá sujo'. A gente sempre teve contato com a terra e a terra não é suja. O que é sujo é essa poluição do carro que prejudica o meio ambiente", diz ele.
    Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa

    Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa


    Competição aconteceu na semana passada em Kiev, na Ucrânia; além do ouro, estudantes brasileiras também conquistaram duas medalhas de bronze, e país ficou na 20ª colocação geral. Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de...


    Competição aconteceu na semana passada em Kiev, na Ucrânia; além do ouro, estudantes brasileiras também conquistaram duas medalhas de bronze, e país ficou na 20ª colocação geral. Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa Seis mulheres e uma missão: representar o Brasil na 8ª Olimpíada Europeia Feminina de Matemática (EGMO, na sigla em inglês), que aconteceu de 7 a 13 de abril, em Kiev, na Ucrânia. A disputa entre 196 estudantes de 49 países rendeu ao Brasil um feito inédito: uma medalha de ouro, conquistada pela estudante gaúcha Mariana Groff, de 17 anos, e a 20ª colocação geral. Essa é a terceira vez que a jovem participa do evento e, a cada edição, ela foi obtendo resultados melhores: bronze em 2017, prata em 2018 e ouro em 2019. Atualmente, ele se mudou de Frederico Westphalen (RS) para Fortaleza para estudar. "Eu me dediquei muito nos últimos meses estudando matemática, e tive aulas e apoio em Fortaleza para isso. Assim, acho que a medalha era um resultado esperado, mas isso não interferiu na grande alegria que eu tive quando fiquei sabendo que eu ia ganhar uma medalha de ouro", Mariana Groff, medalhista de ouro. Mariana Groff, de Frederico Westphalen (RS), ganhou uma bolsa de estudos de um colégio em Fortaleza e, na semana passada, se tornou a primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro na Olimpíada Europeia Feminina de Matemática Reprodução/Impa Um ouro e dois bronzes Além da medalha de ouro, a participação recorde do Brasil também trouxe duas medalhas de bronze, conquistadas por Maria Clara Wernerck, do Rio de Janeiro e Ana Beatriz Studart, de Fortaleza, ambas com apenas 17 anos. Maria Clara e a estudante paulista Bruna Shoji, de 16 anos, fizeram sua estreia na competição. "Ser bronze em uma olimpíada internacional foi uma honra. A experiência num todo me deixou feliz e voltei para o Ceará com boas história e aprendizados. Eu não consigo imaginar meu futuro sem a matemática", disse Ana Beatriz, que participou da EGMO pela segunda vez e agora quer incentivar mais meninas a ocuparem o espaço das exatas, onde os meninos ainda são maioria. "Quero poder mostrar ao maior número de meninas que elas também têm espaço na ciência e como esse mundo das olimpíadas de conhecimento é incrível. Foi algo transformador na minha vida e quero que toda menina tenha a mesma oportunidade", completa Ana Beatriz. Delegação brasileira na abertura da EGMO, a Olimpíada Europeia de Matemática para Meninas, realizada entre 7 e 13 de abril na Ucrânia Divulgação/EGMO Incentivo às meninas A delegação é formada por quatro competidoras e duas líderes. Nesta edição, Deborah Alves e Luize Viana foram as líderes responsáveis por cuidar da argumentação da nota final, e também do emocional da equipe. Da esquerda para a direita: Luize Viana, Bruna Shoji Mariana Groff, Maria Clara, Ana Beatriz e Deborah Alves Impa/Divulgação "A competição é ótima para manter as meninas incentivadas, é um ambiente mais confortável, já que as meninas têm mais barreiras que os meninos. Essa conquista é sensacional, é só a nossa terceira participação e já conquistamos diversas medalhas além da de ouro. Isso mostra o potencial das meninas e do Brasil", conta Deborah Alves, que já participou de mais de sete olimpíadas de matemática e se voluntariou para participar do evento com as meninas. O Brasil participa há três anos da competição e soma agora dez premiações (nove medalhas e uma menção honrosa). O Impa foi um dos financiadores dos gastos das participantes brasileiras na Ucrânia. Em 2020, a EGMO será realizada na Holanda. Com a bandeira brasileira, Mariana Groff sobe ao palco ao lado das demais medalhistas de ouro da olimpíada de matemática Divulgação/EGMO 'Queremos criar heroínas' No segundo semestre de 2019, o instituto pretende lançar o Torneio Meninas na Matemática. A ideia não é ter competições separadas para garotas e garotos, mas sim criar uma porta de entrada para mais meninas competirem na EGMO. "Não pretendemos separar torneios por gênero e esta competição será uma soma, servirá para inspirar. O que estamos criando são momentos para quebrar esse ciclo vicioso de que há somente meninos na matemática, queremos criar heroínas", disse Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Além desta competição, o Impa também estimula a participação de mais meninas na matemática por meio do Troféu Impa Meninas, criado em 2017 como uma premiação especial às mulheres que competem na Olímpiada Internacional de Matemática (IMO). "Somos um país que tem receio da matemática, que está na vida de todos nós. Abrir mão das mulheres na hora de inserir iniciativas de inserção da matemática na vida de todos seria uma tragédia. As famílias e a escola são muito importantes no incentivo", explica Marcelo Viana. Veja também Em 2018, Rio sediou o 1º encontro mundial de mulheres matemáticas Olimpíadas do conhecimento ajudam a superar deficiência do ensino, diz Artur Ávila Estudo encontra 999 beneficiários do Bolsa Família medalhistas da Obmep Americana é 1ª mulher a receber o Prêmio Abel de Matemática (assista abaixo) Pioneira da análise geométrica é a primeira mulher a receber prêmio mundial de matemática
    Ex-número 2 do MEC é exonerado do cargo de assessor especial do ministro

    Ex-número 2 do MEC é exonerado do cargo de assessor especial do ministro


    Ricardo Machado Vieira era secretário-executivo do MEC e saiu da posição quando Antonio Paulo Vogel de Medeiros assumiu o posto, em 10 de abril. Agora, ele foi exonerado de mais um cargo. Ricardo Machado Vieira Reprodução/Linkedin O...


    Ricardo Machado Vieira era secretário-executivo do MEC e saiu da posição quando Antonio Paulo Vogel de Medeiros assumiu o posto, em 10 de abril. Agora, ele foi exonerado de mais um cargo. Ricardo Machado Vieira Reprodução/Linkedin O tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira foi cortado do Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (18) após um vai e vem de cargos. A exoneração está no Diário Oficial da União. Em 29 de março, ele deixou o posto de assessor especial da presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para assumir a Secretaria Executiva do MEC, cargo considerado o número 2 da pasta. Dez dias depois, em 8 de abril, o então ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido por Bolsonaro após uma gestão marcada por controvérsias e recuos. No mesmo dia, o economista Abraham Weintraub foi indicado para comandar o MEC. Dois dias após a troca do ministro, em 10 de abril, foi a vez de Vieira deixar a secretaria-executiva para dar lugar a Antonio Paulo Vogel de Medeiros. Nesta quinta, uma semana após a mudança da gestão do MEC, o Diário Oficial da União traz a sua exoneração do cargo de assessor especial do ministro. Initial plugin text
    Criança ensina a ler e a escrever vendedor de picolé que trabalha há 40 anos em escola e história viraliza no Ceará

    Criança ensina a ler e a escrever vendedor de picolé que trabalha há 40 anos em escola e história viraliza no Ceará


    Idoso diz que tinha o sonho de escrever o nome. Professores e familiares ajudam menina a 'alfabetizar' o vendedor de picolé. Menina de nove anos ensina idoso de 70 anos a ler e a escrever no Ceará Uma criança de 9 anos resolveu ensinar a ler e a...


    Idoso diz que tinha o sonho de escrever o nome. Professores e familiares ajudam menina a 'alfabetizar' o vendedor de picolé. Menina de nove anos ensina idoso de 70 anos a ler e a escrever no Ceará Uma criança de 9 anos resolveu ensinar a ler e a escrever um idoso que trabalha há mais de 40 anos vendendo picolé em frente a uma escola no Crato, interior do Ceará, mas nunca foi alfabetizado. A história de amizade entre os dois 'viralizou' nas redes sociais e emocionou familiares e professores do colégio onde a menina estuda. Bárbara Matos, 9, conta que um dia, ao ir comprar um picolé, perguntou se o idoso se ele sabia ler. O vendedor Francisco Santana Filho, conhecido como "Seu Zezinho", disse que não, mas tinha vontade de aprender. Então, a criança resolver ajudar a alfabetizar o idoso. As "aulas" acontecem na porta da escola, com a ajuda de uma professora do Colégio Diocesano, no Centro do Crato. A criança diz que tenta fazer com que o vendedor escreva palavras simples, até chegar ao seu nome. "Eu coloco palavras como 'casa' pra ele cobrir, desenhos, letras pontilhadas. Aí ele vai tentando adivinhar as letras e cobrir os nomes", explica a menina. Menina de 9 anos ensina idoso a ler e a escreve pela primeira vez e história viraliza no Ceará Reprodução/Sistema Verdes Mares Sonho de escrever o nome O vendedor conta que trabalha há décadas na escola, mas nunca aprendeu a ler e a escrever. Quando era jovem, o Zezinho tinha o sonho de ser repórter de televisão. Agora, ele diz que o objetivo é conseguir escreve sozinho o próprio nome. "Eu velho, já com 68 anos, né?. Mas ela chegou, deu essa forcinha e então agora a gente vai aprender uma coisinha. O importante é aprender, então estou feliz. Vai ser bom demais escrever meu nome. Na semana que vem eu aprendo. Eu vou conseguir", diz emocionado o idoso. Amizade entre estudante e vendedor de picolé emociona professores e familiares Sistema Verdes Mares/Reprodução Ajuda dos professores A professora Rizélia Sobreira acompanha a estudante durante as lições. Ela diz que a atitude da menina emocionou a todos na escola. "Eu também me coloquei à disposição pra ajudar. Achei muito bonita essa atitude. Eu chamei ela depois, dei um livro de caligrafia pra melhorar as atividades e tarefas com ele". A avó de Bárbara, a aposentada Silvana Matos Costa, diz que ficou emocionada ao saber da atitude da neta. "É muito gratificante. Eu só tenho uma palavra pra dizer, que é gratidão. Eu tô orgulhosa e muito emocionada", comentou.
    Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos

    Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos


    Professor desenvolveu método de ensino, prática e escrita com estudantes do 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual em Guarulhos (SP). O professor Flávio Nascimento (de camisa vermelha) ao lado de estudantes que...


    Professor desenvolveu método de ensino, prática e escrita com estudantes do 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual em Guarulhos (SP). O professor Flávio Nascimento (de camisa vermelha) ao lado de estudantes que escreveram poemas para o livro 'Astronomia em versos'. Governo do Estado de SP Conceitos de astronomia ganharam rimas e ritmo nas mãos de 50 estudantes de 11 anos de uma escola pública de Guarulhos, em São Paulo. E as poesias viraram um livro. Sistema Solar, Cometas, Constelações, Estrelas, Planeta Anão, Stephen Hawking e Missões Apolo são alguns dos nomes dos poemas que compõem o “Astronomia em Versos: Um olhar dos anos finais para o ensino de Astronomia”, escrito por alunos da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, sob a coordenação do professor Flávio Borges do Nascimento. A obra foi publicada por uma editora independente e os custos foram bancados pela associação de pais e mestres da escola. Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos Nesta quinta (18), é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi criada em 2002 em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu em Taubaté (SP) neste mesmo dia, em 1882. Nos livros “Geografia de Dona Benta”, “Serões de Dona Benta” e “Reforma da Natureza”, o autor também usa a escrita lúdica para abordar conceitos de ciência. “Essa é uma idade de despertar. Os alunos que escreveram o livro são uma referência positiva na escola. Eles desenvolveram o interesse pela leitura, pela astronomia e isso permite que as pessoas olham e vejam que é possível fazer coisa boa na rede pública”, diz Nascimento. Mas, por que poesia e astronomia? Estudantes da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, de Guarulhos, escreveram poesias sobre astronomia no livro 'Astronomia em Versos' Divulgação/Governo do Estado de SP A proposta do professor é incentivar a autonomia do estudo e propor que os estudantes reflitam sobre o conteúdo ensinado. Eles deveriam pesquisar, aprender e transformar o conteúdo em uma outra linguagem. A poesia foi o gênero que se mostrou mais apropriado para os estudantes desta faixa etária. “Não é algo revolucionário. É ouvir os alunos e tentar reproduzir algo novo, por mais simples que seja, mas que venha deles”, diz Nascimento. Do giz ao verso Diagrama mostra ordem dos oito planetas no Sistema Solar Nasa Mas, como incentivar crianças a se interessarem por astronomia e, ainda mais, por poesia? Para atrair a atenção dos estudantes, o professor Nascimento disse que usa a preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia como chamariz. Além disso, ele dá as aulas seguindo três passos: 1) ensinando o conteúdo de forma tradicional seguindo o livro didático e adotando apenas giz e lousa; 2) levando para a sala de aula instrumentos que demonstram na prática o que eles estavam aprendendo e 3) propondo que os alunos construíssem seus próprios instrumentos. Um exemplo é o telúrio, uma maquete eletrônica que mostra a Terra, o Sol e a Lua orbitando. Com esse instrumento, ele ensina que a lua tem 29 fases, e não apenas quatro. Isso porque “fase” é a porção iluminada da Lua, que varia ao longo de um ciclo de 29,5 dias. “Quando mostro o Sol, a Terra e a Lua eles começam a entender as fases da Lua. Com o aluno indo para casa, olhando, vendo a ciência, ele vai se sentir parte do processo porque vê que é assim”, explica. E a poesia? “Não teria como exigir que os alunos fizessem textos científicos aos 11 anos”, pondera. O professor diz que explicou alguns conceitos sobre estrofe e deixou os alunos livres para a rima. Ao todo, foram selecionadas 59 poesias. Ensinando a aprender Estudante lê o livro de poesia 'Astronomia em versos', com poemas de estudantes de 11 anos da rede pública. Divulgação/Governo do Estado de SP A confecção do livro foi um segredo entre o professor e os estudantes. “Pedi para não falarem para os pais, nem pedissem a intermediação de irmãos. Queria que eles aprendessem sozinhos, lendo livros, consultando referências, sem olhar a internet”, diz. Os estudantes toparam. Foram muitas idas e vindas do texto, de fevereiro até dezembro, até que a obra fosse apresentada aos pais em um evento no fim do ano passado. “Disse para os estudantes: ‘Fala para eles [pais] que agora vocês são escritores’. Foi muita emoção”, diz. Os autores Nascimento é formado em geografia e faz doutorado em ensino na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Este é o segundo livro que Nascimento desenvolve com alunos do ensino fundamental. Em 2016, ele publicou outro semelhante com estudantes da cidade de Monte Mor (SP), onde deu aula. Hoje ele ministra cursos de ciência e geografia para professores. A ideia é replicar o que aprendeu e ter, até o fim deste ano, outros quatro livros feitos em escolas públicas de SP. Desta vez, o assunto da astronomia mais noticiado neste ano deverá aparecer como tema dos poemas: a primeira foto já feita de um buraco negro. Ao fim do livro há uma mini-biografia de cada estudante. Entre os autores, há quem diga que quer ser “estilista e famosa”, outros sonham em estudar medicina veterinária, e até quem quer “deixar sua marca na história da humanidade”, talvez influenciado por Stephen Hawking – a morte do astrofísico foi uma das notícias da astronomia do ano passado, quando os estudantes estavam preparando o livro. Tem também quer estudar astronomia – quem sabe um novo cientista brasileiro sai dessa turma de poetas das estrelas. Poema 'Universo' do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em versos' Poema 'O que é Constelação', do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em verso'
    Meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos está sob risco em 89% dos municípios

    Meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos está sob risco em 89% dos municípios


    Plataforma dos tribunais de conta estaduais acompanha o cumprimento de metas até 2024 com base em dados detalhados por município, que não constam no monitoramento federal. 87% dos municípios arriscam descumprir meta de matricular todas as...


    Plataforma dos tribunais de conta estaduais acompanha o cumprimento de metas até 2024 com base em dados detalhados por município, que não constam no monitoramento federal. 87% dos municípios arriscam descumprir meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos Juliane Monteiro/G1 Os municípios e estados brasileiros têm até 2024 para garantir que todas as crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estejam matriculados ou já tenham concluído o ensino fundamental. Uma ferramenta lançada pelos tribunais de contas estaduais mostra, no entanto, que 89% das cidades estão correndo o risco de descumprir essa meta, que foi determinada na lei do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014. Os dados da plataforma TC Educa são relativos ao ano 2017, o mais recente disponível, e foram obtidos com exclusividade pelo G1. A plataforma é usada tanto na fiscalização quanto para auxiliar os prefeitos a desenvolverem planos para cumprir a meta. O levantamento considerou em "risco de descumprimento" o município que, entre 2014 e 2017, tinha uma tendência anual de expansão do atendimento menor do que a necessária para cumprir a meta em 2024. Ao todo, 4.947 municípios estavam nessa situação. O Brasil tem 5.570 cidades – mas cinco delas ficaram de fora do levantamento, porque foram fundadas depois de 2010. A ferramenta acompanha o índice de atendimento desde 2014 e usa dois dados como base: a estimativa populacional de cada município, feita em 2012 pelo Datasus com base no Censo Populacional de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e a quantidade de matrículas nas escolas, divulgada todos os anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os dois números mostram uma estimativa da porcentagem total da população naquela faixa etária que estava matriculada no ano de referência. Comparando o histórico das taxas de atendimento, é possível ver que 4.817 dos 5.565 municípios com dados disponíveis estão indo na contramão da meta, porque, em 2017, apresentaram uma taxa mais baixa do que a de 2014. O TC Educa aponta ainda que a taxa de atendimento para todo o Brasil era de 86,7% em 2017. A plataforma, porém, usa uma metodologia diferente do monitoramento do governo federal, que tem números diferentes. Isso acontece porque o governo usa outra base de dados populacional, que só tem números nacionais e agregados por estados e grandes regiões, e não contempla os municípios. Assim, pelo monitoramento do governo federal, a taxa de atendimento do Brasil foi de 97.7% em 2015 (entenda mais abaixo). Dos 5.565 municípios com dados disponíveis, 4.817 estão indo na contramão da meta, porque apresentaram queda no índice de atendimento Juliane Monteiro/G1 Monitoramento dos tribunais de contas A plataforma foi criada em 2017 por um grupo de trabalho dos tribunais de contas do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, com o objetivo de ajudar os tribunais de todo o país a acompanhar os trabalhos de expansão das matrículas de prefeitos e governadores. No início, o TC Educa monitorava duas das 20 metas do PNE: as metas 1 e 3, que determinavam a expansão de matrículas na educação infantil e no ensino médio. Neste mês, porém, a ferramenta incorporou o acompanhamento da meta 2, sobre a matrícula no ensino fundamental. Um dos objetivos da plataforma é obter dados detalhados por município, um mecanismo de que, até então, o Brasil não dispunha. Em entrevista ao G1, Cezar Miola, presidente do Comitê Técnico de Educação do Instituto Rui Barbosa (IRB) e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS), explicou que os funcionários dos tribunais de contas desenvolveram e alimentam a plataforma em um "esforço quase voluntário" para garantir um acompanhamento adequado do trabalho dos gestores. Ele explica que as metas 1 e 3 foram as primeiras incluídas porque eram as mais urgentes: o prazo para matricular todas as crianças de 4 a 5 anos e de 15 a 17 anos terminou em 2016 – e não foi cumprido por todos os gestores. Além disso, a meta da inclusão de metade das crianças de 0 a 3 anos em creches já foi prorrogada mais de uma vez: "O plano [nacional de educação] anterior tinha falta de acompanhamento, de monitoramento. A meta 1 do plano anterior era atender 50% das crianças de 0 a 3 anos até 2011", lembra ele. Essa meta não foi cumprida. "Depois projetaram isso para 2020, mas o plano foi se arrastando, só foi aprovado em 2014, então a meta foi transferida para 2024." Mesmo com esse adiamento, o Brasil continua em risco de não cumprir o objetivo do plano. Em 2016, a taxa de atendimento das creches chegou a apenas 32%, segundo o último monitoramento divulgado pelo Inep, de junho do ano passado. Meta 2 do PNE determina que, até 2024, 100% das crianças de 6 a 14 anos estejam cursando ou já tenham concluído o ensino fundemental Rogerio Bomfim/Prefeitura de Santos Metodologia diferente do governo federal Desde que o PNE atual foi aprovado, há cinco anos, o monitoramento oficial do governo federal é feito pelo Inep e divulgado a cada dois anos. Mas, como esse levantamento não contempla os dados detalhados por municípios, o comitê de educação do IRB decidiu criar uma plataforma própria em 2017. O objetivo era facilitar o trabalho dos tribunais de contas e, também, dos próprios gestores municipais. Os dois mecanismos de monitoramento levam em conta o Censo Escolar, que é feito anualmente pelo Inep, para saber quantos alunos estão matriculados em cada escola, município e estado. Porém, as bases de dados usadas para saber qual é a estimativa da população em cada faixa etária são diferentes: os tribunais de contas usam o levantamento do Datasus feito em 2012 com base no Censo Populacional de 2010; e o Inep leva em conta as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada todos os anos. Embora os dois dados sejam do IBGE, eles têm abrangência diferente: por um lado, a Pnad Contínua é uma estimativa calculada anualmente, o que a torna mais precisa. Por outro, ela é mais genérica, e só leva em conta os números nacionais, estaduais e das grandes regiões. Já os dados elaborados pelo Datasus são mais antigos, mas eles oferecem informações detalhadas por município, que são o objeto de análise dos tribunais de contas. Além disso, os dados consolidados para o Brasil do TC Educa são diferentes que os do governo federal. Isso acontece porque o cálculo não é uma média das taxas de atendimento estaduais ou municipais, mas, sim, a soma de todas as matrículas e de toda a população de cada município. Só depois é calculada a porcentagem de crianças e adolescentes matriculados. "Não pretendemos ter o monopólio desse controle e nem deixamos de valorizar essa metodologia utilizada pelo Inep, porque eles olham a política pública no ambiente da federação. Os dados da Pnad envolvem estados, capitais e grandes regiões, mas não envolvem os municípios em sua grande maioria", explicou Cezar Miola. Avaliação caso a caso Segundo ele, os tribunais levam em conta as limitações da metodologia na hora de analisar os casos de cada município. Os gestores têm a possibilidade de apresentar o plano de ação para cumprir a meta, e inclusive questionar os números se apresentarem dados mais precisos. Por isso, Miola ressalta a importância de os prefeitos fazerem o que os especialistas chamam de "busca ativa", ou seja, encontrar as crianças que vivem na cidade e não estão matriculadas na escola. Ele explica que, principalmente em municípios com menos de 10 mil habitantes, um pequeno fluxo migratório de algumas famílias pode impactar no cálculo da taxa de atendimento. "Se o gestor faz a busca ativa e oferece elementos que desconstituem a análise do tribunal, a gente lógico que vai levar isso em conta", disse ele. "Tudo é feito de maneira voluntária, por adesão. Nós oferecemos sugestões aos tribunais, mas cada um adota. A ferramenta permite, por exemplo, que o gestor seja alertado automaticamente toda vez que incide uma determinada meta." Caso fique claro que aquela prefeitura não está tomando medidas concretas para expandir as matrículas e cumprir a meta prevista em lei, a pena pode ser a aplicação de multa ou a reprovação das contas daquele gestor. "É uma ferramenta de controle, pode depois servir como base técnica no relatório de prestação de contas do gestor, por vereadores, conselhos tutelares e a imprensa. Quanto mais pessoas acompanham o assunto e cobram, é mais provável que uma solução seja encaminhada."
    Resultado do pedido de isenção do Enem 2019 é divulgado

    Resultado do pedido de isenção do Enem 2019 é divulgado


    Candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. Provas acontecem nos dias 3 e 10 de novembro. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O resultado dos pedidos...


    Candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. Provas acontecem nos dias 3 e 10 de novembro. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O resultado dos pedidos de isenção da taxa de R$ 85 da inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 foi divulgado nesta quarta-feira (17) por volta das 12h30. Para verificar se teve o benefício concedido ou não, o candidato deve acessar a Página do Participante e inserir CPF e senha. Baixe o App do G1 Enem O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recebeu este ano, 3.687.527 pedidos de isenção. O Inep não informou quantos pedidos foram aprovados. Os candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. O resultado dessa solicitação será divulgado dia 2 de maio. MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, órgão responsável pelo Enem Para os interessados em fazer o Enem 2019, isento ou não da taxa, é necessário acessar o site do exame a partir do dia 6 de maio para concluir a inscrição. Calendário do Enem 2019 Arte/G1 Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Cronograma Enem 2019 Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. Veja as próximas datas da realização do exame: Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020

    Ser Educacional compra Uninorte por R$ 194,8 milhões


    Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. A Ser Educacional anunciou nesta quarta-feira (17) a compra do Centro Universitário do Norte (Uninorte) por preço base de R$ 194,8...

    Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. A Ser Educacional anunciou nesta quarta-feira (17) a compra do Centro Universitário do Norte (Uninorte) por preço base de R$ 194,8 milhões, que será subtraído de dívida da companhia. O acordo da Ser foi acertado com empresa do grupo educacional internacional Laureate Education e envolve 100% da Uninorte. O valor da transação será deduzido de dívida líquida da Uninorte no montante de R$ 9,8 milhões. Os termos do acordo prevê pagamento de R$ 185 milhões no fechamento da transação, que ainda depende de aprovação Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Segundo informou a Ser Educacional, a Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. Em 2018, a receita líquida foi de R$ 165,5 milhões. A Ser não informou o volume de alunos da Uninorte ao final de 2018 ou dados financeiros do centro universitário. Segundo a companhia, com a aquisição, a Ser "fortalece sua presença na região Norte, assumindo número significativo de alunos de graduação presencial na cidade de Manaus... e passa a ser referência de mercado nas duas maiores cidades da região Norte, uma vez que já é líder de mercado em Belém". De acordo com a página da Uninorte, atualmente a instituição possui 14 unidades no Centro de Manaus, uma unidade Premium no Manaus Plaza Shopping e uma na Zona Norte.
    Enade 2019: confira quais serão os cursos avaliados e data do exame

    Enade 2019: confira quais serão os cursos avaliados e data do exame


    Prova será aplicada em 24 de novembro para avaliar 29 cursos de formação superior. Enade: prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos. Pexels O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta (17) a...


    Prova será aplicada em 24 de novembro para avaliar 29 cursos de formação superior. Enade: prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos. Pexels O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta (17) a portaria que estabelece o regulamento do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2019. A prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos e será aplicada no dia 24 de novembro, com início às 13h30, no horário de Brasília. Este ano, serão 23 cursos de bacharel – incluindo medicina e odontologia – e seis tecnológicos (veja a lista abaixo). Um edital incluindo cronograma, prazos, procedimentos técnicos e responsabilidades das Instituições de Educação Superior e dos estudantes ainda deverá ser divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Cursos avaliados Bacharel: Agronomia; Arquitetura e Urbanismo; Biomedicina; Educação Física; Enfermagem; Engenharia Ambiental; Engenharia Civil; Engenharia de Alimentos; Engenharia de Computação; Engenharia de Produção; Engenharia de Controle e Automação; Engenharia Elétrica; Engenharia Florestal; Engenharia Mecânica; Engenharia Química; Farmácia; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina; Medicina Veterinária; Nutrição; Odontologia; Zootecnia. Tecnológico: Tecnologia em Agronegócio; Tecnologia em Estética e Cosmética; Tecnologia em Gestão Ambiental; Tecnologia em Gestão Hospitalar; Tecnologia em Radiologia; Tecnologia em Segurança no Trabalho. Quem faz a prova? O Enade é aplicado para estudantes ingressantes e concluintes dos cursos selecionados. Por ser componente curricular obrigatório, ela é indispensável para o universitário obter o diploma. O que é o Enade? O Enade integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação a conteúdos programáticos, habilidades e competências para atuação profissional e conhecimentos sobre a realidade brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento. O exame é obrigatório. O primeiro Enade foi aplicado em 2004. A cada três anos, no máximo, o curso deverá ser avaliado. O resultado do Enade faz parte dos indicadores de qualidade da educação superior. Em 2018, mais de 460 mil universitários fizeram a avaliação e 30% dos cursos de ensino superior tiveram nota insuficiente no exame.
    Resultado do pedido de isenção da taxa do Enem 2019 será divulgado nesta quarta

    Resultado do pedido de isenção da taxa do Enem 2019 será divulgado nesta quarta


    Inscrições do Enem começam 6 de maio. Provas serão realizadas em 3 e 10 de novembro. Inscrições para Enem 2019 abrem no dia 6 de maio G1 O resultado das solicitações de isenção da taxa de R$ 85 para inscrição no Exame Nacional do Ensino...


    Inscrições do Enem começam 6 de maio. Provas serão realizadas em 3 e 10 de novembro. Inscrições para Enem 2019 abrem no dia 6 de maio G1 O resultado das solicitações de isenção da taxa de R$ 85 para inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 será divulgado nesta quarta-feira (17). Para conferir se o direito ao benefício foi concedido, o candidato deve acessar a Página do Participante e inserir CPF e senha. Baixe o App do G1 Enem De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 3,6 milhões de pessoas fizeram o pedido. Os candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 a 26 de abril. Para os interessados em fazer o Enem 2019, isento ou não da taxa, é necessário acessar o site do exame a partir do dia 6 de maio para concluir a inscrição. Prazo para se inscrever no Enem 2019 Arte/G1 Esse é o segundo ano em que os candidatos com direito à isenção precisam garantir o benefício antes do período de inscrições. A nota da prova do Enem é utilizada em programas de acesso à instituições do ensino superior por meio do Fies, Sisu, Prouni e instituições portuguesas. Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento para o primeiro semestre Sobe para 37 o total de universidades que aceitam notas do Enem em Portugal Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Cronograma Enem 2019 Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. Veja as próximas datas da realização do exame: Resultado da solicitação de isenção: 17 de abril Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020
    Unesp, Unicamp, Unifesp e ITA divulgam calendário do vestibular 2020

    Unesp, Unicamp, Unifesp e ITA divulgam calendário do vestibular 2020


    Unesp terá inscrições abertas de 9 de setembro a 7 de outubro. Na Unicamp, inscrições vão de 1º de agosto a 6 de setembro. No ITA, de 1º de julho a 15 de agosto. Fuvest ainda não divulgou calendário. Vestibular da Unesp em Araraquara Felipe...


    Unesp terá inscrições abertas de 9 de setembro a 7 de outubro. Na Unicamp, inscrições vão de 1º de agosto a 6 de setembro. No ITA, de 1º de julho a 15 de agosto. Fuvest ainda não divulgou calendário. Vestibular da Unesp em Araraquara Felipe Lazzarotto/EPTV As universidades Unesp, Unicamp e Ita definiram as datas do vestibular 2020. O calendário foi divulgado nesta terça-feira (16) após reunião de representantes de várias universidades para não coincidir as datas das provas. Participaram da reunião membros da USP, Unicamp, Unifesp, ITA, PUC-SP, Mackenzie e PUC-Campinas. Unesp O período de inscrições para a Unesp será de 9 de setembro a 7 de outubro. A prova da primeira fase será dia 15 de novembro. A segunda fase será nos dias 15 e 16 de dezembro. A lista de aprovados sairá no dia 3 de fevereiro de 2020. No ano passado, mais de 98 mil candidatos participaram do vestibular da Unesp. Unicamp Na Unicamp, as inscrições serão de 1º de agosto a 6 de setembro. A primeira fase será dia 17 de novembro. A segunda fase será nos dias 12 e 13 de janeiro de 2020. O resultado sairá no dia 10 de fevereiro de 2020. ITA No Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o vestibular terá inscrições abertas de 1º de julho a 15 de agosto. A primeira fase será em 1º de dezembro. A segunda fase será dias 12 e 13 de fevereiro. Unifesp A Unifesp terá inscrições de 23 de setembro a 25 de outubro e as provas nos dias 12 e 13 de dezembro. Fuvest A Fuvest ainda não divulgou as datas do vestibular 2020 para ingressar na USP.
    ITA divulga calendário do vestibular 2020; veja cronograma

    ITA divulga calendário do vestibular 2020; veja cronograma


    Inscrição do vestibular abre no dia 1º de julho; provas serão aplicadas em dezembro. Instituição é em São José dos Campos (SP). ITA é um dos vestibulares mais concorridos do país Divulgação/ITA O Instituto Tecnológico de Aeronáutica...


    Inscrição do vestibular abre no dia 1º de julho; provas serão aplicadas em dezembro. Instituição é em São José dos Campos (SP). ITA é um dos vestibulares mais concorridos do país Divulgação/ITA O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta terça-feira (16) o calendário do vestibular 2020. As inscrições começam no dia 1º de julho e as provas serão em dezembro. O processo seletivo de um dos vestibulares mais concorridos do país serão aplicadas em 24 cidades, sendo 18 capitais. As inscrições vão até 15 de agosto e a prova da primeira fase será no dia 1º de dezembro. As provas da segunda fase serão nos dias 12 e 13 de dezembro. A instituição oferece 110 vagas para cursos de engenharia - 22 delas são para cotas reservadas para negros. No ano passado foram mais de 11 mil candidatos disputando as vagas. O curso mais concorrido foi o de engenharia aeroespacial.
    Unicamp define datas do vestibular 2020 e de outras modalidades para ingresso

    Unicamp define datas do vestibular 2020 e de outras modalidades para ingresso


    Primeira fase do exame será em 17 de novembro, enquanto segunda etapa está marcada para 12 e 13 de janeiro. Prazo para inscrições será aberto em 1º de agosto, diz comissão. Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp Antoninho...


    Primeira fase do exame será em 17 de novembro, enquanto segunda etapa está marcada para 12 e 13 de janeiro. Prazo para inscrições será aberto em 1º de agosto, diz comissão. Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp Antoninho Perri / Unicamp A Unicamp confirmou na tarde desta terça-feira (16) o calendário do vestibular 2020. As inscrições devem ser realizadas pelos candidatos entre 1 de agosto e 6 de setembro, segundo a comissão organizadora do exame (Comvest), e a prova da 1ª fase será em 17 de novembro. Além disso, também foram divulgadas as datas para estudantes interessados em outras formas de acesso. Em nota, a universidade estadual confirmou que a 2ª fase do processo será nos dias 12 e 13 de janeiro. Esta é a primeira edição em que a instituição aplicará o processo com redução de um dia e divisão de conteúdos baseada na carreira escolhida pelo candidato. Veja detalhes das mudanças. O valor integral da taxa que será cobrada para inscrição ainda não foi confirmada pela Unicamp. Na edição 2019 ela subiu de R$ 165 para R$ 170, o que significa aumento de 3,3%. A Unicamp recebe até 6 de maio pedidos de isenção na taxa. Ela é concedida aos seguintes grupos: Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até 1,5 salário mínimo bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Estudantes que se candidatarem aos cursos de Licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia); Pré-requisitos Ter cursado o ensino médio integralmente na rede pública (não se aplica à modalidade 3); Ter concluído ou concluir em 2019 o ensino médio; De acordo com a Unicamp, nesta edição são oferecidas 6.680 isenções na modalidade 1; 100 na modalidade 2; enquanto há número ilimitado para a modalidade 3. Outras formas de acesso No comunicado divulgado nesta terça-feira, a instituição também confirmou os prazos para inscrições nos seguintes processos seletivos: vagas na graduação, por meio de nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - realizado ano passado ou 2018; vestibular indígena; e seleção para vagas reservadas a premiados em olimpíadas ou competições de conhecimentos. Calendário do vestibular 2020 Inscrições e pagamento da Taxa de Inscrição: 1/8 a 6/9/2019 Habilidades Específicas de Música Etapa I – 09 a 16/9/2019 Etapa II – 13 e 14/10/2019 1ª fase: 17/11/2019 2ª fase: 12 e 13/1/2020 Habilidades específicas (Arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais e dança) 20 a 24/1/2020 Divulgação da primeira chamada: 10/2/2020 Matrícula (não presencial) da primeira chamada: 11/2/2020 Outras formas de ingresso Vestibular Indígena Inscrições: 02 a 30/9/2019 Modalidade Enem-Unicamp Inscrições: 15/10 a 14/11/2019 Vagas Olímpicas Inscrições: 21/11/2019 a 10/1/2020 Na edição anterior, a Unicamp contabilizou 76,3 mil inscritos na disputa por 2.589 oportunidades; e outros 17,9 mil candidatos em busca das 645 vagas oferecidas pelo processo via Enem. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

    Capes vai implementar curso de especialização em ciência para o ensino fundamental


    A expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. Professores que atuam nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e querem se especializar no ensino de ciências poderão contar com...

    A expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. Professores que atuam nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e querem se especializar no ensino de ciências poderão contar com um curso de especialização que será implementado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As inscrições serão abertas em setembro e as aulas começam em 2020. A iniciativa faz parte do programa Ciência é Dez! e deve oferecer quatro mil vagas por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Ao todo serão 20 instituições públicas em 133 polos espalhados pelo país. Segundo Carlos Lenuzza, diretor de Educação a Distância e Formação de Professores da Educação Básica da Capes, a expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. De acordo com o resultado do mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), feito com 70 países, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. A prova é coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada edição, o Pisa dá ênfase a uma das três áreas. Na de 2015, o foco foi ciências. A nota do Brasil em ciências caiu de 405, na edição anterior, de 2012, para 401; em leitura, o desempenho do Brasil caiu de 410 para 407; já em matemática, a pontuação dos alunos brasileiros caiu de 391 para 377. Cingapura foi o país que ocupou a primeira colocação nas três áreas (556 pontos em ciências, 535 em leitura e 564 em matemática). ‘Educação é transformar, libertar e fazer pensar ciência’, diz autora de tese premiada sobre letramento científico
    Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento a juro zero oferecidos no semestre

    Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento a juro zero oferecidos no semestre


    Até 10 de abril, quando acabou o prazo de convocação dos aprovados pela lista de espera, mais de 31 mil vagas ainda não tinham sido preenchidas; prazo foi prorrogado até o dia 30. Fies ofereceu 100 mil vagas a juro zero no primeiro semestre de...


    Até 10 de abril, quando acabou o prazo de convocação dos aprovados pela lista de espera, mais de 31 mil vagas ainda não tinham sido preenchidas; prazo foi prorrogado até o dia 30. Fies ofereceu 100 mil vagas a juro zero no primeiro semestre de 2019 Reprodução O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) só conseguiu finalizar 16% dos 100 mil novos contratos de financiamento a juro zero previstos para o primeiro semestre de 2019. Os dados, referentes ao balanço até 10 de abril, foram obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Educação. Para participar do programa na modalidade Fies, que tem taxa de juro zero, os candidatos precisam cumprir diversas etapas. Primeiro, é preciso se inscrever no sistema do Fies e passar pela pré-seleção. Uma vez pré-selecionado, o candidato precisa apresentar documentos que comprovem os requisitos de participação no fundo, como renda familiar per capita de até três salários mínimos por mês e nota mínima de 450 pontos nas provas do Enem, sem zerar a redação. Segundo o MEC, esses candidatos "precisam comparecer à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino superior para a validação das informações prestadas na inscrição" e, após validadas as informações, "os estudantes deverão apresentar a documentação exigida para fins de contratação do financiamento junto ao banco". 31 mil vagas remanescentes É nessa etapa que muitos candidatos acabam ficando sem o financiamento. Segundo o MEC, entre 25 de fevereiro, quando foi feita a chama regular, e 10 de abril 159.040 candidatos já foram chamados para esse processo, mas mais de 30 mil das 100 mil vagas oferecidas estavam em aberto na data do levantamento. Além dos 15.784 contratos que já haviam sido firmados e de 31.285 vagas remanescentes, outros 52.931 candidatos estavam no meio desse processo de contratação desse financiamento. Isso quer dizer que eles podem ou não conseguir concluir a inscrição e de fato assinar o contrato. No total, o MEC diz que quase 350 mil pessoas se inscreveram no Fies neste semestre. O cronograma do programa incluiu uma chamada única de pré-selecionados, e as chamadas na lista de espera. No caso da lista de espera, os candidatos pré-selecionados têm cinco dias úteis para apresentar os documentos e concluírem a contratação do financiamento. Prazos prorrogados Inicialmente, o prazo final para que os candidatos fossem selecionados pela lista de espera terminaria em 10 de abril, mas ele foi prorrogado até o dia 30 deste mês, segundo anunciou o MEC. "Todos os candidatos inscritos que não foram pré-selecionados em chamadas anteriores estão participando automaticamente da lista de espera. O acompanhamento de eventual pré-seleção deve ser realizado por meio da página do Fies", informou a pasta, em nota. Já considerando a chamada regular, os prazos para que os candidatos pré-selecionados finalizassem a contratação foi prorrogado mais de uma vez pelo governo federal, depois que problemas no sistema impediam que os estudantes conseguissem concluir a contratação. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a orientação é que as instituições aceitem a frequência dos estudantes no curso de graduação enquanto o processo não é concluído, mesmo que o prazo já tenha passado. Isso vale, segundo o FNDE, apenas para os candidatos que atendam "os demais requisitos para concessão do financiamento". 7 perguntas para não cair em uma cilada no Fies
    Uma semana após ser demitido, Vélez Rodríguez se encontra com Bolsonaro: 'Vim me despedir'

    Uma semana após ser demitido, Vélez Rodríguez se encontra com Bolsonaro: 'Vim me despedir'


    Ex-ministro da Educação esteve nesta segunda (15) no Palácio do Planalto. Após crise no MEC, Bolsonaro nomeou o economista Abraham Weintraub para o comando da pasta. O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez Fábio França/G1 Uma...


    Ex-ministro da Educação esteve nesta segunda (15) no Palácio do Planalto. Após crise no MEC, Bolsonaro nomeou o economista Abraham Weintraub para o comando da pasta. O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez Fábio França/G1 Uma semana após ter sido demitido do cargo de ministro da Educação, o professor Ricardo Vélez Rodríguez foi recebido na tarde desta segunda-feira (15) pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Após a audiência, Vélez afirmou a jornalistas que a reunião foi "excelente" e que o assunto foi uma despedida do presidente. “Vim me despedir”, disse Vélez Rodríguez ao deixar o palácio. “Vou descansar”, acrescentou. Segundo o ex-ministro, Bolsonaro não o convidou para exercer outras funções no governo. A gestão de Vélez Rodríguez no MEC foi marcada por polêmicas e demissões de subordinados. Bolsonaro decidiu demitir o ministro no último dia 8 e, no mesmo dia, anunciou o economista Abraham Weintraub como novo titular da pasta. Apoiador de Jair Bolsonaro na campanha eleitoral, Abraham Weintraub trabalhou na equipe de transição do presidente e ocupava, antes de assumir o MEC, a secretaria-executiva da Casa Civil, segundo cargo mais importante na estrutura da pasta. Gestão Vélez Rodríguez Colombiano naturalizado brasileiro, Vélez Rodríguez tomou posse no cargo de Ministro da Educação em 1º de janeiro e enfrentava uma "guerra interna" provocada por desentendimentos entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Durante a gestão, foram pelo menos 13 demissões no alto escalão do ministério. Em pouco mais de três meses de gestão, o ex-ministro colecionou uma série de polêmicas. Entre elas, ele disse que queria mudar os livros didáticos para revisar a maneira como tratam a ditadura militar e o golpe de 1964 e pediu a escolas que filmassem alunos cantando Hino Nacional e enviassem o vídeo ao MEC.
    MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, autarquia responsável pelo Enem

    MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, autarquia responsável pelo Enem


    Elmer Coelho Vicenzi já atuou no combate a crimes cibernéticos e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran); MEC diz que seu nome será 'oficializado em breve' para a presidência do Inep. Elmer Coelho Vicenzi, da Polícia Federal,...


    Elmer Coelho Vicenzi já atuou no combate a crimes cibernéticos e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran); MEC diz que seu nome será 'oficializado em breve' para a presidência do Inep. Elmer Coelho Vicenzi, da Polícia Federal, será o novo presidente do Inep, segundo anunciou em nota o Ministério da Educação Rede Amazônica/Reprodução O Ministério da Educação afirmou nesta segunda-feira (15) que Elmer Coelho Vicenzi será o novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a autarquia do MEC que, entre outras tarefas, é responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em nota, a pasta afirmou que Vicenzi foi indicado para o cargo, e que o nome dele "será oficializado em breve". Vicenzi é delegado da Polícia Federal e, desde novembro, atuava como na Corregedoria-Geral da PF. Ele também já chefe do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos na Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Há anos a Polícia Federal já atua em parceria com o Inep para garantir a segurança da aplicação do Enem. Mais de 20 dias sem presidente Vicenzi substitui Marcus Vinicius Rodrigues, demitido em 26 de março deste ano. Entre a demissão de Rodrigues e a indicação de um novo nome para o cargo titular, o Inep passou mais de 20 dias sem presidente. Um dos diretores da autarquia atuava como presidente substituto. Segundo o MEC, ainda não há previsão para que Vicenzi tome posse no cargo. Além da presidência do Inep, outro cargo que está vago desde março no Inep é o da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb). É a Daeb que cuida dos aspectos técnicos da elaboração das provas do Enem. Neste ano, o Enem acontece nos dias 3 e 10 de novembro. Mudanças no MEC Desde que assumiu o cargo, na semana passada, o novo minsitro da Educação, Abraham Weintraub, já anunciou a nomeação de cinco profissionais para assumirem secretarias no MEC, inclusive a Secretaria-Executiva. Apenas dois secretários foram mantidos no cargo. Em um comunicado, Weintraub afirmou que "o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu carta branca para Weintraub escolher todo o seu primeiro escalão". Ele também disse que o “objetivo é acalmar os ânimos, colocar a bola no chão, pôr para rodar, republicanamente, respeitando diferentes opiniões”. Initial plugin text
    Prêmio Professores do Brasil está com inscrições abertas até 31 de maio

    Prêmio Professores do Brasil está com inscrições abertas até 31 de maio


    Premiação é uma iniciativa do Ministério da Educação e instituições parceiras que buscam reconhecer e divulgar o trabalho dos professores de escolas públicas. Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios. Premiação visa reconhecer...


    Premiação é uma iniciativa do Ministério da Educação e instituições parceiras que buscam reconhecer e divulgar o trabalho dos professores de escolas públicas. Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios. Premiação visa reconhecer métodos de aprendizagem elaborados por professores de escola públicas de todo o Brasil Element5 Digital/Unplash A 12ª edição do Prêmio Professores do Brasil (PPB), do Ministério da Educação (MEC), está com inscrições abertas a partir desta terça-feira (16) e vai até o dia 31 de maio, segundo o MEC. O prêmio tem o objetivo de valorizar o trabalho dos educadores de escolas públicas da educação básica, que desenvolvem projetos para a melhorar os processos de ensino e aprendizagem. Os interessados podem se inscrever pelo site do programa, por meio do envio de um relato de prática pedagógica aplicada com os alunos em sala de aula. Somente os relatos dos anos letivos de 2018 ou 2019 com resultados comprovados até o final do período de inscrições serão selecionados. De acordo com o ministério, não poderão concorrer ao prêmio os trabalhos vencedores de edições anteriores em quaisquer das etapas estadual, regional, nacional, temática especial, ou ainda em outros prêmios de âmbito nacional. Dois brasileiros ficam no top 50 de professores do mundo e disputam ‘Global Teacher Prize’ Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios aos educadores. Os trabalhos poderão ser inscritos em seis categorias: Creche – educação infantil Pré-escola – Educação infantil Ciclo de alfabetização – 1º, 2º e 3º anos Ensino fundamental I – 4º e 5º anos Ensino fundamental II – 6º e 9º anos Ensino Médio O conteúdo enviado passa por três etapas de avaliação, a estadual, regional e nacional. Na estadual, 486 professores serão premiados. Já na regional, há um vencedor por categoria e região, isto é, são 30 vencedores. A última avaliação é a nacional, onde são contemplados seis vencedores, um por categoria. Segundo a organização do prêmio, os seis vencedores nacionais e seus coordenadores pedagógicos também ganharão uma viagem. O resultado final será divulgado dia 28 de novembro, em Cuiabá (MT). Também serão premiados os relatos dentro de cinco temáticas especiais (confira abaixo). Premiação Confira as recompensas divididas por categoria e temática especial: Nacional Os seis premiados receberão: R$ 8 mil Viagem (em missão de estudos) Troféu Regional 30 professores serão contemplados: R$ 5mil Medalha; Placa para as escolas; Participação no evento final de premiação; Participação em programas da TV Escola; Viagem em missão de estudos para os vencedores do ensino médio. Estadual Ao todo, serão 486 premiados: Certificado Medalha Temáticas especiais: Esporte como estratégia de aprendizagem R$ 5 mil para até 5 professores de educação física; Uso de Tecnologias de Informação e Comunicação no processo de inovação educacional R$ 15 mil divididos para três professores (R$ 5 mil cada); Educação Empreendedora Três professores ganharão participação em missão nacional para conhecer uma experiência inovadora de Educação Empreendedora. Criação e produção de linguagens de mídia por professores e estudantes no Ensino Fundamental e Médio R$ 5 mil e participação no programa da TV Escola “Professor Presente” para até 5 professores; Aprendizagem criativa R$ 15 mil divididos para três professores (R$ 5 mil cada).
    Vestibular 2020: Unicamp abre prazo para pedidos de isenção nesta segunda-feira; veja regras

    Vestibular 2020: Unicamp abre prazo para pedidos de isenção nesta segunda-feira; veja regras


    Período para solicitações fica disponível até 6 de maio. Benefício pode ser solicitado por candidatos de todo Brasil e universidade alterou a forma de envio de documentos. Estudantes na 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp, em...


    Período para solicitações fica disponível até 6 de maio. Benefício pode ser solicitado por candidatos de todo Brasil e universidade alterou a forma de envio de documentos. Estudantes na 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri / Unicamp A Unicamp abre na manhã desta segunda-feira (15) o prazo para pedidos de isenção na taxa do vestibular 2020 - modalidade tradicional e processo seletivo onde é considerada a nota obtida pelo candidato no Enem realizado ano passado ou em 2018. Ele deve ser feito exclusivamente pela página da comissão organizadora do exame (Comvest) até 6 de maio. Veja abaixo as regras. Segundo a universidade, nesta edição são oferecidas 6.680 isenções na modalidade 1; 100 na modalidade 2; e há número ilimitado na modalidade 3: Em 2019, o valor integral da taxa foi R$ 170. Modalidades Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até 1,5 salário mínimo bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Estudantes que se candidatarem aos cursos de Licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia); Pré-requisitos Ter cursado o ensino médio integralmente na rede pública (não se aplica à modalidade 3); Ter concluído ou concluir em 2019 o ensino médio; Número de benefícios Benefício ampliado A Unicamp decidiu, nesta edição, ampliar a possibilidade de solicitação: deixa de ser restrita aos residentes em São Paulo e fica disponível aos interessados em todos os estados brasileiros. Outra novidade confirmada pela universidade é que, a partir do vestibular 2020, a documentação comprobatória (descrita no edital) deve ser anexada no próprio formulário, e não precisa mais ser enviada pelos Correios. Em 2019, a universidade teve 8,9 mil pedidos e 7,6 mil foram aceitos. Calendário A universidade destacou que a lista de contemplados será divulgada em 24 de julho, e a previsão é de que, a partir deste dia, os beneficiários comecem a receber um comunicado, exclusivamente via correio eletrônico, sobre a isenção na taxa. No texto, a Unicamp destacou também que os candidatos que tiverem direito ao benefício não são automaticamente inscritos nos processos seletivos. "É preciso, posteriormente, fazer as respectivas inscrições, utilizando o código de isento fornecido pela Comvest", diz texto. O calendário com datas de inscrição e provas do vestibular (tradicional) será divulgado até o fim de abril; enquanto as inscrições da modalidade via Enem serão realizadas em novembro. No ano passado, a Unicamp contabilizou 76,3 mil inscritos na disputa por 2.589 oportunidades; e outros 17,9 mil candidatos em busca das 645 vagas oferecidas pelo processo via Enem. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    A estratégia inspirada na África que pode ser alternativa para crianças sem creche no Brasil

    A estratégia inspirada na África que pode ser alternativa para crianças sem creche no Brasil


    Negócios sociais envolvendo cuidados de primeira infância visam oferecer alternativa a baixo custo para pais, embora solução não seja unânime nem conte com supervisão estatal. Em uma pequena casa na Mooca, bairro de classe média na zona leste...


    Negócios sociais envolvendo cuidados de primeira infância visam oferecer alternativa a baixo custo para pais, embora solução não seja unânime nem conte com supervisão estatal. Em uma pequena casa na Mooca, bairro de classe média na zona leste de São Paulo, cinco crianças entre 2 e 6 anos se reúnem em torno da cuidadora, que lhes dá pistas para uma caça ao tesouro. "Que desenho é esse? Será que encontramos algum objeto parecido pela casa?", pergunta a cuidadora, enquanto as crianças saem em busca de petecas e bandeirinhas pelo local. As crianças passam ali meio período do seu dia, enquanto os pais trabalham; algumas ficam o dia todo. A 7.500 quilômetros de distância, na cidade de Johannesburgo, na África do Sul, uma cena parecida: um grupo de crianças de idade semelhante é entretido em um espaço recreativo adaptado por uma jovem cuidadora em Kliptown, um dos distritos mais pobres de Soweto, a maior favela da cidade. Entre as atividades do dia da visita da reportagem, as crianças africanas se divertiam cantando e dançando músicas religiosas e encaixando as peças de brinquedos de montar feitos especialmente para desenvolver a capacidade motora dos pequenos. Não se trata, porém, de creches pagas pelo governo ou de ONGs, mas sim de duas versões de um negócio social: na África do Sul, o projeto SmartStart atende atualmente 36 mil crianças, em 3.870 comunidades carentes do país. No Brasil, o Cantinho do Brincar, que é inspirado no modelo do SmartStart, ainda está em fase embrionária, mas almeja abrir mais unidades onde possa formar cuidadoras – que por sua vez possam abrir as próprias franquias. O objetivo principal é responder a demandas comuns aos dois países, e a boa parte do mundo: mitigar a dificuldade de acesso a creches e prover oportunidades a crianças em uma fase crucial de seu desenvolvimento cerebral – a primeira infância, período entre o nascimento e os 6 anos de idade –, quando os estímulos ou a ausência deles têm um forte impacto na capacidade delas de aprender habilidades sociais e cognitivas. Mais estímulo na primeira infância costuma se traduzir em melhor desempenho acadêmico e autocontrole emocional Arquivo pessoal / BBC Cálculos do centro de desenvolvimento infantil da Universidade Harvard estimam que cada dólar investido na primeira infância de crianças carentes pode levar à economia posterior de US$ 4 a US$ 9, pelo impacto na produtividade e no bem-estar delas quando adultas. A despeito disso, dados divulgados pelo Unicef em 9 de abril apontam que mais de 175 milhões de crianças no mundo – não estão matriculadas na educação infantil, "perdendo uma oportunidade de investimento crucial e sofrendo profundas desigualdades desde o início da vida". No Brasil, segundo dados da Pnad Contínua 2017 compilados pelo Unicef, 32,7% das crianças de até 3 anos frequentavam a creche e 91,7% das crianças de 4 a 5 anos estavam na pré-escola (índice alto, mas insuficiente para o Brasil cumprir a meta no Plano Nacional de Educação, que prevê a universalização do acesso à pré-escola). "Se a criança não receber estímulos adequados durante a primeira infância ou se sofrer estresse prolongado, por exemplo, ela poderá ter alterações na formação dos seus circuitos neuronais e sofrer vários problemas de saúde no futuro, tais como doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão", explica o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Naercio Menezes Filho. Os cuidados adequados a bebês e crianças contribuem para diminuir a evasão escolar elevar o nível de educação, elevar a renda média e reduzir a violência, de acordo com o livro "Da ciência à prática – Os programas de apoio ao desenvolvimento infantil na América Latina", que faz diagnóstico dos programas de primeira infância no continente. "Garantir que a criança tenha acesso à educação e estimulantes nos primeiros anos de vida é fundamental para que que as crianças tenham um futuro melhor que o dos pais, mesmo quando criadas em condições de pobreza", diz Menezes. Quanto mais estímulos, como os que ocorrem por meio da educação infantil, maiores as chances de que no futuro as crianças tenham um bom desempenho acadêmico, autocontrole emocional e capacidade de solucionar problemas. Além disso, alguns estudos apontam que esse desenvolvimento positivo reduz as chances de as mesmas crianças, no futuro, envolverem-se em atividades violentas ou criminais. O desafio de cuidar das crianças no Brasil e na África Tanto na África do Sul como no Brasil, o déficit de cuidados à primeira infância é um problema nacional. Lá, estima-se que 1 milhão de crianças de 3 a 5 anos não tenham acesso a programas de aprendizagem na primeira infância. Em um país com alta incidência de mortes por Aids e índices de pobreza extrema ainda maiores que os brasileiros, das 5,3 milhões de crianças sul-africanas com menos de cinco anos em 2012, apenas um terço vivia com ambos os pais. A grande maioria, 79%, morava só com a mãe, em geral sobrecarregada com o sustento da família e os cuidados domésticos. Um dos objetivos do projeto SmartStart é justamente garantir que os estímulos na primeira infância deem às crianças mais ferramentas para, no futuro, escaparem da perpetuação da pobreza extrema. No Brasil, embora a cobertura de creches venha crescendo, faltam mais vagas justamente nas regiões mais pobres. Há, também, problemas na qualificação: só um terço dos docentes dessas instituições tinha ensino superior completo em 2017. O que traz à tona outra questão: para o bom desenvolvimento cerebral, não basta que as crianças estejam supervisionadas, mas sim que estejam em ambientes seguros e recebendo estímulos positivos e adequados à faixa etária. Em 2016, o governo federal anunciou o programa Criança Feliz, que ensina aos pais de crianças carentes ideias caseiras de brincadeiras e atividades estimulantes, sob supervisão de assistentes sociais. O programa trouxe avanços, segundo especialistas em primeira infância, mas em escala longe do suficiente: atendeu por enquanto 400 mil crianças, de uma meta inicial de 4 milhões. Treinamento para mulheres e opção de renda Na África do Sul, o SmartStart nasceu em 2015, com investimento de fundos e ONGs internacionais até virar franquia, para cuidar de crianças de baixa renda ao mesmo tempo em que dá opções de renda para cuidadores de crianças – que são, em sua maioria, mulheres. As cuidadoras, por sua vez, recebem da franqueadora um treinamento e um kit de brinquedos e recursos para serem usados nas aulas. A meta é chegar a 1 milhão de crianças atendidas até 2026. Outro objetivo é dar fontes de renda para mulheres que queiram criar negócios de cuidado infantil dentro de casa Arquivo pessoal / BBC Algumas crianças praticamente moram em algumas das unidades, nos casos em que seus pais não têm condições de oferecer-lhes cuidados básicos. As mensalidades do SmartStart variam entre 20 e 600 rands (R$ 5 a R$ 150) por mês, a depender do valor aquisitivo médio de cada comunidade – Soweto, por exemplo, é uma das comunidades mais pobres do mundo, e tem áreas onde o índice de desemprego supera os 30%. A ideia de adaptar o projeto à realidade brasileira surgiu depois que um grupo de brasileiras visitou a iniciativa em 2017. Renata Citron fez um projeto-piloto na favela de Paraisópolis, em São Paulo, até estabelecer-se na Mooca, dentro de uma incubadora da Universidade São Judas. Agora, planeja inaugurar em 2019 unidades em regiões pobres da zona sul paulistana com alto deficit de creches, como Jardim São Luís, Campo Limpo e Capão Redondo, onde estão sendo treinadas novas cuidadoras (todos os envolvidos no programa são mulheres). O treinamento no Brasil, que totaliza 40 horas, é semelhante ao sul-africano: as cuidadoras aprendem noções de desenvolvimento cognitivo e socioemocional infantil e formas de estimulá-lo - em linguagem, criatividade, consciência corporal e coordenação motora, por exemplo – com situações de aprendizado para as crianças, jogos, brincadeiras e estratégias para lidar com momentos de conflito. "Formamos nossas primeiras facilitadoras, que vão montar suas próprias unidades na periferia e replicar a metodologia em suas próprias casas", explica Citron, uma das fundadoras do Cantinho do Brincar. Há também ensinamentos básicos sobre como as cuidadoras podem transformar o espaço recreativo em uma fonte de renda, com noções sobre como manter o fluxo de caixa de seu negócio, calcular o retorno do investimento e estruturar uma rotina diária. A meta é que cada facilitadora formada no curso seja capaz de montar sua própria pequena franquia, em locais adaptados – suas casas, salas dentro de igrejas ou espaços comerciais em comunidades carentes, a mensalidades a partir de R$ 200. Projetos ajudam a fomentar o debate sobre como universalizar cuidados na primeira infância Arquivo pessoal / BBC O Cantinho do Brincar, por enquanto, é sustentado pelas próprias sócias, com a ajuda de um programa de aceleração de empresas americano. O objetivo é que, havendo a multiplicação de franquias, o negócio se torne autossustentável. Aqui no Brasil, as franquias devem começar focando em crianças de pais de baixa renda mas com algum poder aquisitivo, e não em situação de pobreza extrema, como em Johannesburgo. 'Mães crecheiras' Embora não seja de consenso entre especialistas e esteja em um limbo regulatório no Brasil, a ideia do SmartStart e do Cantinho do Brincar ajuda a fomentar o debate em torno de como universalizar a oferta do estímulo tão crucial nos primeiros anos de vida, para crianças talvez não consigam vagas em creches públicas ou tenham acesso a algum tipo de cuidado devidamente capacitado – seja por pais, parentes, vizinhos ou babás. Em comunidades carentes, existe informalmente a figura das mães crecheiras, mulheres que, geralmente em troca de pequenas mensalidades, cuidam dos filhos de vizinhas enquanto estas estão no trabalho. Não há estatísticas a respeito dessa atividade, mas ela é bastante comum, segundo grupos que pesquisam a primeira infância. O problema é que, além de a atividade não estar regulamentada e ser praticamente ignorada pelas autoridades, essas cuidadoras – embora frequentemente amorosas e carinhosas – têm pouco conhecimento a respeito da importância do desenvolvimento dessa fase da criança e como estimulá-lo. "Passamos seis meses acompanhando algumas (dessas mães crecheiras) nas comunidades de Paraisópolis e víamos que muitas vezes eram mães ou senhoras pouco preparadas para dar estímulos às crianças. Elas enxergavam o trabalho mais como um quebra-galho do que uma profissão", diz Citron, do Cantinho do Brincar. "Víamos as crianças na frente da TV ou de uma massinha, mas sem nenhuma proposta de o que fazer com a massinha, nenhuma atividade intencional (para desenvolver habilidades)." Dentro desse contexto, Citron diz que a ideia é "empoderar pessoas" com aptidão para o cuidado infantil e com espaço para criar uma pequena creche, dando-lhes capacitação em primeira infância e em gestão de um pequeno negócio. Debate sobre qualidade Iniciativas do tipo são alvo de debate entre pessoas ligadas à educação de primeira infância. Para alguns, soluções que não necessariamente envolvam pedagogos e que não tenham a supervisão estatal podem representar retrocessos em uma área que só recentemente ganhou a atenção devida e deixou de ser vista meramente como assistência social. "Como a educação infantil (do zero aos 6 anos) é parte da educação básica e uma etapa de formação precedida de um projeto político-pedagógico, tem que ser atendida por pedagogos", opina à BBC News Brasil Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores do Estado de São Paulo. "Por ser uma fase muito importante do desenvolvimento infantil, não pode ser uma etapa apenas recreacionista – exige a pedagogia e a ciência da educação." Mas, para Daniel Santos, pesquisador em educação infantil da USP Ribeirão Preto, não necessariamente a formação em Pedagogia garante a atenção adequada aos primeiros anos de vida da criança. "Até porque o ensino de Pedagogia no Brasil não dá muita atenção a isso (desenvolvimento na primeira infância)", diz à BBC News Brasil. Tanto que, diz ele, a qualidade das creches brasileiras, públicas e privadas, ainda é "heterogênea". "Muitas creches avançaram, mas em média ainda há muitas ruins, e há evidências de que uma creche ruim pode ser pior para uma criança", afirma. "Acho que é uma corrida entre a qualidade da creche e a qualidade das alternativas. Isso não é um consenso, mas pode ser que, em alguns contextos, a alternativa (no ambiente domiciliar) seja melhor, se houver treinamento e um ambiente seguro para as crianças." Ao mesmo tempo, Santos destaca que os desafios das soluções alternativas como mães crecheiras, SmartStart ou Cantinho do Brincar são, além de encontrar um equilíbrio financeiro, garantir que haja algum marco regulatório, com monitoramento da atividade das cuidadoras e formas de evitar más práticas. Experiências internacionais Outros países que também enfrentam déficit de vagas em creche acabaram adotando soluções caseiras, mas com algum nível de supervisão do Estado. No Canadá, por exemplo, creches caseiras podem obter licenças do governo para contratar cuidadores de crianças na idade pré-escolar, sendo submetidas a avaliações prévias e posteriores por agentes estatais. Há soluções semelhantes em países como Estados Unidos e França. Na Colômbia, os chamados Hogares (Lares) Comunitários têm agentes educativos que, em suas casas, atendem entre 12 e 14 crianças de até cinco anos, com apoio de uma equipe multidisciplinar do governo. Na África do Sul, porta-vozes do SmartStart afirmam que a cada franquia são designados um supervisor e um clube, com reuniões mensais. "Também renovamos sua licença anualmente, com base na qualidade (do serviço) e outros critérios", diz a organização por e-mail à BBC News Brasil. Lá, o trabalho no cuidado com crianças acaba sendo uma boia de salvação para as próprias cuidadoras, também em situação de pobreza. "Meus pais não são financeiramente estáveis, então eles me falaram para vir (trabalhar) aqui", conta à reportagem a jovem Melissa, de 18 anos, que dá aulas para as crianças no Little Rose Center, unidade do SmartStart que atende 140 crianças em Soweto. Renata Citron, do Cantinho do Brincar, afirma que sua ideia é oferecer soluções para regiões e comunidades do Brasil onde não haja vagas ou mesmo capacidade para receber uma creche, mas evitando a informalidade que caracteriza, por exemplo, a atuação das mães crecheiras brasileiras. "Hoje, é um tipo de negócio infelizmente ignorado pelo poder público como uma solução", diz.
    Lacunas da Política Nacional de Alfabetização fazem especialistas acenderem 'luz amarela' de alerta

    Lacunas da Política Nacional de Alfabetização fazem especialistas acenderem 'luz amarela' de alerta


    Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta (11) dá prioridade ao método fônico, mas especialistas avaliam que realidades diferentes exigem abordagens diversas. MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6...


    Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta (11) dá prioridade ao método fônico, mas especialistas avaliam que realidades diferentes exigem abordagens diversas. MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6 anos Reprodução/Bom Dia Brasil A Política Nacional de Alfabetização, assinada na quinta-feira (11) pelo presidente Jair Bolsonaro, defende a "priorização" da alfabetização das crianças já no primeiro ano do ensino fundamental e a utilização de conceitos do método fônico. Esses dois pontos são novidades recebidas com cautela por especialistas ouvidos pelo G1. Os principais pontos da análise incluem: Ter uma política nacional de alfabetização é positivo, pois define um norte para a educação; Porém, o decreto não define como a política será implementada; Defender conceitos que remetem ao método fônico pode trazer uma padronização do ensino; Padronizar o método limita as possibilidades de ensinar e de aprender O decreto não considera que diferentes realidades exigem abordagens diversas Confira, abaixo, o que cada um dos especialistas ouvidos pelo G1 destacou: Proposta x conteúdo A gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna Inês Kisil Miskalo considera importante ter uma política nacional de alfabetização, mas a implementação vai exigir atenção de todos os envolvidos. "A proposta é ótima, mas quando a gente começa a entrar no que está colocado lá, a gente começa a ver a luz amarela acendendo" - Inês Kisil Miskalo, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna "O fato de termos um decreto que prioriza a alfabetização é importante, é um norte que o país precisa. Mas como ele vai ser implementado é onde vamos prestar atenção", diz. Inês destaca a diversidade do país e a diferença cultural de cada região. Para ela, colocar a alfabetização como prioridade no 1º ano do fundamental pode antecipar um desenvolvimento que poderia ocorrer até 3º ano, de acordo com a meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE). "O problema é ter um conceito de alfabetização vindo por decreto", diz. "A gente precisa pensar que alfabetizar no primeiro ano não significa ter uma alfabetização plena. Você precisa continuar no segundo e terceiro ano", analisa. "Seria mais efetivo falar da formação do professor: como se processa a aprendizagem, como ocorre a leitura. Isso está dentro da neurociência. É importante o professor entender este processo", diz. Para ela, o importante seria focar na abertura do conhecimento e na descrição das vantagens de um e outro método, para usá-los combinados. Conheça os métodos de alfabetização e suas características "Pensar política pública é pensar macro. Ele [o MEC] vai ter que explicar o decreto. Temos outras políticas mais profundas e amplas, como o Fundeb, a execução da Base [Nacional Comum Curricular]. Será que vamos remodelar tudo e começar do zero?", questiona. MEC pode repetir erros Assim como Inês, o diretor de políticas educacionais do Todos, Olavo Nogueira Filho, concorda que a prioridade de alfabetização até os 6 anos é positiva, mas segundo ele, há lacunas no decreto que precisam ser preenchidas. “O documento não aponta suficiente qual o caminho que as instituições devem seguir. Não diz se a implementação do método de ensino será centralizada ou descentralizada” - Olavo Nogueira Filho, Todos Pela Educação Segundo ele, este elemento é importante para direcionar o caminho que as instituições devem seguir. “A implementação desse método que vai dizer qual será o papel do MEC na execução de ações. Se for centralizador, o MEC vai repetir os erros de gestões anteriores”. Em relação ao método fônico, Olavo destaca que priorizar este elemento na aprendizagem pode não trazer resultados satisfatórios em alfabetização. "Há pesquisas que mostram que o método fônico não é a variável chave [para alfabetizar] e ao considerar isso, não é o papel do MEC induzir um tipo de método especifico, independentemente do método'", finaliza Olavo. Professores no foco Em nota, o Consed reforça que defende a liberdade do professor na escolha da metodologia mais adequada à alfabetização de seus alunos, mas é necessário que o decreto tenha um detalhamento aos secretários estaduais. "Para que as redes possam começar a pensar nessa implementação, minimamente o ministério precisar informar que programas farão parte dessa política, que recursos estarão disponíveis, entre outros pontos não explicados pelo decreto". Surpresa e falta de diálogo A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) disse ter sido surpreendida pelo teor do documento. "A Undime foi surpreendida com o texto do Decreto que institui a Política Nacional de Alfabetização, pois foi convidada a apresentar contribuições a outro documento, em reunião realizada na última segunda-feira (8). O texto publicado, além de ser diferente em vários pontos, não traz as sugestões apresentadas tanto pela Undime quanto por outras instituições que estavam presentes. " O órgão espera os desdobramentos da decisão. "Não há como ter uma opinião formada sobre a implementação da Política Nacional de Alfabetização, pois a Undime não conhece o conjunto de ações e estratégias que serão desenvolvidas. Precisamos primeiro conhecer o teor para então pensar em como colocar em prática." Alfabetização com o método fônico Fernanda Garrafiel / Editoria de Arte
    Supremo julgará em agosto pedido do partido de Bolsonaro para mudar regras do ECA

    Supremo julgará em agosto pedido do partido de Bolsonaro para mudar regras do ECA


    PSL quer que policial possa levar adolescente para delegacia mesmo sem indício de crime. STF também julgará pedido do PSL para vetar prisão temporária em crime contra sistema financeiro. Os ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos no...


    PSL quer que policial possa levar adolescente para delegacia mesmo sem indício de crime. STF também julgará pedido do PSL para vetar prisão temporária em crime contra sistema financeiro. Os ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos no plenário na Corte Nelson Jr./STF O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, marcou para 7 de agosto o julgamento de uma ação apresentada pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que visa mudar as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A ação foi apresentada em 2005 e, segundo o partido, tem o objetivo de endurecer as punições a jovens infratores. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes. O partido de Bolsonaro quer, por exemplo, que policiais possam apreender adolescentes para averiguação mesmo sem indícios de que eles tenham cometido crimes. Pelas regras em vigor, se um adolescente estiver na rua, o Conselho Tutelar deve ser comunicado para que a família, então, seja avisada. Pelo pedido do PSL, a polícia poderá levar o adolescente direto para a delegacia para esclarecimentos. Internação Outro ponto da ação trata da internação de jovens infratores. Atualmente, os adolescentes são internados somente em casos de crimes cometidos com grave ameaça ou violência. O PSL quer que a internação possa valer em qualquer tipo de crime. Prisões temporárias No dia 15 de agosto, outra ação do PSL será julgada, a que pede para serem consideradas ilegais prisões temporárias (cujo prazo é de 10 dias) em caso de crime contra o sistema financeiro. O partido quer proibir as prisões temporárias sob o argumento de que isso fere princípio da presunção de inocência. A prisão temporária pode ser decretada no início das investigações e tem prazo pré-determinado. É diferente de prisões preventivas, sem prazo, que devem ser adotadas quando há risco para testemunhas ou para o processo, por exemplo. A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia.