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    Como cultivar um hábito de leitura diário

    Como cultivar um hábito de leitura diário


    Leitores ávidos dão dicas de como incluir a leitura no dia a dia. Segundo pesquisadores, criar este hábito pode reduzir o estresse. Pesquisadores comprovaram que a leitura pode reduzir o estresse Susan Yin/Unplash Em fevereiro de 2018, quando o...


    Leitores ávidos dão dicas de como incluir a leitura no dia a dia. Segundo pesquisadores, criar este hábito pode reduzir o estresse. Pesquisadores comprovaram que a leitura pode reduzir o estresse Susan Yin/Unplash Em fevereiro de 2018, quando o foguete Falcon Heavy do bilionário americano Elon Musk deixou a Terra, carregava algo inusitado. No lugar de equipamentos ou astronautas, o empresário dono da SpaceX enviou seu carro - um Tesla Roadster vermelho-cereja - ao espaço, com um boneco vestido em traje espacial sentado no banco do motorista. Falcon Heavy: por que o lançamento do foguete mais potente do mundo pela Space X é importante Mas a verdadeira surpresa estava no porta-luvas. Ali, imortalizado em vidro gravado, havia uma cópia da série de livros da Fundação Isaac Asimov. Elon Musk começo o seu interesse por livros sobre viagens espaciais na adolescência Lucy Nicholson/Reuters A saga de ficção científica se passa em um império galáctico em ruínas, 50 mil anos no futuro. Foi ela que instigou o interesse de Musk por viagens espaciais quando ainda era adolescente. Agora, flutuará pelo nosso Sistema Solar pelos próximos 10 milhões de anos. Esse é o poder dos livros. Do software fictício "Terra", descrito no romance Snow Crash, de Neal Stephenson, que inspiraria o Google Earth, até um conto sobre telefones inteligentes que pode ter levado à criação da internet, a leitura plantou sementes nas cabeças de inúmeros inovadores. O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que a leitura o ensinou a ser quem ele é e no que acredita. Barack Obama, e sua mulher, Michelle, leram para crianças o livro 'Onde vivem os monstros' Jonathan Ernst/Reuters Mesmo que você não tenha ambições tão grandes, ler livros pode dar um impulso à sua carreira. Foi comprovado que o hábito pode reduzir o estresse, impulsionar o funcionamento do cérebro e até mesmo melhorar a empatia. Isso sem mencionar os benefícios óbvios que todas as informações contidas em suas páginas podem trazer. Confira abaixo um guia com os benefícios comprovados da leitura de livros - e saiba como se juntar ao clube de pessoas que fazem isso por pelo menos uma hora todos os dias. Empatia Seja empático. Embora o mundo dos negócios normalmente deixe de lado a inteligência emocional em detrimento de características como autoconfiança e capacidade de tomar decisões importantes, nos últimos anos a empatia tem sido amplamente considerada como uma habilidade importante. De acordo com um estudo de 2016 da consultoria de recursos humanos Development Dimensions International, líderes mais empáticos tendem a ser 40% mais eficientes. Pesquisadores afirmam que o adulto britânico gasta em média duas horas e 49 minutos no celular todos os dias Victor Larracuente/Unplash Em 2013, o psicólogo social David Kidd debruçou-se sobre quais atividades poderiam levar a uma maior empatia. "Como leitor de longa data, ocorreu-me que a ficção é um meio em que tradicionalmente nos envolvemos com as experiências únicas de outras pessoas", diz ele. Junto com um colega da New School for Social Research em Nova York, Kidd decidiu investigar se a leitura pode melhorar a chamada teoria da mente - a capacidade de entender que temos pensamentos e desejos diferentes. Não é o mesmo que a empatia, mas acredita-se que as duas habilidades estejam intimamente ligadas. Para isso, pediram aos participantes do estudo que lessem trechos de livros renomados da "ficção literária" - como Grandes Esperanças de Charles Dickens - ou ficção popular, como thrillers policiais e romances. Outros foram convidados a ler um livro de não-ficção ou não lerem nada. Posteriormente, os pesquisadores analisaram se a teoria da mente dos participantes havia melhorado. A ideia era de que a escrita realmente "boa", como a de obras premiadas, tende a apresentar um mundo de personagens mais realistas, que facilita a imersão do leitor - uma espécie de campo de treinamento para aprimorar sua compreensão sobre outras pessoas. Por outro lado, a dita ficção popular foi tirada de uma antologia, sem o mesmo endosso dos críticos. Os pesquisadores imaginavam que essa escrita provavelmente seria de baixa qualidade e talvez com personagens unidimensionais que agem de maneira mais previsível. Os resultados foram impressionantes: os leitores da ficção literária endossada pelos críticos obtiveram as maiores pontuações em todos os testes comparados com aqueles que leram ficção popular, não-ficção ou nada. E, embora os pesquisadores não tenham medido diretamente o impacto da teoria da mente no mundo real, Kidd diz ser praticamente certo chegar à conclusão de que os leitores regulares experimentam um crescimento de empatia. "A maioria das pessoas, se souber como os outros estão se sentindo, usará essa informação de maneira positiva." Além de melhorar sua capacidade de se relacionar com colegas e subordinados, a empatia pode levar a reuniões e colaborações mais produtivas. "Existem pesquisas que mostram que pessoas tendem a ser mais produtivas em grupos nos quais se sentem livres para expressar discordância - especialmente em se tratando de tarefas criativas", diz Kidd. "Acho que é um exemplo de que uma maior sensibilidade e interesse nas experiências de outras pessoas podem ser úteis no local de trabalho." Dicas de leitores ávidos Agora que você talvez esteja mais convencido dos benefícios da leitura, lembre-se disso: de acordo com uma pesquisa de 2017 com 1.875 pessoas realizada pelo Ofcom, órgão regulador de mídia do Reino Unido, o adulto britânico gasta em média duas horas e 49 minutos no celular todos os dias. Para atingir a meta diária de uma hora com livros, a maioria das pessoas teria de reduzir o tempo de tela em um terço. Assim, seja você um colecionador natural - o tipo de pessoa que gosta de acumular conhecimento em sua estante de livros na esperança de que um dia esse conteúdo se infiltre organicamente no seu cérebro - ou um exagerador presunçoso - o tipo de leitor que gosta de evangelizar sobre seus livros favoritos por horas, tendo apenas terminado a primeira página -, conheça algumas dicas de pessoas que podem se chamar orgulhosamente de leitores ávidos. 1 - Leia por querer, não por obrigação Cristina Chipurici aprendeu a ler sozinha quando tinha quatro anos de idade. Quando foi tomada por sua nova paixão, ela diz ter devorado todos os livros na casa de seus pais. Mas, então, algo aconteceu. "Quando entrei para a escola primária e a leitura tornou-se obrigatória, desenvolvi uma repulsa por causa de um professor que tínhamos, e isso me fez não querer ler nunca mais", diz. 'Incorporar a leitura ao seu dia a dia, acho, é uma questão de começar de baixo', diz Andra Zaharia, apaixonada por livros Aaron Burden/Unplash Além de melhorar sua capacidade de se relacionar com colegas e funcionários, a empatia pode levar a reuniões e colaborações mais produtivas. Essa aversão aos livros durou até os 20 anos, quando Chipurici começou a se dar conta lentamente do que estava perdendo - aonde as pessoas que liam tinham chegado e todas as informações disponíveis nos livros que poderiam ter feito diferença em sua carreira. Ela reaprendeu a amar a leitura e acabou criando o The CEO Library, um site sobre os livros que moldaram as carreiras das pessoas mais bem-sucedidas do mundo, de autores a políticos, passando por magnatas do investimento. "Diversos fatores causaram essa mudança. Desde mentores, passando pela decisão de investir em um curso online no qual descobri um sistema educacional diferente, até ler os artigos do blog de Ryan Holiday (ele é autor de vários livros sobre a cultura de marketing e foi diretor de marketing da marca de moda American Apparel), em que sempre fala sobre como os livros o ajudaram, e provavelmente muitos outros fatores de que nem eu mesmo sei", diz Chipurici. Se há uma moral nessa história, é ler porque você quer - e nunca permitir que isso se torne uma obrigação. 2 - Encontre um formato de leitura que funcione para você Embora o estereótipo de um bibliófilo seja alguém que ande por aí com dezenas de livros de papel e cuide de suas cópias de primeira edição como se fossem preciosos artefatos antigos, não precisa ser sempre assim. "Demoro duas horas para chegar ao trabalho", diz Kidd. "Não é o ideal, mas tenho muito tempo para ler." Quando está indo e voltando para o trabalho - não dirigindo! - ele descobriu ser muito mais conveniente ler em uma tela, como a de um celular, em vez de carregar um livro o tempo todo. Ao mesmo tempo, quando está lendo não-ficção, que tende a ser uma leitura mais desafiadora, diz preferir audiolivros. 3 - Não defina metas irreais Acompanhar os hábitos dos CEOs pode ser uma tarefa intimidadora. Dois nomes proeminentes que foram entrevistados pela The CEO Library são Fabrice Grinda, um empreendedor de tecnologia francês que começou com US$ 100 mil (R$ 384 mil) de dívida de cartão de crédito e já ganhou mais de US$ 300 milhões vendendo sua participação em investimentos bem-sucedidos, e Naveen Jain, um empreendedor e filantropo indiano que fundou a Moon Express - uma startup do Vale do Silício que pretende explorar recursos naturais na Lua. O primeiro lê 100 livros por ano; o segundo gosta de acordar às quatro da manhã para ler livros por três horas. Leitura se torna a maior aliada no processo de alfabetização infantil Colégio Uirapuru/Divulgação Mas não precisa ser assim. Andra Zaharia é freelancer e trabalha com produção de conteúdo, tem um podcast e se define como uma leitora apaixonada. Sua principal dica é evitar expectativas irreais e metas impossíveis. "Incorporar a leitura ao seu dia a dia, acho, é uma questão de começar de baixo", diz ela. Zaharia sugere começar perguntando aos amigos por recomendações de livros e lendo apenas uma ou duas páginas. "Você não precisa definir uma meta de 60 livros por ano. Os livros digitais, como no Kindle, podem ser mais fáceis na verdade, pois você não consegue ver o número de páginas restantes." 4 - Se você está realmente tendo dificuldade, tente a 'Regra de 50' Essa regra geral vai ajudá-lo a decidir quando desistir de um livro. Se você está propenso a abandonar impiedosamente uma leitura na página quatro ou preso com volumes gigantes que aprendeu a odiar, a ideia é ler 50 páginas e depois decidir se o livro traz - nas palavras de Marie Kondo - "faíscas de alegria". Se isso não acontecer, desista. A estratégia foi inventada pela autora, bibliotecária e crítica literária Nancy Pearl e explicada em seu livro Book Lust (Desejo de Livro, em tradução livre). A regra é a seguinte: se você tiver até 50 anos, leia as primeiras 50 páginas para decidir se vale a pena ou não continuar a leitura. Se você tiver mais do que 50, subtraia a sua idade de 100: o resultado será o número de páginas que você deve ler antes de desistir de um livro. Por exemplo: se você tiver 70 anos, foque nas 30 primeiras páginas. A lógica de Pearl é de que, na medida em que envelhecemos, a vida se torna curta demais para ler livros ruins. Deixar seu celular de lado por apenas uma hora por dia e substituir suas mensagens de texto por um livro podem aumentar seus níveis de empatia e torná-lo mais produtivo. Se as pessoas mais ocupadas e bem-sucedidas do mundo conseguem, você também pode. Quem sabe o que você fará com todo esse conhecimento e inspiração extra? Você pode até acabar fundando sua própria empresa aeroespacial e enviando seu carro ao espaço.
    Dia do Índio é data 'folclórica e preconceituosa', diz escritor indígena Daniel Munduruku

    Dia do Índio é data 'folclórica e preconceituosa', diz escritor indígena Daniel Munduruku


    Doutor em educação pela USP e indígena, Daniel Munduruku diz que a data comemorativa ajuda a cimentar preconceitos sobre os povos tradicionais, e poderia ser substituída pelo dia da Diversidade Indígena. Daniel Munduruku, pós-doutor em...


    Doutor em educação pela USP e indígena, Daniel Munduruku diz que a data comemorativa ajuda a cimentar preconceitos sobre os povos tradicionais, e poderia ser substituída pelo dia da Diversidade Indígena. Daniel Munduruku, pós-doutor em linguística, sugere criação do Dia da Diversidade Indígena Divulgação "Ao longo da nossa conversa, como o senhor prefere ser chamado: Daniel ou Munduruku?", questionou a BBC News Brasil ao entrevistado. "Pode chamar de Daniel ou de Munduruku. Como preferir. Só não chama de índio", disse, dando risada, o escritor. Por que 19 de abril virou dia do índio Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio Doutor em educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Daniel Munduruku defende que a palavra "índio" remonta a preconceitos - por exemplo, a ideia de que o indígena é selvagem e um ser do passado - além de "esconder toda a diversidade dos povos indígenas". Por isso, "quando a gente comemora o Dia do Índio, estamos comemorando uma ficção", fala Munduruku, a respeito do 19 de abril. Reflexo disso são celebrações da data feitas por escolas, com uma "figura com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo". "É uma ideia folclórica e preconceituosa." "A palavra 'indígena' diz muito mais a nosso respeito do que a palavra 'índio'. Indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros", defende Munduruku, que pertence ao povo indígena de mesmo nome, hoje situado em regiões do Pará, Amazonas e Mato Grosso. As palavras 'índio' e 'indígena' não querem dizer a mesma coisa. E o termo 'índio' está hoje ligado à 'preguiça, selvageria e atraso', diz Daniel Prefeitura de Bertioga/Divulgação "Talvez o 19 de abril devesse ser chamado de Dia da Diversidade Indígena. As pessoas acham que é só uma questão de ser politicamente correto. Mas, para quem lida com palavra, sabe a força que a palavra tem", continua o escritor, autor de mais de 50 livros para crianças, jovens e educadores. Leia abaixo a entrevista de Daniel Munduruku para a BBC News Brasil sobre o 19 de abril: BBC News Brasil - Qual o problema da palavra "índio"? Daniel Munduruku - Do meu ponto de vista, a palavra índio perdeu o seu sentido. É uma palavra que só desqualifica, remonta a preconceitos. É uma palavra genérica. Esse generalismo esconde toda a diversidade, riqueza, humanidade dos povos indígenas. Quando a gente usa a palavra índio, estamos nos reportando a duas ideias. Uma é a ideia romântica, folclórica. É isso que se comemora no dia 19 de abril. Aquela figura do desenho animado, com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo. Há a percepção de que essa é uma figura que precisamos preservar, um ser do passado. Mas os indígenas não são seres do passado, são do presente. A segunda ideia é ideologizada. A palavra índio está quase sempre ligada a preguiça, selvageria, atraso tecnológico, a uma visão de que o índio tem muita terra e não sabe o que fazer com ela. A ideia de que o índio acabou virando um empecilho para o desenvolvimento brasileiro. BBC News Brasil - Então, deveríamos abandonar a palavra "índio" e usar "indígena"? Munduruku - Uma palavra muda tudo? Sim, uma palavra muda muito. Nos meus vídeos e palestras, eu tenho sempre feito uma separação fundamental entre "índio" e "indígena". As pessoas ainda pensam que índio e indígena é a mesma coisa. Não é. O próprio dicionário diz isso. A palavra indígena diz muito mais a nosso respeito do que a palavra índio. A palavra índio gera uma imagem distorcida. Já indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros. Ah, então eu nasci em São Paulo, eu sou indígena? Não, você é nativo. Para ser originário precisa ter um pertencimento a um povo ancestral. O antônimo (contrário) de indígena é alienígena, aquele que vem de fora. Então, eu uso indígena para reforçar o fato de que somos originários. Além disso, eu não sou um indígena qualquer. Eu tenho um lugar de pertencimento: Munduruku. É importante reforçar a identidade dos povos. BBC News Brasil - No Brasil, ainda é muito raro tratarmos os povos pelo nome. Por quê? Munduruku - É muito mais fácil usar uma palavra genérica do que efetivamente dar aos povos indígenas o peso da sua identidade. Identificar os diferentes povos indígenas significa garantir a eles direitos e políticas específicas, não políticas genéricas. BBC News Brasil - Você já disse que o Dia do Índio, comemorado hoje, 19 de abril, é "uma farsa". Munduruku - Quando a gente comemora o Dia do Índio, estamos comemorando uma ficção, uma ideia folclórica e preconceituosa. Por isso, quase sempre as comemorações desta data feitas nas escolas reproduzem o estereótipo. Mas, se nós continuamos tratando isso como ficção, vamos continuar deseducando nossas crianças. 'Comemorações feitas em escolas reproduzem um estereótipo', diz o acadêmico e escritor Joilson César / Ag Haack Talvez a data devesse ser chamada de Dia da Diversidade Indígena. As pessoas acham que é só uma questão de ser politicamente correto. Mas, para quem lida com palavra, sabe a força que a palavra tem. Tanto que apelido tem uma força destruidora - e "índio" é, de certa forma, um apelido. Um Dia da Diversidade Indígena teria um impacto semelhante ao Dia da Consciência Negra, que gerou uma mudança absolutamente significativa. BBC News Brasil - Então, como deveria ser lembrado o dia 19 de abril? Munduruku - A sugestão que eu sempre faço para escolas é que a gente possa deixar de usar o 19 de abril como uma data comemorativa. É uma data para a gente refletir. Deve gerar nas pessoas um desejo de conhecer, de entrar em contato com essa diversidade dos povos indígenas. BBC News Brasil - Ainda há muito estereótipo no 19 de abril, ou já houve uma mudança? Munduruku - Houve um avanço muito grande na sociedade. Mas, sem dúvida nenhuma, hoje ainda se reproduz muito desse imaginário do "índio". E isso acontece por causa da escola. A escola é a última instituição a se atualizar. O que acabou ajudando na atualização dos professores foi a lei 11.645, de 2008, que obrigou que a temática indígena saísse do 19 de abril e se tornasse parte de algumas disciplinas escolares. Isso criou condições para os professores se atualizarem, porque obrigou os governos a comprarem livros, oferecerem cursos… BBC News Brasil - Como foi o seu processo de se reconhecer como indígena e Munduruku? Munduruku - Eu nasci em 1964, ano do golpe. Em 1967, os militares criaram a Funai, que tinha entre suas prioridades nos tornar civilizados. Isso significava apagar nossa história, nossa identidade. É nesse momento que eu fui para escola. Eu sofri muito bullying, muita violência moral. E isso criou em mim uma espécie de ojeriza pela minha identidade Munduruku. BBC News Brasil - Como era o bullying na escola? Munduruku - O bullying é uma forma de criar na gente uma repulsa por aquilo que somos. Na escola, me chamavam de índio de uma forma pejorativa. Dizendo que índio é bicho, é selvagem. Não queriam fazer atividade comigo porque índio não é inteligente. Parte do ano escolar eu vivia na cidade - essa era uma das estratégias da Funai naquela época, tirar a gente do convívio com a comunidade, para não falar a língua indígena, não conviver com rituais. Já nas férias escolares, a gente voltava para a aldeia. Mas, algumas vezes, a gente nem queria mais ir para aldeia, com uma certa rejeição à nossa própria cultura. Quem abriu em mim outra perspectiva foi meu avô. Ele me fez aceitar minha identidade Munduruku e gostar de ser quem eu era. BBC News Brasil - O mês de abril, por conta do Dia do Índio, costumava ser um momento em que o governo federal anunciava medidas ligadas aos povos indígenas - por exemplo, a demarcação de terras. Qual sua perspectiva para este ano? Munduruku - O presidente Jair Bolsonaro já declarou que não entende absolutamente nada de povo indígena. A Força Nacional acaba de ser convocada para ir para Brasília e coibir qualquer tipo de manifestação do movimento indígena nos próximos dias - que é quando vai ocorrer o Acampamento Terra Livre (assembleia de povos indígenas do Brasil, convocada para 24 a 26 de abril, na capital federal). Em uma de suas transmissões ao vivo (no Facebook), o presidente disse que quer saber de onde vem o dinheiro para reunir 10 mil indígenas no Acampamento Terra Livre, disse que essa farra vai acabar. Mas o próprio movimento indígena já respondeu que o governo não dá nenhum tostão para mobilização indígena. Exposição em São Paulo mostra em fotos dia a dia dos índios ianomâmi Reprodução/JN Eu não quero ser profeta do caos. Mas minha perspectiva é que as coisas vão piorar para os povos indígenas nesse governo. Que o governo não vai fazer absolutamente nada favorável aos indígenas. Mas vai dizer que vai fazer, por exemplo, que vai abrir terra indígena para exploração mineral e que isso é positivo porque os indígenas querem ser iguais aos outros brasileiros. E uma parte da população vai acreditar nesse discurso vazio. BBC News Brasil - Por quê? Munduruku - Somos brasileiros como todos os outros e temos direito como todos os outros. Mas, no Brasil, quando se fala em direito, as pessoas quase sempre pensam em privilégios. Esse governo tem repetido que o índio precisa ser igual a todos os brasileiros. Quando diz isso, está falando em acabar com os direitos que os indígenas possuem e que foram conquistados legitimamente na Constituição brasileira. BBC News Brasil - Recentemente, em um debate no Congresso, a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) questionou por que os índios "continuam miseráveis", se "têm em torno de 13% do território nacional, dinheiro destinado, política pública destinada". O que o senhor achou disso? Munduruku - Uma coisa são as pessoas que realmente vivem na faixa da miséria. Outra coisa é chamar de miserável o indígena, que tem uma cultura milenar. Quando a gente pensa que uma pessoa é miserável porque ela não é como a gente, porque ela não frequenta shopping center, a gente está sendo não apenas preconceituoso, mas racista. Essa senadora está julgando as culturas indígenas a partir dos parâmetros de riqueza que ela tem. Portanto, nem mereceria ser senadora. BBC News Brasil - Qual o papel da literatura na mudança da visão do indígena pela sociedade? Munduruku - A literatura é um instrumento superinteressante de construção de lugares de fala. Tem esse componente muito positivo de alimentar nas pessoas outros olhares, outras facetas da existência. A literatura que eu faço é comprometida, minha forma de ser militante no movimento indígena. Eu tento usar a literatura para poder falar das nossas culturas. A literatura é fundamental para a gente ir desconstruindo esses estereótipos sobre os povos indígenas e ir construindo uma percepção diferente.
    Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio: 'Não precisamos de outras pessoas para nos definirem'

    Indígenas lançam campanha contra estereótipos para o Dia do Índio: 'Não precisamos de outras pessoas para nos definirem'


    Denílson Baniwa e Katu Mirim militam nas redes sociais sobre a causa e falam como são os indígenas em 2019; artista visual criou camiseta com referência a Star Wars em tupi. Poema do indígena Denilson Baniwa sobre o Dia do índio nas...


    Denílson Baniwa e Katu Mirim militam nas redes sociais sobre a causa e falam como são os indígenas em 2019; artista visual criou camiseta com referência a Star Wars em tupi. Poema do indígena Denilson Baniwa sobre o Dia do índio nas escolas Reprodução/Facebook Em 2018, o artista visual Denílson Baniwa, 35 anos, escreveu um poema sobre os estereótipos sobre indígenas usados nas escolas no Dia do Índio, comemorado no dia 19 de abril. Juntamente com a página Visibilidade Indígena, ele começou uma campanha espontânea contra atitudes como pintura facial em crianças “com canetinhas hidrocor” e cocares de papel. “Muitas vezes algumas pessoas não reconhecem os índios como eles são atualmente, porque acham que somos como foi reproduzido nas escolas e na televisão: um índio nu, vivendo na natureza. E isso não é mais realidade. Meu poema foi para falar sobre isso, de olhar para o índio de 2019 e não mais para o de 1500”, diz Denilson, que deu entrevista ao G1 usando uma camiseta criada por ele com uma referência à saga Star Wars (veja no vídeo abaixo). Indígenas lançam campanha contra estereótipos para comemorar Dia do índio “É uma cena clássica quando o Luke Skywalker reconhece Darth Vader como pai. Escrevi em tupi ‘Luke, eu sou teu pai’. Meu trabalho tem uma coisa voltada para a antropofagia, então eu pego signos modernos da arte e transformo de maneira antropofágica”, explica. Indígena da etnia Baniwa e nascido no Amazonas, Denilson diz que o “índio hoje é uma pessoa que vive nos mundo atual, se apropriou da tecnologia e busca equipamentos para defender sua cultura”: Até a década de 70, 80, os índios eram vistos como pessoas que precisavam de tutela e não tinham capacidade de se defender. E hoje buscamos falar isso: que estamos vivos, que temos poder de voz, temos conhecimento e somos capazes de decidir sobre nossa própria existência no mundo sem precisar de outras pessoas para nos definirem ou falarem por nós, diz Denilson Baniwa. Indígenas em 2019 A ativista Katu Mirim liderou a campanha #ÍndioNãoÉFantasia contra o uso de penas, pinturas corporais e cocares que remetem a povos indígenas no carnaval deste ano. De acordo com a indígena, trata-se de racismo e não homenagem. Ela é uma das administradoras da página Visibilidade Indígena, que divulga nas redes sociais a militância sobre as causas indígenas. "Criei a página em 2017 para trazer visibilidade e informações sobre a nossa pluralidade étnica, trazer visibilidade para nossos artistas e apresentar para a sociedade o indígena contemporâneo, o indígena no presente", disse ela ao G1. Katu é indígena urbana, ou seja, nasceu na cidade. Ela estudou em escola pública e conta que foi a partir de sua experiência que criou a campanha sobre o Dia do Índio nas escolas. 'Eu peço que olhem para os povos indigenas, nos respeitem, lutem conosco', afirma Katú Mirim Reprodução/Facebook "A escola sempre reforçou o estereótipo do indiozinho pelado e selvagem. A professora dava um desenho do índio que só usava uma folhinha pra cobrir as genitais, pintávamos o desenho, fazíamos cocar de papel e quando colocavam na minha cabeça diziam: 'Você é índia selvagem' e batiam na boca. Nunca vi a escola falar a verdade sobre nós", diz ela. Katu diz que isso ainda não mudou. "Na antiga escola da minha filha, o Dia do Índio ainda está lá, com o cocar de papel, música da Xuxa e pipoca. Uma vez fui buscar minha filha na escola e ela falou para a amiguinha que somos indígenas. A amiguinha respondeu que não, pois, no Dia do Índio, a professora falou que eles moram na oca, no meio do mato e comem mandioca", conta. Para Katu, a ignorância causa danos aos índios. "Hoje existem etnomídias que abordam essas questões e informação. Não se pode mais errar e continuar reforçando esses estereótipos que ajudam a nos inviabilizar, estereótipos que contribuem com nosso genocídio." Como abordar o tema nas escolas O artista plástico Denilson Baniwa, que milita por causas indígenas Bárbara Muniz Vieira/G1 Denilson não imaginava que a sua publicação do poema em rede social fosse repercutir quando a republicou neste ano. “Foi uma provocação para falar sobre o dia 19 de abril, uma data instituída pelo governo que se tornou uma ‘homenagem’ aos indígenas, o que não é verdade. O dia 19 foi instituído com sentimento de resistência e de luta por direitos indígenas no mundo”, diz Denilson. Para o artista, uma maneira adequada de abordar o Dia do índio nas escolas seria falar da diversidade e importância deles. “Índio não é tudo igual e não fala tudo tupi. Existem mais de 300 etnias, que falam mais de 300 idiomas. É importante saber que os indígenas são diferentes no Sul, no Nordeste, no Norte, no Sudeste e no Centro-Oeste. São visões diferentes de mundo e de cultura. Essa diversidade é importante para a formação do Brasil e entendimento do país enquanto território nacional”. Já Katu resumiu a sugestão para as escolas no banner criado por ela.  "Pedi que por favor os professores não reforcem estereótipos, não coloquem a música da Xuxa, não sejam um desserviço. Acho importante a escola levar um indígena para falar, pesquisarem sobre a questão indígena. Nós existimos e resistimos. Está na hora de nos escutarem, entenderem nossas questões e nos deixarem falar. Vocês estão no Brasil, terra indígena, se não respeitam a raiz vão respeitar o quê? Se for pra reforçar estereótipos e racismo, o melhor é ficar quieto." Campanha da página Visibilidade Indígena sobre o Dai do Índio Reprodução/Facebook Indígenas cantam rap Em janeiro, o G1 contou a história de jovens indígenas que são lideranças da aldeia Teoka Pyal, na região do Pico do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, cantam rap em guarani e português. Com letras de cunho político e social, os índios Hebert, o Wera, (pronuncia-se 'Verá' e significa "trovão", em guarani), de 23 anos, e Jefersom, o Xondaro ("guerreiro"), de 19 anos, conciliam a vida na aldeia com agenda de shows e manifestações em atos em São Paulo e Brasília. Jovens índios da Zona Norte de SP cantam rap em tupi-guarani para defender causa indígena A aldeia Teoka Pyal foi fundada há 20 anos pela avó de Wera, a primeira cacique mulher da tribo. Atualmente vivem 700 índios no espaço de 1,3 hectare, que fica próximo ao Parque Estadual do Jaraguá. Eles lutam pela demarcação de mais 513 hectares. Wera diz que sente descaso com a causa indígena não só por parte dos governantes, mas também do "homem branco" em geral. "A gente quando sai da Teoka já é mal visto, mal falado, esse estereótipo de que a gente indígena anda pelado e tal... Quando vai pra fora (da aldeia) muito motorista de ônibus não para no ponto, muita pessoa olha com raiva, fala mal, acha que a gente não entende enquanto a gente está entendendo tudo. Eles falam: 'Olha esse indinho como ele tá sujo'. A gente sempre teve contato com a terra e a terra não é suja. O que é sujo é essa poluição do carro que prejudica o meio ambiente", diz ele.
    Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa

    Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa


    Competição aconteceu na semana passada em Kiev, na Ucrânia; além do ouro, estudantes brasileiras também conquistaram duas medalhas de bronze, e país ficou na 20ª colocação geral. Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de...


    Competição aconteceu na semana passada em Kiev, na Ucrânia; além do ouro, estudantes brasileiras também conquistaram duas medalhas de bronze, e país ficou na 20ª colocação geral. Brasileiras fazem história com ouro inédito em olimpíada de matemática na Europa Seis mulheres e uma missão: representar o Brasil na 8ª Olimpíada Europeia Feminina de Matemática (EGMO, na sigla em inglês), que aconteceu de 7 a 13 de abril, em Kiev, na Ucrânia. A disputa entre 196 estudantes de 49 países rendeu ao Brasil um feito inédito: uma medalha de ouro, conquistada pela estudante gaúcha Mariana Groff, de 17 anos, e a 20ª colocação geral. Essa é a terceira vez que a jovem participa do evento e, a cada edição, ela foi obtendo resultados melhores: bronze em 2017, prata em 2018 e ouro em 2019. Atualmente, ele se mudou de Frederico Westphalen (RS) para Fortaleza para estudar. "Eu me dediquei muito nos últimos meses estudando matemática, e tive aulas e apoio em Fortaleza para isso. Assim, acho que a medalha era um resultado esperado, mas isso não interferiu na grande alegria que eu tive quando fiquei sabendo que eu ia ganhar uma medalha de ouro", Mariana Groff, medalhista de ouro. Mariana Groff, de Frederico Westphalen (RS), ganhou uma bolsa de estudos de um colégio em Fortaleza e, na semana passada, se tornou a primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro na Olimpíada Europeia Feminina de Matemática Reprodução/Impa Um ouro e dois bronzes Além da medalha de ouro, a participação recorde do Brasil também trouxe duas medalhas de bronze, conquistadas por Maria Clara Wernerck, do Rio de Janeiro e Ana Beatriz Studart, de Fortaleza, ambas com apenas 17 anos. Maria Clara e a estudante paulista Bruna Shoji, de 16 anos, fizeram sua estreia na competição. "Ser bronze em uma olimpíada internacional foi uma honra. A experiência num todo me deixou feliz e voltei para o Ceará com boas história e aprendizados. Eu não consigo imaginar meu futuro sem a matemática", disse Ana Beatriz, que participou da EGMO pela segunda vez e agora quer incentivar mais meninas a ocuparem o espaço das exatas, onde os meninos ainda são maioria. "Quero poder mostrar ao maior número de meninas que elas também têm espaço na ciência e como esse mundo das olimpíadas de conhecimento é incrível. Foi algo transformador na minha vida e quero que toda menina tenha a mesma oportunidade", completa Ana Beatriz. Delegação brasileira na abertura da EGMO, a Olimpíada Europeia de Matemática para Meninas, realizada entre 7 e 13 de abril na Ucrânia Divulgação/EGMO Incentivo às meninas A delegação é formada por quatro competidoras e duas líderes. Nesta edição, Deborah Alves e Luize Viana foram as líderes responsáveis por cuidar da argumentação da nota final, e também do emocional da equipe. Da esquerda para a direita: Luize Viana, Bruna Shoji Mariana Groff, Maria Clara, Ana Beatriz e Deborah Alves Impa/Divulgação "A competição é ótima para manter as meninas incentivadas, é um ambiente mais confortável, já que as meninas têm mais barreiras que os meninos. Essa conquista é sensacional, é só a nossa terceira participação e já conquistamos diversas medalhas além da de ouro. Isso mostra o potencial das meninas e do Brasil", conta Deborah Alves, que já participou de mais de sete olimpíadas de matemática e se voluntariou para participar do evento com as meninas. O Brasil participa há três anos da competição e soma agora dez premiações (nove medalhas e uma menção honrosa). O Impa foi um dos financiadores dos gastos das participantes brasileiras na Ucrânia. Em 2020, a EGMO será realizada na Holanda. Com a bandeira brasileira, Mariana Groff sobe ao palco ao lado das demais medalhistas de ouro da olimpíada de matemática Divulgação/EGMO 'Queremos criar heroínas' No segundo semestre de 2019, o instituto pretende lançar o Torneio Meninas na Matemática. A ideia não é ter competições separadas para garotas e garotos, mas sim criar uma porta de entrada para mais meninas competirem na EGMO. "Não pretendemos separar torneios por gênero e esta competição será uma soma, servirá para inspirar. O que estamos criando são momentos para quebrar esse ciclo vicioso de que há somente meninos na matemática, queremos criar heroínas", disse Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Além desta competição, o Impa também estimula a participação de mais meninas na matemática por meio do Troféu Impa Meninas, criado em 2017 como uma premiação especial às mulheres que competem na Olímpiada Internacional de Matemática (IMO). "Somos um país que tem receio da matemática, que está na vida de todos nós. Abrir mão das mulheres na hora de inserir iniciativas de inserção da matemática na vida de todos seria uma tragédia. As famílias e a escola são muito importantes no incentivo", explica Marcelo Viana. Veja também Em 2018, Rio sediou o 1º encontro mundial de mulheres matemáticas Olimpíadas do conhecimento ajudam a superar deficiência do ensino, diz Artur Ávila Estudo encontra 999 beneficiários do Bolsa Família medalhistas da Obmep Americana é 1ª mulher a receber o Prêmio Abel de Matemática (assista abaixo) Pioneira da análise geométrica é a primeira mulher a receber prêmio mundial de matemática
    Ex-número 2 do MEC é exonerado do cargo de assessor especial do ministro

    Ex-número 2 do MEC é exonerado do cargo de assessor especial do ministro


    Ricardo Machado Vieira era secretário-executivo do MEC e saiu da posição quando Antonio Paulo Vogel de Medeiros assumiu o posto, em 10 de abril. Agora, ele foi exonerado de mais um cargo. Ricardo Machado Vieira Reprodução/Linkedin O...


    Ricardo Machado Vieira era secretário-executivo do MEC e saiu da posição quando Antonio Paulo Vogel de Medeiros assumiu o posto, em 10 de abril. Agora, ele foi exonerado de mais um cargo. Ricardo Machado Vieira Reprodução/Linkedin O tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira foi cortado do Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (18) após um vai e vem de cargos. A exoneração está no Diário Oficial da União. Em 29 de março, ele deixou o posto de assessor especial da presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para assumir a Secretaria Executiva do MEC, cargo considerado o número 2 da pasta. Dez dias depois, em 8 de abril, o então ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido por Bolsonaro após uma gestão marcada por controvérsias e recuos. No mesmo dia, o economista Abraham Weintraub foi indicado para comandar o MEC. Dois dias após a troca do ministro, em 10 de abril, foi a vez de Vieira deixar a secretaria-executiva para dar lugar a Antonio Paulo Vogel de Medeiros. Nesta quinta, uma semana após a mudança da gestão do MEC, o Diário Oficial da União traz a sua exoneração do cargo de assessor especial do ministro. Initial plugin text
    Criança ensina a ler e a escrever vendedor de picolé que trabalha há 40 anos em escola e história viraliza no Ceará

    Criança ensina a ler e a escrever vendedor de picolé que trabalha há 40 anos em escola e história viraliza no Ceará


    Idoso diz que tinha o sonho de escrever o nome. Professores e familiares ajudam menina a 'alfabetizar' o vendedor de picolé. Menina de nove anos ensina idoso de 70 anos a ler e a escrever no Ceará Uma criança de 9 anos resolveu ensinar a ler e a...


    Idoso diz que tinha o sonho de escrever o nome. Professores e familiares ajudam menina a 'alfabetizar' o vendedor de picolé. Menina de nove anos ensina idoso de 70 anos a ler e a escrever no Ceará Uma criança de 9 anos resolveu ensinar a ler e a escrever um idoso que trabalha há mais de 40 anos vendendo picolé em frente a uma escola no Crato, interior do Ceará, mas nunca foi alfabetizado. A história de amizade entre os dois 'viralizou' nas redes sociais e emocionou familiares e professores do colégio onde a menina estuda. Bárbara Matos, 9, conta que um dia, ao ir comprar um picolé, perguntou se o idoso se ele sabia ler. O vendedor Francisco Santana Filho, conhecido como "Seu Zezinho", disse que não, mas tinha vontade de aprender. Então, a criança resolver ajudar a alfabetizar o idoso. As "aulas" acontecem na porta da escola, com a ajuda de uma professora do Colégio Diocesano, no Centro do Crato. A criança diz que tenta fazer com que o vendedor escreva palavras simples, até chegar ao seu nome. "Eu coloco palavras como 'casa' pra ele cobrir, desenhos, letras pontilhadas. Aí ele vai tentando adivinhar as letras e cobrir os nomes", explica a menina. Menina de 9 anos ensina idoso a ler e a escreve pela primeira vez e história viraliza no Ceará Reprodução/Sistema Verdes Mares Sonho de escrever o nome O vendedor conta que trabalha há décadas na escola, mas nunca aprendeu a ler e a escrever. Quando era jovem, o Zezinho tinha o sonho de ser repórter de televisão. Agora, ele diz que o objetivo é conseguir escreve sozinho o próprio nome. "Eu velho, já com 68 anos, né?. Mas ela chegou, deu essa forcinha e então agora a gente vai aprender uma coisinha. O importante é aprender, então estou feliz. Vai ser bom demais escrever meu nome. Na semana que vem eu aprendo. Eu vou conseguir", diz emocionado o idoso. Amizade entre estudante e vendedor de picolé emociona professores e familiares Sistema Verdes Mares/Reprodução Ajuda dos professores A professora Rizélia Sobreira acompanha a estudante durante as lições. Ela diz que a atitude da menina emocionou a todos na escola. "Eu também me coloquei à disposição pra ajudar. Achei muito bonita essa atitude. Eu chamei ela depois, dei um livro de caligrafia pra melhorar as atividades e tarefas com ele". A avó de Bárbara, a aposentada Silvana Matos Costa, diz que ficou emocionada ao saber da atitude da neta. "É muito gratificante. Eu só tenho uma palavra pra dizer, que é gratidão. Eu tô orgulhosa e muito emocionada", comentou.
    Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos

    Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos


    Professor desenvolveu método de ensino, prática e escrita com estudantes do 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual em Guarulhos (SP). O professor Flávio Nascimento (de camisa vermelha) ao lado de estudantes que...


    Professor desenvolveu método de ensino, prática e escrita com estudantes do 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual em Guarulhos (SP). O professor Flávio Nascimento (de camisa vermelha) ao lado de estudantes que escreveram poemas para o livro 'Astronomia em versos'. Governo do Estado de SP Conceitos de astronomia ganharam rimas e ritmo nas mãos de 50 estudantes de 11 anos de uma escola pública de Guarulhos, em São Paulo. E as poesias viraram um livro. Sistema Solar, Cometas, Constelações, Estrelas, Planeta Anão, Stephen Hawking e Missões Apolo são alguns dos nomes dos poemas que compõem o “Astronomia em Versos: Um olhar dos anos finais para o ensino de Astronomia”, escrito por alunos da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, sob a coordenação do professor Flávio Borges do Nascimento. A obra foi publicada por uma editora independente e os custos foram bancados pela associação de pais e mestres da escola. Aulas de astronomia viram livro de poesia de alunos de 11 anos Nesta quinta (18), é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi criada em 2002 em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu em Taubaté (SP) neste mesmo dia, em 1882. Nos livros “Geografia de Dona Benta”, “Serões de Dona Benta” e “Reforma da Natureza”, o autor também usa a escrita lúdica para abordar conceitos de ciência. “Essa é uma idade de despertar. Os alunos que escreveram o livro são uma referência positiva na escola. Eles desenvolveram o interesse pela leitura, pela astronomia e isso permite que as pessoas olham e vejam que é possível fazer coisa boa na rede pública”, diz Nascimento. Mas, por que poesia e astronomia? Estudantes da Escola Estadual Maria Aparecida Félix Porto, de Guarulhos, escreveram poesias sobre astronomia no livro 'Astronomia em Versos' Divulgação/Governo do Estado de SP A proposta do professor é incentivar a autonomia do estudo e propor que os estudantes reflitam sobre o conteúdo ensinado. Eles deveriam pesquisar, aprender e transformar o conteúdo em uma outra linguagem. A poesia foi o gênero que se mostrou mais apropriado para os estudantes desta faixa etária. “Não é algo revolucionário. É ouvir os alunos e tentar reproduzir algo novo, por mais simples que seja, mas que venha deles”, diz Nascimento. Do giz ao verso Diagrama mostra ordem dos oito planetas no Sistema Solar Nasa Mas, como incentivar crianças a se interessarem por astronomia e, ainda mais, por poesia? Para atrair a atenção dos estudantes, o professor Nascimento disse que usa a preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia como chamariz. Além disso, ele dá as aulas seguindo três passos: 1) ensinando o conteúdo de forma tradicional seguindo o livro didático e adotando apenas giz e lousa; 2) levando para a sala de aula instrumentos que demonstram na prática o que eles estavam aprendendo e 3) propondo que os alunos construíssem seus próprios instrumentos. Um exemplo é o telúrio, uma maquete eletrônica que mostra a Terra, o Sol e a Lua orbitando. Com esse instrumento, ele ensina que a lua tem 29 fases, e não apenas quatro. Isso porque “fase” é a porção iluminada da Lua, que varia ao longo de um ciclo de 29,5 dias. “Quando mostro o Sol, a Terra e a Lua eles começam a entender as fases da Lua. Com o aluno indo para casa, olhando, vendo a ciência, ele vai se sentir parte do processo porque vê que é assim”, explica. E a poesia? “Não teria como exigir que os alunos fizessem textos científicos aos 11 anos”, pondera. O professor diz que explicou alguns conceitos sobre estrofe e deixou os alunos livres para a rima. Ao todo, foram selecionadas 59 poesias. Ensinando a aprender Estudante lê o livro de poesia 'Astronomia em versos', com poemas de estudantes de 11 anos da rede pública. Divulgação/Governo do Estado de SP A confecção do livro foi um segredo entre o professor e os estudantes. “Pedi para não falarem para os pais, nem pedissem a intermediação de irmãos. Queria que eles aprendessem sozinhos, lendo livros, consultando referências, sem olhar a internet”, diz. Os estudantes toparam. Foram muitas idas e vindas do texto, de fevereiro até dezembro, até que a obra fosse apresentada aos pais em um evento no fim do ano passado. “Disse para os estudantes: ‘Fala para eles [pais] que agora vocês são escritores’. Foi muita emoção”, diz. Os autores Nascimento é formado em geografia e faz doutorado em ensino na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Este é o segundo livro que Nascimento desenvolve com alunos do ensino fundamental. Em 2016, ele publicou outro semelhante com estudantes da cidade de Monte Mor (SP), onde deu aula. Hoje ele ministra cursos de ciência e geografia para professores. A ideia é replicar o que aprendeu e ter, até o fim deste ano, outros quatro livros feitos em escolas públicas de SP. Desta vez, o assunto da astronomia mais noticiado neste ano deverá aparecer como tema dos poemas: a primeira foto já feita de um buraco negro. Ao fim do livro há uma mini-biografia de cada estudante. Entre os autores, há quem diga que quer ser “estilista e famosa”, outros sonham em estudar medicina veterinária, e até quem quer “deixar sua marca na história da humanidade”, talvez influenciado por Stephen Hawking – a morte do astrofísico foi uma das notícias da astronomia do ano passado, quando os estudantes estavam preparando o livro. Tem também quer estudar astronomia – quem sabe um novo cientista brasileiro sai dessa turma de poetas das estrelas. Poema 'Universo' do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em versos' Poema 'O que é Constelação', do livro 'Astronomia em versos' Reprodução/'Astronomia em verso'
    Meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos está sob risco em 89% dos municípios

    Meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos está sob risco em 89% dos municípios


    Plataforma dos tribunais de conta estaduais acompanha o cumprimento de metas até 2024 com base em dados detalhados por município, que não constam no monitoramento federal. 87% dos municípios arriscam descumprir meta de matricular todas as...


    Plataforma dos tribunais de conta estaduais acompanha o cumprimento de metas até 2024 com base em dados detalhados por município, que não constam no monitoramento federal. 87% dos municípios arriscam descumprir meta de matricular todas as crianças de 6 a 14 anos Juliane Monteiro/G1 Os municípios e estados brasileiros têm até 2024 para garantir que todas as crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estejam matriculados ou já tenham concluído o ensino fundamental. Uma ferramenta lançada pelos tribunais de contas estaduais mostra, no entanto, que 89% das cidades estão correndo o risco de descumprir essa meta, que foi determinada na lei do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014. Os dados da plataforma TC Educa são relativos ao ano 2017, o mais recente disponível, e foram obtidos com exclusividade pelo G1. A plataforma é usada tanto na fiscalização quanto para auxiliar os prefeitos a desenvolverem planos para cumprir a meta. O levantamento considerou em "risco de descumprimento" o município que, entre 2014 e 2017, tinha uma tendência anual de expansão do atendimento menor do que a necessária para cumprir a meta em 2024. Ao todo, 4.947 municípios estavam nessa situação. O Brasil tem 5.570 cidades – mas cinco delas ficaram de fora do levantamento, porque foram fundadas depois de 2010. A ferramenta acompanha o índice de atendimento desde 2014 e usa dois dados como base: a estimativa populacional de cada município, feita em 2012 pelo Datasus com base no Censo Populacional de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e a quantidade de matrículas nas escolas, divulgada todos os anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os dois números mostram uma estimativa da porcentagem total da população naquela faixa etária que estava matriculada no ano de referência. Comparando o histórico das taxas de atendimento, é possível ver que 4.817 dos 5.565 municípios com dados disponíveis estão indo na contramão da meta, porque, em 2017, apresentaram uma taxa mais baixa do que a de 2014. O TC Educa aponta ainda que a taxa de atendimento para todo o Brasil era de 86,7% em 2017. A plataforma, porém, usa uma metodologia diferente do monitoramento do governo federal, que tem números diferentes. Isso acontece porque o governo usa outra base de dados populacional, que só tem números nacionais e agregados por estados e grandes regiões, e não contempla os municípios. Assim, pelo monitoramento do governo federal, a taxa de atendimento do Brasil foi de 97.7% em 2015 (entenda mais abaixo). Dos 5.565 municípios com dados disponíveis, 4.817 estão indo na contramão da meta, porque apresentaram queda no índice de atendimento Juliane Monteiro/G1 Monitoramento dos tribunais de contas A plataforma foi criada em 2017 por um grupo de trabalho dos tribunais de contas do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, com o objetivo de ajudar os tribunais de todo o país a acompanhar os trabalhos de expansão das matrículas de prefeitos e governadores. No início, o TC Educa monitorava duas das 20 metas do PNE: as metas 1 e 3, que determinavam a expansão de matrículas na educação infantil e no ensino médio. Neste mês, porém, a ferramenta incorporou o acompanhamento da meta 2, sobre a matrícula no ensino fundamental. Um dos objetivos da plataforma é obter dados detalhados por município, um mecanismo de que, até então, o Brasil não dispunha. Em entrevista ao G1, Cezar Miola, presidente do Comitê Técnico de Educação do Instituto Rui Barbosa (IRB) e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS), explicou que os funcionários dos tribunais de contas desenvolveram e alimentam a plataforma em um "esforço quase voluntário" para garantir um acompanhamento adequado do trabalho dos gestores. Ele explica que as metas 1 e 3 foram as primeiras incluídas porque eram as mais urgentes: o prazo para matricular todas as crianças de 4 a 5 anos e de 15 a 17 anos terminou em 2016 – e não foi cumprido por todos os gestores. Além disso, a meta da inclusão de metade das crianças de 0 a 3 anos em creches já foi prorrogada mais de uma vez: "O plano [nacional de educação] anterior tinha falta de acompanhamento, de monitoramento. A meta 1 do plano anterior era atender 50% das crianças de 0 a 3 anos até 2011", lembra ele. Essa meta não foi cumprida. "Depois projetaram isso para 2020, mas o plano foi se arrastando, só foi aprovado em 2014, então a meta foi transferida para 2024." Mesmo com esse adiamento, o Brasil continua em risco de não cumprir o objetivo do plano. Em 2016, a taxa de atendimento das creches chegou a apenas 32%, segundo o último monitoramento divulgado pelo Inep, de junho do ano passado. Meta 2 do PNE determina que, até 2024, 100% das crianças de 6 a 14 anos estejam cursando ou já tenham concluído o ensino fundemental Rogerio Bomfim/Prefeitura de Santos Metodologia diferente do governo federal Desde que o PNE atual foi aprovado, há cinco anos, o monitoramento oficial do governo federal é feito pelo Inep e divulgado a cada dois anos. Mas, como esse levantamento não contempla os dados detalhados por municípios, o comitê de educação do IRB decidiu criar uma plataforma própria em 2017. O objetivo era facilitar o trabalho dos tribunais de contas e, também, dos próprios gestores municipais. Os dois mecanismos de monitoramento levam em conta o Censo Escolar, que é feito anualmente pelo Inep, para saber quantos alunos estão matriculados em cada escola, município e estado. Porém, as bases de dados usadas para saber qual é a estimativa da população em cada faixa etária são diferentes: os tribunais de contas usam o levantamento do Datasus feito em 2012 com base no Censo Populacional de 2010; e o Inep leva em conta as informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada todos os anos. Embora os dois dados sejam do IBGE, eles têm abrangência diferente: por um lado, a Pnad Contínua é uma estimativa calculada anualmente, o que a torna mais precisa. Por outro, ela é mais genérica, e só leva em conta os números nacionais, estaduais e das grandes regiões. Já os dados elaborados pelo Datasus são mais antigos, mas eles oferecem informações detalhadas por município, que são o objeto de análise dos tribunais de contas. Além disso, os dados consolidados para o Brasil do TC Educa são diferentes que os do governo federal. Isso acontece porque o cálculo não é uma média das taxas de atendimento estaduais ou municipais, mas, sim, a soma de todas as matrículas e de toda a população de cada município. Só depois é calculada a porcentagem de crianças e adolescentes matriculados. "Não pretendemos ter o monopólio desse controle e nem deixamos de valorizar essa metodologia utilizada pelo Inep, porque eles olham a política pública no ambiente da federação. Os dados da Pnad envolvem estados, capitais e grandes regiões, mas não envolvem os municípios em sua grande maioria", explicou Cezar Miola. Avaliação caso a caso Segundo ele, os tribunais levam em conta as limitações da metodologia na hora de analisar os casos de cada município. Os gestores têm a possibilidade de apresentar o plano de ação para cumprir a meta, e inclusive questionar os números se apresentarem dados mais precisos. Por isso, Miola ressalta a importância de os prefeitos fazerem o que os especialistas chamam de "busca ativa", ou seja, encontrar as crianças que vivem na cidade e não estão matriculadas na escola. Ele explica que, principalmente em municípios com menos de 10 mil habitantes, um pequeno fluxo migratório de algumas famílias pode impactar no cálculo da taxa de atendimento. "Se o gestor faz a busca ativa e oferece elementos que desconstituem a análise do tribunal, a gente lógico que vai levar isso em conta", disse ele. "Tudo é feito de maneira voluntária, por adesão. Nós oferecemos sugestões aos tribunais, mas cada um adota. A ferramenta permite, por exemplo, que o gestor seja alertado automaticamente toda vez que incide uma determinada meta." Caso fique claro que aquela prefeitura não está tomando medidas concretas para expandir as matrículas e cumprir a meta prevista em lei, a pena pode ser a aplicação de multa ou a reprovação das contas daquele gestor. "É uma ferramenta de controle, pode depois servir como base técnica no relatório de prestação de contas do gestor, por vereadores, conselhos tutelares e a imprensa. Quanto mais pessoas acompanham o assunto e cobram, é mais provável que uma solução seja encaminhada."
    Resultado do pedido de isenção do Enem 2019 é divulgado

    Resultado do pedido de isenção do Enem 2019 é divulgado


    Candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. Provas acontecem nos dias 3 e 10 de novembro. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O resultado dos pedidos...


    Candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. Provas acontecem nos dias 3 e 10 de novembro. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O resultado dos pedidos de isenção da taxa de R$ 85 da inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 foi divulgado nesta quarta-feira (17) por volta das 12h30. Para verificar se teve o benefício concedido ou não, o candidato deve acessar a Página do Participante e inserir CPF e senha. Baixe o App do G1 Enem O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recebeu este ano, 3.687.527 pedidos de isenção. O Inep não informou quantos pedidos foram aprovados. Os candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 e 26 de abril. O resultado dessa solicitação será divulgado dia 2 de maio. MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, órgão responsável pelo Enem Para os interessados em fazer o Enem 2019, isento ou não da taxa, é necessário acessar o site do exame a partir do dia 6 de maio para concluir a inscrição. Calendário do Enem 2019 Arte/G1 Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Cronograma Enem 2019 Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. Veja as próximas datas da realização do exame: Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020

    Ser Educacional compra Uninorte por R$ 194,8 milhões


    Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. A Ser Educacional anunciou nesta quarta-feira (17) a compra do Centro Universitário do Norte (Uninorte) por preço base de R$ 194,8...

    Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. A Ser Educacional anunciou nesta quarta-feira (17) a compra do Centro Universitário do Norte (Uninorte) por preço base de R$ 194,8 milhões, que será subtraído de dívida da companhia. O acordo da Ser foi acertado com empresa do grupo educacional internacional Laureate Education e envolve 100% da Uninorte. O valor da transação será deduzido de dívida líquida da Uninorte no montante de R$ 9,8 milhões. Os termos do acordo prevê pagamento de R$ 185 milhões no fechamento da transação, que ainda depende de aprovação Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Segundo informou a Ser Educacional, a Uninorte é a maior instituição de ensino superior de Manaus, com mais de 25 mil alunos em 80 cursos de graduação. Em 2018, a receita líquida foi de R$ 165,5 milhões. A Ser não informou o volume de alunos da Uninorte ao final de 2018 ou dados financeiros do centro universitário. Segundo a companhia, com a aquisição, a Ser "fortalece sua presença na região Norte, assumindo número significativo de alunos de graduação presencial na cidade de Manaus... e passa a ser referência de mercado nas duas maiores cidades da região Norte, uma vez que já é líder de mercado em Belém". De acordo com a página da Uninorte, atualmente a instituição possui 14 unidades no Centro de Manaus, uma unidade Premium no Manaus Plaza Shopping e uma na Zona Norte.
    Enade 2019: confira quais serão os cursos avaliados e data do exame

    Enade 2019: confira quais serão os cursos avaliados e data do exame


    Prova será aplicada em 24 de novembro para avaliar 29 cursos de formação superior. Enade: prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos. Pexels O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta (17) a...


    Prova será aplicada em 24 de novembro para avaliar 29 cursos de formação superior. Enade: prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos. Pexels O Ministério da Educação (MEC) publicou nesta quarta (17) a portaria que estabelece o regulamento do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2019. A prova avalia o aprendizado de universitários em diferentes cursos todos os anos e será aplicada no dia 24 de novembro, com início às 13h30, no horário de Brasília. Este ano, serão 23 cursos de bacharel – incluindo medicina e odontologia – e seis tecnológicos (veja a lista abaixo). Um edital incluindo cronograma, prazos, procedimentos técnicos e responsabilidades das Instituições de Educação Superior e dos estudantes ainda deverá ser divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Cursos avaliados Bacharel: Agronomia; Arquitetura e Urbanismo; Biomedicina; Educação Física; Enfermagem; Engenharia Ambiental; Engenharia Civil; Engenharia de Alimentos; Engenharia de Computação; Engenharia de Produção; Engenharia de Controle e Automação; Engenharia Elétrica; Engenharia Florestal; Engenharia Mecânica; Engenharia Química; Farmácia; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina; Medicina Veterinária; Nutrição; Odontologia; Zootecnia. Tecnológico: Tecnologia em Agronegócio; Tecnologia em Estética e Cosmética; Tecnologia em Gestão Ambiental; Tecnologia em Gestão Hospitalar; Tecnologia em Radiologia; Tecnologia em Segurança no Trabalho. Quem faz a prova? O Enade é aplicado para estudantes ingressantes e concluintes dos cursos selecionados. Por ser componente curricular obrigatório, ela é indispensável para o universitário obter o diploma. O que é o Enade? O Enade integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação a conteúdos programáticos, habilidades e competências para atuação profissional e conhecimentos sobre a realidade brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento. O exame é obrigatório. O primeiro Enade foi aplicado em 2004. A cada três anos, no máximo, o curso deverá ser avaliado. O resultado do Enade faz parte dos indicadores de qualidade da educação superior. Em 2018, mais de 460 mil universitários fizeram a avaliação e 30% dos cursos de ensino superior tiveram nota insuficiente no exame.
    Resultado do pedido de isenção da taxa do Enem 2019 será divulgado nesta quarta

    Resultado do pedido de isenção da taxa do Enem 2019 será divulgado nesta quarta


    Inscrições do Enem começam 6 de maio. Provas serão realizadas em 3 e 10 de novembro. Inscrições para Enem 2019 abrem no dia 6 de maio G1 O resultado das solicitações de isenção da taxa de R$ 85 para inscrição no Exame Nacional do Ensino...


    Inscrições do Enem começam 6 de maio. Provas serão realizadas em 3 e 10 de novembro. Inscrições para Enem 2019 abrem no dia 6 de maio G1 O resultado das solicitações de isenção da taxa de R$ 85 para inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 será divulgado nesta quarta-feira (17). Para conferir se o direito ao benefício foi concedido, o candidato deve acessar a Página do Participante e inserir CPF e senha. Baixe o App do G1 Enem De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 3,6 milhões de pessoas fizeram o pedido. Os candidatos que tiveram a solicitação de isenção reprovada terão o direito a entrar com recursos entre 22 a 26 de abril. Para os interessados em fazer o Enem 2019, isento ou não da taxa, é necessário acessar o site do exame a partir do dia 6 de maio para concluir a inscrição. Prazo para se inscrever no Enem 2019 Arte/G1 Esse é o segundo ano em que os candidatos com direito à isenção precisam garantir o benefício antes do período de inscrições. A nota da prova do Enem é utilizada em programas de acesso à instituições do ensino superior por meio do Fies, Sisu, Prouni e instituições portuguesas. Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento para o primeiro semestre Sobe para 37 o total de universidades que aceitam notas do Enem em Portugal Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Cronograma Enem 2019 Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. Veja as próximas datas da realização do exame: Resultado da solicitação de isenção: 17 de abril Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio (para todos os candidatos, isentos ou não) Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020
    Unesp, Unicamp, Unifesp e ITA divulgam calendário do vestibular 2020

    Unesp, Unicamp, Unifesp e ITA divulgam calendário do vestibular 2020


    Unesp terá inscrições abertas de 9 de setembro a 7 de outubro. Na Unicamp, inscrições vão de 1º de agosto a 6 de setembro. No ITA, de 1º de julho a 15 de agosto. Fuvest ainda não divulgou calendário. Vestibular da Unesp em Araraquara Felipe...


    Unesp terá inscrições abertas de 9 de setembro a 7 de outubro. Na Unicamp, inscrições vão de 1º de agosto a 6 de setembro. No ITA, de 1º de julho a 15 de agosto. Fuvest ainda não divulgou calendário. Vestibular da Unesp em Araraquara Felipe Lazzarotto/EPTV As universidades Unesp, Unicamp e Ita definiram as datas do vestibular 2020. O calendário foi divulgado nesta terça-feira (16) após reunião de representantes de várias universidades para não coincidir as datas das provas. Participaram da reunião membros da USP, Unicamp, Unifesp, ITA, PUC-SP, Mackenzie e PUC-Campinas. Unesp O período de inscrições para a Unesp será de 9 de setembro a 7 de outubro. A prova da primeira fase será dia 15 de novembro. A segunda fase será nos dias 15 e 16 de dezembro. A lista de aprovados sairá no dia 3 de fevereiro de 2020. No ano passado, mais de 98 mil candidatos participaram do vestibular da Unesp. Unicamp Na Unicamp, as inscrições serão de 1º de agosto a 6 de setembro. A primeira fase será dia 17 de novembro. A segunda fase será nos dias 12 e 13 de janeiro de 2020. O resultado sairá no dia 10 de fevereiro de 2020. ITA No Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o vestibular terá inscrições abertas de 1º de julho a 15 de agosto. A primeira fase será em 1º de dezembro. A segunda fase será dias 12 e 13 de fevereiro. Unifesp A Unifesp terá inscrições de 23 de setembro a 25 de outubro e as provas nos dias 12 e 13 de dezembro. Fuvest A Fuvest ainda não divulgou as datas do vestibular 2020 para ingressar na USP.
    ITA divulga calendário do vestibular 2020; veja cronograma

    ITA divulga calendário do vestibular 2020; veja cronograma


    Inscrição do vestibular abre no dia 1º de julho; provas serão aplicadas em dezembro. Instituição é em São José dos Campos (SP). ITA é um dos vestibulares mais concorridos do país Divulgação/ITA O Instituto Tecnológico de Aeronáutica...


    Inscrição do vestibular abre no dia 1º de julho; provas serão aplicadas em dezembro. Instituição é em São José dos Campos (SP). ITA é um dos vestibulares mais concorridos do país Divulgação/ITA O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta terça-feira (16) o calendário do vestibular 2020. As inscrições começam no dia 1º de julho e as provas serão em dezembro. O processo seletivo de um dos vestibulares mais concorridos do país serão aplicadas em 24 cidades, sendo 18 capitais. As inscrições vão até 15 de agosto e a prova da primeira fase será no dia 1º de dezembro. As provas da segunda fase serão nos dias 12 e 13 de dezembro. A instituição oferece 110 vagas para cursos de engenharia - 22 delas são para cotas reservadas para negros. No ano passado foram mais de 11 mil candidatos disputando as vagas. O curso mais concorrido foi o de engenharia aeroespacial.
    Unicamp define datas do vestibular 2020 e de outras modalidades para ingresso

    Unicamp define datas do vestibular 2020 e de outras modalidades para ingresso


    Primeira fase do exame será em 17 de novembro, enquanto segunda etapa está marcada para 12 e 13 de janeiro. Prazo para inscrições será aberto em 1º de agosto, diz comissão. Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp Antoninho...


    Primeira fase do exame será em 17 de novembro, enquanto segunda etapa está marcada para 12 e 13 de janeiro. Prazo para inscrições será aberto em 1º de agosto, diz comissão. Estudantes durante a 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp Antoninho Perri / Unicamp A Unicamp confirmou na tarde desta terça-feira (16) o calendário do vestibular 2020. As inscrições devem ser realizadas pelos candidatos entre 1 de agosto e 6 de setembro, segundo a comissão organizadora do exame (Comvest), e a prova da 1ª fase será em 17 de novembro. Além disso, também foram divulgadas as datas para estudantes interessados em outras formas de acesso. Em nota, a universidade estadual confirmou que a 2ª fase do processo será nos dias 12 e 13 de janeiro. Esta é a primeira edição em que a instituição aplicará o processo com redução de um dia e divisão de conteúdos baseada na carreira escolhida pelo candidato. Veja detalhes das mudanças. O valor integral da taxa que será cobrada para inscrição ainda não foi confirmada pela Unicamp. Na edição 2019 ela subiu de R$ 165 para R$ 170, o que significa aumento de 3,3%. A Unicamp recebe até 6 de maio pedidos de isenção na taxa. Ela é concedida aos seguintes grupos: Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até 1,5 salário mínimo bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Estudantes que se candidatarem aos cursos de Licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia); Pré-requisitos Ter cursado o ensino médio integralmente na rede pública (não se aplica à modalidade 3); Ter concluído ou concluir em 2019 o ensino médio; De acordo com a Unicamp, nesta edição são oferecidas 6.680 isenções na modalidade 1; 100 na modalidade 2; enquanto há número ilimitado para a modalidade 3. Outras formas de acesso No comunicado divulgado nesta terça-feira, a instituição também confirmou os prazos para inscrições nos seguintes processos seletivos: vagas na graduação, por meio de nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - realizado ano passado ou 2018; vestibular indígena; e seleção para vagas reservadas a premiados em olimpíadas ou competições de conhecimentos. Calendário do vestibular 2020 Inscrições e pagamento da Taxa de Inscrição: 1/8 a 6/9/2019 Habilidades Específicas de Música Etapa I – 09 a 16/9/2019 Etapa II – 13 e 14/10/2019 1ª fase: 17/11/2019 2ª fase: 12 e 13/1/2020 Habilidades específicas (Arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais e dança) 20 a 24/1/2020 Divulgação da primeira chamada: 10/2/2020 Matrícula (não presencial) da primeira chamada: 11/2/2020 Outras formas de ingresso Vestibular Indígena Inscrições: 02 a 30/9/2019 Modalidade Enem-Unicamp Inscrições: 15/10 a 14/11/2019 Vagas Olímpicas Inscrições: 21/11/2019 a 10/1/2020 Na edição anterior, a Unicamp contabilizou 76,3 mil inscritos na disputa por 2.589 oportunidades; e outros 17,9 mil candidatos em busca das 645 vagas oferecidas pelo processo via Enem. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

    Capes vai implementar curso de especialização em ciência para o ensino fundamental


    A expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. Professores que atuam nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e querem se especializar no ensino de ciências poderão contar com...

    A expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. Professores que atuam nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e querem se especializar no ensino de ciências poderão contar com um curso de especialização que será implementado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As inscrições serão abertas em setembro e as aulas começam em 2020. A iniciativa faz parte do programa Ciência é Dez! e deve oferecer quatro mil vagas por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Ao todo serão 20 instituições públicas em 133 polos espalhados pelo país. Segundo Carlos Lenuzza, diretor de Educação a Distância e Formação de Professores da Educação Básica da Capes, a expectativa é que 400 mil alunos da rede pública sejam beneficiado pela formação destes professores. De acordo com o resultado do mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), feito com 70 países, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. A prova é coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada edição, o Pisa dá ênfase a uma das três áreas. Na de 2015, o foco foi ciências. A nota do Brasil em ciências caiu de 405, na edição anterior, de 2012, para 401; em leitura, o desempenho do Brasil caiu de 410 para 407; já em matemática, a pontuação dos alunos brasileiros caiu de 391 para 377. Cingapura foi o país que ocupou a primeira colocação nas três áreas (556 pontos em ciências, 535 em leitura e 564 em matemática). ‘Educação é transformar, libertar e fazer pensar ciência’, diz autora de tese premiada sobre letramento científico
    Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento a juro zero oferecidos no semestre

    Fies só fechou 16% dos 100 mil contratos de financiamento a juro zero oferecidos no semestre


    Até 10 de abril, quando acabou o prazo de convocação dos aprovados pela lista de espera, mais de 31 mil vagas ainda não tinham sido preenchidas; prazo foi prorrogado até o dia 30. Fies ofereceu 100 mil vagas a juro zero no primeiro semestre de...


    Até 10 de abril, quando acabou o prazo de convocação dos aprovados pela lista de espera, mais de 31 mil vagas ainda não tinham sido preenchidas; prazo foi prorrogado até o dia 30. Fies ofereceu 100 mil vagas a juro zero no primeiro semestre de 2019 Reprodução O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) só conseguiu finalizar 16% dos 100 mil novos contratos de financiamento a juro zero previstos para o primeiro semestre de 2019. Os dados, referentes ao balanço até 10 de abril, foram obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Educação. Para participar do programa na modalidade Fies, que tem taxa de juro zero, os candidatos precisam cumprir diversas etapas. Primeiro, é preciso se inscrever no sistema do Fies e passar pela pré-seleção. Uma vez pré-selecionado, o candidato precisa apresentar documentos que comprovem os requisitos de participação no fundo, como renda familiar per capita de até três salários mínimos por mês e nota mínima de 450 pontos nas provas do Enem, sem zerar a redação. Segundo o MEC, esses candidatos "precisam comparecer à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino superior para a validação das informações prestadas na inscrição" e, após validadas as informações, "os estudantes deverão apresentar a documentação exigida para fins de contratação do financiamento junto ao banco". 31 mil vagas remanescentes É nessa etapa que muitos candidatos acabam ficando sem o financiamento. Segundo o MEC, entre 25 de fevereiro, quando foi feita a chama regular, e 10 de abril 159.040 candidatos já foram chamados para esse processo, mas mais de 30 mil das 100 mil vagas oferecidas estavam em aberto na data do levantamento. Além dos 15.784 contratos que já haviam sido firmados e de 31.285 vagas remanescentes, outros 52.931 candidatos estavam no meio desse processo de contratação desse financiamento. Isso quer dizer que eles podem ou não conseguir concluir a inscrição e de fato assinar o contrato. No total, o MEC diz que quase 350 mil pessoas se inscreveram no Fies neste semestre. O cronograma do programa incluiu uma chamada única de pré-selecionados, e as chamadas na lista de espera. No caso da lista de espera, os candidatos pré-selecionados têm cinco dias úteis para apresentar os documentos e concluírem a contratação do financiamento. Prazos prorrogados Inicialmente, o prazo final para que os candidatos fossem selecionados pela lista de espera terminaria em 10 de abril, mas ele foi prorrogado até o dia 30 deste mês, segundo anunciou o MEC. "Todos os candidatos inscritos que não foram pré-selecionados em chamadas anteriores estão participando automaticamente da lista de espera. O acompanhamento de eventual pré-seleção deve ser realizado por meio da página do Fies", informou a pasta, em nota. Já considerando a chamada regular, os prazos para que os candidatos pré-selecionados finalizassem a contratação foi prorrogado mais de uma vez pelo governo federal, depois que problemas no sistema impediam que os estudantes conseguissem concluir a contratação. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a orientação é que as instituições aceitem a frequência dos estudantes no curso de graduação enquanto o processo não é concluído, mesmo que o prazo já tenha passado. Isso vale, segundo o FNDE, apenas para os candidatos que atendam "os demais requisitos para concessão do financiamento". 7 perguntas para não cair em uma cilada no Fies
    Uma semana após ser demitido, Vélez Rodríguez se encontra com Bolsonaro: 'Vim me despedir'

    Uma semana após ser demitido, Vélez Rodríguez se encontra com Bolsonaro: 'Vim me despedir'


    Ex-ministro da Educação esteve nesta segunda (15) no Palácio do Planalto. Após crise no MEC, Bolsonaro nomeou o economista Abraham Weintraub para o comando da pasta. O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez Fábio França/G1 Uma...


    Ex-ministro da Educação esteve nesta segunda (15) no Palácio do Planalto. Após crise no MEC, Bolsonaro nomeou o economista Abraham Weintraub para o comando da pasta. O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez Fábio França/G1 Uma semana após ter sido demitido do cargo de ministro da Educação, o professor Ricardo Vélez Rodríguez foi recebido na tarde desta segunda-feira (15) pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Após a audiência, Vélez afirmou a jornalistas que a reunião foi "excelente" e que o assunto foi uma despedida do presidente. “Vim me despedir”, disse Vélez Rodríguez ao deixar o palácio. “Vou descansar”, acrescentou. Segundo o ex-ministro, Bolsonaro não o convidou para exercer outras funções no governo. A gestão de Vélez Rodríguez no MEC foi marcada por polêmicas e demissões de subordinados. Bolsonaro decidiu demitir o ministro no último dia 8 e, no mesmo dia, anunciou o economista Abraham Weintraub como novo titular da pasta. Apoiador de Jair Bolsonaro na campanha eleitoral, Abraham Weintraub trabalhou na equipe de transição do presidente e ocupava, antes de assumir o MEC, a secretaria-executiva da Casa Civil, segundo cargo mais importante na estrutura da pasta. Gestão Vélez Rodríguez Colombiano naturalizado brasileiro, Vélez Rodríguez tomou posse no cargo de Ministro da Educação em 1º de janeiro e enfrentava uma "guerra interna" provocada por desentendimentos entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Durante a gestão, foram pelo menos 13 demissões no alto escalão do ministério. Em pouco mais de três meses de gestão, o ex-ministro colecionou uma série de polêmicas. Entre elas, ele disse que queria mudar os livros didáticos para revisar a maneira como tratam a ditadura militar e o golpe de 1964 e pediu a escolas que filmassem alunos cantando Hino Nacional e enviassem o vídeo ao MEC.
    MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, autarquia responsável pelo Enem

    MEC anuncia delegado da Polícia Federal para presidir o Inep, autarquia responsável pelo Enem


    Elmer Coelho Vicenzi já atuou no combate a crimes cibernéticos e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran); MEC diz que seu nome será 'oficializado em breve' para a presidência do Inep. Elmer Coelho Vicenzi, da Polícia Federal,...


    Elmer Coelho Vicenzi já atuou no combate a crimes cibernéticos e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran); MEC diz que seu nome será 'oficializado em breve' para a presidência do Inep. Elmer Coelho Vicenzi, da Polícia Federal, será o novo presidente do Inep, segundo anunciou em nota o Ministério da Educação Rede Amazônica/Reprodução O Ministério da Educação afirmou nesta segunda-feira (15) que Elmer Coelho Vicenzi será o novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a autarquia do MEC que, entre outras tarefas, é responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em nota, a pasta afirmou que Vicenzi foi indicado para o cargo, e que o nome dele "será oficializado em breve". Vicenzi é delegado da Polícia Federal e, desde novembro, atuava como na Corregedoria-Geral da PF. Ele também já chefe do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos na Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, e foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Há anos a Polícia Federal já atua em parceria com o Inep para garantir a segurança da aplicação do Enem. Mais de 20 dias sem presidente Vicenzi substitui Marcus Vinicius Rodrigues, demitido em 26 de março deste ano. Entre a demissão de Rodrigues e a indicação de um novo nome para o cargo titular, o Inep passou mais de 20 dias sem presidente. Um dos diretores da autarquia atuava como presidente substituto. Segundo o MEC, ainda não há previsão para que Vicenzi tome posse no cargo. Além da presidência do Inep, outro cargo que está vago desde março no Inep é o da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb). É a Daeb que cuida dos aspectos técnicos da elaboração das provas do Enem. Neste ano, o Enem acontece nos dias 3 e 10 de novembro. Mudanças no MEC Desde que assumiu o cargo, na semana passada, o novo minsitro da Educação, Abraham Weintraub, já anunciou a nomeação de cinco profissionais para assumirem secretarias no MEC, inclusive a Secretaria-Executiva. Apenas dois secretários foram mantidos no cargo. Em um comunicado, Weintraub afirmou que "o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu carta branca para Weintraub escolher todo o seu primeiro escalão". Ele também disse que o “objetivo é acalmar os ânimos, colocar a bola no chão, pôr para rodar, republicanamente, respeitando diferentes opiniões”. Initial plugin text
    Prêmio Professores do Brasil está com inscrições abertas até 31 de maio

    Prêmio Professores do Brasil está com inscrições abertas até 31 de maio


    Premiação é uma iniciativa do Ministério da Educação e instituições parceiras que buscam reconhecer e divulgar o trabalho dos professores de escolas públicas. Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios. Premiação visa reconhecer...


    Premiação é uma iniciativa do Ministério da Educação e instituições parceiras que buscam reconhecer e divulgar o trabalho dos professores de escolas públicas. Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios. Premiação visa reconhecer métodos de aprendizagem elaborados por professores de escola públicas de todo o Brasil Element5 Digital/Unplash A 12ª edição do Prêmio Professores do Brasil (PPB), do Ministério da Educação (MEC), está com inscrições abertas a partir desta terça-feira (16) e vai até o dia 31 de maio, segundo o MEC. O prêmio tem o objetivo de valorizar o trabalho dos educadores de escolas públicas da educação básica, que desenvolvem projetos para a melhorar os processos de ensino e aprendizagem. Os interessados podem se inscrever pelo site do programa, por meio do envio de um relato de prática pedagógica aplicada com os alunos em sala de aula. Somente os relatos dos anos letivos de 2018 ou 2019 com resultados comprovados até o final do período de inscrições serão selecionados. De acordo com o ministério, não poderão concorrer ao prêmio os trabalhos vencedores de edições anteriores em quaisquer das etapas estadual, regional, nacional, temática especial, ou ainda em outros prêmios de âmbito nacional. Dois brasileiros ficam no top 50 de professores do mundo e disputam ‘Global Teacher Prize’ Ao todo, serão distribuídos R$ 278 mil em prêmios aos educadores. Os trabalhos poderão ser inscritos em seis categorias: Creche – educação infantil Pré-escola – Educação infantil Ciclo de alfabetização – 1º, 2º e 3º anos Ensino fundamental I – 4º e 5º anos Ensino fundamental II – 6º e 9º anos Ensino Médio O conteúdo enviado passa por três etapas de avaliação, a estadual, regional e nacional. Na estadual, 486 professores serão premiados. Já na regional, há um vencedor por categoria e região, isto é, são 30 vencedores. A última avaliação é a nacional, onde são contemplados seis vencedores, um por categoria. Segundo a organização do prêmio, os seis vencedores nacionais e seus coordenadores pedagógicos também ganharão uma viagem. O resultado final será divulgado dia 28 de novembro, em Cuiabá (MT). Também serão premiados os relatos dentro de cinco temáticas especiais (confira abaixo). Premiação Confira as recompensas divididas por categoria e temática especial: Nacional Os seis premiados receberão: R$ 8 mil Viagem (em missão de estudos) Troféu Regional 30 professores serão contemplados: R$ 5mil Medalha; Placa para as escolas; Participação no evento final de premiação; Participação em programas da TV Escola; Viagem em missão de estudos para os vencedores do ensino médio. Estadual Ao todo, serão 486 premiados: Certificado Medalha Temáticas especiais: Esporte como estratégia de aprendizagem R$ 5 mil para até 5 professores de educação física; Uso de Tecnologias de Informação e Comunicação no processo de inovação educacional R$ 15 mil divididos para três professores (R$ 5 mil cada); Educação Empreendedora Três professores ganharão participação em missão nacional para conhecer uma experiência inovadora de Educação Empreendedora. Criação e produção de linguagens de mídia por professores e estudantes no Ensino Fundamental e Médio R$ 5 mil e participação no programa da TV Escola “Professor Presente” para até 5 professores; Aprendizagem criativa R$ 15 mil divididos para três professores (R$ 5 mil cada).
    Vestibular 2020: Unicamp abre prazo para pedidos de isenção nesta segunda-feira; veja regras

    Vestibular 2020: Unicamp abre prazo para pedidos de isenção nesta segunda-feira; veja regras


    Período para solicitações fica disponível até 6 de maio. Benefício pode ser solicitado por candidatos de todo Brasil e universidade alterou a forma de envio de documentos. Estudantes na 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp, em...


    Período para solicitações fica disponível até 6 de maio. Benefício pode ser solicitado por candidatos de todo Brasil e universidade alterou a forma de envio de documentos. Estudantes na 2ª fase do vestibular 2019 da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri / Unicamp A Unicamp abre na manhã desta segunda-feira (15) o prazo para pedidos de isenção na taxa do vestibular 2020 - modalidade tradicional e processo seletivo onde é considerada a nota obtida pelo candidato no Enem realizado ano passado ou em 2018. Ele deve ser feito exclusivamente pela página da comissão organizadora do exame (Comvest) até 6 de maio. Veja abaixo as regras. Segundo a universidade, nesta edição são oferecidas 6.680 isenções na modalidade 1; 100 na modalidade 2; e há número ilimitado na modalidade 3: Em 2019, o valor integral da taxa foi R$ 170. Modalidades Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até 1,5 salário mínimo bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Estudantes que se candidatarem aos cursos de Licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia); Pré-requisitos Ter cursado o ensino médio integralmente na rede pública (não se aplica à modalidade 3); Ter concluído ou concluir em 2019 o ensino médio; Número de benefícios Benefício ampliado A Unicamp decidiu, nesta edição, ampliar a possibilidade de solicitação: deixa de ser restrita aos residentes em São Paulo e fica disponível aos interessados em todos os estados brasileiros. Outra novidade confirmada pela universidade é que, a partir do vestibular 2020, a documentação comprobatória (descrita no edital) deve ser anexada no próprio formulário, e não precisa mais ser enviada pelos Correios. Em 2019, a universidade teve 8,9 mil pedidos e 7,6 mil foram aceitos. Calendário A universidade destacou que a lista de contemplados será divulgada em 24 de julho, e a previsão é de que, a partir deste dia, os beneficiários comecem a receber um comunicado, exclusivamente via correio eletrônico, sobre a isenção na taxa. No texto, a Unicamp destacou também que os candidatos que tiverem direito ao benefício não são automaticamente inscritos nos processos seletivos. "É preciso, posteriormente, fazer as respectivas inscrições, utilizando o código de isento fornecido pela Comvest", diz texto. O calendário com datas de inscrição e provas do vestibular (tradicional) será divulgado até o fim de abril; enquanto as inscrições da modalidade via Enem serão realizadas em novembro. No ano passado, a Unicamp contabilizou 76,3 mil inscritos na disputa por 2.589 oportunidades; e outros 17,9 mil candidatos em busca das 645 vagas oferecidas pelo processo via Enem. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    A estratégia inspirada na África que pode ser alternativa para crianças sem creche no Brasil

    A estratégia inspirada na África que pode ser alternativa para crianças sem creche no Brasil


    Negócios sociais envolvendo cuidados de primeira infância visam oferecer alternativa a baixo custo para pais, embora solução não seja unânime nem conte com supervisão estatal. Em uma pequena casa na Mooca, bairro de classe média na zona leste...


    Negócios sociais envolvendo cuidados de primeira infância visam oferecer alternativa a baixo custo para pais, embora solução não seja unânime nem conte com supervisão estatal. Em uma pequena casa na Mooca, bairro de classe média na zona leste de São Paulo, cinco crianças entre 2 e 6 anos se reúnem em torno da cuidadora, que lhes dá pistas para uma caça ao tesouro. "Que desenho é esse? Será que encontramos algum objeto parecido pela casa?", pergunta a cuidadora, enquanto as crianças saem em busca de petecas e bandeirinhas pelo local. As crianças passam ali meio período do seu dia, enquanto os pais trabalham; algumas ficam o dia todo. A 7.500 quilômetros de distância, na cidade de Johannesburgo, na África do Sul, uma cena parecida: um grupo de crianças de idade semelhante é entretido em um espaço recreativo adaptado por uma jovem cuidadora em Kliptown, um dos distritos mais pobres de Soweto, a maior favela da cidade. Entre as atividades do dia da visita da reportagem, as crianças africanas se divertiam cantando e dançando músicas religiosas e encaixando as peças de brinquedos de montar feitos especialmente para desenvolver a capacidade motora dos pequenos. Não se trata, porém, de creches pagas pelo governo ou de ONGs, mas sim de duas versões de um negócio social: na África do Sul, o projeto SmartStart atende atualmente 36 mil crianças, em 3.870 comunidades carentes do país. No Brasil, o Cantinho do Brincar, que é inspirado no modelo do SmartStart, ainda está em fase embrionária, mas almeja abrir mais unidades onde possa formar cuidadoras – que por sua vez possam abrir as próprias franquias. O objetivo principal é responder a demandas comuns aos dois países, e a boa parte do mundo: mitigar a dificuldade de acesso a creches e prover oportunidades a crianças em uma fase crucial de seu desenvolvimento cerebral – a primeira infância, período entre o nascimento e os 6 anos de idade –, quando os estímulos ou a ausência deles têm um forte impacto na capacidade delas de aprender habilidades sociais e cognitivas. Mais estímulo na primeira infância costuma se traduzir em melhor desempenho acadêmico e autocontrole emocional Arquivo pessoal / BBC Cálculos do centro de desenvolvimento infantil da Universidade Harvard estimam que cada dólar investido na primeira infância de crianças carentes pode levar à economia posterior de US$ 4 a US$ 9, pelo impacto na produtividade e no bem-estar delas quando adultas. A despeito disso, dados divulgados pelo Unicef em 9 de abril apontam que mais de 175 milhões de crianças no mundo – não estão matriculadas na educação infantil, "perdendo uma oportunidade de investimento crucial e sofrendo profundas desigualdades desde o início da vida". No Brasil, segundo dados da Pnad Contínua 2017 compilados pelo Unicef, 32,7% das crianças de até 3 anos frequentavam a creche e 91,7% das crianças de 4 a 5 anos estavam na pré-escola (índice alto, mas insuficiente para o Brasil cumprir a meta no Plano Nacional de Educação, que prevê a universalização do acesso à pré-escola). "Se a criança não receber estímulos adequados durante a primeira infância ou se sofrer estresse prolongado, por exemplo, ela poderá ter alterações na formação dos seus circuitos neuronais e sofrer vários problemas de saúde no futuro, tais como doenças cardiovasculares, ansiedade e depressão", explica o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Naercio Menezes Filho. Os cuidados adequados a bebês e crianças contribuem para diminuir a evasão escolar elevar o nível de educação, elevar a renda média e reduzir a violência, de acordo com o livro "Da ciência à prática – Os programas de apoio ao desenvolvimento infantil na América Latina", que faz diagnóstico dos programas de primeira infância no continente. "Garantir que a criança tenha acesso à educação e estimulantes nos primeiros anos de vida é fundamental para que que as crianças tenham um futuro melhor que o dos pais, mesmo quando criadas em condições de pobreza", diz Menezes. Quanto mais estímulos, como os que ocorrem por meio da educação infantil, maiores as chances de que no futuro as crianças tenham um bom desempenho acadêmico, autocontrole emocional e capacidade de solucionar problemas. Além disso, alguns estudos apontam que esse desenvolvimento positivo reduz as chances de as mesmas crianças, no futuro, envolverem-se em atividades violentas ou criminais. O desafio de cuidar das crianças no Brasil e na África Tanto na África do Sul como no Brasil, o déficit de cuidados à primeira infância é um problema nacional. Lá, estima-se que 1 milhão de crianças de 3 a 5 anos não tenham acesso a programas de aprendizagem na primeira infância. Em um país com alta incidência de mortes por Aids e índices de pobreza extrema ainda maiores que os brasileiros, das 5,3 milhões de crianças sul-africanas com menos de cinco anos em 2012, apenas um terço vivia com ambos os pais. A grande maioria, 79%, morava só com a mãe, em geral sobrecarregada com o sustento da família e os cuidados domésticos. Um dos objetivos do projeto SmartStart é justamente garantir que os estímulos na primeira infância deem às crianças mais ferramentas para, no futuro, escaparem da perpetuação da pobreza extrema. No Brasil, embora a cobertura de creches venha crescendo, faltam mais vagas justamente nas regiões mais pobres. Há, também, problemas na qualificação: só um terço dos docentes dessas instituições tinha ensino superior completo em 2017. O que traz à tona outra questão: para o bom desenvolvimento cerebral, não basta que as crianças estejam supervisionadas, mas sim que estejam em ambientes seguros e recebendo estímulos positivos e adequados à faixa etária. Em 2016, o governo federal anunciou o programa Criança Feliz, que ensina aos pais de crianças carentes ideias caseiras de brincadeiras e atividades estimulantes, sob supervisão de assistentes sociais. O programa trouxe avanços, segundo especialistas em primeira infância, mas em escala longe do suficiente: atendeu por enquanto 400 mil crianças, de uma meta inicial de 4 milhões. Treinamento para mulheres e opção de renda Na África do Sul, o SmartStart nasceu em 2015, com investimento de fundos e ONGs internacionais até virar franquia, para cuidar de crianças de baixa renda ao mesmo tempo em que dá opções de renda para cuidadores de crianças – que são, em sua maioria, mulheres. As cuidadoras, por sua vez, recebem da franqueadora um treinamento e um kit de brinquedos e recursos para serem usados nas aulas. A meta é chegar a 1 milhão de crianças atendidas até 2026. Outro objetivo é dar fontes de renda para mulheres que queiram criar negócios de cuidado infantil dentro de casa Arquivo pessoal / BBC Algumas crianças praticamente moram em algumas das unidades, nos casos em que seus pais não têm condições de oferecer-lhes cuidados básicos. As mensalidades do SmartStart variam entre 20 e 600 rands (R$ 5 a R$ 150) por mês, a depender do valor aquisitivo médio de cada comunidade – Soweto, por exemplo, é uma das comunidades mais pobres do mundo, e tem áreas onde o índice de desemprego supera os 30%. A ideia de adaptar o projeto à realidade brasileira surgiu depois que um grupo de brasileiras visitou a iniciativa em 2017. Renata Citron fez um projeto-piloto na favela de Paraisópolis, em São Paulo, até estabelecer-se na Mooca, dentro de uma incubadora da Universidade São Judas. Agora, planeja inaugurar em 2019 unidades em regiões pobres da zona sul paulistana com alto deficit de creches, como Jardim São Luís, Campo Limpo e Capão Redondo, onde estão sendo treinadas novas cuidadoras (todos os envolvidos no programa são mulheres). O treinamento no Brasil, que totaliza 40 horas, é semelhante ao sul-africano: as cuidadoras aprendem noções de desenvolvimento cognitivo e socioemocional infantil e formas de estimulá-lo - em linguagem, criatividade, consciência corporal e coordenação motora, por exemplo – com situações de aprendizado para as crianças, jogos, brincadeiras e estratégias para lidar com momentos de conflito. "Formamos nossas primeiras facilitadoras, que vão montar suas próprias unidades na periferia e replicar a metodologia em suas próprias casas", explica Citron, uma das fundadoras do Cantinho do Brincar. Há também ensinamentos básicos sobre como as cuidadoras podem transformar o espaço recreativo em uma fonte de renda, com noções sobre como manter o fluxo de caixa de seu negócio, calcular o retorno do investimento e estruturar uma rotina diária. A meta é que cada facilitadora formada no curso seja capaz de montar sua própria pequena franquia, em locais adaptados – suas casas, salas dentro de igrejas ou espaços comerciais em comunidades carentes, a mensalidades a partir de R$ 200. Projetos ajudam a fomentar o debate sobre como universalizar cuidados na primeira infância Arquivo pessoal / BBC O Cantinho do Brincar, por enquanto, é sustentado pelas próprias sócias, com a ajuda de um programa de aceleração de empresas americano. O objetivo é que, havendo a multiplicação de franquias, o negócio se torne autossustentável. Aqui no Brasil, as franquias devem começar focando em crianças de pais de baixa renda mas com algum poder aquisitivo, e não em situação de pobreza extrema, como em Johannesburgo. 'Mães crecheiras' Embora não seja de consenso entre especialistas e esteja em um limbo regulatório no Brasil, a ideia do SmartStart e do Cantinho do Brincar ajuda a fomentar o debate em torno de como universalizar a oferta do estímulo tão crucial nos primeiros anos de vida, para crianças talvez não consigam vagas em creches públicas ou tenham acesso a algum tipo de cuidado devidamente capacitado – seja por pais, parentes, vizinhos ou babás. Em comunidades carentes, existe informalmente a figura das mães crecheiras, mulheres que, geralmente em troca de pequenas mensalidades, cuidam dos filhos de vizinhas enquanto estas estão no trabalho. Não há estatísticas a respeito dessa atividade, mas ela é bastante comum, segundo grupos que pesquisam a primeira infância. O problema é que, além de a atividade não estar regulamentada e ser praticamente ignorada pelas autoridades, essas cuidadoras – embora frequentemente amorosas e carinhosas – têm pouco conhecimento a respeito da importância do desenvolvimento dessa fase da criança e como estimulá-lo. "Passamos seis meses acompanhando algumas (dessas mães crecheiras) nas comunidades de Paraisópolis e víamos que muitas vezes eram mães ou senhoras pouco preparadas para dar estímulos às crianças. Elas enxergavam o trabalho mais como um quebra-galho do que uma profissão", diz Citron, do Cantinho do Brincar. "Víamos as crianças na frente da TV ou de uma massinha, mas sem nenhuma proposta de o que fazer com a massinha, nenhuma atividade intencional (para desenvolver habilidades)." Dentro desse contexto, Citron diz que a ideia é "empoderar pessoas" com aptidão para o cuidado infantil e com espaço para criar uma pequena creche, dando-lhes capacitação em primeira infância e em gestão de um pequeno negócio. Debate sobre qualidade Iniciativas do tipo são alvo de debate entre pessoas ligadas à educação de primeira infância. Para alguns, soluções que não necessariamente envolvam pedagogos e que não tenham a supervisão estatal podem representar retrocessos em uma área que só recentemente ganhou a atenção devida e deixou de ser vista meramente como assistência social. "Como a educação infantil (do zero aos 6 anos) é parte da educação básica e uma etapa de formação precedida de um projeto político-pedagógico, tem que ser atendida por pedagogos", opina à BBC News Brasil Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores do Estado de São Paulo. "Por ser uma fase muito importante do desenvolvimento infantil, não pode ser uma etapa apenas recreacionista – exige a pedagogia e a ciência da educação." Mas, para Daniel Santos, pesquisador em educação infantil da USP Ribeirão Preto, não necessariamente a formação em Pedagogia garante a atenção adequada aos primeiros anos de vida da criança. "Até porque o ensino de Pedagogia no Brasil não dá muita atenção a isso (desenvolvimento na primeira infância)", diz à BBC News Brasil. Tanto que, diz ele, a qualidade das creches brasileiras, públicas e privadas, ainda é "heterogênea". "Muitas creches avançaram, mas em média ainda há muitas ruins, e há evidências de que uma creche ruim pode ser pior para uma criança", afirma. "Acho que é uma corrida entre a qualidade da creche e a qualidade das alternativas. Isso não é um consenso, mas pode ser que, em alguns contextos, a alternativa (no ambiente domiciliar) seja melhor, se houver treinamento e um ambiente seguro para as crianças." Ao mesmo tempo, Santos destaca que os desafios das soluções alternativas como mães crecheiras, SmartStart ou Cantinho do Brincar são, além de encontrar um equilíbrio financeiro, garantir que haja algum marco regulatório, com monitoramento da atividade das cuidadoras e formas de evitar más práticas. Experiências internacionais Outros países que também enfrentam déficit de vagas em creche acabaram adotando soluções caseiras, mas com algum nível de supervisão do Estado. No Canadá, por exemplo, creches caseiras podem obter licenças do governo para contratar cuidadores de crianças na idade pré-escolar, sendo submetidas a avaliações prévias e posteriores por agentes estatais. Há soluções semelhantes em países como Estados Unidos e França. Na Colômbia, os chamados Hogares (Lares) Comunitários têm agentes educativos que, em suas casas, atendem entre 12 e 14 crianças de até cinco anos, com apoio de uma equipe multidisciplinar do governo. Na África do Sul, porta-vozes do SmartStart afirmam que a cada franquia são designados um supervisor e um clube, com reuniões mensais. "Também renovamos sua licença anualmente, com base na qualidade (do serviço) e outros critérios", diz a organização por e-mail à BBC News Brasil. Lá, o trabalho no cuidado com crianças acaba sendo uma boia de salvação para as próprias cuidadoras, também em situação de pobreza. "Meus pais não são financeiramente estáveis, então eles me falaram para vir (trabalhar) aqui", conta à reportagem a jovem Melissa, de 18 anos, que dá aulas para as crianças no Little Rose Center, unidade do SmartStart que atende 140 crianças em Soweto. Renata Citron, do Cantinho do Brincar, afirma que sua ideia é oferecer soluções para regiões e comunidades do Brasil onde não haja vagas ou mesmo capacidade para receber uma creche, mas evitando a informalidade que caracteriza, por exemplo, a atuação das mães crecheiras brasileiras. "Hoje, é um tipo de negócio infelizmente ignorado pelo poder público como uma solução", diz.
    Lacunas da Política Nacional de Alfabetização fazem especialistas acenderem 'luz amarela' de alerta

    Lacunas da Política Nacional de Alfabetização fazem especialistas acenderem 'luz amarela' de alerta


    Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta (11) dá prioridade ao método fônico, mas especialistas avaliam que realidades diferentes exigem abordagens diversas. MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6...


    Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta (11) dá prioridade ao método fônico, mas especialistas avaliam que realidades diferentes exigem abordagens diversas. MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6 anos Reprodução/Bom Dia Brasil A Política Nacional de Alfabetização, assinada na quinta-feira (11) pelo presidente Jair Bolsonaro, defende a "priorização" da alfabetização das crianças já no primeiro ano do ensino fundamental e a utilização de conceitos do método fônico. Esses dois pontos são novidades recebidas com cautela por especialistas ouvidos pelo G1. Os principais pontos da análise incluem: Ter uma política nacional de alfabetização é positivo, pois define um norte para a educação; Porém, o decreto não define como a política será implementada; Defender conceitos que remetem ao método fônico pode trazer uma padronização do ensino; Padronizar o método limita as possibilidades de ensinar e de aprender O decreto não considera que diferentes realidades exigem abordagens diversas Confira, abaixo, o que cada um dos especialistas ouvidos pelo G1 destacou: Proposta x conteúdo A gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna Inês Kisil Miskalo considera importante ter uma política nacional de alfabetização, mas a implementação vai exigir atenção de todos os envolvidos. "A proposta é ótima, mas quando a gente começa a entrar no que está colocado lá, a gente começa a ver a luz amarela acendendo" - Inês Kisil Miskalo, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna "O fato de termos um decreto que prioriza a alfabetização é importante, é um norte que o país precisa. Mas como ele vai ser implementado é onde vamos prestar atenção", diz. Inês destaca a diversidade do país e a diferença cultural de cada região. Para ela, colocar a alfabetização como prioridade no 1º ano do fundamental pode antecipar um desenvolvimento que poderia ocorrer até 3º ano, de acordo com a meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE). "O problema é ter um conceito de alfabetização vindo por decreto", diz. "A gente precisa pensar que alfabetizar no primeiro ano não significa ter uma alfabetização plena. Você precisa continuar no segundo e terceiro ano", analisa. "Seria mais efetivo falar da formação do professor: como se processa a aprendizagem, como ocorre a leitura. Isso está dentro da neurociência. É importante o professor entender este processo", diz. Para ela, o importante seria focar na abertura do conhecimento e na descrição das vantagens de um e outro método, para usá-los combinados. Conheça os métodos de alfabetização e suas características "Pensar política pública é pensar macro. Ele [o MEC] vai ter que explicar o decreto. Temos outras políticas mais profundas e amplas, como o Fundeb, a execução da Base [Nacional Comum Curricular]. Será que vamos remodelar tudo e começar do zero?", questiona. MEC pode repetir erros Assim como Inês, o diretor de políticas educacionais do Todos, Olavo Nogueira Filho, concorda que a prioridade de alfabetização até os 6 anos é positiva, mas segundo ele, há lacunas no decreto que precisam ser preenchidas. “O documento não aponta suficiente qual o caminho que as instituições devem seguir. Não diz se a implementação do método de ensino será centralizada ou descentralizada” - Olavo Nogueira Filho, Todos Pela Educação Segundo ele, este elemento é importante para direcionar o caminho que as instituições devem seguir. “A implementação desse método que vai dizer qual será o papel do MEC na execução de ações. Se for centralizador, o MEC vai repetir os erros de gestões anteriores”. Em relação ao método fônico, Olavo destaca que priorizar este elemento na aprendizagem pode não trazer resultados satisfatórios em alfabetização. "Há pesquisas que mostram que o método fônico não é a variável chave [para alfabetizar] e ao considerar isso, não é o papel do MEC induzir um tipo de método especifico, independentemente do método'", finaliza Olavo. Professores no foco Em nota, o Consed reforça que defende a liberdade do professor na escolha da metodologia mais adequada à alfabetização de seus alunos, mas é necessário que o decreto tenha um detalhamento aos secretários estaduais. "Para que as redes possam começar a pensar nessa implementação, minimamente o ministério precisar informar que programas farão parte dessa política, que recursos estarão disponíveis, entre outros pontos não explicados pelo decreto". Surpresa e falta de diálogo A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) disse ter sido surpreendida pelo teor do documento. "A Undime foi surpreendida com o texto do Decreto que institui a Política Nacional de Alfabetização, pois foi convidada a apresentar contribuições a outro documento, em reunião realizada na última segunda-feira (8). O texto publicado, além de ser diferente em vários pontos, não traz as sugestões apresentadas tanto pela Undime quanto por outras instituições que estavam presentes. " O órgão espera os desdobramentos da decisão. "Não há como ter uma opinião formada sobre a implementação da Política Nacional de Alfabetização, pois a Undime não conhece o conjunto de ações e estratégias que serão desenvolvidas. Precisamos primeiro conhecer o teor para então pensar em como colocar em prática." Alfabetização com o método fônico Fernanda Garrafiel / Editoria de Arte
    Supremo julgará em agosto pedido do partido de Bolsonaro para mudar regras do ECA

    Supremo julgará em agosto pedido do partido de Bolsonaro para mudar regras do ECA


    PSL quer que policial possa levar adolescente para delegacia mesmo sem indício de crime. STF também julgará pedido do PSL para vetar prisão temporária em crime contra sistema financeiro. Os ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos no...


    PSL quer que policial possa levar adolescente para delegacia mesmo sem indício de crime. STF também julgará pedido do PSL para vetar prisão temporária em crime contra sistema financeiro. Os ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos no plenário na Corte Nelson Jr./STF O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, marcou para 7 de agosto o julgamento de uma ação apresentada pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que visa mudar as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A ação foi apresentada em 2005 e, segundo o partido, tem o objetivo de endurecer as punições a jovens infratores. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes. O partido de Bolsonaro quer, por exemplo, que policiais possam apreender adolescentes para averiguação mesmo sem indícios de que eles tenham cometido crimes. Pelas regras em vigor, se um adolescente estiver na rua, o Conselho Tutelar deve ser comunicado para que a família, então, seja avisada. Pelo pedido do PSL, a polícia poderá levar o adolescente direto para a delegacia para esclarecimentos. Internação Outro ponto da ação trata da internação de jovens infratores. Atualmente, os adolescentes são internados somente em casos de crimes cometidos com grave ameaça ou violência. O PSL quer que a internação possa valer em qualquer tipo de crime. Prisões temporárias No dia 15 de agosto, outra ação do PSL será julgada, a que pede para serem consideradas ilegais prisões temporárias (cujo prazo é de 10 dias) em caso de crime contra o sistema financeiro. O partido quer proibir as prisões temporárias sob o argumento de que isso fere princípio da presunção de inocência. A prisão temporária pode ser decretada no início das investigações e tem prazo pré-determinado. É diferente de prisões preventivas, sem prazo, que devem ser adotadas quando há risco para testemunhas ou para o processo, por exemplo. A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia.
    Estudantes aprovam indenização a descendentes de negros vendidos como escravos por universidade dos EUA

    Estudantes aprovam indenização a descendentes de negros vendidos como escravos por universidade dos EUA


    Em 1838, a universidade jesuíta, que contava com o apoio financeiro de fazendeiros ricos, muitas vezes recebia negros escravizados como parte de doações. Hannah, Melisande, Hunter e Samantha, estudantes da universidade, vão votar a proposta de...


    Em 1838, a universidade jesuíta, que contava com o apoio financeiro de fazendeiros ricos, muitas vezes recebia negros escravizados como parte de doações. Hannah, Melisande, Hunter e Samantha, estudantes da universidade, vão votar a proposta de pagar reparação a descendentes de negros escravizados BBC Os estudantes da Universidade de Georgetown, nos EUA, votaram a favor da criação de um fundo de reparação para indenizar descendentes dos negros escravizados vendidos pela instituição no passado. Em 1838, a universidade jesuíta, que contava com o apoio financeiro de fazendeiros ricos e muitas vezes recebia negros escravizados como parte de doações, passou por momentos difíceis. E decidiu levantar fundos com a venda de 272 negros escravizados para serem usados em plantações na Louisiana, em um negócio equivalente a US$ 3,3 milhões. A proposta de criação de um "fundo de reconciliação" foi endossada por 66% dos estudantes. Para entrar em vigor, contudo, a medida - a primeira desse tipo aprovada em uma grande universidade americana - precisa do aval do conselho da instituição. A votação foi promovida pelo grupo "Students for the GU272" - o GU272 reúne os descendentes dos negros escravizados negociados pela instituição. A comissão de eleições da universidade afirmou que 60% dos estudantes participaram da consulta pública nesta quinta-feira. A campanha a favor da medida argumenta que os Estados Unidos construiram sua riqueza às custas do povo escravizado e, nos séculos que se seguiram à emancipação, promulgaram políticas para excluir os negros da divisão da riqueza do país. Os rendimentos mais baixos, as piores condições de saúde e os elevados índices de detenção apresentados atualmente pela comunidade negra são destacados como vestígios deste passado. 'Pagar nossas dívidas' A proposta prevê que todos os estudantes de graduação da universidade paguem uma taxa semestral de US$ 27, a ser "destinada para fins de caridade que beneficiam os descendentes", que vivem principalmente nos estados americanos de Louisiana e Maryland. "Como estudantes de uma instituição de elite, reconhecemos o grande privilégio que temos e desejamos ao menos pagar parcialmente nossas dívidas àquelas famílias cujos sacrifícios involuntários tornaram esse privilégio possível", diz trecho da proposta. "Como indivíduos com imaginação moral, escolhemos fazer mais do que simplesmente reconhecer o passado - resolvemos mudar nosso futuro." Melisande Short-Colomb é descendente de uma das 272 pessoas vendidas pela Universidade de Georgetown e se tornou aluna da instituição aos 63 anos. "Havia trabalho escravo, posse de seres humanos e escravidão", diz Short-Colomb, apontando para os grandes prédios do campus, que a venda de seus ancestrais ajudou a financiar. Ela faz parte do grupo que defende a proposta e está esperançosa de que "isso vai abrir um debate em todo o país" sobre a questão das reparações. "As reparações e indenizações são importantes para toda a América porque somos uma sociedade em pedaços", diz ela. "Pontes estão caindo - fisicamente, emocionalmente, mentalmente - ao nosso redor, e temos que reparar a nós mesmos". Hannah Michael, aluna do segundo ano, acredita que todos os estudantes da Universidade de Georgetown são "beneficiários diretos" do passado escravista da organização, independentemente da sua história pessoal. "Eu sou filha de dois refugiados etíopes", diz Michael. "Meus pais vieram para este país há cerca de 25 anos e não têm relação com o comércio de negros escravizados naos Estados Unidos." No entanto, ela argumenta que sua educação é "possível apenas por causa da escravidão e venda de afro-americanos". "Nossas aulas, as camas em que dormimos, a comida que comemos, as fundações da escola foram criadas e mantidas pelo lucro obtido com a venda de 1838." Michael tem plena consciência de como a votação na Universidade de Georgetown reflete um debate nacional mais amplo, e espera que isso inspire mais atitudes em relação ao tema. "[A votação] nos diz que há coisas que podemos fazer agora para beneficiar as pessoas afetadas pela história da escravidão." "Espero que as pessoas fora da universidade vejam que é possível lidar com a difícil história da América." 'Totalmente simbólico' No entanto, nem todos os alunos concordam com a proposta. Hunter Estes, que estuda política internacional, diz acreditar que a taxa é um "valor arbitrário" e "uma tentativa de agregar uma obrigação moral a todo o corpo estudantil". Ele sugere que qualquer reparação deve ser "opcional" para evitar "impor uma estrutura moral" que ele diz "esmagar um aspecto da liberdade". "É movido por boas intenções", diz Estes. "Mas boas intenções não podem ser o que define a política." Ele sugere que a universidade deve se concentrar em oferecer educação aos descendentes das 272 pessoas vendidas, em vez de "atacar o problema com dinheiro". E acrescenta que é "difícil dizer" se ele foi beneficiado pessoalmente pelo histórico de venda de escravos da instituição. "Tenho receio de aplicar um padrão de moralidade de 2019 em uma avaliação da história." "Se ficarmos constantemente nos desculpando em relação às questões do passado, sempre encontraremos algo para nos desculpar". Já Sam Dubke, aluno de economia internacional, está preocupado com alguns aspectos práticos da proposta. "O valor de US$ 27,20 é totalmente simbólico", diz ele. "Não há análise ou investigação sistemática desta quantia." Ele também questiona como os cerca de US$ 400 mil que se espera arrecadar no primeiro ano serão gastos, sugerindo que "não é algo que pode ser feito por um capricho". Além disso, Dubke sugere que a ação estudantil deve ser dirigida ao Grupo de Trabalho sobre Escravidão, Memória e Reconciliação criado pela universidade em 2015 para se envolver com o passado da universidade. "Devemos pressionar a administração da universidade a agir, em vez de contar com os estudantes para pagarem do próprio bolso". "Os atuais alunos não são culpados pelos pecados passados ​​da instituição, e uma contribuição financeira não pode reconciliar essa dívida passada em nome da universidade", escreveu ele no jornal estudantil. Matt Hill, porta-voz da Universidade de Georgetown, disse à BBC que "os referendos estudantis ajudam a expressar as perspectivas dos estudantes, mas não criam políticas universitárias e não são vinculantes para a instituição". "Após um pedido formal de desculpas aos descendentes, renomeando dois prédios e oferecendo aos descendentes a mesma consideração nas admissões que dá aos membros da comunidade de Georgetown, continuamos a aprofundar o engajamento do nosso campus para desenvolver educação e programas que permitam a todos os alunos se envolver com a história da escravidão de Georgetown ", afirmou em comunicado. Por que agora? As reparações a descendentes de negros escravizados se tornaram uma questão importante nos Estados Unidos recentemente, uma vez que vários candidatos democratas à presidência colocaram a proposta como parte de suas candidaturas para a eleição de 2020. Embora o grau de apoio às indenizações varie entre os candidatos, o fato de a questão ter migrado das margens para o centro da política reflete uma mudança mais ampla no discurso político dos EUA. William Darity Jr é professor de política pública na Duke University, nos EUA, e um dos principais especialistas em reparações do país. "E uma surpresa agradável que a conversa sobre reparações se tornou tão rica e abrangente na esfera pública recentemente", diz ele. "Ver vários candidatos à presidência falando abertamente sobre o tema significa que a conversa que estamos tendo é diferente de qualquer outra que já tivemos sobre o assunto nos Estados Unidos." O senador democrata Cory Booker apresentou recentemente um projeto de lei para estudar a possibilidade de reparações para descendentes de escravos como "uma maneira de abordar de frente a persistência do racismo, da supremacia branca e do preconceito racial implícito" nos EUA. Darity diz que esse projeto de lei poderia oferecer uma maneira de analisar como as reparações funcionariam. "Temos um sistema judicial em que quando alguém é prejudicado... encontramos uma maneira de atribuir valor a isso. Sempre fico surpreso quando as pessoas dizem que não poderíamos fazer algo semelhante para os descendentes de negros escravizados." O parlamentar usa o exemplo dos "40 acres" (equivalentes a 16,7 hectares ou uma área equivalente a cerca de 16 campos de futebol) prometidos, mas nunca concedidos, aos negros que foram escravizados. "Eu fiz uma análise computacional do valor dos 16 hectares de terra que foram prometidos aos negros escravizados. Isso significaria algo em torno de US$ 80 mil para cada americano elegível." Darity diz ainda que "admira" os estudantes da Universidade de Georgetown, mas tem "fortes reservas" sobre "reparações fragmentadas" e espera que iniciativas locais como esta não desviem a atenção da necessidade de ações nacionais. A BBC entrou em contato com a Universidade de Georgetown pedindo mais comentários. *Cache McClay também colaborou com esta reportagem.
    Enem 2019 recebe mais de 3 milhões de solicitações de isenção da taxa; resultado sai na quarta

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    Prazo para pedir o benefício encerrou na quarta (10). A isenção da taxa não significa a inscrição automática no exame. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 recebeu 3,6 milhões de...


    Prazo para pedir o benefício encerrou na quarta (10). A isenção da taxa não significa a inscrição automática no exame. Cadernos de prova do Enem 2018 Ana Carolina Moreno/G1 O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 recebeu 3,6 milhões de pedidos de isenção da taxa de R$ 85 da inscrição. Agora, os solicitantes podem consultar os resultados a partir do dia 17 de abril, na Página do Participante. As provas serão nos dias 3 e 10 de novembro. A isenção da taxa não significa a inscrição automática no exame. O candidato deverá voltar ao site do Enem 2019 e concluir a inscrição em maio. Isenção da taxa: entenda o NIS e outros itens exigidos na hora da solicitação Baixe o App do G1 Enem Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Inscrições As inscrições para o Enem deverão ser feitas de 6 a 17 de maio. Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. selo calendário enem 2019 VALE ESSE Arte/G1 Pedido de isenção: 1º a 10 de abril Justificativa de ausência no Enem 2018: 1º a 10 de abril Resultado da solicitação de isenção: 17 de abril Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020
    Educação domiciliar: liberdade para algumas famílias pode prejudicar crianças vulneráveis, dizem especialistas

    Educação domiciliar: liberdade para algumas famílias pode prejudicar crianças vulneráveis, dizem especialistas


    Governo federal divulgou, na tarde desta quinta-feira, projeto de lei para regulamentar a educação domiciliar. Texto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso para começar a valer. Governo pretende aprovar regulação do ensino domiciliar O projeto...


    Governo federal divulgou, na tarde desta quinta-feira, projeto de lei para regulamentar a educação domiciliar. Texto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso para começar a valer. Governo pretende aprovar regulação do ensino domiciliar O projeto de lei do governo federal para regulamentar a educação domiciliar, anunciado nesta quinta-feira (11) pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), representa um novo capítulo de um embate que já dura anos. A proposta envolve, de um lado, um número fora das estatísticas oficiais de pais que querem a liberdade de educar seus filhos em casa e, de outro, regras estabelecidas há décadas pelo sistema educacional e defendidas pela maioria dos especialistas na área. O texto do Executivo, que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para sair do papel, é criticado e apoiado com base em alguns pontos centrais: Importância da escola como espaço de socialização; Qualidade do ensino domiciliar; Criação de mercado de material didático, videoaulas e tutores privados; Respeito à liberdade das famílias; Proteção das crianças vulneráveis. Para discutir o assunto, o G1 ouviu cinco especialistas: Carlos Vinícius Reis, diretor-executivo da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned) Roberto Catelli Junior, coordenador adjunto da ONG Ação Educativa Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) Cesar Callegari, consultor educacional, ex-integrante do Conselho Nacional, ex-secretário de Educação Básica do MEC e de Educação do município de São Paulo Telma Pileggi Vinha, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Projeto de educação domiciliar foi apresentado nesta quinta-feira (11) pelo governo federal Divulgação Os argumentos de quem é contra a aprovação do projeto variam desde a crítica por privar as crianças do espaço de socialização nas escolas até a abertura para empresários do ramo lucrarem com a contratação de tutores privados ou a venda materiais didáticos e videoaulas. A polêmica também passa pelos demais serviços prestados pelas escolas, que incluem a proteção das crianças e a articulação do atendimento com as áreas de saúde e assistência social. Quem defende a modalidade de ensino afirma que o projeto representa um avanço porque, pela primeira vez, um governo federal reconhece a liberdade das famílias que não querem os filhos nas escolas. No entanto, segundo defensores da proposta, o texto apresentado nesta quinta-feira ainda precisa passar por ajustes ao longo da tramitação na Câmara e no Senado. Entre os pontos apontados pela Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned) está a discussão sobre uma possível desburocratização das regras criadas pelo MMFDH. Governo tem projeto com regras para a educação em casa Veja abaixo as principais perguntas e respostas sobre o projeto: Qual é o público-alvo do projeto? Os atuais defensores da educação domiciliar representam uma minoria da comunidade escolar, que ao todo soma mais de 48 milhões de matrículas, segundo os dados do Censo Escolar 2018, divulgado em janeiro pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo Carlos Vinícius Reis, da Aned, a estimativa é que atualmente 7,5 mil famílias brasileiras pratiquem a modalidade, atingindo cerca de 15 mil estudantes. Ele enfatiza, porém, que os números não são exatos porque não existe um cadastro nacional. "A gente não tem um rol de todas as famílias, porque muitas têm medo de se identificar por conta dessas restrições", afirmou ele ao G1. As restrições, de acordo com Reis, vão desde o preconceito sofrido pelas famílias até a ameaça de processo por descumprimento da legislação. Já entre as questões práticas na vida dos alunos, o diretor-executivo da Aned aponta que essas crianças e adolescentes ficam impedidos de participar de olimpíadas do conhecimento e só têm acesso a exames de certificação no último ano do ensino fundamental e do médio. O Brasil já tem crianças fora da escola hoje? Atualmente, é obrigatório que todas as crianças e os adolescentes de 4 a 17 anos estejam matriculados no ensino formal no Brasil. Na realidade, porém, a regra não é cumprida, e estima-se que o número de pessoas nessa faixa etária fora da escola chegue a cerca de 2 milhões. O motivo, no entanto, não é a educação domiciliar, segundo Anna Helena Altenfelder, do Cenpec. "Não é porque os pais optaram por homeschooling [termo em inglês usado para designar a educação domiciliar], mas porque essas crianças estão em situação de vulnerabilidade, têm alguma deficiência, condição de trabalho infantil, sofrem algum tipo de violência doméstica, estão em situação em extrema pobreza", explicou ela. Por isso, Anna Helena ressalta que atender às demandas dessas famílias que desejam que os filhos tenham o ensino formal em casa pode afetar a busca ativa pelas crianças atualmente excluídas de qualquer sistema educacional. Para ela, o tema não deveria ser a prioridade do governo federal, que precisa lidar com a evasão, a repetência, a alfabetização e a garantia de aprendizagem. "O projeto diz que, enquanto não tiver a plataforma, os pais podem escolher se vão deixar as crianças ou não na escola", destaca ela. O que diz a legislação vigente hoje? Atualmente a educação domiciliar é considerada ilegal no Brasil. A busca feita por algumas famílias para que a modalidade ganhe uma regulamentação específica já dura anos. A medida tem como objetivo deixar explícito esse direito. Carlos Vinícius, da Aned, diz que várias legislações, inclusive a Constituição Federal, já trazem trechos que podem ser considerados uma permissão para a prática. "A Constituição diz que a educação é 'dever do Estado e da família'. O próprio Código Civil fala no direcionamento de que os pais têm a primazia de escolher a forma de ensino dada aos filhos", explica. Em 2018, o caso foi parar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro, a maioria dos ministros decidiu que a educação domiciliar exigiria a aprovação de uma lei específica que regulamentasse a avaliação do aprendizado e tratasse da socialização das crianças. É isso que o governo federal tenta fazer com o projeto anunciado nesta quinta. O texto altera as duas leis principais sobre crianças e adolescentes – a Lei de Diretrizes e Bases e o Estatuto da Criança e do Adolescente – para deixar claro que os pais têm a obrigação de matricular seus filhos na rede regular de ensino ou "declarar a opção pela educação domiciliar". A socialização está contemplada no projeto? O texto determina que "é dever dos pais ou dos responsáveis legais que optarem pela educação domiciliar assegurar a convivência familiar e comunitária", mas especialistas apontam que o projeto apresentado pelo governo não responde como vai garantir que a parte da socialização seja cumprida. Segundo Cesar Callegari, "a não ser em casos excepcionais já previstos nas normas nacionais em vigor, a educação domiciliar é prejudicial à formação integral das crianças e jovens". O consultor educacional diz, ainda, que a proposta "afronta um importante direito estabelecido pela recém-aprovada BNCC [a Base Nacional Comum Curricular]: 'exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação (...) com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e grupos sociais (...) sem preconceitos de qualquer natureza'". Telma Vinha, professora da Unicamp, ressalta ainda que a socialização em espaços como clubes e outros ambientes em que não há convivência contínua das crianças, inclusive locais sem a presença de adultos, não é suficiente para o desenvolvimento pleno dos indivíduos. "A convivência na família é estável", diz ela. "Se xingo meu irmão, ele vai continuar sendo meu irmão. Mas eu tenho que criar estratégias para manter o meu amigo, para resolver um conflito que vai continuar no dia seguinte. Se quero manter o colega, pertencer a tal grupo, não posso dizer qualquer coisa a qualquer hora." Por que o projeto não saiu do MEC? O projeto de lei foi escrito e apresentado no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, mas prevê que a maioria das ações do governo federal deverão ser realizadas pelo Ministério da Educação. A ministra Damares Alves, do MMFDH, afirma que o assunto é uma questão de direitos humanos. "Nós entendemos que é direito dos pais decidir sobre a educação dos seus filhos, é uma questão de direitos humanos. Então, a iniciativa sai deste ministério sob esta vertente. É uma questão de direitos humanos também", afirmou a ministra Damares em um comunicado divulgado pelo ministério. "Claro, em parceria e anuência com o Ministério da Educação, mas a iniciativa deste ministério é legítima", continuou a ministra. Principais pontos do projeto de lei da educação domiciliar Igor Estrela/Arte G1 O que prevê o projeto apresentado pelo governo? Existem diversas novas regras previstas no projeto de lei. A maioria delas diz respeito aos aspectos didáticos e pedagógicos da educação, além de questões burocráticas. Veja quais são: Cadastro das famílias: O projeto prevê a criação de uma plataforma nas quais os pais poderão optar formalmente pela educação domiciliar, apresentando uma lista de documentos. O cadastro será renovado anualmente; Plano pedagógico: Todos os anos, os pais também deverão apresentar um plano pedagógico individual para cada filho, correspondente ao ano letivo em questão; Registro de atividades: Os pais também deverão manter um "registro periódico das atividades pedagógicas do estudante", com normas a serem definidas pelo MEC e que farão parte da supervisão do ensino domiciliar; Avaliação durante o ano: As escolas públicas ou privadas terão o direito de oferecer "avaliações formativas" ao longo do ano letivo aos estudantes. Nesse caso, os pais podem escolher se vão ou não submeter os filhos a essas provas. Mas o projeto prevê que os pais devem monitorar de forma permanente o desenvolvimento do estudante; Avaliação oficial: Todos os anos, a partir do 2º ano do ensino fundamental, os estudantes dessa modalidade deverão obrigatoriamente realizar uma avaliação feita pelo MEC, com direito a uma prova de recuperação em caso de resultado insatisfatório. Se o aluno for reprovado em dois anos consecutivos, ou três anos não consecutivos, os pais perdem o direito à opção pela educação domiciliar; Isonomia: Crianças e adolescentes que estudam em casa terão o direito assegurado de participar de concursos, competições e avaliações nacionais e internacionais, mesmo os que exigem "comprovação de matrícula na educação escolar como requisito para a participação". O que dizem os especialistas sobre a proposta? Liberdade educacional Segundo Carlos Vinícius, da Aned, a proposta é vista com bons olhos, mas ainda deve ser discutida dentro do Congresso Nacional, com a participação das famílias interessadas na educação domiciliar. "A gente entende que é um momento muito positivo no sentido de ter uma iniciativa do Executivo a esse respeito. A gente nunca teve isso no passado recente. O projeto de lei vai ser discutido junto ao Congresso. Esperamos que a discussão aumente a eficiência do texto, nada que atrapalhe a liberdade educacional", disse ele. Família x Estado Para Roberto Catelli Júnior, da Ação Educativa, o princípio por trás da proposta do governo é uma "supervalorização da família" em detrimento do papel do Estado na sociedade. "Essa oposição é muito forte, entre a lógica de um Estado que tem a responsabilidade de formar o cidadão e uma visão de que a família está acima do Estado. (...) É um pouco nesta lógica extremamente neoliberal", explicou ele. "O grande problema disso é que você está tirando da criança uma coisa fundamental, que é a transição entre o lugar da família e o lugar do cidadão, o lugar social, que extrapola o lugar da família. Esse projeto prega o inverso, uma espécie de submissão absoluta ao espaço da família, essa me parece a principal pobreza desse processo." Lucro para empresas Catelli e Cesar Callegari ressaltam ainda que o texto apresentado pelo governo federal apresenta brechas para que empresas privadas lucrem com um aumento de demanda por material didático, videoaulas ou inclusive a contratação de tutores particulares. "Pode existir toda uma indústria criada de tutores que vai crescer com isso, mas vai servir para um seleto grupo de pessoas que possam pagar por esse serviço. É uma política supervalorizada, mas de um alcance bastante restrito", diz Catelli. Formação de professores Anna Helena Altenfelder, do Cenpec, diz que exigir dos pais, que em geral são pessoas leigas, a capacidade de elaborar um plano pedagógico, instrumento feito por especialistas, pode comprometer o desenvolvimento das crianças. Além disso, para ela, permitir que um aluno domiciliar reprove duas vezes de forma consecutiva, ou três vezes não consecutivas, até cassar o direito à educação domiciliar vai causar atraso de aprendizagem dele. "Aí ele vai chegar numa escola com o atraso e sem todo o conhecimento necessário de como funciona a escola. Dada as questões de socialização, é muito mais complicado." Ela lembra que, depois de anos em que o Brasil tem exigido cada vez mais formação e capacitação dos professores, liberar o ensino formal aos pais vai na contramão dos avanços recentes. Falta de proteção integral Telma Vinha, da Unicamp, ressalta que o projeto de lei não esclarece como vai proteger as crianças de ambientes familiares abusivos, uma função que também é feita pelos professores, a partir do vínculo criado pela convivência diária. "50% dos abusos sexuais ocorrem em família. Quem protege essas crianças se estão só em família?", questionou ela. "Tem que dar conta da proteção integral da criança. E não deram, isso sequer foi mencionado. A preocupação é toda curricular." Educação domiciliar: liberdade para algumas famílias pode prejudicar crianças vulneráveis, dizem especialistas Reprodução/JN
    MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6 anos, mas aceita que ciclo só termine aos 8

    MEC prioriza método fônico e alfabetização aos 6 anos, mas aceita que ciclo só termine aos 8


    Após rascunhos vazados à imprensa, versão final da política traz nas diretrizes a priorização da alfabetização no 1º ano do fundamental, com incentivo a que trabalho comece no infantil, mas objetivos falam em aceitar meta de alfabetização...


    Após rascunhos vazados à imprensa, versão final da política traz nas diretrizes a priorização da alfabetização no 1º ano do fundamental, com incentivo a que trabalho comece no infantil, mas objetivos falam em aceitar meta de alfabetização até o fim do 3º ano. Assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quinta-feira (11), a nova Política Nacional de Alfabetização (PNA) só foi divulgada publicamente pouco antes das 22h de quinta, com a publicação do texto em uma edição extra do "Diário Oficial da União". No documento final, foi mantida a diretriz presente em um rascunho dela, divulgado pelo G1 na semana passada, pela qual a priorização da alfabetização deve acontecer no 1º ano do ensino fundamental, quando as crianças têm 6 anos. No entanto, o MEC incluiu um objetivo novo no texto que saiu no DOU, que é cumprir a meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE). A meta, que entrou em vigor em 2014 e tem vigência até 2024, diz que todas as crianças devem ser alfabetizadas até no máximo o final do 3º ano do fundamental, ou seja, aos 8 anos de idade. A política não é obrigatória às redes estaduais, municipais e privadas. Qual é a idade certa para alfabetizar? A questão está em debate no Brasil na última década. Veja os principais pontos: A tendência de antecipar a alfabetização começou nas escolas particulares depois de 2010, quando o ensino fundamental passou de oito para nove anos de duração, e o antigo "pré" se tornou o 1º ano do fundamental; Em 2013, o MEC lançou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), uma iniciativa para estimular que as crianças estejam plenamente alfabetizadas aos 8 anos, no 3º do fundamental; Mesmo assim, não é isso o que acontece na realidade: dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2014 mostram que um quinto dos alunos da rede pública chegou ao 4º ano do fundamental sem aprender a ler adequadamente; Além disso, estudos indicam que o processo de alfabetização é longo e, para ser concluído aos sete anos, precisa começar com as crianças mais novas, que ainda não estão preparadas para isso; Já os defensores das ciências cognitivas de leitura afirmam que é possível o "ensino explícito e organizado das relações entre os grafemas da linguagem escrita e os fonemas da linguagem falada", como diz nova política do MEC; Secretários estaduais e municipais de Educação já afirmaram que não são contra o método fônico, mas sim contra a definição de um método em detrimento dos demais. Método fônico Fernanda Garrafiel / Editoria de Arte Essa é a definição que o ministério deu à expressão "instrução fônica sistemática", um dos "seis componentes essenciais para a alfabetização" presentes no documento. Veja quais são: consciência fonêmica: conhecimento consciente das menores unidades fonológicas da fala e a habilidade de manipulá-las intencionalmente instrução fônica sistemática: ensino explícito e organizado das relações entre os grafemas da linguagem escrita e os fonemas da linguagem falada fluência em leitura oral: capacidade de ler com precisão, velocidade e prosódia desenvolvimento de vocabulário; compreensão de textos; produção de escrita. A lista apareceu no documento final apesar de, pouco antes da publicação do DOU, o Ministério da Educação ter soltado uma nota afirmando que "a PNA não determina nenhum método especificamente". Os seis itens são, na realidade, ferramentas que privilegiam do método fônico. “O princípio do método é que uma das aprendizagens que a criança precisa ter para se alfabetizar é entender a escrita como um código”, afirmou ao G1 Alessandra Seabra, professora da pós graduação de distúrbios de desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP). Os sons das letras são apresentados, por exemplo, junto a outros elementos. Em uma aula sobre “m”, o professor mostra imagens do “mmmacaco”, do “mmmartelo”, “do mmmenino”. “São desenvolvidos trabalhos de percepção de fonema”, afirma Seabra. Dessa forma, o aluno aprende que aquele som “mmm” é representado por uma letra chamada M. Quando for escrever “morango”, vai pensar nos sons que compõem a palavra. “Que letra tem o som mmmo? O M”. A principal crítica ao método fônico diz que ele tem foco em unidades muito abstratas da língua: os fonemas. O método tornaria a alfabetização um ato mecânico. Seabra rebate, dizendo que é possível apresentar os sons das palavras de forma lúdica, com leitura de contos, cantigas, nomes dos amigos da turma. Fernanda Garrafiel / Editoria de Arte Veja a íntegra da Política Nacional de Alfabetização: DECRETO Nº 9.765, DE 11 DE ABRIL DE 2019 Institui a Política Nacional de Alfabetização. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e no art. 2º, caput, inciso I, da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, DECRETA : CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Alfabetização, por meio da qual a União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, implementará programas e ações voltados à promoção da alfabetização baseada em evidências científicas, com a finalidade de melhorar a qualidade da alfabetização no território nacional e de combater o analfabetismo absoluto e o analfabetismo funcional, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da educação básica e da educação não formal. Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se: I - alfabetização - ensino das habilidades de leitura e de escrita em um sistema alfabético, a fim de que o alfabetizando se torne capaz de ler e escrever palavras e textos com autonomia e compreensão; II - analfabetismo absoluto - condição daquele que não sabe ler nem escrever; III - analfabetismo funcional - condição daquele que possui habilidades limitadas de leitura e de compreensão de texto; IV - consciência fonêmica - conhecimento consciente das menores unidades fonológicas da fala e a habilidade de manipulá-las intencionalmente; V - instrução fônica sistemática - ensino explícito e organizado das relações entre os grafemas da linguagem escrita e os fonemas da linguagem falada; VI - fluência em leitura oral - capacidade de ler com precisão, velocidade e prosódia; VII - literacia - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a leitura e a escrita e sua prática produtiva; VIII - literacia familiar - conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita, as quais a criança vivencia com seus pais ou cuidadores; IX - literacia emergente - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a leitura e a escrita, desenvolvidos antes da alfabetização; X - numeracia - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a matemática; e XI - educação não formal - designação dos processos de ensino e aprendizagem que ocorrem fora dos sistemas regulares de ensino. CAPÍTULO II - DOS PRINCÍPIOS E OBJETIVOS Art. 3º São princípios da Política Nacional de Alfabetização: I - integração e cooperação entre os entes federativos, respeitado o disposto no § 1º do art. 211 da Constitução; II - adesão voluntária dos entes federativos, por meio das redes públicas de ensino, a programas e ações do Ministério da Educação; III - fundamentação de programas e ações em evidências provenientes das ciências cognitivas; IV - ênfase no ensino de seis componentes essenciais para a alfabetização: a) consciência fonêmica; b) instrução fônica sistemática; c) fluência em leitura oral; d) desenvolvimento de vocabulário; e) compreensão de textos; e f) produção de escrita; V - adoção de referenciais de políticas públicas exitosas, nacionais e estrangeiras, baseadas em evidências científicas; VI - integração entre as práticas pedagógicas de linguagem, literacia e numeracia; VII - reconhecimento de que o desenvolvimento integral da criança pressupõe a inter-relação e a interdependência dos domínios físico, socioemocional, cognitivo, da linguagem, da literacia e da numeracia; VIII - aprendizagem da leitura, da escrita e da matemática básica como instrumento de superação de vulnerabilidades sociais e condição para o exercício pleno da cidadania; IX - igualdade de oportunidades educacionais; e X - reconhecimento da família como um dos agentes do processo de alfabetização. Art. 4º São objetivos da Política Nacional de Alfabetização: I - elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem no âmbito da alfabetização, da literacia e da numeracia, sobretudo nos primeiros anos do ensino fundamental, por meio de abordagens cientificamente fundamentadas; II - contribuir para a consecução das Metas 5 e 9 do Plano Nacional de Educação de que trata o Anexo à Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014; III - assegurar o direito à alfabetização a fim de promover a cidadania e contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País; IV - impactar positivamente a aprendizagem no decorrer de toda a trajetória educacional, em suas diferentes etapas e níveis; e V - promover o estudo, a divulgação e a aplicação do conhecimento científico sobre literacia, alfabetização e numeracia. CAPÍTULO III - DAS DIRETRIZES Art. 5º Constituem diretrizes para a implementação da Política Nacional de Alfabetização: I - priorização da alfabetização no primeiro ano do ensino fundamental; II - incentivo a práticas de ensino para o desenvolvimento da linguagem oral e da literacia emergente na educação infantil; III - integração de práticas motoras, musicalização, expressão dramática e outras formas artísticas ao desenvolvimento de habilidades fundamentais para a alfabetização; IV - participação das famílias no processo de alfabetização por meio de ações de cooperação e integração entre famílias e comunidade escolar; V - estímulo aos hábitos de leitura e escrita e à apreciação literária por meio de ações que os integrem à prática cotidiana das famílias, escolas, bibliotecas e de outras instituições educacionais, com vistas à formação de uma educação literária; VI - respeito e suporte às particularidades da alfabetização nas diferentes modalidades especializadas de educação; VII - incentivo à identificação precoce de dificuldades de aprendizagem de leitura, de escrita e de matemática, inclusive dos transtornos específicos de aprendizagem; e VIII - valorização do professor da educação infantil e do professor alfabetizador CAPÍTULO IV - DO PÚBLICO-ALVO Art. 6º A Política Nacional de Alfabetização tem por público-alvo: I - crianças na primeira infância; II - alunos dos anos iniciais do ensino fundamental; III - alunos da educação básica regular que apresentam níveis insatisfatórios de alfabetização; IV - alunos da educação de jovens e adultos; V - jovens e adultos sem matrícula no ensino formal; e VI - alunos das modalidades especializadas de educação. Parágrafo único. São beneficiários prioritários da Política Nacional de Alfabetização os grupos a que se referem os incisos I e II do caput. Art. 7º São agentes envolvidos na Política Nacional de Alfabetização: I - professores da educação infantil; II - professores alfabetizadores; III - professores das diferentes modalidades especializadas de educação; IV - demais professores da educação básica; V - gestores escolares; VI - dirigentes de redes públicas de ensino; VII - instituições de ensino; VIII - famílias; e IX - organizações da sociedade civil. CAPÍTULO V - DA IMPLEMENTAÇÃO Art. 8º A Política Nacional de Alfabetização será implementada por meio de programas, ações e instrumentos que incluam: I - orientações curriculares e metas claras e objetivas para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental; II - desenvolvimento de materiais didático-pedagógicos cientificamente fundamentados para a literacia emergente, a alfabetização e a numeracia, e de ações de capacitação de professores para o uso desses materiais na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental; III - recuperação e remediação para alunos que não tenham sido plenamente alfabetizados nos anos iniciais do ensino fundamental ou que apresentem dificuldades de aprendizagem de leitura, escrita e matemática básica; IV - promoção de práticas de literacia familiar; V - desenvolvimento de materiais didático-pedagógicos específicos para a alfabetização de jovens e adultos da educação formal e da educação não formal; VI - produção e disseminação de sínteses de evidências científicas e de boas práticas de alfabetização, de literacia e de numeracia; VII - estímulo para que as etapas de formação inicial e continuada de professores da educação infantil e de professores dos anos iniciais do ensino fundamental contemplem o ensino de ciências cognitivas e suas aplicações nos processos de ensino e de aprendizagem; VIII - ênfase no ensino de conhecimentos linguísticos e de metodologia de ensino de língua portuguesa e matemática nos currículos de formação de professores da educação infantil e de professores dos anos iniciais do ensino fundamental; IX - promoção de mecanismos de certificação de professores alfabetizadores e de livros e materiais didáticos de alfabetização e de matemática básica; X - difusão de recursos educacionais, preferencialmente com licenças autorais abertas, para ensino e aprendizagem de leitura, de escrita e de matemática básica; XI - incentivo à produção e à edição de livros de literatura para diferentes níveis de literacia; XII - incentivo à formação de gestores educacionais para dar suporte adequado aos professores da educação infantil, aos professores do ensino fundamental e aos alunos; e XIII - incentivo à elaboração e à validação de instrumentos de avaliação e diagnóstico. CAPÍTULO VI - DA AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO Art. 9º Constituem mecanismos de avaliação e monitoramento da Política Nacional de Alfabetização: I - avaliação de eficiência, eficácia e efetividade de programas e ações implementados; II - incentivo à difusão tempestiva de análises devolutivas de avaliações externas e ao seu uso nos processos de ensino e de aprendizagem; III - desenvolvimento de indicadores para avaliar a eficácia escolar na alfabetização; IV - desenvolvimento de indicadores de fluência em leitura oral e proficiência em escrita; e V - incentivo ao desenvolvimento de pesquisas acadêmicas para avaliar programas e ações desta Política. CAPÍTULO VII - DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 10. Compete ao Ministério da Educação a coordenação estratégica dos programas e das ações decorrentes desta Política Nacional de Alfabetização. Art. 11. A colaboração dos entes federativos na Política Nacional de Alfabetização se dará por meio de adesão voluntária, na forma a ser definida em instrumentos específicos dos respectivos programas e ações do Ministério da Educação e de suas entidades vinculadas. Art. 12. Para fins de implementação da Política Nacional de Alfabetização, a União poderá prestar assistência técnica e financeira aos entes federativos, que será definida em ato próprio de cada programa ou ação. Art. 13. A assistência financeira da União, de que trata o art. 12, correrá por conta das dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual ao Ministério da Educação e às suas entidades vinculadas, de acordo com a sua área de atuação, observados a disponibilidade e os limites estipulados na legislação orçamentária e financeira. Art. 14. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação. Brasília, 11 de abril de 2019; 198º da Independência e 131º da República. JAIR MESSIAS BOLSONARO Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub
    MEC diz que política de alfabetização vai seguir meta de alfabetizar crianças até 3º ano do fundamental

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    Em nota divulgada na noite desta quinta, pasta não mostrou o decreto assinado de manhã por Bolsonaro, mas indicou que a nova política não vai determinar nenhum método especificamente. O presidente Jair Bolsonaro assinou hoje 18 medidas para...


    Em nota divulgada na noite desta quinta, pasta não mostrou o decreto assinado de manhã por Bolsonaro, mas indicou que a nova política não vai determinar nenhum método especificamente. O presidente Jair Bolsonaro assinou hoje 18 medidas para marcar os 100 primeiros dias de seu governo Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo O Ministério da Educação afirmou, pouco antes das 20h desta quinta-feira (11), que a nova Política Nacional de Alfabetização (PNA) será "baseada em evidências científicas" e terá como objetivo atingir a meta do Plano Nacional da Educação (PNE) que determina às escolas "alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental". Pouco antes das 22h, o governo publicou edição extra do "Diário Oficial da União" com o decreto da PNA. Nela, uma das diretrizes estabelece a "priorização" a alfabetização das crianças já no primeiro ano do ensino fundamental, e reformar o ensino infantil para incluir mais espaço para atividades de pré-alfabetização. Na semana passada, o G1 mostrou que um rascunho da política, elaborado no MEC e que chegou até a Casa Civil, indicava que a pasta estudava definir essa priorização. Segundo as informações divulgadas pelo MEC ao G1 na noite desta quinta, a mudança passa a levar em conta determinação do PNE, aprovado em 2014 e com vigência até 2024. Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em dezembro de 2017, diz que a alfabetização deve ser "o foco" durante os dois primeiros anos do fundamental, mas não chega a estipular um prazo máximo ou mínimo de conclusão do ciclo. A pasta não divulgou o documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quinta, durante a cerimônia que marcou os 100 dias do novo governo, e não especificou nenhum dos objetivos da política. "O decreto que institui a política será oficializado com a publicação no Diário Oficial da União", afirmou o ministério, que não informou quando isso aconteceria. "A principal mudança trazida pela Política Nacional de Alfabetização é a fundamentação de novos programas e ações em evidências das ciências cognitivas, como foi feito em diversos países que melhoraram a qualidade da alfabetização, como Portugal, França, Reino Unido, EUA e Finlândia", diz o MEC. Nenhum método determinado Na nota, o MEC afirmou que "a PNA não determina nenhum método especificamente" e que as redes poderão aderir ou não à nova política, mas não mostrou o texto que foi incluído no decreto para orientar as redes sobre como elaborar os projetos pedagógicos das turmas de alfabetização. Outras mudanças em relação ao rascunho que vazou para a imprensa na semana passada é que, segundo o MEC, a ideia é promover ações não só para alfabetizar as crianças, mas também para reduzir o analfabetismo de adultos. A pasta mais uma vez citou o PNE e a meta relacionada ao tema, que é "elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional". No rascunho anterior, a ideia era chegar a zero o número de pessoas com mais de 15 anos analfabetas no país, inclusive as analfabetas funcionais, ou seja, quem sabe ler e escrever, mas tem dificuldade de compreender e interpretar textos. Segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) de 2018, três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos eram considerados analfabetos funcionais. Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo MEC: "Hoje, no Palácio do Planalto, ocorreu o lançamento do decreto que institui a Política Nacional de Alfabetização (PNA). Essa política implementará programas e ações voltados à promoção da alfabetização baseada em evidências científicas, com o objetivo de melhorar os níveis de alfabetização no país com vistas a atingir as metas 5 e 9 do Plano Nacional da Educação (PNE). Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3o ano do ensino fundamental. Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional. A principal mudança trazida pela Política Nacional de Alfabetização é a fundamentação de novos programas e ações em evidências das ciências cognitivas, como foi feito em diversos países que melhoraram a qualidade da alfabetização, como Portugal, França, Reino Unido, EUA e Finlândia. A PNA pretende inserir o Brasil em um rol de países que escolheram a ciência como fundamento na elaboração de suas políticas públicas de alfabetização, trazendo os avanços das ciências cognitivas para a sala de aula. A ciência cognitiva da leitura, como um domínio das ciências cognitivas, apresenta um conjunto vigoroso de evidências sobre como as pessoas aprendem a ler e a escrever e quais são os melhores modos de ensiná-las. A PNA não determina nenhum método especificamente. A adesão dos entes federados aos programas e às ações da PNA será voluntária. O MEC está finalizando um caderno que explicará as diretrizes, os princípios e os objetivos da PNA. O decreto que institui a política será oficializado com a publicação no Diário Oficial da União."
    Projeto de lei que pretende regulamentar a educação domiciliar no Brasil prevê provas anuais e cadastro no MEC

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    Medida visa criar regras para quem prefere educar os filhos em casa. Antes de entrar em vigor, o texto precisa tramitar no Congresso. Governo tem projeto com regras para a educação em casa O projeto de lei com as regras que pretendem regulamentar a...


    Medida visa criar regras para quem prefere educar os filhos em casa. Antes de entrar em vigor, o texto precisa tramitar no Congresso. Governo tem projeto com regras para a educação em casa O projeto de lei com as regras que pretendem regulamentar a educação domiciliar no Brasil prevê provas anuais de certificação de aprendizagem e cadastro dos estudantes no Ministério da Educação (MEC). O texto, que ainda precisa tramitar no Congresso para entrar em vigor, foi divulgado nesta quinta (11) pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro assinou o projeto em um evento sobre os 100 dias de governo. A educação domiciliar é uma modalidade de ensino em que pais ou tutores assumem o processo de aprendizagem das crianças, ensinando a elas os conteúdos ou contratando professores particulares para isso. No entanto, não há regras para a prática. Em setembro de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, com a atual legislação, os pais não podem tirar filhos da escola para ensiná-los em casa. Entretanto, a maioria dos ministros admitiu que a prática poderá se tornar válida se for aprovada uma lei que permita avaliar não só o aprendizado, mas também a socialização do estudante educado em casa. Ministros em sessão do STF que julgou ação sobre educação dos filhos pelos pais em casa Carlos Moura/SCO/STF Agora, o projeto de lei traz, segundo o governo, "os requisitos mínimos que os pais ou responsáveis legais deverão cumprir para exercer esta opção, tais como o cadastro em plataforma a ser oferecida pelo Ministério da Educação e possibilidade de avaliação". Confira os principais pontos: Garante aos pais a liberdade de optar entre a educação escolar ou domiciliar Exige o cadastro obrigatório dos estudantes em uma plataforma do Ministério da Educação O MEC fará análise e aprovação do cadastro Para se cadastrar no MEC, os pais precisam apresentar certidão com antecedentes criminais e a carteira de vacinação atualizada Os estudantes precisarão fazer provas anuais de avaliação da aprendizagem. Se as crianças forem reprovadas por dois anos seguidos, ou três anos não consecutivos, os pais perderão o direito de educar os filhos nesta modalidade É preciso apresentar um plano pedagógico individual proposto por pais ou responsáveis legais Os pais ou os responsáveis legais deverão manter registro periódico das atividades pedagógicas do estudante Principais pontos do projeto de lei da educação domiciliar Igor Estrela/Arte G1 Equilíbrio O objetivo, de acordo com o projeto, é assegurar "a isonomia de direitos entre os estudantes em educação escolar e os estudantes em educação domiciliar". Isso porque, segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), as famílias e estudantes relatavam preconceito por serem adeptos desta modalidade. O texto prevê que os estudantes da educação domiciliar poderão participar de "concursos, competições, avaliações nacionais instituídas pelo Ministério da Educação, avaliações internacionais, eventos pedagógicos, esportivos e culturais, incluídos aqueles em que for exigida a comprovação de matrícula na educação escolar como requisito para a participação", diz o documento. No artigo 205, a Constituição trata a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”, a ser “promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”. O objetivo é o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que os menores tenham "acesso à escola pública e gratuita próximo de sua residência". De acordo com o governo, o projeto de lei pretende preencher a lacuna legal para que os adeptos da educação domiciliar não sejam recriminados por abandono intelectual. Críticas e debate As críticas mais comuns ao método são sobre a possibilidade de a criança ter uma socialização mais restrita e não ter acesso a outras formas de ver o mundo. Outras dizem respeito à proteção dos menores, já que a escola geralmente identifica violências praticadas dentro de casa contra as crianças. Para Cesar Callegari, sociólogo, membro do CNE e ex-secretário de Educação Básica do MEC, o projeto deve ser rejeitado no Congresso. "A não ser em casos excepcionais já previstos nas normas nacionais em vigor, a educação domiciliar é prejudicial à formação integral das crianças e jovens e afronta um importante direito estabelecido pela recém aprovada BNCC." - Cesar Callegari, ex-secretário de Educação Básica do MEC Para Carlos Vinícius Reis, diretor-executivo da Associação Nacional da Educação Domiciliar (Aned), a questão da socialização é um mito. "Na escola, as crianças ficam restritas a um grupo. Na educação domiciliar, ela pode ir a museus, praticar atividades esportivas, ter acesso a mais de um grupo de socialização" - Carlos Vinícius Reis, diretor-executivo da Aned Baixe o PDF com a íntegra do projeto de lei Famílias que são críticas aos métodos atuais de educação estão se voltando à educação domiciliar Divulgação
    Como soluções matemáticas criadas por uma jovem cientista possibilitaram 1ª foto de buraco negro

    Como soluções matemáticas criadas por uma jovem cientista possibilitaram 1ª foto de buraco negro


    Katie Bouman liderou desenvolvimento de algoritmo que permitiu conectar dados coletados ao redor do mundo, formando uma imagem única e inédita. Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada Por trás da histórica imagem...


    Katie Bouman liderou desenvolvimento de algoritmo que permitiu conectar dados coletados ao redor do mundo, formando uma imagem única e inédita. Astrônomos apresentam a primeira imagem de um buraco negro já registrada Por trás da histórica imagem de um buraco negro divulgada ao mundo nesta quarta-feira (10) estão anos de trabalho de uma jovem cientista americana que liderou a criação de um algoritmo fundamental para esta mais nova conquista da ciência. Algoritmos que montaram 1ª imagem de um buraco negro foram criados com ajuda de pesquisadora de 29 anos Katherine Bouman, ou "Katie" Bouman, como se apresenta, tem 29 anos, é doutora em engenharia elétrica e ciência da computação pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das universidades mais importantes do mundo, e professora visitante no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia). O que é um buraco negro, e por que há luz na primeira foto de um deles? Nesta quarta-feira (10), Katherine Bouman mudou sua foto de perfil em uma rede social para mostrar seu computador no processo de montar a imagem do buraco negro Reprodução/Facebook "Há mais de um século, Albert Einstein publicou pela primeira vez sua teoria da relatividade. Desde então, cientistas forneceram muitas evidências para sustentá-la. Mas uma das coisas previstas em sua teoria, os buracos negros, ainda não foram observados diretamente", explicou Bouman em 2016 durante uma palestra no evento TEDxBeaconStreet. "Apesar de termos algumas ideias de como estes buracos negros possam aparentar, ainda não conseguimos de fato tirar uma foto de um." Agora, finalmente em 2019, Bouman foi uma das protagonistas deste feito – e compartilhou em seu Facebook sua reação ao olhar para esta imagem inédita: "Observando incrédula a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro durante o processo de reconstituição (da imagem)". Como indica a legenda de Katie, "fotografar" um buraco negro é um longo processo de várias etapas – que inclui desde usar complexas fórmulas matemáticas a lidar com ruídos vindos do espaço. "Assim como um artista forense usa descrições limitadas para formar uma imagem usando seu conhecimento sobre o formato do rosto, os algoritmos de imagem que eu desenvolvi usam nossos dados limitados de telescópios para compor uma imagem", explicou a jovem no TEDxBeaconStreet. Um telescópio do tamanho da Terra A cientista e a equipe do projeto Event Horizon Telescope (EHT) – responsável pelo feito desta quarta-feira – costumam brincar que captar uma imagem do Sagittarius A, um buraco negro no centro da Via Láctea e que é um dos principais objetos de estudo do time, seria o mesmo que tentar fotografar uma fruta colocada na Lua. E, como para observar objetos cada vez menores no espaço, é preciso telescópios cada vez maiores, neste caso, a equipe precisaria de um telescópio do tamanho da... Terra. Por isso, o time do EHT bolou uma alternativa, digamos, mais viável – ainda que bastante complexa. O projeto reúne oito radiotelescópios ao redor do mundo – do Polo Sul ao Havaí, passando também pelo Chile e Espanha. Com esta rede, os cientistas mimetizam uma espécie de "telescópio virtual" do tamanho da Terra através de uma técnica chamada de interferometria (veja mapa abaixo). Pontos amarelos mostram onde estão os telescópios do projeto EHT. Reprodução / First M87 Event Horizon Telescope Results. I. The Shadow of the Supermassive Black Hole / The Astrophysical Journal Letters É a partir daí que entra o trabalho de Bouman: ela criou soluções matemáticas que preenchem lacunas de dados surgidas, por exemplo, com o atraso inevitável da entrada de ondas de rádio na atmosfera terrestre. Ela começou a fazer o algoritmo há três anos, quando ainda era estudante de pós-graduação no MIT, liderou o projeto, assistida por uma equipe do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica e do MIT Haystack Observatory. Seu trabalho também inovou na forma de combinar estes dados para recompor uma imagem. "Em linha gerais, temos trabalhado até aqui em como fazer a melhor imagem possível (do buraco negro)", explicou a jovem à BBC em 2017. "Mas, para começar, foi superdifícil. Não apenas os dados estão superespalhados, mas é incrivelmente barulhento. Temos que lidar com coisas como a atmosfera embaralhando o nosso sinal." Da sua abordagem inovadora, Bouman também tornou públicos os modelos criados e dados recolhidos neste processo, para uso de outros pesquisadores. Horas depois do lançamento da importante da foto, o nome da pesquisadora se tornou uma sensação internacional, com seu nome viralizando no Twitter. Bouman também foi saudada pelo MIT e pelo Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica nas redes sociais. Initial plugin text No Twitter, o MIT comparou a cientista com Margaret Hamilton, também pesquisadora da instituição que escreveu códigos que ajudaram a colocar o homem na lua. A postagem coloca fotos das duas lado a lado: à esquerda Bouman com pilhas de discos rígidos de dados da imagem do buraco negro e, à direita, Hamilton, com o código que ela escreveu. "Há 3 anos, a estudante de pós-graduação do MIT, Katie Bouman, liderou a criação de um novo algoritmo para produzir a primeira imagem de um buraco negro", escreveu o MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab nas redes sociais. "Hoje, essa imagem foi lançada." Agora, Bouman espera que sua equipe possa prosseguir com a realização de vídeos dos buracos negros – que, eventualmente, podem revelar outros aspectos físicos, como os campos magnéticos nestes objetos. Em seu currículo, a cientista diz também trabalhar para que "métodos computacionais expandam as fronteiras para a geração de imagens interdisciplinar".
    Bolsonaro assina decreto sobre a alfabetização no país

    Bolsonaro assina decreto sobre a alfabetização no país


    Proposta foi anunciada pelo governo para os primeiros 100 dias. Projeto ‘Alfabetização Acima de Tudo’ prioriza erradicar o analfabetismo no Brasil. Jair Bolsonaro participa de cerimônia dos 100 primeiros dias de governo no Palácio do...


    Proposta foi anunciada pelo governo para os primeiros 100 dias. Projeto ‘Alfabetização Acima de Tudo’ prioriza erradicar o analfabetismo no Brasil. Jair Bolsonaro participa de cerimônia dos 100 primeiros dias de governo no Palácio do Planalto Reprodução, NBR O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quinta-feira (11), o decreto da nova Política Nacional de Alfabetização no Brasil. A proposta estava entre a prioridades dos 100 dias de governo. Chamada de ‘Alfabetização Acima de Tudo’, a medida foi elaborada pela Secretaria de Alfabetização (Sealf). De acordo com o documento, as futuras ações e programas do governo terão por escopo a redução do analfabetismo, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da educação básica. Saiba quais são os decretos e projetos anunciados por Bolsonaro em cerimônia dos 100 dias de governo A deliberação não detalha qual será o método usado para a alfabetização na educação básica. Os decretos dos ministérios são enviados à Casa Civil para a análise final e depois são encaminhados para publicação no “Diário Oficial da União” (DOU). Após este protocolo, eles se tornam de fato oficiais. Além do decreto, Bolsonaro assinou dois projetos de lei. O primeiro diz sobre a educação domiciliar, que visa criar regras para quem prefere educar os filhos em casa. E o segundo é sobre o programa Bolsa Atleta, que será modernizado, segundo o governo. Estes textos também não foram divulgados e ainda não estão publicados no "Diário Oficial da União" e antes de entrar em vigor, precisa tramitar no Congresso. Alfabetização na educação básica Na prévia do documento, considerado um rascunho do que poderia fazer parte do programa de alfabetização nacional, o primeiro objetivo é “erradicar o analfabetismo absoluto" (quem não sabe ler e escrever) e erradicar "o analfabetismo funcional” (dificuldade de compreender e interpretar textos). Os "métodos fônicos" fazem parte da abordagem da alfabetização. Porém, o rascunho não indicou um método único específico para realizar a metodologia. Veja quais são os principais pontos da alfabetização no rascunho Sobre o "método fônico", em entrevista ao Ministério da Educação (MEC), Renan Sargiani, coordenador-geral de Neurociência Cognitiva e Linguística, disse que esta metodologia é uma “recomendação de que o ensino de leitura e de escrita deve começar por instruções explícitas em uma ordem sequencial lógica das relações entre os grafemas e os fonemas, ou seja, das letras e seus sons”. Segundo ele, a “abordagem fônica sintética” da alfabetização é “reconhecida como a mais eficiente”.
    Bolsonaro assina projeto de lei que pretende regulamentar a educação domiciliar no Brasil

    Bolsonaro assina projeto de lei que pretende regulamentar a educação domiciliar no Brasil


    Proposta estava entre as prioridades dos 100 dias de governo. Medida visa criar regras para quem prefere educar os filhos em casa. Antes de entrar em vigor, precisa tramitar no Congresso. Jair Bolsonaro participa de cerimônia dos 100 primeiros dias...


    Proposta estava entre as prioridades dos 100 dias de governo. Medida visa criar regras para quem prefere educar os filhos em casa. Antes de entrar em vigor, precisa tramitar no Congresso. Jair Bolsonaro participa de cerimônia dos 100 primeiros dias de governo no Palácio do Planalto nesta quinta (11) Reprodução, NBR O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quinta-feira (11) o projeto de lei que pretente regulamentar a educação domiciliar no Brasil. O texto não foi divulgado e ainda não está publicado no "Diário Oficial da União". A proposta estava entre as prioridades dos 100 primeiros dias de governo, completados nesta quarta. Antes de entrar em vigor, o texto precisa tramitar no Congresso. Além deste projeto de lei, Bolsonaro assinou um decreto que institui a Política Nacional de Alfabetização e estabelece as diretrizes para as futuras ações e programas. Ele também assinou o projeto de lei ordinária do Bolsa Atleta, que pretende modernizar o programa, segundo o governo. Estes textos não foram divulgados e ainda não estão publicados no "Diário Oficial da União". A educação domiciliar é uma modalidade de ensino em que pais ou tutores assumem o processo de aprendizagem das crianças, ensinando a elas os conteúdos ou contratando professores particulares. No entanto, não havia regras para a prática até então. No artigo 205, a Constituição trata a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”, a ser “promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”. O objetivo é o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que os menores tenham "acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência". Assim, deixar de matricular crianças na escola poderia ser interpretado como abandono intelectual. Agora, a medida provisória traz, segundo o governo, "os requisitos mínimos que os pais ou responsáveis legais deverão cumprir para exercer esta opção, tais como o cadastro em plataforma a ser oferecida pelo Ministério da Educação (MEC) e possibilidade de avaliação". Os atrativos e as polêmicas da educação domiciliar Casal explica por que não põe os filhos na escola A Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), estima que sejam 7,5 mil famílias ou cerca de 15 mil estudantes que praticam este tipo de ensino. Em comparação, foram registradas 48,5 milhões de matrículas nas 181,9 mil escolas de educação básica do país, segundo o Censo Escolar 2018 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em setembro de 2018, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que educação domiciliar exigiria a aprovação de uma lei que assegurasse a avaliação do aprendizado e da socialização das crianças. No governo de Jair Bolsonaro, o tema ficou a cargo do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Em janeiro, a ministra Damares Alves disse à colunista do G1 Andreia Sadi que a educação domiciliar (ou "homeschooling") garante aos pais o poder de gerenciar o aprendizado dos filhos e até ensinar mais conteúdo. "O pai que senta com o aluno duas, três horas por dia, pode estar aplicando mais conteúdo que a escola durante quatro, cinco horas por dia", disse Damares Alves. Quem pratica a educação domiciliar no Brasil? Famílias que são críticas aos métodos atuais de educação estão se voltando à educação domiciliar Divulgação A maior parte das famílias adeptas do "homeschooling", ou educação domiciliar, é crítica às escolas e ao método de ensino tradicional. "Isso pode ter muitas motivações, por exemplo religiosas, de a escola ensinar diferente da fé que a família professa; econômicas, de pagar-se impostos sem ter educação (pública) de qualidade; de dificuldade da escola em integrar a criança com deficiência ou pela dificuldade de adaptação da criança ao processo escolar", explica Maria Celi Chaves Vasconcelos, professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e autora de tese de doutorado sobre o tema. Dias explica que o modelo não exige que o pai e a mãe dominem todo o conteúdo escolar, nem que sigam a estrutura de disciplinas e conteúdo tradicionais: "Eles passam a ser mediadores - não precisam saber tudo, mas sim saber ensinar seu filho a aprender e a se tornar um autodidata. As crianças também fazem cursos esportivos, de idiomas e Kumon, por exemplo". Críticas As críticas mais comuns ao método são sobre a possibilidade de a criança ter uma socialização mais restrita e não ter acesso a outras formas de ver o mundo. Outras dizem respeito à proteção dos menores, já que a escola geralmente identifica violências praticadas dentro de casa contra as crianças. Para Carlos Vinícius Reis, diretor-executivo da Associação Nacional da Educação Domiciliar (Aned), a pouca socialização é um mito. "Na escola, as crianças ficam restritas a um grupo. Na educação domiciliar, ela pode ir a museus, praticar atividades esportivas, ter acesso a mais de um grupo de socialização", defende.
    Grupo da UFSCar lança aplicativo gratuito de simulado para vestibular com 10 mil questões

    Grupo da UFSCar lança aplicativo gratuito de simulado para vestibular com 10 mil questões


    Diretoria Regional de Ensino de São Carlos enviou indicação do aplicativo para diretores e professores para uso como treinamento no ensino médio da rede pública. UFSCar cria jogo de computador para ajudar no estudo para vestibulares Muitos...


    Diretoria Regional de Ensino de São Carlos enviou indicação do aplicativo para diretores e professores para uso como treinamento no ensino médio da rede pública. UFSCar cria jogo de computador para ajudar no estudo para vestibulares Muitos estudantes passam horas do dia em frente a celulares e computadores. Pensando nisso, um grupo de desenvolvimento de jogos educacionais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançou um aplicativo de simulado para vestibulares com mais de 10 mil questões. O Ludo Simulado é um jogo eletrônico gratuito voltado para ajudar estudantes na preparação das provas. O aplicativo reúne questões das áreas de biologia, física, geografia, historia, matemática, química, entre outras. O dispositivo está disponível para sistema Android e uma versão está sendo criada para iTunes. Segundo o coordenador do projeto e professor da UFSCar Elson Longo, a criação do aplicativo também teve como objetivo auxiliar professores em sala de aula. “O professor pode fazer um simulado, ver na hora quantas questões cada um acertou, quais acertaram e em quanto tempo demorou resolver", disse. Simulado Aplicativo Ludo Simulado pode ser baixado em celulares Claudinei Junior/G1 O aplicativo fornece ao estudante a opção de escolher a quantidade de questões, tempo médio para resposta e quais matérias quer colocar na simulação. Após responder o simulado, o sistema mostra um relatório com a quantidade de acerto e tempo total de realização. “A pessoa pode pautar a própria prova, colocando tempo para reposta de cada questão e simular como se fosse uma prova do Enem, por exemplo”, explicou o professor. Ludo Simulado conta com mais de 10 mil questões de vestibulares Reprodução Segundo Longo, o jogo eletrônico é uma oportunidade dos jovens aproveitarem o tempo livre para treinar resoluções de questões que caem em vestibulares. “Muitos estudantes fazem simulados em papel, mas como a maioria hoje em dia passa muito tempo em celulares, nosso objetivo é aproveitar as horas vagas deles e fazer com que brinquem e respondam as questões em vez de perder tempo com outras coisas”, contou Longo. Criação A primeira versão do jogo foi criada há 12 anos de maneira despretensiosa. Com orientação pedagógica, a 4ª versão do sistema foi lançada no inicio desse mês pelo Ludo Educativo. “Pegamos mais de 10 mil questões para não ficar muito repetitivo e maçante. Fomos orientados por uma pedagoga para ficar mais didático. O que falta muito hoje em dia são jogos benéficos que ajudem no ensino”, disse. Aplicativo do Ludo Simulado foi criado pelo grupo da UFSCar Ludo Educativo Claudinei Junior/G1 A Diretoria Regional de Ensino de São Carlos enviou uma indicação do aplicativo para diretores, vice-diretores, coordenadores e professores para uso como treinamento de estudantes do ensino médio da rede pública. “Nossos jogos têm dois milhões de acessos por ano. Estamos no século 21, tudo está mudando, inclusive na forma de estudar. Nossa sociedade é eletrônica, uma criança de dois anos usa celular, estamos nos adiantando e criando algo para auxiliar essas pessoas”, disse o Longo. Grupo educativo O Ludo Educativo é um projeto de extensão do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) da UFSCar, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto foi criado em 2014 e o site já teve 8 milhões de acessos. Composto por cerca de 30 pessoas, a equipe é formada por professores, estudantes e especialistas da UFSCar, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Claudinei Junior/G1 Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
    'Os mais excluídos são aqueles a quem é negado o direito a ler', diz autora de 'Ouro dentro da cabeça'; ouça podcast

    'Os mais excluídos são aqueles a quem é negado o direito a ler', diz autora de 'Ouro dentro da cabeça'; ouça podcast


    Maria Valéria Rezende escreveu livro que trata as aventuras e desventuras de um homem que roda o país em busca de um jeito de aprender a ler. Conheça a obra em entrevista com a escritora premiada com o Jabuti em 2001, 2009 e 2015. A história de um...


    Maria Valéria Rezende escreveu livro que trata as aventuras e desventuras de um homem que roda o país em busca de um jeito de aprender a ler. Conheça a obra em entrevista com a escritora premiada com o Jabuti em 2001, 2009 e 2015. A história de um "lutador" que roda o país em busca do tesouro que considera como o mais valioso é o tema do livro "Ouro dentro da cabeça", que rendeu o segundo dos quatro prêmios Jabuti recebidos por Maria Valéria Rezende. A própria autora conversa sobre a obra no terceiro episódio do podcast Livro Falado. Clique aqui para ouvir o episódio ou assinar o podcast "Ele, quando cresce um pouco, sai pelo mundo caçando um jeito de aprender a ler. Ele passa por várias situações pelas quais passam os mais excluídos do Brasil, aqueles a quem é negado o direito de aprender a ler", explica Maria Valéria Rezende. Durante o papo, que teve a participação da escritora e professora Isabela Noronha, a autora dá bastidores da obra e também reconta a sua trajetória desde a infância rodeada por livros em Santos, sua ação na resistência contra a ditadura e a descoberta da paixão pela educação popular. Isabela Noronha, escritora e professora, e a autora Maria Valéria Rezende participaram do terceiro episódio do podcast Livro Falado. Fábio Tito/G1 Initial plugin text
    Novo ministro do MEC anuncia troca de quatro secretários e da Secretaria-Executiva

    Novo ministro do MEC anuncia troca de quatro secretários e da Secretaria-Executiva


    Abraham Weintraub anunciou nomes para as secretarias de Educação Básica, de Educação Superior, de Regulação e Supervisão da Educação Superior e de Educação Profissional e Tecnológica, além de mudar o secretário-executivo mais uma vez. O...


    Abraham Weintraub anunciou nomes para as secretarias de Educação Básica, de Educação Superior, de Regulação e Supervisão da Educação Superior e de Educação Profissional e Tecnológica, além de mudar o secretário-executivo mais uma vez. O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do Ministro de Estado da Educação, Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), nesta terça-feira (9). Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo Um dia após tomar posse, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou, na tarde desta quarta-feira (10), a nomeação de quatro novos secretários para a pasta, além de mais uma mudança na Secretaria-Executiva do MEC. Em um comunicado divulgado pela assessoria de imprensa, o ministério afirmou que "o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu carta branca para Weintraub escolher todo o seu primeiro escalão". Na terça, nas cerimônias de posse e transmissão de cargo, o novo ministro disse que não é radical e que é capaz de entregar resultados. “Objetivo é acalmar os ânimos, colocar a bola no chão, pôr para rodar, republicanamente, respeitando diferentes opiniões”, disse Abraham Weintraub. Até as 15h desta quarta, os cargos de presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e diretor da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep seguiam vagos. O Inep é a autarquia do MEC que realiza o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que fica sob a responsabilidade da Daeb. Veja os nomes dos novos secretários do MEC: Antonio Paulo Vogel de Medeiros - secretário-executivo do MEC: Tem graduação em economia e direito e pós-graduação em administração financeira. É auditor de finanças e controle desde 1998. Participou do grupo de transição do governo de Jair Bolsonaro e atuava como secretário-executivo adjunto da Casa Civil – Weintraub, o novo ministro, era o secretário-executivo da Casa Civil. Rodrigo Cota - secretário-executivo adjunto do MEC: Tem graduação em administração de empresas e pós-graduação em relações e negócios internacionais. É analista de comércio exterior do Ministério da Economia, onde ocupava atualmente o cargo de diretor de Programas da Secretaria Executiva. Janio Carlos Endo Macedo - secretário de Educação Básica (SEB): Tem graduação em direito e MBA em formação geral para altos executivos. É funcionário aposentado do Banco do Brasil, onde foi gerente e diretor geral, além de diretor-presidente da BB Previdência. Antes de ser nomeado para o MEC, atuava na Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital. A SEB estava sem secretário definitivo depois do pedido de demissão de Tânia Leme de Almeida, em 25 de março. Arnaldo Barbosa de Lima Junior - secretário de Educação Superior (Sesu): Tem graduação em economia internacional e comércio exterior e cursa um MBA em economia e gestão. É analista técnico de políticas sociais e, segundo o MEC, foi um dos autores da reforma do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), em 2017. Já atuou nos ministérios do Planejamento e Fazenda, além de ter sido conselheiro fiscal de diversos bancos públicos. É diretor de Seguridade na Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe). Silvio José Cecchi - secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres): Tem graduação em biomedicina e é o único da lista de nomeados que já havia atuado no ministério da Educação. Entre 2016 e 2018, durante o governo de Michel Temer, foi diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Sesu e também secretário da Seres. Ariosto Antunes Culau - secretário de Educação Profissional e Tecnológica (Setec): Tem graduação em economia e pós-graduação em finanças empresariais, administração pública e políticas públicas e governo. É servidor público do Ministério da Economia e foi secretário de Planejamento do governo do Rio Grande do Sul e superintendente do Tesouro Estadual do governo de Goiás. Antes de ir para o MEC, era secretário de Gestão Corporativa do Ministério da Economia. Secretários mantidos Com a mudança, apenas duas secretarias do MEC foram mantidas desde o início do governo: a Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação (Semesp), e a Secretaria de Alfabetização (Sealf), que foi criada pelo novo governo e é ocupada por Carlos Nadalim, incumbido de apresentar uma nova política nacional para a alfabetização. Secretaria-Executiva Antonio Paulo Vogel de Medeiros é o quinto nome indicado publicamente para o cargo de secretário-executivo do MEC, considerado o "número 2" da pasta. Em janeiro, o primeiro a efetivamente assumir o cargo foi Luiz Antônio Tozi e, até agora, foi o que se manteve na função por mais tempo, pouco mais de dois meses. Ele foi exonerado em 12 de março após uma disputa interna entre grupos ligados aos militares e os seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Na época da exoneração, o nome de Rubens Barreto da Silva, que na véspera havia sido nomeado secretário-executivo adjunto. Porém, ele nunca chegou a ser nomeado ou tomou posse efetivamente do cargo. Em 14 de março, o então ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, anunciou por meio de seu perfil em uma rede social que a nova secretária-executiva seria Iolene Lima, que foi diretora de um colégio batista no Interior de São Paulo e, na época, tinha um cargo dentro da SEB. Lima também nunca chegou a ser nomeada oficialmente e, oito dias depois do anunciou, divulgou uma nota afirmando que fora informada de que não ficaria mais no ministério. A Secretaria-Executiva passou 17 dias sem comando definitivo, e só teve outro nome oficialmente nomeado no "Diário Oficial de União" em 29 de março. Na ocasião, o governo anunciou a escolha do nome do tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira para o cargo. Menos de duas semanas depois, com a troca de ministro, foi anunciada a mais recente troca de secretário-executivo. Initial plugin text
    Tradicional colégio de SP, Santa Cruz pune 30 alunos por bullying

    Tradicional colégio de SP, Santa Cruz pune 30 alunos por bullying


    Alunos teriam usado camisetas com apelidos ofensivos a um colega durante um acampamento fora da escola. Ao todo, seis alunos foram suspensos e 24 advertidos. Colégio pune 30 alunos por causa de bullying contra estudante O tradicional colégio Santa...


    Alunos teriam usado camisetas com apelidos ofensivos a um colega durante um acampamento fora da escola. Ao todo, seis alunos foram suspensos e 24 advertidos. Colégio pune 30 alunos por causa de bullying contra estudante O tradicional colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, puniu 30 alunos por bullying. Ao todo, seis alunos foram suspensos e outros 24 advertidos pela escola. O aluno que foi vítima do assédio moral deixou a escola. O caso aconteceu em um acampamento fora de São Paulo. O objetivo da viagem era justamente aproximar e promover a interação entre os alunos. Segundo a direção, um grupo de alunos do 3º ano do ensino médio ofendeu um colega com apelidos de mau gosto e ainda usou camisetas com esse apelido. O colégio disse que recebeu a denúncia no dia 1º de abril e procedeu "prontamente à apuração dos fatos" e iniciou "medidas educativas com os estudantes diretamente implicados". "O objetivo maior de nossa atuação é reforçar a incompatibilidade dos valores humanistas de nosso ideário com a intolerância, o desrespeito e a falta de diálogo", diz a nota do Santa Cruz. A direção do Colégio Santa Cruz disse também que já estavam programadas para os próximos dias palestras para pais e alunos sobre bullying. Estudantes do Santa Cruz assediaram moralmente um colega durante uma viagem Reprodução/TV Globo
    Prazo para pedir isenção da taxa de inscrição do Enem 2019 termina nesta quarta; saiba como fazer

    Prazo para pedir isenção da taxa de inscrição do Enem 2019 termina nesta quarta; saiba como fazer


    Todos os candidatos interessados precisam solicitar a isenção, incluindo estudantes do terceiro ano do ensino médio. O resultado será divulgado no dia 17 de abril. Prova enem Divulgação Termina às 23h59 desta quarta-feira (10) o prazo para...


    Todos os candidatos interessados precisam solicitar a isenção, incluindo estudantes do terceiro ano do ensino médio. O resultado será divulgado no dia 17 de abril. Prova enem Divulgação Termina às 23h59 desta quarta-feira (10) o prazo para pedir isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2019. O participante que deseja solicitar o direito de não pagar os R$ 85 da taxa e estiver dentro dos critérios do edital deve acessar a página do Enem 2019 e se inscrever. O resultado será divulgado no dia 17 de abril. As provas serão nos dias 3 e 10 de novembro. Isenção da taxa: entenda o NIS e outros itens exigidos na hora da solicitação Baixe o App do G1 Enem A isenção da taxa não significa a inscrição automática no exame. O candidato deverá voltar ao site do Enem 2019 e concluir a inscrição em maio. Até as 10h50 desta quarta, 3 milhões de pedidos de isenção já haviam sido feitos segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela prova. Quem pode fazer o Enem de graça? Pelas regras do edital, são quatro categorias de gratuidade: Estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública; Candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escola da rede pública; Aqueles que declararem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda, e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); Estudantes da rede privada que tenham bolsa integral e com renda per capita de até meio salário mínimo, ou até três salários mínimos de renda familiar. Inscrições As inscrições para o Enem deverão ser feitas de 6 a 17 de maio. Aqueles candidatos que precisarem pagar a taxa de inscrição deverão quitar o boleto entre os dias 6 e 23 de maio em agências bancárias, casas lotéricas e Correios. Arte/G1 Pedido de isenção: 1º a 10 de abril Justificativa de ausência no Enem 2018: 1º a 10 de abril Resultado da solicitação de isenção: 17 de abril Solicitação de recursos caso a isenção seja negada: 22 a 26 de abril Pedido de atendimento especial: 6 a 17 de maio Pedido de uso de nome social: 20 a 24 de maio Pagamento da taxa de inscrição: 6 a 23 de maio Inscrições: 6 a 17 de maio Provas: 3 e 10 de novembro Gabarito: 13 de novembro Resultado individual: janeiro de 2020
    'Quem continuar na guerra, batendo, está fora', diz Abraham Weintraub ao assumir MEC

    'Quem continuar na guerra, batendo, está fora', diz Abraham Weintraub ao assumir MEC


    Economista, novo ministro tomou posse nesta terça; mais tarde, assumiu o cargo oficialmente. Antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez, ficou no cargo pouco mais de três meses. Abraham Weintraub e Ricardo Vélez Rodríguez durante a cerimônia de...


    Economista, novo ministro tomou posse nesta terça; mais tarde, assumiu o cargo oficialmente. Antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez, ficou no cargo pouco mais de três meses. Abraham Weintraub e Ricardo Vélez Rodríguez durante a cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Educação Andre Sousa/MEC Ao assumir oficialmente nesta terça-feira (9) o comando do Ministério da Educação, o novo ministro, Abraham Weintraub, disse que não aceitará divergências internas, e que quem criar brigas ou discordar dos rumos da pasta "está fora". Weintraub recebeu o cargo oficialmente em cerimônia com o antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez. Antes da transmissão do cargo, ele foi empossado no ministério pelo presidente Jair Bolsonaro. "A gente vai pacificar o MEC. Como funciona a paz? A gente está decretando agora que o MEC tem um rumo, uma direção, e quem não estiver satisfeito com ela vai ser tirado. Existe, sim, obrigação de uma pessoa que está no time. Ela pode ter as convicções pessoais que for. Eu tenho as minhas convicções pessoais", declarou o ministro. Novo ministro da Educação toma posse e diz que está aberto ao diálogo "Eu posso ter posições diferentes do que o presidente Bolsonaro acha. Eu tenho duas alternativas: ou eu obedeço, ou caio fora. [...] Isso não quer dizer que a gente é autoritário. A gente quer conversar, mesmo que a pessoa não tenha alinhamento ideológico igual ao nosso, a gente escuta as opiniões", complementou. Passado mais de um dia desde o anúncio da troca de ministro, a nova gestão ainda não indicou nenhum nome que comporá o primeiro escalão do MEC. Há, pelo menos, seis cargos estratégicos vagos. No discurso, Weintraub fez alusão às divergências internas entre grupos de poder. "Pacificar não significa que vamos ser amiguinhos, não. Quem continuar na guerra, batendo, está fora. Não tem segundo aviso", disse. Ao fim do discurso, ele repetiu o recado: "Pisou fora da linha, começou a 'plantar coisa', começou a brigar internamente, está fora na hora. [Se] O pessoal tem alinhamento anterior de esquerda, não vou atrás. Meu objetivo não é esse". Paradigma de eficiência Apesar de não indicar nomes, Abraham Weintraub disse que estará “desembarcando um time” no Ministério da Educação, e que pretende conversar com todo mundo de forma aberta, desarmada. O objetivo, disse, é transformar a pasta em um “paradigma de eficiência”. “Por que essa determinação? O MEC, toda essa estrutura gigantesca do MEC, esse orçamento de mais de R$ 120 bilhões, advém exclusivamente dos pagadores de impostos. É a ele que nós devemos total lealdade. Não vou dizer subserviência, mas o dever de prestar um serviço de excelência”, afirmou. “Com esses R$ 120 bilhões, a gente consegue entregar mais, deve entregar mais que os indicadores atuais do Brasil, internacionais. Eles são ruins. O Brasil gasta como país rico, e tem indicadores de país pobre per capita”, completou o ministro. Saída de Vélez Antes de transmitir o cargo, Vélez Rodríguez fez um balanço dos últimos três meses e disse que o novo ministro “encontrará a casa em ordem”, e as cinco secretarias, “funcionando a contento”. “Todas essas secretarias, me consta do ritmo de trabalho dos meus secretários. Começam às 8 horas da manhã e terminam à meia noite, muitas vezes. Porque estamos tentando colocar em prática o ideal do presidente Bolsonaro de o MEC estar a serviço do cidadão”, afirmou o ex-ministro. Vélez falou também sobre a “lava jato do MEC”, nome dado a um pacote de investigações internas que, segundo o ministério, apura mau uso do dinheiro público em gestões anteriores. “Estamos descredenciando faculdades que avançaram o sinal. Estamos entregando nas mãos da Justiça o nome de pessoas que fraudaram a boa fé dos brasileiros. Estamos, portanto, trabalhando na chamada lava jato do MEC. Muita gente diz: ‘foi desmontada’. Mentira, continua, eficiente. Não temos poder de polícia, somos administradores a serviço da educação”, ressaltou Rodríguez. O ex-ministro também criticou a cobertura da imprensa, e disse que foi alvo de campanhas difamatórias. Segundo ele, a ideia de que o MEC estava parado, ou sem direção, é mentirosa. “Mentira se combate com fatos. Me desgastei, paguei um preço, mas não me arrependo. Nunca esmoreci na tentativa de tirar a limpo os maus manejos, as más práticas (...) o desrespeito com o dinheiro do contribuinte”, declarou. “Quando o presidente Bolsonaro me dizia que tinha terminado a minha missão, não fiquei triste. Achei que era uma etapa, uma meta cumprida”, disse Vélez, que deve retomar a carreira de professor de filosofia em Londrina (PR). Cúpula vazia Até a tarde desta terça, pelo menos seis cargos importantes no primeiro escalão do MEC e das autarquias ligadas à pasta estavam vazios. Eles chegaram a ser ocupados na gestão Vélez, mas os servidores foram exonerados após brigas internas e polêmicas de ampla repercussão. A lista inclui: O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelas avaliações nacionais; O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, diretamente ligado à elaboração e à aplicação do Enem; O chefe de gabinete do ministro; O chefe de gabinete do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); O secretário de Educação Básica do MEC; A chefia da assessoria de comunicação do MEC. Initial plugin text
    Unicamp: convênios com iniciativa privada para desenvolvimento de tecnologias crescem 53% em 2018

    Unicamp: convênios com iniciativa privada para desenvolvimento de tecnologias crescem 53% em 2018


    Dados da Agência de Inovação da universidade mostram ainda aumento no número de patentes e no investimento para pesquisa e inovação. Unicamp fez 75 acordos no ano passado O número de convênios firmados entre a Universidade Estadual de Campinas...


    Dados da Agência de Inovação da universidade mostram ainda aumento no número de patentes e no investimento para pesquisa e inovação. Unicamp fez 75 acordos no ano passado O número de convênios firmados entre a Universidade Estadual de Campinas (SP) (Unicamp) e empresas do setor privado para o desenvolvimento de novos produtos ou tecnologias cresceu 53% no último ano, passando de 49 em 2017 para 75 em 2018, segundo a Agência de Inovação da universidade (Inova). As licenças para novos produtos também cresceram: em 2017 foram 100 e em 2018, 115, um aumento de 15%. O valor recebido em royalties em razão do licenciamento de novas patentes também teve aumento, passando de R$1,39 milhão para R$1,70 milhão, valor que é dividido entre a reitora da Unicamp, o inventor e o instituto de pesquisa onde foi desenvolvido. Contudo, o maior salto diz respeito ao valor investido: em 2017 foram investidos R$64 milhões e em 2018, R$134 milhões. Um aumento de 110% em pesquisa e desenvolvimento. Vista aérea do campus da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV Recorde Em nível de proteção intelectual, a Unicamp atingiu o novo recorde de 71 patentes concedidas e 72 novos pedidos de patentes em 2018, atingindo 1027 grupos de patentes vigentes no portfólio da Unicamp. Para a universidade, os resultados positivos demonstram o reconhecimento e relacionamento da Unicamp com a indústria, que tem utilizado os recursos da universidade para melhorar seus produtos e processos. O diretor executivo da Inova, professor Newton Frateschi, diz que os números surpreenderam, e mostram que a universidade está cumprindo com o seu papel. "Essas empresas, tendo melhores resultados, vão dar mais emprego, estão gerando mais impostos, melhorando o ambiente, o ecossistema socioeconômico da vizinhança, do país e do mundo como um todo. Então os resultados são bons pra todo mundo", salienta. Tese de doutorado que virou patente Dentre os casos de sucesso está a empresa de Efraim Albrecht Neto e do sócio, que surgiu dentro de uma pequena sala da universidade quando eles ainda eram alunos e já possui mais de 50 funcionários. O desafio é encontrar soluções para facilitar e melhorar a produtividade das plantações na área da engenharia agrícola. Foi lá que surgiu a ideia do dispositivo que funciona como uma espécie de balança que mede a quantidade de cana que está passando pela colhedora. A informação é processada por um sistema de computador que vai apontar como tratar a plantação em pontos específicos. Dispositivo desenvolvido na Unicamp faz a pesagem da cana-de-açúcar que passa pela máquina de colheita Reprodução/EPTV A ideia começou como tese de doutorado e, diante do interesse de uma empresa de São Carlos (SP), foi patenteada e licenciada. Com esse e outros projetos concretizados no mercado, Neto consegue hoje se orgulhar de ser o proprietário da empresa com a qual sonhava na universidade. "As vezes nós podemos ter uma ideia boa mas sem o suporte necessário pra gente conseguir transformar aquela ideia em um produto, uma solução, não vai adiantar muita coisa. Fora a parte acadêmica, você tem que ter uma parte profissional e foi nisso que a Unicamp ajudou a gente bastante no começo" Mercado internacional O professor Paulo Sergio Graziano Magalhães orientou o projeto, que começou como tese de doutorado na Unicamp Reprodução/EPTV O professor Paulo Sérgio Graziano Magalhães foi quem orientou o projeto ainda no início e quando viu que a ideia era viável, começou o trâmite. Ele conta que até existem outros mecanismos parecidos no mercado, mas a comercialização com países como a Colômbia e a Guatemala provam que o investimento valeu a pena. "Nós sempre acreditamos que a parceria entre a universidade e a iniciativa privada é muito importante. Porque se não a gente começa a desenvolver soluções que não vão à prática porque a gente não tem a capacidade, como universidade, de desenvolver uma ideia até transformar num produto realmente comercial - colocar na prateleira, atender o usuário, conseguir dar assistência técnica" "Tudo isso é muito importante e quem consegue fazer isso é a iniciativa privada. Nós estamos aqui pra desenvolver o produto, fazer um estudo básico, um estudo de viabilidade técnica, até um estudo econômico pra ver se aquela solução é economicamente viável", explica Magalhães. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.